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Humor

Montanha-russa contra cálculo renal, canibalismo e mosca no vinho são destacados no Ig Nobel

Prêmio satírico da ciência pretende fazer rir, e depois pensar

Reprodução Mestre de cerimônias e mulher estátua responsável por iluminação com lanternaReprodução

A cerimônia do Ig Nobel, sátira do maior prêmio da ciência, aconteceu nesta quinta-feira (13/9) na Universidade Harvard, Estados Unidos, com dilúvios de aviões de papel, roupas bem-humoradas, uma opereta sobre um coração partido, iluminação feita por lanterna com um homem e uma mulher pintados como estátua e outras brincadeiras com participação de premiados pelo Nobel (o oficial). Pesquisadores de vários países compareceram para receber seus prêmios: uma escultura de um coração com um estetoscópio (tema destacado este ano), um certificado, uma nota de 10 trilhões de dólares do Zimbábue e um forte aperto de mão.

Em discursos curtíssimos – interrompidos pela tradicional menininha gritando de tédio caso passassem do tempo – pesquisadores fizeram seus agradecimentos e explicaram as pesquisas. Em medicina, supostamente um paciente foi a uma montanha-russa e dois minutos depois expeliu um cálculo renal. Em seguida, repetiu a experiência e foi outra vez bem-sucedido. A observação rendeu um artigo na revista The Journal of the American Osteopathic Association, em 2016.

O estudo da frequência e habilidade equivalentes com que chimpanzés imitam humanos e vice-versa, publicado este ano na Primates, foi premiada em antropologia. Normalmente entendida como forma de aprendizado, neste caso a imitação tem uma função social, ressaltaram os autores.

Especialistas em vinho aparentemente conseguem farejar uma única mosca drosófila na bebida, de acordo com artigo depositado em 2017 no repositório bioRxiv. Ao cair no líquido o inseto, antes de se afogar, libera um feromônio. A substância volátil, atraente para o sexo oposto da mesma espécie, aparentemente estraga o vinho ao paladar humano.

Pesquisadores portugueses afirmam que a saliva humana é eficaz para limpar superfícies sujas de quadros, esculturas e madeira torneada. “Mas não tente na bancada da sua cozinha”, alertou uma integrante do grupo premiado em química por meio de um vídeo enviado.

Em literatura, foi destacado um livro que indica a solução para o problema dos manuais de instruções – que ninguém lê, mas mesmo assim os fabricantes insistem em fazer cada vez mais complexos. A constatação de que a carne humana é menos calórica, do ponto de vista nutricional, em relação à de outros animais pôs o canibalismo sob outra perspectiva no prêmio de nutrição. O prêmio da paz foi para os efeitos de se xingar enquanto dirige e o de medicina reprodutiva foi para o uso de selos como método econômico para detectar ereções noturnas. Ainda em economia, foi estudado o alívio sentido por funcionários ao retaliar contra seus chefes espetando bonecos de vudu.

Hoje (15/9) os ganhadores apresentaram palestras gratuitas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, com transmissão por internet.