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	<title>Revista Pesquisa Fapesp &#187; Ecologia</title>
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	<description>Revista Pesquisa Fapesp</description>
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		<title>Plantas ameaçadas do cerrado são identificadas na Grande São Paulo</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 16:24:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Oliveira Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Botânica]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Biólogos identificam 273 espécies exclusivas de cerrado na Grande São Paulo]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_118472" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><img class="wp-image-118472" alt="Vista geral do Parque Estadual do Juquery" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/Vista-geral-do-Parque-Estadual-do-Juquery-300x273.jpg" width="270" height="246" /><p class="wp-caption-text">Vista geral do Parque Estadual do Juquery</p></div>
<p>A apenas 38 quilômetros do centro da capital paulista, entre os municípios de Franco da Rocha e Caieiras, o Parque Estadual do Juquery guarda centenas de espécies características do cerrado, algumas delas, inclusive, consideradas extintas em outras regiões do Estado. A constatação é de um grupo de pesquisadores do Instituto Florestal (IF), vinculado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Com base em um levantamento florístico realizado no parque, eles identificaram 420 espécies, das quais 273 são exclusivas da vegetação de cerrado, do tipo campestre e savânica. Detalhes do estudo foram publicados em março na <i>Série Registros</i>, editada pelo próprio IF.</p>
<p>Segundo João Batista Baitello, botânico do Instituto Florestal e responsável pela pesquisa, impressiona a quantidade de espécies presentes no parque que fizeram ou ainda fazem parte oficialmente do chamado livro vermelho de espécies ameaçadas. Na última edição deste catálogo (Resolução SMA 48 de 2004), cinco espécies com populações dentro dos limites do parque foram consideradas “presumivelmente extintas”. É o caso da <i>Oxypetalum capitatum</i>, subarbusto da família Asclepiadaceae recorrente em vegetação de campo-cerrado. Isso porque não havia registros de sua ocorrência nos herbários nos 50 anos anteriores à publicação.</p>
<p>A <i>Ipomoea </i><i>argentea</i>, arbusto da família Convolvuloaceae, com maior ocorrência em áreas de campo-cerrado, também já esteve na penúltima edição do mesmo livro (Resolução SMA 28 de 1998). Baitello explica que esse tipo de levantamento já havia sido feito antes, mas em escala muito menor. “Nosso estudo foi o primeiro a ser realizado naquela área. Concluímos que o Parque Estadual do Juquery engloba fragmentos de cerrado do Estado com elevado valor biológico”, afirmou.</p>
<div id="attachment_118473" class="wp-caption alignleft" style="width: 229px"><img class="wp-image-118473" alt="Ipomoea argentea, especie fez parte da listagem das ameacadas" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/Ipomoea-argentea-especie-fez-parte-da-listagem-das-ameacadas-270x300.jpg" width="219" height="243" /><p class="wp-caption-text"><em>Ipomoea argentea</em>, espécie fez parte da listagem das ameacadas</p></div>
<p>A partir das espécies identificadas, os pesquisadores constataram que o parque está protegendo 28 espécies de plantas ameaçadas de extinção. “O resultado desse levantamento poderá implicar em uma revisão e enquadramento de novas categorias, de menores graus de ameaça, nas próximas edições do livro vermelho, visto que as espécies estão protegidas em uma unidade de conservação de proteção integral localizada em plena Região Metropolitana de São Paulo”, explicou o botânico. Para ele, essa ocorrência reforça a importância do parque como uma das principais unidades de conservação dessas populações no Estado.</p>
<p>O cerrado é o nome dado ao bioma brasileiro caracterizado principalmente pela vegetação campestre e savânica – formada, sobretudo, por gramíneas, subarbustos, arbustos e pequenas árvores que se desenvolvem em regiões de áreas planas e de clima tropical com recorrência de períodos de seca. Atualmente, ele cobre cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados (km²), o que representa quase 23% do território nacional – é menor apenas que a Amazônia, que ocupa cerca de 3,5 milhões de km².</p>
<p>Um dos 25 biomas terrestres mais biodiversos e ameaçados do planeta, o cerrado em São Paulo ocupava 35 mil km² do território em 1800. Até 1962, 96,9% de sua cobertura original manteve-se preservada. Mas, segundo Baitello, a forte expansão da ocupação humana por todo o Estado a partir da segunda metade do século XX reduziu significativamente a vegetação original do bioma. “Em 39 anos de análise, o cerrado no Estado perdeu 94,1% de sua área original”, disse.</p>
<p>Hoje, o cerrado remanescente encontra-se altamente fragmentado e comprometido biologicamente, visto que ocupa apenas 0,83% da superfície do Estado. “Apenas 8,5%, aproximadamente, dos fragmentos remanescentes estão protegidos em unidades de conservação, o que corresponde a cerca de 17 mil hectares (170 km²)”, ressaltou o botânico. Na sua avaliação, não bastasse isso, o processo de fragmentação das vegetações de cerrado tem desencadeado a perda de habitats e de biodiversidade, reduzindo drasticamente o tamanho das populações, especialmente das de espécies raras. “Ela [a fragmentação] afeta o ecossistema em todos os níveis, interrompendo interações entre insetos e plantas, fauna e flora em geral, além de diminuir a rede de polinização, fragilizando e diminuindo a capacidade de recuperação dos ecossistemas”, explicou.</p>
<div id="attachment_118474" class="wp-caption alignright" style="width: 205px"><img class="size-medium wp-image-118474" alt="Oxypetalum capitatum, especie considerada presumivelmente extinta nos livros vermelhos" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/Oxypetalum-capitatum-especie-considerada-presumivelmente-extinta-nos-livros-vermelhos-195x300.jpg" width="195" height="300" /><p class="wp-caption-text"><em>Oxypetalum capitatum</em>, especie considerada presumivelmente extinta nos livros vermelhos</p></div>
<p>No Parque Estadual do Juquery, a área de ocorrência de cerrado é de 1.173 hectares, o que representa 0,5% da área total remanescente no Estado de São Paulo, que é de 238 mil hectares. “Embora não tenhamos dados concretos é provável que o remanescente de cerrado periférico no Planalto Paulistano não represente mais que 0,8% da área restante do bioma no Estado”, disse.</p>
<p>De acordo com os pesquisadores, a ocorrência de vegetação de cerrado em áreas de influência da mata atlântica se deve, entre outros fatores, à presença de solos de baixa fertilidade e as chamadas “<i>stones lines</i>” – uma linha de pedra a cerca de 30 centímetros de profundidade –, condição que dificulta o desenvolvimento de vegetação de porte maior. A região onde se insere o parque revela um regime climático com estação seca menos severa do que nas áreas principais de ocorrência dos cerrados no Estado.</p>
<p>Por isso, os pesquisadores recomendam a busca de outras áreas de ocorrência desses cerrados periféricos no domínio da mata atlântica na região de entorno do parque, com o intuito de criar novas unidades de conservação que preservem a diversidade biológica particular da região. “O cerrado é um banco de moléculas ainda a explorar e a sua biodiversidade é matéria-prima para a biotecnologia com ilimitadas possibilidades futuras”, afirmou Baitello. “É preciso estimular políticas públicas que levem à criação de novas unidades de conservação, instrumento que ainda está longe do mínimo requerido para uma proteção efetiva dessas particularidades”, concluiu.</p>
<p><i>Publicação</i> <i>científica</i><br />
BAITELLO, J. B., AGUIAR, O. T., PASTORE, J. A. e ARZOLLA, F. A. R. D. P. Parque Estadual do Juquery: refúgio de cerrado no domínio atlântico. <b>Série Registros</b>. IF Sér. Reg. São Paulo n. 50, p. 1-46. mar. 2013.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Plantas ameaçadas do cerrado são identificadas na Grande São Paulo' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/21/plantas-ameacadas-do-cerrado-sao-identificadas-na-grande-sao-paulo/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Plantas ameaçadas do cerrado são identificadas na Grande São Paulo' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/21/plantas-ameacadas-do-cerrado-sao-identificadas-na-grande-sao-paulo/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Plantas ameaçadas do cerrado são identificadas na Grande São Paulo' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/21/plantas-ameacadas-do-cerrado-sao-identificadas-na-grande-sao-paulo/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Plantas ameaçadas do cerrado são identificadas na Grande São Paulo' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/21/plantas-ameacadas-do-cerrado-sao-identificadas-na-grande-sao-paulo/' displayText='share'></span></p>
