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Epidemiologia

Um possível ciclo silvestre de zika no Brasil

Cultura de células infectada com vírus zika

Léo Ramos Chaves

Pesquisadores brasileiros identificaram o vírus zika em carcaças de macacos encontradas em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e em Belo Horizonte, Minas Gerais. Os saguis e macacos-prego haviam sido mortos a tiros e pauladas pela população por receio de que estivessem infectados com o vírus da febre amarela. Os animais, na verdade, estavam infectados com o vírus zika, assim como os mosquitos coletados na região. As análises também mostraram que o vírus dos macacos era o mesmo que causa a doença em seres humanos. Em laboratório, os pesquisadores injetaram as amostras do zika em saguis-de-tufos–pretos e constataram que o vírus se multiplicava. O resultado sugere que, assim como os macacos da África, algumas espécies do Novo Mundo podem servir de reservatório para esse agente infeccioso (Scientific Reports, 30 de outubro). “Se for confirmado, isso muda completamente a epidemiologia da zika, já que passa a existir aqui um reservatório natural a partir do qual o vírus pode reinfectar a população humana com mais frequência”, contou à Agência FAPESP Maurício Nogueira, coordenador do estudo e virologista da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.