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Geologia

Uma possível origem das dunas de Plutão

NASA

Telfer, M. W. et al. Science. 1º jun.2018 Região de dunas na planície Sputnik, em PlutãoTelfer, M. W. et al. Science. 1º jun.2018

Poucos pesquisadores imaginavam que existissem dunas em Plutão, o escuro, gélido e diminuto planeta localizado nos confins do Sistema Solar. Elas, no entanto, parecem ser a explicação para as linhas paralelas que aparecem em imagens da planície Sputnik feitas em julho de 2015 pela sonda espacial New Horizons, da agência espacial norte-americana (Nasa), durante sua máxima aproximação do astro, rebaixado anos atrás para a categoria de planeta-anão. Com quase mil quilômetros (km) de extensão por 800 km de largura, a planície Sputnik é coberta de gelo e forma o lobo esquerdo da figura esbranquiçada em forma de coração. Em sua extremidade ocidental, próximo aos montes Al-Idrisi, a New Horizons fotografou o que um grupo internacional de pesquisadores sugere ser um campo de dunas – não seriam dunas de areia, como as dos Lençóis Maranhenses, mas formadas por grãos de gelo, semelhantes às do interior da Antártida. O problema era explicar como elas teriam se formado. Trinta vezes mais distante do Sol do que a Terra, Plutão tem temperaturas baixíssimas (230 graus Celsius negativos), atmosfera rarefeita e ventos que raramente ultrapassam 40 quilômetros por hora, insuficientes para levantar do chão os grãos finos de metano congelado e empilhá-los nas dunas. Analisando as imagens da New Horizons e fenômenos que originam dunas em outros planetas do Sistema Solar, um grupo internacional de pesquisadores, do qual participa o físico brasileiro Eric Parteli, parece ter encontrado a explicação. Grãos microscópicos de metano seriam ejetados do chão quando o Sol ilumina Sputnik e aquece um pouco os grãos de nitrogênio congelado, fazendo-os passar para o estado gasoso (Science, 1º de junho). O fenômeno, chamado sublimação, forneceria energia suficiente para arrancar grãos de metano, que seriam, então, transportados pelos fracos ventos de Plutão. “A inspiração para esse modelo é o que ocorre em Marte, onde a sublimação do gelo que cobre as dunas ejeta os grãos de areia”, explica Parteli, pesquisador da Universidade de Colônia, na Alemanha.