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		<title>A redescoberta de uma floresta</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 15:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fioravanti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Construção de rodoanel motiva expedições científicas à serra da Cantareira, na Grande São Paulo
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				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_117418" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117418" alt="O início de uma estrada: a vegetação nativa a ser removida em um dos canteiros de obra do trecho norte do rodoanel" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-1.jpg" width="290" height="274" /><p class="wp-caption-text">O início de uma estrada: a vegetação nativa a ser removida em um dos canteiros de obra do trecho norte do rodoanel</p></div>
<p>No início de fevereiro, em uma das expedições semanais dos pesquisadores do Instituto de Botânica às áreas a serem cortadas pelo trecho norte do rodoanel – a estrada de 180 quilômetros (km) de extensão em fase final de construção em torno da Grande São Paulo –, a botânica Cíntia Kameyama reconhece e colhe espécies de plantas provavelmente raras do cerrado que crescem em um campo ao lado de um sítio a seis quilômetros do aeroporto de Guarulhos. “A estrada vai passar aqui e esta área de mata vai desaparecer”, ela comenta, enquanto separa as plantas colhidas. “O último túnel do rodoanel começa ali”, diz o botânico Paulo Ortiz, apontando para um morro coberto de árvores, entre as quais se destacam as flores coloridas das quaresmeiras. Logo depois Regina Shirasuna volta de uma caminhada a um aglomerado de árvores carregando uma pá e vários sacos que escondem apenas a raiz das plantas que ela colheu: “Vou replantar ainda hoje”. Em seis meses de trabalho, as equipes de resgate tinham recolhido cerca de 200 plantas e as levado para serem cultivadas no instituto. Das 20 áreas visitadas, algumas eram usadas para desova de cadáveres ou encontros de grupos religiosos, que se reuniam em clareiras da mata para cantar alto e, quando os pesquisadores passavam, cumprimentavam com um “paz, irmão!”.</p>
<p>O trabalho de campo se intensificou em abril, quando outros grupos de botânicos começaram a resgatar bromélias e outras plantas raras penduradas nas árvores das matas a serem suprimidas nas bordas da serra da Cantareira, a maior floresta urbana do país, com 30 km de extensão, em boa parte já ocupada por bairros populares e condomínios luxuosos, na zona norte de São Paulo e em municípios vizinhos. Ao mesmo tempo, biólogos e veterinários entraram na mata para cortar a vegetação mais baixa e fazer muito barulho para resgatar filhotes e espantar para o alto da serra os que pudessem fugir. Eles trabalhavam com pressa: logo chegariam os tratores para remover a vegetação nativa das áreas que serão tomadas pelas pistas do trecho norte do rodoanel, que terá 44 km de extensão, boa parte em Guarulhos. Em três anos, quando estiver pronto, esse trecho completará o anel viário que deve desviar os caminhões que chegam de outras regiões do país e hoje têm de passar pelas avenidas marginais, dificultando o trânsito dos moradores da Grande São Paulo.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207.jpg" rel="lightbox[117409]" title="A redescoberta de uma floresta"><img class="alignleft size-medium wp-image-117419" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-300x271.jpg" width="300" height="271" /></a>Em consequência das exigências ambientais, impensáveis até há poucas décadas, quando as rodovias se impunham sem questionamentos sobre as florestas do país, provavelmente nunca antes uma estrada foi construída com tantos cuidados – até os engenheiros tiveram de abdicar da autonomia e trabalhar com pesquisadores dos institutos de Botânica e Florestal. Para complicar, a estrada teria de passar por bairros densamente povoados de São Paulo e Guarulhos e próxima ao Parque Estadual da Cantareira, uma área de preservação de remanescentes de mata atlântica. Com 80 km<sup>2</sup>, o parque abrange quatro municípios – São Paulo, Mairiporã, Caieiras e Guarulhos – e abriga 25% da área original e pelo menos 60% da cobertura vegetal da serra, além de proteger as nascentes que fornecem água para os moradores da metrópole desde o final do século XIX.</p>
<p>Desde que começou a ser planejado, há 10 anos, o traçado do trecho norte passou por transformações radicais para reduzir os impactos ambientais – uma das propostas era passar ao norte da serra da Cantareira, não ao sul, como no trajeto aprovado. “Examinamos dezenas de possibilidades de traçado, em interação com as prefeituras e as secretarias de meio ambiente dos municípios a serem atingidos”, diz Carlos Henrique Aranha, diretor da Prime Engenharia, empresa de gerenciamento ambiental contratada pela Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa pública responsável pela construção do trecho norte.</p>
<div id="attachment_117422" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117422" alt="A cidade e a serra: o Núcleo Cabuçu e o contínuo de florestas protegidas pelo parque (acima) e plantas coletadas em Guarulhos em fase de identificação botânica" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-3.jpg" width="290" height="180" /><p class="wp-caption-text">A cidade e a serra: o Núcleo Cabuçu e o contínuo de florestas protegidas pelo parque (acima) e plantas coletadas em Guarulhos em fase de identificação botânica</p></div>
<p>O traçado final é o resultado de muitas negociações, não só entre órgãos do governo. Os protestos e as pressões dos moradores da região norte da capital e dos municípios a serem atingidos pelas obras resultaram em vários ajustes: a estrada desvia de um campo de tênis, de uma caixa-d’água que havia sido recém-construída quando foi anunciada, de um condomínio de luxo e de uma paineira com 15 metros de altura repleta de bromélias. Mas vai ocupar o terreno da escola em uma avenida de terra na periferia de Guarulhos, que deverá ser refeita em outro lugar. Ninguém diz que o traçado da estrada – construída a um custo estimado em R$ 6,5 bilhões – é perfeito, mas “o de 10 anos atrás era mais impactante”, diz Geraldo Franco, pesquisador do Instituto Florestal. “A obra já foi bloqueada por causa da oposição de ONGs e órgãos ambientais do governo que analisaram os relatórios de impacto principalmente sobre a serra da Cantareira”, ele relata. A estrada que começou a ser construída vai cortar o parque por meio de túneis.</p>
<p><b>Repor o que cortar<br />
</b>Para reduzir o impacto da obra, a regra é simples: repor o que tiver de ser removido. A Dersa anunciou que garantirá uma indenização ou uma casa nova às 3.490 famílias atingidas pela obra. Há uma grande preocupação também com a fauna – incluindo cerca de mil cães e 800 gatos mantidos pelos moradores – e com a flora. “Possivelmente teremos menos resgates que no trecho sul, porque os animais terão para onde fugir”, disse o veterinário Plínio Aiub, coordenador do grupo de empresas responsáveis pelo afugentamento e resgate de fauna, em uma reunião de planejamento realizada no início de fevereiro na Dersa.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-117424" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-4.jpg" width="290" height="236" />Na região por onde a estrada vai passar, de acordo com inventários anteriores, vivem 234 espécies de aves, 49 de répteis e 65 de mamíferos – incluindo bugios, preguiças, veados, gambás e ouriços. Cogita-se a construção de túneis e corredores com cordas entre árvores nas estradas que cortam a serra para evitar atropelamentos e facilitar a passagem de animais. “Se vai funcionar? Só testando para saber”, diz o ecólogo Márcio Port-Carvalho, do Instituto Florestal.</p>
<p>A vegetação nativa que tiver de ser cortada terá de ser reposta: é o reflorestamento compensatório, como já foi feito no trecho sul, inaugurado em 2010, e deve ser adotado também no trecho leste, já em construção. Em 2007, como condição para a aprovação do projeto de construção do trecho sul, órgãos ambientais estaduais e federais determinaram que a Dersa replantasse 1.016 hectares de florestas (cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados), em áreas próximas à futura rodovia, para compensar a perda de 200 hectares de mata atlântica que cerca a Grande São Paulo. Até janeiro de 2012, em um terço das 147 áreas plantadas, a maioria das árvores tinha morrido ou não tinha crescido como se esperava, por causa de alagamentos, incêndios provocados, geadas, invasão de gado e oposição de moradores vizinhos (<i>ver</i> Pesquisa Fapesp <i>nº 191</i>).</p>
