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O Gabinete de Resistência de Materiais, em 1904 |
Aos 110 anos de idade completados em junho, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está investindo numa nova vocação. Habituado a responder a demandas da sociedade e do desenvolvimento industrial, como a produção de ensaios de materiais ou a elaboração de laudos sobre acidentes em obras, o IPT quer agora assumir um papel articulador da solução de grandes temas tecnológicos, antecipando-se às necessidades dos setores público e privado. Um símbolo desse novo modelo é o Centro de Pesquisas de Estruturas Leves, laboratório que o IPT irá inaugurar até dezembro no Parque Tecnológico de São José dos Campos, para pesquisa e desenvolvimento de novos materiais e estruturas metálicas. O objetivo é ajudar o país a desenvolver materiais que auxiliem a reduzir o peso dos aviões, dominando uma tecnologia essencial à competitividade no setor aeroespacial, com possíveis aplicações também na indústria automobilística e de petróleo. Com um investimento total de R$ 90,5 milhões, a iniciativa foi viabilizada por uma parceria que envolve a FAPESP, o IPT, a Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“O IPT atua nesse projeto como um aglutinador, negociando com órgãos de fomento e atraindo competências das universidades para desenvolver tecnologias que solucionem problemas complexos do setor industrial”, diz o diretor presidente do instituto, João Fernando Gomes de Oliveira, professor da Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, a ideia do laboratório não partiu do IPT, mas apontou um norte para a instituição. “Concluímos que a nossa relevância no futuro vai depender do envolvimento em grandes projetos estruturantes como esse”, diz João Fernando. Já existe um segundo projeto delineado, o laboratório de gaseificação de biomassa, que deverá operar num horizonte de cinco anos no Parque Tecnológico de Piracicaba, e irá articular esforços de empresas e investimentos públicos para superar gargalos tecnológicos na produção do etanol de segunda geração.
O objetivo é tornar viável a transformação da celulose, que está no bagaço de cana e na palha descartada na colheita, em álcool combustível, por meio da conversão em gás da biomassa e a subsequente liquefação do gás em etanol. Esse tipo de tecnologia, que promete multiplicar a produtividade da cana-de-açúcar brasileira, é objeto de um grande esforço de pesquisa sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. O consórcio interessado no laboratório do IPT inclui a Braskem, a Petrobras, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). As unidades de São José dos Campos e Piracicaba se agregarão a uma estrutura que atualmente se distribui por 67 prédios e ocupa mais de 96 mil metros quadrados nos municípios de São Paulo, Guarulhos e Franca. O instituto conta hoje com cerca de 500 pesquisadores e mais de 400 técnicos.