Astrofísica

Um enxame de buracos negros

Imagem: Nasa / CXC / Stanford / Zhuravleva, I. et al. Imagem do centro da Via Láctea. O Sagitário A* fica na região delimitada pelo quadrado amareloImagem: Nasa / CXC / Stanford / Zhuravleva, I. et al.

Astrofísicos dos Estados Unidos e do Chile detectaram uma dúzia de buracos negros de massa pequena (algumas vezes superior à do Sol) no centro da Via Láctea, a galáxia que abriga o Sistema Solar (Nature, 5 de abril). Esse pequeno enxame de objetos está orbitando Sagitário A*, um buraco negro com massa equivalente à de 4 milhões de sóis. Os buracos negros não emitem luz, mas a matéria atraída por eles, ao rodopiar antes de ser tragada, libera raios X. Os 12 objetos foram identificados com ajuda do Observatório Chandra de Raios X, um satélite da agência espacial norte-americana (Nasa) que passou 115 dias observando o centro da Via Láctea. O Sagitário A* está em uma região cheia de poeira e gás com alta formação de estrelas, algumas com massa suficiente para colapsar gravitacionalmente e formar buracos negros de pequena massa. A descoberta é fundamental para entender a interação entre os dois tipos de buracos negros. Para o astrofísico Rodrigo Nemmen, professor da Universidade de São Paulo (USP) especialista em buracos negros, a dificuldade de identificar os objetos detectados agora “é equivalente à de avistar uma bactéria na superfície da Lua”. A detecção desses objetos confirma uma previsão feita em 2000 pelos astrofísicos Jordi Miralda-Escudé e Andrew Gould. Na época pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, eles calcularam que haveria 25 mil buracos negros no centro da galáxia.