<p>Agora se prevê a reposição de cerca de mil hectares, em áreas próximas que ainda estão sendo identificadas. Um problema para o qual os especialistas ainda não encontraram solução é como repor as áreas de cerrado inesperadamente identificadas nos municípios de Guarulhos e Arujá, agora consideradas preciosas por representarem um tipo de vegetação eliminada com o crescimento das cidades e com obras como o aeroporto de Guarulhos. Planeja-se reaproveitar o solo que tiver de ser retirado nas novas áreas, mas não há garantia de que essa estratégia funcione, porque até hoje biólogos, agrônomos e engenheiros florestais não conseguiram manter de modo satisfatório as plantas do cerrado fora das áreas em que crescem naturalmente. “Os estudos sobre a produção de mudas de espécies do cerrado ainda são incipientes”, lembra Franco.</p>
<div id="attachment_117427" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117427" alt="À frente dos tratores: corte da mata baixa e resgate de plantas e animais" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-7.jpg" width="290" height="211" /><p class="wp-caption-text">À frente dos tratores: corte da mata baixa e resgate de plantas e animais</p></div>
<p>A movimentação de homens e máquinas envolvidos com a construção do trecho norte está aumentando a visibilidade da serra coberta de mata atlântica, que ajuda os moradores de São Paulo a se orientarem geograficamente, mas ainda é pouco conhecida. A cada ano, 90 mil moradores da cidade visitam o Parque da Cantareira (aberto apenas nos finais de semana), a 20 km do centro da cidade, de onde se pode ter uma magnífica vista da metrópole, a mil metros de altitude. Não é muito se comparado com o Parque do Ibirapuera, que recebe 70 mil pessoas apenas em um sábado de sol.</p>
<p>Como os visitantes, os levantamentos sobre os animais e as plantas do Parque da Cantareira não são abundantes. “Ainda temos muitas espécies de árvores, entre elas duas de cinamomos, para serem descritas”, diz João Batista Baitello, biólogo do Instituto Florestal. Em 2010, seu colega Frederico Arzolla apresentou 101 espécies de arbustos e árvores que crescem em clareiras que haviam sido formadas para a instalação de torres de transmissão de energia elétrica e em 2011 outras 179 espécies de árvores encontradas em 11 km de trilhas no interior do parque. Desde o início do século passado os estudos se concentram nas áreas mais preservadas do parque, como o Pinheirinho, que Baitello visitou pela primeira vez logo depois de ter sido contratado pelo instituto, em 1976. Seis anos depois, ele e Osny Tadeu de Aguiar apresentaram o primeiro levantamento amplo dessa região, com 189 espécies de árvores, entre elas algumas majestosas como o carvalho-nacional, o guatambu, a canela-preta, o jequitibá-branco, o pau-terra e o pau-furado, a maior de todas, com até 40 metros de altura e 3 de diâmetro. O parque abriga 678 espécies de árvores e 866 de animais já descritas, de acordo com o plano de manejo, o mais completo inventário feito até agora. Esse trabalho, que pode ser encontrado no <i>site</i> do Instituto Florestal, apresenta também áreas prioritárias que deveriam ser mais estudadas (<i>ver mapa</i>).</p>
<div id="attachment_117430" class="wp-caption alignleft" style="width: 208px"><img class="size-medium wp-image-117430" alt="Bromélias e orquídeas coletadas e mantidas em viveiros" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-8-198x300.jpg" width="198" height="300" /><p class="wp-caption-text">Bromélias e orquídeas coletadas e mantidas em viveiros</p></div>
<p>A diversidade biológica se deve à combinação de dois tipos distintos de mata atlântica, a ombrófila densa montana, encontrada em serras, e a semidecidual, com árvores que perdem parte das folhas nas épocas mais secas do ano, e à diferença de altitude, que varia de 775 a 1.200 metros. Segundo Alexsander Antunes, especialista em aves do Instituto Florestal, a época de frutificação de uma mesma espécie pode variar de acordo com a atitude: a palmeira-juçara, por exemplo, frutifica entre abril e junho nas regiões mais baixas e no final do ano nas mais altas, desse modo fornecendo frutos para arapongas e sabiás ao longo do ano todo.</p>
<p><b>Uma floresta de histórias</b><br />
A Cantareira está muito ligada à história da capital paulista. “Muito provavelmente as árvores utilizadas para fazer as vigas sobre as paredes de taipa do Pátio do Colégio, construído no século XVI, vieram da serra da Cantareira”, diz Baitello, que em seguida mostra uma placa de canela-preta com pelo menos 460 anos de idade com que um morador da cidade, José Nunes de Vilhena, presenteou dom Bento José Pickel, padre beneditino e curador do herbário do então chamado Serviço Florestal, mais tarde Instituto Florestal.</p>
<p>Como os fazendeiros buscavam mais terras para plantar café, chá ou cana-de-açúcar, o desmatamento na serra cresceu bastante até o final do século XIX, quando o governo estadual resolveu agir, desapropriando fazendas para proteger as nascentes ou riachos que abasteciam a cidade – o nome Cantareira, por sinal, vem da palavra cântaro, onde os moradores e viajantes guardavam água. “A conservação ambiental no estado de São Paulo começou aqui, antes mesmo do conceito de parque ou reserva”, diz Arzolla. O parque nacional mais antigo do Brasil, o de Itatiaia, foi criado em 1937.</p>
<div id="attachment_117425" class="wp-caption alignright" style="width: 271px"><img class="wp-image-117425" alt="Perereca de uma das áreas da futura estrada" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-9.jpg" width="261" height="232" /><p class="wp-caption-text">Perereca de uma das áreas da futura estrada</p></div>
<p>A criação do Serviço Florestal em 1911 e da Guarda Florestal um ano depois assegurou a preservação da mata e de boa parte dos animais que a habitavam. Onças-pintadas e catetos não foram mais vistos, em consequência da fragmentação da mata e da caça intensiva, mas o parque e as áreas próximas abrigam uma das maiores populações de bugios (<i>Alouatta clamitans</i>) do país. “Por aqui vivem centenas de bugios”, diz Port-Carvalho, que está terminando uma estimativa da população desses animais. Das quatro espécies de primatas nativas encontradas atualmente na serra da Cantareira, a única ameaçada de extinção é o sagui-da-serra-escuro ou <i>Callithrix aurita</i>. Uma das maiores ameaças é o cruzamento com outras espécies de saguis que não viviam na serra, como <i>Callithrix penicillata</i>. “Na semana passada, pela primeira vez, vi um <i>C. aurita</i> andando com um grupo de <i>C. penicillata</i> em uma área contínua à Cantareira”, relata Port-Carvalho.</p>
<p>“Dos parques de mata atlântica, este é o mais fácil para ver bichos, tanto macacos quanto aves”, diz Antunes, que mora em um condomínio a dois quilômetros do parque em cujo jardim vivem bugios, tucanos e 80 espécies de aves. Desde 2005 ele identificou no parque 250 espécies de aves, incluindo algumas que ainda não tinham sido vistas na cidade de São Paulo, como o gavião-de-sobre-branco, o pica-pau-rei e o corocoró. Macucos, já raros no estado de São Paulo, podem ser vistos pelo parque “com relativa facilidade”, ele diz. “Quando a gente chega ao alto da serra em um dia úmido, com a neblina subindo, pode-se ver pingos amarelos se movendo no solo”, relata Gláucia Cortez, bióloga do Instituto Florestal. Os pontos amarelos são os sapinhos-pingos-de-ouro ou <i>Brachycephalus nodoterga</i>.</p>
<div id="attachment_117451" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117451" alt="Uma das estradas que cortam a serra" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207-11.jpg" width="290" height="184" /><p class="wp-caption-text">Uma das estradas que cortam a serra</p></div>
<p>Não se sabe como as plantas e os animais vão reagir à redução da floresta, às obras e depois à estrada. “Os impactos negativos para alguns grupos de animais podem aparecer só depois de muitos anos, por isso é importante fazer monitoramentos de longo prazo”, alerta Port-Carvalho. Quem está planejando, abrindo ou acompanhando a nova estrada já está em alerta. “Seremos vigiados o tempo todo”, disse um engenheiro na Dersa. Eles temem que os moradores dos condomínios próximos à obra fotografem e divulguem pela internet qualquer irregularidade, assim que a virem.</p>
<p>Em meados de abril, Plínio Aiub, com sua equipe, já tinha encontrado – e removido para regiões mais seguras da mata – cobras e aranhas, além de terem visto bandos de macacos-prego que apareciam para espiar. “Fomos chamados para resgatar uma cascavel e encontramos uma <i>Phyllomedusa</i>, um gênero de perereca que normalmente vive em áreas baixas e úmidas, mas estava em uma região alta e seca”, diz ele. “No trecho sul, pegamos animais até o último dia da obra. Eles tendem a voltar para onde estavam antes.”</p>
<p><em>Artigos científicos</em><br />
ARZOLLA, F.A.R.D.P. <em>et al</em>. Composição florística e a conservação de florestas secundárias na serra da Cantareira, São Paulo, Brasil. <strong>Revista do Instituto Florestal</strong>. v. 23, n. 1, p. 149-71, 2011.<br />
Baitello, J.B.; Aguiar, O.T.; Rocha, F.T.; Pastore, J.A.; Esteves, R.. Estrutura fitossociológica da vegetação arbórea da serra da Cantareira – Núcleo Pinheirinho. <strong>Revista do Instituto Florestal</strong>. v. 5, n. 2, p. 133-61, 1993.<br />
LEONEL, C. (Org.). Parque Estadual da Cantareira: Plano de manejo. 1ª ed. São Paulo: Fundação Florestal, 2009 (livro eletrônico).
