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Epidemiologia

Vírus em macacos e preguiças

Preguiça-de-coleira, portadora de anticorpos contra o vírus da dengue

Christian Mehlführer

Macacos e preguiças da Mata Atlântica do sul da Bahia abrigam uma diversidade inesperada de vírus transmitidos por insetos, incluindo os da dengue (EcoHealth, dezembro 2018). De 2006 a 2014, um grupo coordenado pela médica veterinária e epidemiologista Lilian Silva Catenacci, da Universidade Federal do Piauí, procurou anticorpos para 26 diferentes arbovírus (vírus transmitidos por mosquitos) em 196 amostras de sangue de 103 micos-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), 7 macacos–prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), 22 preguiças-de-coleira (Bradypus torquatus) e 7 preguiças-de-peito-marrom (Bradypus variegatus) da Reserva Biológica de Una e em fazendas próximas de Ilhéus e Una, sul da Bahia. Um terço (36%) dos animais tinha tido contato com arbovírus, principalmente os do gênero Flavivirus (33%), que reúne os vírus da dengue, febre amarela e zika. Anticorpos contra o vírus da dengue dos sorotipos 1, 2 e 3 foram detectados pela primeira vez em micos-leão-de-cara-dourada, uma espécie endêmica da região, e nas duas espécies de preguiça. Foi também o primeiro registro de exposição em preguiça-de-coleira do vírus da encefalite equina do leste, do grupo dos Alphavirus, que causa essa doença rara, também transmitida às pessoas pela picada de um mosquito infectado. O estudo indicou que os macacos e as preguiças foram expostos naturalmente a pelo menos 12 arbovírus, cuja transmissão para outros animais e pessoas depende de mosquitos. Anticorpos contra os vírus da dengue do sorotipo 2, Icoaraci e Ilhéus foram os mais frequentes em macacos e os contra o vírus Caraparu mais frequentes em preguiças.