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/052-057_Cantareira_207.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='A redescoberta de uma floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/a-redescoberta-de-uma-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='A redescoberta de uma floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/a-redescoberta-de-uma-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='A redescoberta de uma floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/a-redescoberta-de-uma-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='A redescoberta de uma floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/a-redescoberta-de-uma-floresta/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Novas aves da Amazônia</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 15:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Pivetta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quinze espécies são descritas simultaneamente, na maior descoberta da ornitologia brasileira em 140 anos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_117152" class="wp-caption alignright" style="width: 286px"><img class="size-medium wp-image-117152" alt="Nova esoécie de gralha do gênero Cyanocorax, já ameaçada de extinção: encontrada apenas na borda de campinas naturais do sul do Amazonas" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-1-276x300.jpg" width="276" height="300" /><p class="wp-caption-text">Nova esoécie de gralha do gênero Cyanocorax, já ameaçada de extinção: encontrada apenas na borda de campinas naturais do sul do Amazonas</p></div>
<p>Desde a segunda metade do século XIX a ornitologia brasileira não dava uma contribuição tão significativa para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade: 15 novas espécies de aves da Amazônia nacional serão formalmente descritas pela primeira vez numa série de artigos científicos previstos para serem publicados em julho num volume especial do <i>Handbook of the birds of the world</i>, da espanhola Lynx Edicions. Esse tomo fecha uma coleção de 17 livros que, por seu caráter enciclopédico e didático, é adotada como fonte de consulta por ornitólogos profissionais e amadores.</p>
<p>Os autores das descrições pertencem a três instituições nacionais de pesquisa – Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), de Manaus, e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), de Belém – e ao Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania (LSUMNS), Estados Unidos. Os ornitólogos não apresentavam ao mundo, de uma só vez, numa única obra, um conjunto tão numeroso de novas aves brasileiras desde 1871, quando saiu o livro <i>Zur Ornithologie Brasiliens</i>. Nessa obra, escrita pelo austríaco August von Pelzeln (1825-1891), foram divulgadas 40 espécies de aves coletadas pelo naturalista Johann Natterer (1787-1843), também austríaco, em suas viagens pela Amazônia brasileira.</p>
<p>Onze das novas espécies são endêmicas do Brasil e quatro podem ser encontradas também no Peru e na Bolívia. Oito ocorrem somente a oeste do rio Madeira, na parte ocidental da Amazônia; cinco habitam exclusivamente terras situadas entre esse curso d’água e o rio Tapajós, no centro da região Norte; e duas vivem apenas a leste do Tapajós, no Pará, na porção mais oriental da floresta tropical. No volume especial do <i>Handbook</i>, os autores descrevem a morfologia (formas e estruturas), a genética e a vocalização (canto e sons) das novas espécies. Por meio de mapas específicos para cada espécie, mostram ainda seus locais de ocorrência. No entanto, até que o livro seja oficialmente publicado, o nome científico e alguns detalhes sobre a anatomia e o modo de vida das novas espécies não podem ser divulgados.</p>
<p>Dessas aves até agora desconhecidas e sem registro na literatura científica, a maior e mais espetacular é uma espécie de gralha, do gênero <i>Cyanocorax</i>, com cerca de 35 centímetros de comprimento, que vive apenas na beira de campinas naturais situadas em meio à floresta existente entre os rios Madeira e Purus, no Amazonas. “Essa gralha está ameaçada de extinção”, diz Mario Cohn-Haft, curador da seção de ornitologia do Inpa, principal descobridor do cancão-da-campina, nome popular cunhado para a ave. “Seu hábitat está em perigo e podemos perder a espécie antes de ter tido tempo de estudá-la a fundo.” Sua principal região de ocorrência é um complexo de campinas, distante 150 quilômetros ao sul de Manaus, numa área próxima à rodovia BR-319, que liga a capital amazonense a Porto Velho. A estrada está sendo reformada e os pesquisadores temem que o acesso facilitado ao local coloque em risco o hábitat da espécie. “A nova gralha também ocorre numa zona de campos naturais no sul do Amazonas, próximo a Porto Velho, onde há muitos colonos do Sul do país, que a confundem com a gralha-azul [um dos símbolos do Paraná]”, diz Cohn-Haft.</p>
<div id="attachment_117153" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117153" alt="Poiaeiro-de-chicomendes, nome popular de espécie a ser descrita da família Tyrannidae" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-3.jpg" width="290" height="192" /><p class="wp-caption-text">Poiaeiro-de-chicomendes, nome popular de espécie a ser descrita da família Tyrannidae</p></div>
<p>Com exceção de uma ave da ordem dos Piciformes, que inclui tucanos e pica-paus, as demais espécies amazônicas agora apresentadas à comunidade científica pertencem à ordem dos Passeriformes. Popularmente chamados de passarinhos, os membros desse grupo representam aproximadamente 55% das espécies de aves conhecidas, como os pardais, canários, bem-te-vis e tantas outras. Além da gralha e do parente distante dos tucanos, serão descritos no livro cinco espécies da família Thamnophilidae (na qual se incluem os papa-formigas), quatro da família Dendrocolaptidae (todas novas formas de arapaçus), três da vasta família Tyrannidae (que compreende 400 espécies presentes do Alasca à Terra do Fogo) e uma da pequena família Polioptilidae (composta por menos de 10 espécies, em geral aves vulgarmente denominadas balança-rabo).</p>
<p>Em termos numéricos, as novas espécies amazônicas representam um acréscimo de quase 1% na biodiversidade nacional de aves. “Somos o segundo país com maior número de espécies de aves conhecidas, cerca de 1.840”, afirma Luís Fábio Silveira, curador do setor de ornitologia do Museu de Zoologia da USP, um dos coordenadores da iniciativa. “Apenas a Colômbia tem mais espécies do que nós, aproximadamente 1.900. Mas, daqui a uma década, devemos chegar às 2 mil espécies de aves conhecidas no Brasil. Há vários exemplares de aves desconhecidas nos museus brasileiros, oriundos de diversos biomas, que serão descritos nos próximos anos.”</p>
<p>As aves são o grupo de vertebrados mais estudado da biologia. No entanto, parece haver muito a ser conhecido, especialmente na Amazônia, ainda que esse bioma tenha sido alvo de muitas pesquisas nas últimas décadas. “A biodiversidade em geral, e mesmo a de aves deste bioma, está longe de ter sido completamente amostrada”, diz o ornitólogo Bret Whitney, pesquisador do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania e principal coordenador da empreitada. “Ainda falta muito para a Amazônia ser considerada suficientemente bem conhecida e, assim, permitir o planejamento e a sustentabilidade das reservas de biodiversidade já existentes e também das futuras.” Em paralelo à vida acadêmica, Whitney é sócio de uma empresa de ecoturismo, a Field Guides, que leva pessoas para observar aves em vários pontos do globo, inclusive da Amazônia.</p>
<div id="attachment_117154" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117154" alt="Nova espécie de arapaçu-de-bico-torto" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-4.jpg" width="290" height="212" /><p class="wp-caption-text">Nova espécie de arapaçu-de-bico-torto</p></div>
<p>Algumas das dezenas de expedições feitas pela Amazônia nos últimos 10 anos que levaram à descoberta de novas espécies foram custeadas, parcial ou totalmente, por um projeto de Silveira financiado pela FAPESP. Outras contaram com apoio do CNPq, do Ministério do Meio Ambiente, do Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, de secretarias estaduais e até da americana National Geographic Society. Numa dessas incursões pela floresta tropical, no ano passado, duas dezenas de pesquisadores e alunos de pós-graduação das instituições envolvidas no projeto alugaram durante um mês, por R$ 75 mil, um barco para percorrer o rio Sucunduri, um afluente do Madeira, em busca de novas espécies de aves.</p>
<p>Em outros momentos, os cientistas precisaram até do apoio de proteção armada para entrar em regiões que poderiam abrigar novas formas de aves. A localidade tipo de uma das novas espécies, um arapaçu-de-bico-torto, é a Floresta Nacional de Altamira, próxima à rodovia BR-163, no sul do Pará. A área é uma unidade de conservação do Ibama. “Mas, para podermos trabalhar com segurança na reserva, tivemos de ser escoltados por soldados do Exército brasileiro. Havia um garimpo ilegal em funcionamento na unidade”, conta Aleixo, da seção de ornitologia do MPEG. “A tensão de trabalhar num lugar assim é grande e, não fosse a presença do Exército, não teríamos conseguido.”</p>
<p>Modernamente, o processo de descrição de espécies recém-descobertas ocorre nas páginas de revistas científicas, não mais em livros. Mas a importância e a singularidade do conjunto de novas espécies de aves amazônicas fizeram os editores da enciclopédia e os autores dos trabalhos optarem por um caminho alternativo. Cada nova espécie foi alvo de um <i>paper</i> independente, um artigo científico, nos moldes do que seria preparado para um periódico acadêmico, e a equipe do <i>Handbook</i> contratou os serviços de um grupo de especialistas para atuar no processo de revisão por pares e aprovação dos textos com as descrições formais de cada espécie. Para a ciência, o texto que descreve e batiza com um nome em latim, composto de dois termos (gênero e espécie), uma nova forma de vida equivale ao atestado de nascimento da espécie. Serve também como uma documentação fundamental da biodiversidade de uma região, no caso das aves da Amazônia, e para a formulação de políticas públicas de caráter ambiental.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-11.jpg" rel="lightbox[117151]" title="Novas aves da Amazônia"><img class="alignleft size-medium wp-image-117156" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-11-300x264.jpg" width="300" height="264" /></a>A iniciativa de publicar todas as novas espécies de uma vez ganhou corpo no ano passado e foi coordenada por Whitney, Silveira, Cohn-Haft e Aleixo, sempre com a participação de alunos de pós-graduação de suas respectivas instituições. O grupo estava produzindo textos para o 17º volume do <i>Handbook</i>, que traria informações de espécies de aves descobertas recentemente em todo o mundo, entre 1992 e 2011. As espécies formalmente descritas pela ciência nesse período haviam ficado de fora dos demais 16 livros da série, que resumiam e organizavam dados de cada membro das famílias conhecidas de aves. Inicialmente, o volume especial da obra trataria de 68 espécies, todas já descritas formalmente em <i>papers</i> publicados em revistas científicas nas últimas duas décadas, o que dá uma média de menos de 4 novas espécies descobertas por ano. No final, o livro extra trará 83 espécies, incluindo as 15 da Amazônia cuja descrição científica ocorre excepcionalmente no próprio livro. Ao optar por revelar simultaneamente as novas espécies numa única obra, a ideia do grupo era chamar a atenção para a importância de preservar a biodiversidade da Amazônia, onde podem ser encontrados dois terços das espécies de aves presentes no Brasil. “Se publicássemos cada <i>paper</i> em separado, em revistas distintas, o impacto não seria o mesmo”, diz Silveira.</p>
<p>O ato de procurar por aves no meio natural remete à imagem de um sujeito de bermudas, camiseta, chapéu e binóculos na mão. Talvez uma máquina fotográfica também componha o cenário. No entanto, um item não mencionado é mais do que obrigatório para os ornitólogos: um gravador. A maioria das 15 novas espécies foi, inicialmente, identificada por seu cantar, que, aos ouvidos dos especialistas, apresentava caráter diferente ou pouco familiar. “Não é preciso ser superdotado para reconhecer um cantar diferente. É questão de treino”, diz Whitney. “É como reconhecer pelo primeiro acorde uma música nova de sua banda favorita.”</p>
<p>Há apenas duas décadas, a descrição de uma nova espécie de ave, como ocorria com a maioria dos seres vivos, se baseava apenas na singularidade de sua anatomia e aparência externa. Se a plumagem e as estruturas ósseas de um exemplar eram diferentes significativamente dos traços encontrados nas espécies conhecidas, esse animal podia ser rotulado como sendo de uma nova espécie. Hoje, além da morfologia, outros dois critérios fundamentais são usados para propor a existência de novas espécie de aves: a análise de suas vocalizações e de seu material genético. “Atualmente há pesquisadores que propõem a existência de uma nova espécie de ave mesmo quando apenas um desses três parâmetros se mostra distinto das demais espécies conhecidas”, afirma Silveira. “Fomos conservadores em nosso trabalho e propusemos uma nova espécie apenas quando encontramos divergências em pelo menos dois desses três critérios.”</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-2.jpg" rel="lightbox[117151]" title="Novas aves da Amazônia"><img class="alignright size-medium wp-image-117158" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-2-300x240.jpg" width="300" height="240" /></a>Com a ajuda de <i>softwares</i> especializados, o canto gravado de cada candidata a nova espécie de ave foi comparado com vocalizações homólogas de espécies semelhantes. Às vezes, bastaram uns poucos segundos de comparação para confirmar a primeira impressão captada pelo ouvido treinado dos ornitólogos: as frequências sonoras emitidas pelas novas espécies eram distintas dos cantos produzidos por aves aparentadas, mesmo de algumas espécies que lhes eram fisicamente extremamente semelhantes. De cada ave descoberta, os pesquisadores também sequenciaram alguns milhares de pares de bases de genes presentes no DNA nuclear e nas mitocôndrias, organelas celulares responsáveis pela produção de energia que têm genoma próprio, independente, frequentemente usado para estudos de filogenia.</p>
<p>O material genético foi comparado com o DNA de espécies já conhecidas a fim de averiguar sua singularidade e montar, quando possível, relações de parentesco ou uma árvore filogenética da nova espécie. “Para boa parte das novas aves que estamos descrevendo, a confirmação de que se tratava de espécies diferentes foi realmente obtida com a inclusão do aspecto genético nas análises”, comenta Aleixo. “Isso reforça a importância de que a coleta científica de espécimes tem que ser acompanhada pela obtenção de material genético, algo que, infelizmente, ainda não é praticado em vários museus e coleções de todo o Brasil.”</p>
<div id="attachment_117162" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-117162" alt="Bico-chato-do-sucunduri " src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_AvesAmazonia_207-8.jpg" width="290" height="291" /><p class="wp-caption-text">Bico-chato-do-sucunduri</p></div>
<p>Os estudos genéticos são capazes de revelar informações preciosas sobre as origens das espécies. A história evolutiva de duas novas aves agora descritas, dois chorozinhos do gênero <i>Herpsilochmus</i>, é bem ilustrativa do tipo de contribuição que pode ser obtida com essa abordagem. Ambas as espécies são quase iguais do ponto de vista morfológico, mas suas vocalizações são nitidamente distintas. Uma das aves habita um trecho da margem direita do rio Madeira e outra vive apenas na margem esquerda. Nesse caso, o Madeira, cuja distância entre as margens pode atingir quase 10 quilômetros em alguns pontos, funciona como uma barreira natural entre as duas populações de aves, que não mantêm contato uma com a outra. A separação prolongada dos dois grupos de chorozinhos levou ao processo evolutivo que os biólogos denominam especiação: o surgimento de uma nova espécie, no caso de duas, originadas da fragmentação de uma população ancestral comum e que hoje ocorrem em ambientes sem comunicação (efeito vicariante). Apesar das enormes semelhanças morfológicas entre as duas populações de chorozinhos, os estudos genéticos relevaram – e esse é o dado realmente surpreendente – que elas foram isoladas pelo Madeira 2 milhões de anos atrás.</p>
<p>O papel dos grandes rios da Amazônia, barreiras geográficas intransponíveis para muitas espécies, no surgimento de novas formas de vida é bem conhecido pela ciência. Segundo os ornitólogos, a novidade é que mesmo cursos d’água não tão monumentais podem desempenhar a mesma função em certos casos. Pelo menos três novas espécies foram descobertas, por exemplo, na região que fica entre os rios Aripuanã e Machado, no sul do Amazonas e norte de Rondônia: um dos chorozinhos acima mencionados, a choquinha-do-rio-roosevelt e o cantador-de-rondon (esses são os nomes populares das aves). Essa área, por onde passa também o rio Roosevelt, funcionou como um refúgio para espécies menores de aves, que ficaram “presas” e acabaram, com o passar dos anos, desenvolvendo características próprias no interior do território entre as margens dos cursos d’água. “Alguns rios da Amazônia foram mudando seu percurso ao longo da história evolutiva”, afirma Silveira. “Às vezes, esse processo de acomodação dos leitos de rios promove a separação de populações de aves que antes habitavam o mesmo ambiente.” Os numerosos rios que serpenteiam pela maior floresta tropical são uma caudalosa fonte de biodiversidade, dentro e fora de suas águas.</p>
<p><strong>Projeto</strong><br />
Sistemática, taxonomia e biogeografia de aves neotropicais: os Cracidae como modelo (2007/56378-0); <strong>Modalidade:</strong> Linha Regular de Auxílio a Projeto de Pesquisa. <strong>Coord.:</strong> Luís Fábio Silveira – MZ-USP; <strong>Investimento:</strong> R$ 86.928,28 (FAPESP).
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/05/018-023_Capa_Aves_207.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Novas aves da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/novas-aves-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Novas aves da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/novas-aves-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Novas aves da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/novas-aves-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Novas aves da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/novas-aves-da-amazonia/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Biota Educação III &#8211; Pantanal</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 21:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Biota Educação trata da ocupação e uso desordenado do solo no pantanal]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/Bt_KjatFAXc" height="315" width="560" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>A ocupação e o uso desordenado da terra por meio da agricultura e da pecuária nas regiões adjacentes às planícies pantaneiras são hoje uma das principais ameaças à conservação da biodiversidade local, destacaram os pesquisadores José Sabino, da Universidade Anhanguera-Uniderp, Walfrido Tomas, do Laboratório de Vida Selvagem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Pantanal), e Arnildo Pott, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), durante o terceiro encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, realizado em São Paulo em 18 de abril. Segundo eles, cerca de 5% do pantanal está protegido por áreas de conservação. Mas, embora essa abordagem seja bem aceita pelo poder público, na prática ela tem se mostrado ineficaz no que diz respeito à preservação dos animais da região.</p>
<p>Para saber mais, confira no vídeo a seguir o resumo das palestras, que abordaram também a origem, evolução e diversidade da vegetação e da fauna de vertebrados do pantanal, além de seu potencial para o ecoturismo. O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação é uma iniciativa do Programa Biota-FAPESP, em parceria com a revista Pesquisa FAPESP. Até o mês de novembro haverá mais seis palestras, que irão tratar dos conceitos, dos desafios e das principais ameaças relacionadas aos seguintes biomas brasileiros: cerrado, caatinga, mata atlântica e Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e da biodiversidade em ambientes antrópicos urbanos e rurais.</p>
<p>Para saber mais sobre o próximo encontro, acesse <a href="http://agencia.fapesp.br/17213" target="_blank">http://agencia.fapesp.br/17213</a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Biota Educação III &#8211; Pantanal' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/10/biota-educacao-iii-pantanal/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Biota Educação III &#8211; Pantanal' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/10/biota-educacao-iii-pantanal/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Biota Educação III &#8211; Pantanal' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/10/biota-educacao-iii-pantanal/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Biota Educação III &#8211; Pantanal' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/10/biota-educacao-iii-pantanal/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Degelo nos Andes é tema de entrevista com Jefferson Cardia Simões</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 17:35:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Atmosféricas]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estudo sobre derretimento de geleiras nos Andes é tema de entrevista]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O glaciologista Jefferson Cardia Simões, diretor do Centro de Pesquisa Climática e Polar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul conversa sobre levantamento realizado em parceria com pesquisadores da Universidad Mayor de San Andrés, em La Paz (Bolívia), sobre o encolhimento de 43% nos últimos 40 anos das geleiras da Cordilheira dos Andes, na América do Sul, e sua influência na Bacia Amazônica.</p>
<p>&#8220;Uma da característica especial principalmente dessas geleiras que chamamos de geleiras tropicais é que elas estão perto do ponto de fusão. O gelo, por incrível que pareça, é um gelo quente. Se a temperatura média da região aumenta um pouquinho, ela já começa a derreter. Ou seja, ela tem uma resposta muito rápida às variações na temperatura da atmosfera&#8221;, declara Simões.</p>
<p>Segundo o especialista brasileiro, a retração da massa de gelo sobre os Andes preocupa porque essa <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/degelo-nos-andes/" target="_blank">redução ameaça o volume das reservas aquíferas dos bolivianos e o fluxo das águas que alimentam os rios Madeira e o Solimões, no Brasil</a>.</p>
<p>Também nesta edição do programa, a antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz apresenta o livro “Um Olhar sobre o Brasil – A Fotografia na construção da imagem da nação”. Sob coordenação de Boris Kossoy, especialista em história da fotografia, o livro integra a coleção “História do Brasil Nação: 1808-2010”, que reúne artigos que ajudam a compreender o Brasil Contemporâneo.</p>
<p><b>Programação Musical</b><br />
Só vendo que beleza – Maria Bethânia e Omara Portuondo<br />
Duerme negrito – Mercedes Sossa<br />
Se você jurar – João Bosco<br />
Gracias a La vida – Elis Regina<br />
Amanhã ou depois &#8211; Nenhum de nós<br />
La Missionerita – Yamandú Costa</p>
<p><em>Apresentação: Fabrício Marques e Celso Filho.</em><br />
<em> Produção e roteiro: Biancamaria Binazzi</em><br />
<em> Gravação e Montagem: Beto Alves (Rádio USP)</em></p>
<p><em>Pesquisa Brasil</em> vai ao ar todas as sextas-feiras às 13:00, pela <a href="http://www.radio.usp.br/" target="_blank">Rádio USP</a>.<br />
<a href="http://feeds.feedburner.com/podcastrevistapesquisafapesp" target="_blank">Assine <em>Pesquisa Brasil</em> como podcast!</a></p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/Pesquisa-Brasil-35-degelo.mp3" target="_blank">Baixar o MP3</a><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/category/multimidia/podcast/" target="_blank"><em><br />
Veja aqui o arquivo do Pesquisa Brasil</em></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Degelo nos Andes é tema de entrevista com Jefferson Cardia Simões' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/19/degelo-nos-andes-e-tema-de-entrevista-com-jefferson-cardia-simoes/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Degelo nos Andes é tema de entrevista com Jefferson Cardia Simões' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/19/degelo-nos-andes-e-tema-de-entrevista-com-jefferson-cardia-simoes/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Degelo nos Andes é tema de entrevista com Jefferson Cardia Simões' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/19/degelo-nos-andes-e-tema-de-entrevista-com-jefferson-cardia-simoes/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Degelo nos Andes é tema de entrevista com Jefferson Cardia Simões' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/19/degelo-nos-andes-e-tema-de-entrevista-com-jefferson-cardia-simoes/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Intervenções sustentáveis</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Apr 2013 20:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Oliveira Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Interferência humana ajudou a manter a diversidade biológica do pampa, um dos mais complexos ecossistemas brasileiros]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_113203" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-113203" alt="Pampa, palavra de origem quíchua que significa região plana: reconhecido como bioma brasileiro apenas em 2004" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048_052_Biota_206-1.jpg" width="290" height="221" /><p class="wp-caption-text">Pampa, palavra de origem quíchua que<br />significa região plana: reconhecido como bioma<br />brasileiro apenas em 2004</p></div>
<p>O uso do fogo e a pecuária, juntos, têm desempenhado papel importante, e muitas vezes essencial, para a manutenção da diversidade biológica do pampa, um dos mais ricos, complexos e heterogêneos ecossistemas brasileiros. Pode soar estranho, mas estudos sugerem que essas duas formas de interferência humana, quase sempre agressivas à biodiversidade local, se bem manejadas, podem contribuir para conservar a vegetação campestre do sul do país por conter a invasão de florestas de araucária e o adensamento de plantas lenhosas na região e por favorecer o rebrotamento da vegetação nativa, muitas vezes usada na alimentação do rebanho bovino. Essa concepção pouco habitual de conservação ambiental foi o destaque das palestras dos biólogos Márcio Borges Martins e Ilsi Iob Boldrini, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), durante o segundo encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, realizado em São Paulo no dia 21 de março. Promovido pela coordenação do Programa Biota-FAPESP em parceria com a revista <i>Pesquisa FAPESP</i>, o evento contou também com a participação do biólogo Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).</p>
<p>De acordo com os pesquisadores, nos últimos mil anos o clima úmido, característico de zonas subtropicais, tem favorecido a expansão das florestas em detrimento dos campos, os quais originalmente constituem a paisagem recente da região sulina. “Se considerarmos o clima atual, praticamente toda a região sul do Rio Grande do Sul seria naturalmente coberta por vegetações florestais”, ressaltou Martins. Segundo ele, isso só não ocorreu devido à presença de grandes herbívoros que viviam ali e, mais recentemente, à introdução da pecuária. “O gado tem desempenhado papel fundamental na conservação dos pampas”, disse. E também o fogo, por frear o rápido avanço das florestas. “As queimadas podem ter sido essenciais na manutenção da dinâmica natural da vegetação campestre”, afirmou o biólogo. Alguns estudiosos acreditam que sua utilização esteja relacionada à chegada das populações indígenas à região, que o usavam para caça e manejo da terra, juntamente com um clima mais sazonal.</p>
<p>Para Martins, além do fogo e da pastagem, outros fatores que condicionam a composição e as características fisionômicas da vegetação dos campos incluem o tipo de solo, as secas, as geadas, o pisoteio dos campos por animais e as roçadas periódicas. Logo, concluiu o pesquisador, tais perturbações precisam ser levadas em conta ao se propor formas sustentáveis de manejo dos campos da região, já que esses são fatores que impedem a expansão das florestas em áreas campestres. O biólogo destacou, porém, que a má gestão dessas perturbações pode levar à degradação desse ecossistema.</p>
<div id="attachment_113204" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-113204" alt="Da esquerda para a direita: Eduardo Eizirik, Ilsi Iob Boldrini e Márcio Borges Martins" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048_052_Biota_206-2.jpg" width="290" height="175" /><p class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Eduardo Eizirik,<br />Ilsi Iob Boldrini e Márcio Borges Martins</p></div>
<p>Atualmente o pampa é o segundo bioma mais devastado do país – o mais degradado é a mata atlântica. Seus campos se espalhavam por 176,5 mil quilômetros quadrados (km<sup>2</sup>), o que corresponde a 63% do território gaúcho e a 2,1% do território brasileiro. Hoje apenas 36% da vegetação original dos pampas se mantém preservada, destacou Ilsi Iob Boldrini.</p>
<p>Segundo a bióloga, por estar restrito ao sul do Rio Grande do Sul, o bioma tem recebido pouca atenção do poder público no que diz respeito à implementação de políticas de conservação ambiental. Em parte, isso se deve ao fato de a região ter sido reconhecida oficialmente no mapa dos biomas brasileiros apenas em 2004, sendo sua diversidade biológica subestimada até então.</p>
<p>“Mesmo abrangendo uma área relativamente pequena, o bioma pampa é bastante heterogêneo; detém uma diversidade fisionômica e de hábitats variada, com campos planos, áreas rupestres e areais, além das áreas baixas, formadas por solos hidromórficos, inundáveis em muitas épocas do ano, e ambientes florestais. Trata-se de um bioma complexo, formado por uma diversidade de fitofisionomias, dentre as quais o campo dominado por gramíneas é o mais representativo”, comentou.</p>
<p>Para a pesquisadora, impressiona também a quantidade de novas espécies identificadas na região nos últimos anos. Mais de 2 mil espécies de plantas foram catalogadas, 990 delas endêmicas dos pampas. “Costuma-se pensar que a vegetação campestre é homogênea, que campo é tudo igual. No entanto, a diversidade de espécies encontradas nesses locais chega a ser três vezes maior que a de áreas florestais”, afirmou Ilsi. As famílias vegetais mais ricas nos pampas são a Asteraceae, com 380 espécies, a Poaceae, com 373, a Leguminosae, com 190, e a Cyperaceae, com 118.</p>
<p>Muitas, porém, estão ameaçadas de extinção, devido à substituição da vegetação original por lavouras de inverno e verão (sobretudo de soja, trigo e arroz), às práticas de silvicultura e ao sobrepastoreio pela pecuária, situação em que a exposição excessiva ao gado impede a recuperação dos campos. “A vocação da região é a pecuária, não a agricultura. Mas quando os rebanhos são mal administrados, também há degradação da vegetação”, destacou.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048-052_Biota_206.jpg" rel="lightbox[113192]" title="Intervenções sustentáveis"><img class="alignright size-medium wp-image-113205" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048-052_Biota_206-300x133.jpg" width="300" height="133" /></a>O estabelecimento de sistemas agrários diversos, e nem sempre sustentáveis, também tem acelerado a alteração da cobertura vegetal original. Em muitas propriedades, a quantidade de animais é, por vezes, muito maior que a capacidade de suporte da vegetação campestre. E na falta de pasto nativo muitos produtores acabam recorrendo ao plantio de espécies exóticas de gramíneas e leguminosas com aplicação de herbicidas, o que contamina o solo e a água subterrênea. Além da superexploração dos campos, a sua substituição por lavouras para a produção de grãos ou a obtenção de celulose está conduzindo à descaracterização da paisagem do bioma.</p>
<p>A aplicação de herbicidas sobre a vegetação original do pampa para introdução de espécies forrageiras, o manejo inadequado dos campos naturais e o uso indiscriminado do fogo também têm contribuído para a destruição desse bioma. E, apesar dos avanços recentes, a região dos campos sul-brasileiros permanece em grande parte insuficientemente conhecida. “Levantamentos florísticos e fitossociológicos ainda são necessários para se obter estimativas mais concretas da riqueza de espécies na região”, concluiu a bióloga.</p>
<p><b>Mudanças na paisagem</b><br />
Pouco conhecida também é a fauna de vertebrados do bioma pampa, destacaram os biólogos Eduardo Eizirik e Márcio Borges Martins. Atualmente, a preocupação com a conservação da diversidade da fauna da região tem aumentado devido à forte expansão da monocultura e do cultivo de eucalipto para celulose (silvicultura). “Desde a última década tem havido um forte incentivo por parte do poder público à prática da silvicultura em regiões mais carentes do estado tendo em vista seu desenvolvimento econômico”, disse Martins.</p>
<div id="attachment_113207" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-113207" alt="Introduzido pelos jesuítas no século XVI , o gado pode ter contido o avanço das florestas sobre os pampas" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048_052_Biota_206-4.jpg" width="290" height="218" /><p class="wp-caption-text">Introduzido pelos jesuítas no século XVI , o gado pode ter contido o avanço das florestas sobre os pampas</p></div>
<p>Segundo ele, muitas empresas já compraram vastas extensões de terra para o cultivo de eucalipto destinado à produção de celulose antes mesmo da realização de um zoneamento para identificar em quais áreas se poderia plantar. “A substituição de uma paisagem campestre por uma floresta densa como a de eucaliptos pode gerar diversas complicações para a manutenção da biodiversidade dos campos”, afirma.</p>
<p>Uma delas é o bloqueio do fluxo genético entre espécies. De acordo com Eizirik, as políticas de conservação da diversidade biológica local devem almejar a manutenção dos processos evolutivos naturais. “Populações de uma mesma espécie distribuídas por regiões geográficas distintas podem se tornar geneticamente diferenciadas”, comentou. Segundo o pesquisador, isso pode se dar por diversos fatores, entre eles o isolamento por distância, a própria seleção natural e o surgimento de barreiras que impedem o fluxo gênico. Essas barreiras podem variar de rios e regiões desérticas a florestas densas, como as de eucalipto. “Ignorar tais questões pode levar ao desaparecimento de algumas espécies importantes para a manutenção da biodiversidade local”, explicou Eizirik. Para ele, esse é um problema preocupante, já que o pampa se estende por outros países da América Latina, como a Argentina e o Uruguai. “Por isso é fundamental a realização de estudos filogenéticos e filogeográficos como base para a formulação de políticas de conservação da fauna de vertebrados nos campos sulinos”, afirmou.</p>
<p>Da mesma forma, as redes de unidades de conservação atuais estão muito aquém do ideal. Hoje a região conta com 11 unidades de conservação de proteção integral, entre parques e reservas ambientais, os quais cobrem uma área de 1.130 km<sup>2</sup>. “Isso corresponde a apenas 0,64% da área dos pampas”, ressaltou Martins. Em 2006, a Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio) já havia estabelecido nas Metas Nacionais da Biodiversidade para 2010 o objetivo de proteger 10% dos biomas terrestres em unidades de conservação, com exceção da Amazônia, para a qual o índice é de 30%. Para o biólogo, uma das razões pelas quais os pampas têm sido negligenciados pelas políticas de preservação é o pequeno impacto visual causado pela degradação dos campos. “Quando se perde parte de uma floresta há uma significativa mudança da paisagem. O mesmo não acontece quando se trata dos campos”, comentou.</p>
<p><b>Conhecer para melhor usar<br />
</b>Para os pesquisadores, apesar de a interferência humana historicamente fazer parte da manutenção da biodiversidade dos campos sulinos, ainda se está longe de alcançar um nível de compreensão que permita manejá-los de forma sustentável, sem comprometer a dinâmica natural da biodiversidade do bioma e a produtividade econômica da região. É fundamental, ressaltaram, revisar os modelos de gerenciamento dessas unidades de conservação, que impedem o manejo pelo fogo e pelo gado. “Há uma série de estudos que indicam formas sustentáveis de manejo da biodiversidade local que garantem as características dos pampas e o desenvolvimento da pecuária”, afirmou Martins. E completou: “É importante considerar os potenciais da região para outras finalidades, como a produção de energia eólica”.</p>
<p>O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação se estenderá até o mês de novembro e irá tratar dos conceitos, dos desafios e das principais ameaças relacionadas aos seis biomas brasileiros: pampa, pantanal, cerrado, caatinga, mata atlântica e Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e da biodiversidade em ambientes antrópicos urbanos e rurais (<em>ver programação <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/24/programacao-ciclo-de-conferencias-biota-fapesp-educacao/" target="_blank">aqui</a></em>). O objetivo é apresentar o estado da arte do conhecimento científico gerado no âmbito do Biota-FAPESP ao longo de seus 13 anos, em linguagem acessível para públicos diversos, de modo a melhorar a qualidade da educação científica e ambiental de professores e alunos do ensino médio do país.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2013/04/048-052_Pesquisa_206.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Intervenções sustentáveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/intervencoes-sustentaveis/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Intervenções sustentáveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/intervencoes-sustentaveis/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Intervenções sustentáveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/intervencoes-sustentaveis/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Intervenções sustentáveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/intervencoes-sustentaveis/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Doenças neurodegenerativas e suçuaranas</title>
		<link>http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/09/doen%c3%a7as-neurodegenerativas-e-su%c3%a7uaranas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=doen%25c3%25a7as-neurodegenerativas-e-su%25c3%25a7uaranas</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Nov 2012 19:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Envelhecimento do cérebro e suçuaranas são destaque no rádio]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Veiculado em 9 de novembro de 2012</em></p>
<p>Uma forma simples e pouco invasiva de medir o grau de envelhecimento do cérebro a partir de biomarcardores. É sobre isso que conversamos com o farmacologista Cristoforo Scavone, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, a partir de pesquisa que realiza ao lado de Tânia Marcourakis, da Faculdade de ciências farmacêuticas da USP, e Elisa Kawamoto, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Durante a entrevista, o pesquisador apresenta uma seleção musical sobre o tempo, com obras de Chico Buarque, Caetano Veloso e Cazuza. Leia mais na reportagem <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/o-cronometro-do-cerebro/" target="_blank"><em>O cronômetro do cérebro</em></a>.</p>
<p>Também nesta edição, a bióloga Camila Castilho apresenta os aspectos genéticos das populações de suçuaranas no Sul do Brasil. Em seu doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ela estudou amostras genéticas de onças-pardas de uma área que engloba grande parte de Santa Catarina, sul do Paraná e extremo norte do Rio Grande do Sul. <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/as-rotas-das-sucuaranas/" target="_blank">Saiba mais</a>.</p>
<p><strong>Programação Musical:</strong><br />
<em>As rosas eram todas amarelas</em> – Jorge Benjor<br />
<em>Valsa Brasileira</em> – Chico Buarque<br />
<em>O pé do Lageiro (Onde a onça mora)</em> – João do Vale e Tom Jobim<br />
<em>Oração ao tempo</em> – Caetano Veloso<br />
<em>O tempo não pára</em> – Cazuza</p>
<p>Apresentação: Fabrício Marques e Celso Filho.<br />
Produção e roteiro: Biancamaria Binazzi<br />
Gravação e Montagem: Beto Alves (Rádio USP).</p>
<p><em>Pesquisa Brasil</em> vai ao ar todas as sextas-feiras às 13:00, pela <a href="http://www.radio.usp.br/" target="_blank">Rádio USP</a>.<br />
<a href="http://feeds.feedburner.com/podcastrevistapesquisafapesp" target="_blank">Assine <em>Pesquisa Brasil </em>como podcast!</a></p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/11/pgm-19-scavone.mp3" target="_blank">Baixar o MP3</a><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/category/multimidia/podcast/" target="_blank"><em><br />
Veja aqui o arquivo do Pesquisa Brasil</em></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Doenças neurodegenerativas e suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/09/doen%c3%a7as-neurodegenerativas-e-su%c3%a7uaranas/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Doenças neurodegenerativas e suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/09/doen%c3%a7as-neurodegenerativas-e-su%c3%a7uaranas/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Doenças neurodegenerativas e suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/09/doen%c3%a7as-neurodegenerativas-e-su%c3%a7uaranas/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Doenças neurodegenerativas e suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/11/09/doen%c3%a7as-neurodegenerativas-e-su%c3%a7uaranas/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Evolução escrita nos cipós</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Oct 2012 20:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Zorzetto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Botânica]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Botânicos usam trepadeiras para compreender a origem de florestas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_25565" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-25565" title="" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/10/074-077_Lianas_200-1.jpg" width="290" height="191" /><p class="wp-caption-text">Cipós na Mata Atlântica em Itatiaia, Rio de Janeiro: lianas do grupo Bignonieae podem ajudar a recontar a história evolutiva de vários ecossistemas</p></div>
<p>Parece não haver desafio capaz de intimidar a botânica Lúcia Garcez Lohmann, especialista em sistemática de plantas da Universidade de São Paulo. Ao final do curso de biologia em 1995, aos 22 anos, ela se impôs uma tarefa que deixaria apreensivo qualquer pesquisador experiente. Decidiu buscar uma resposta definitiva para uma questão que havia dois séculos ocupava os botânicos: compreender como era o parentesco e a história evolutiva e biogeográfica das 382 espécies de cipós que se distribuem por uma vasta área das Américas, do sul do México ao norte da Argentina e do Chile, e contribuem para tornar as florestas tropicais tão diferentes das temperadas. Depois de visitar coleções em museus ao redor do mundo e passar meses em florestas das Américas Central e do Sul coletando novos exemplares, Lúcia construiu um sistema de classificação com base na relação de parentesco entre as espécies usando as características genéticas e morfológicas dessas plantas. Agora, ao mesmo tempo que começa a compreender quando, onde e como surgiu tamanha variedade de cipós – essas espécies representam quase metade das Bignoniáceas, família de plantas com flores em forma de sino que inclui árvores como os ipês e os jacarandás –, Lúcia está prestes a iniciar um projeto ainda mais ambicioso. Ela quer entender o que levou a floresta amazônica a abrigar a maior variedade de plantas e animais do mundo. Em resumo, o que permitiu à Amazônia ser a Amazônia.</p>
<p>Em colaboração com o ornitólogo norte-americano Joel Cracraft, ela coordenará pelos próximos cinco anos quase 30 pesquisadores – metade do Brasil e metade dos Estados Unidos – que analisarão dados sobre plantas, animais e o ambiente em busca de uma explicação para a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo. Aprovado em setembro, o projeto resulta de uma cooperação entre a FAPESP e a National Science Foundation, dos Estados Unidos. Por meio dos programas Biota-FAPESP e Dimensions of Biodiversity, cada fundação repassará cerca US$ 2 milhões para a pesquisa. “Não conheço outro projeto que se proponha a produzir uma visão tão abrangente e integrada da Amazônia”, diz Lúcia. “A ideia é fazer uma síntese de tudo o que se sabe da região e construir um modelo teórico que explique melhor a origem de sua biodiversidade.”</p>
<p>Há quase 40 anos se interpreta o surgimento da farta variedade de plantas e animais da Amazônia à luz da teoria dos refúgios, proposta no fim dos anos 1960 pelo geólogo alemão Jürgen Haffer e testada pelo zoólogo Paulo Vanzolini. Segundo esse modelo, alterações no clima deixaram a região mais seca e a floresta encolheu, passando a ocupar áreas restritas e isoladas. Chamadas de refúgios, essas áreas teriam permitido a sobrevivência de muitas espécies e favorecido o surgimento de outras, que se espalharam quando o clima voltou a ficar úmido e a floresta se expandiu. Submetida à prova várias vezes, a teoria dos refúgios parece não ser mais suficiente para explicar a biodiversidade amazônica (<em>ver </em><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/11/01/refugios-abalados/" target="_blank">Pesquisa FAPESP </a><em><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/11/01/refugios-abalados/" target="_blank">nº 129</a> e</em> <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?p=15931" target="_blank">Especial 50 anos FAPESP</a>).</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/10/074-077_Lianas_200-2.jpg" rel="lightbox[23903]" title="074-077_Lianas_200-2"><img class="alignleft  wp-image-19043" title="074-077_Lianas_200-2" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/10/074-077_Lianas_200-2.jpg" width="290" /></a>Uma das razões do questionamento é que a ideia dos refúgios como centros de diversidade de espécies pode ser consequência de uma distorção, já que em muitos casos os refúgios coincidem com as áreas de maior coleta de exemplares de plantas e animais. Assim, pode-se ter encontrado mais espécies nos refúgios porque se procurou melhor ali, e não por eles serem necessariamente mais ricos em espécies. “Quem estuda a biodiversidade testa a teoria dos refúgios por falta de opção”, comenta Lúcia.</p>
<p>Com o novo projeto, ela e Cracraft esperam criar um modelo teórico mais abrangente para explicar a biodiversidade amazônica. “Ao final desses cinco anos queremos compreender em detalhe os padrões de biodiversidade que ocorrem na Amazônia e ser capazes de resolver algumas controvérsias sobre a história ambiental da região”, diz Cracraft, pesquisador do Museu de História Natural de Nova York. Ele, Lúcia e outros pesquisadores começaram a planejar esse estudo há quase quatro anos. “Tínhamos interesse científico na Amazônia e muitos de nós já publicavam trabalhos sobre a região”, conta Cracraft. “Mas compreender a história biótica e ambiental da Amazônia é algo grande e complexo demais para ser resolvido por poucos pesquisadores, por isso fazia sentido pensar um projeto de maior escala.”</p>
<p>O primeiro passo será reunir toda a informação disponível sobre alguns grupos da fauna e da flora amazônicas. Assim, espera-se identificar onde a concentração de espécies é maior e se essa concentração está associada a alguma característica ambiental (geológica ou climática). Em seguida, os pesquisadores pretendem resgatar a história evolutiva de todas as espécies de plantas, borboletas, aves e mamíferos que conseguirem amostrar. A partir de informações genéticas e da datação de fósseis, eles querem identificar os principais momentos de diversificação de espécies e onde se encontravam os ancestrais de cada grupo. Também planejam investigar se os eventos de diversificação estão associados a fenômenos geológicos, climáticos e outras características ambientais do passado, como as variações de disponibilidade de carbono e nitrogênio. “Queremos reconstruir o que aconteceu nos últimos 20 milhões de anos, pois é quando se imagina que tenham surgido muitas das espécies que vivem ali”, diz Lúcia.</p>
<p>Muito do que há por ser feito na Amazônia não difere do trabalho dela com as 382 espécies de cipós do grupo Bignonieae, o maior dos grupos ou tribos da família das Bignoniáceas. A partir da genealogia que construiu, ela e sua equipe começaram a desvendar a história evolutiva dessas plantas, que representam o maior grupo de lianas – trepadeiras de caule amadeirado – das Américas (<a href="http://revistapesquisa2.fapesp.br/?art=3157&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=" target="_blank"><em>ver</em> Pesquisa FAPESP <em>nº 132</em></a>). Elas assumem formas tão variadas, espalham-se por tantos ambientes e são tão abundantes nas florestas tropicais que, segundo os botânicos, servem de modelo para conhecer o que acontece com as outras espécies de plantas com flores.</p>
<div id="attachment_36200" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-36200" title="" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/10/074-077_Lianas_200-51.jpg" width="290" height="295" /><p class="wp-caption-text">Pyrostegia venusta: nativa da Amazônia e encontrada em quase toda a América</p></div>
<p><strong>A origem</strong><br />
Com base em dados moleculares e na nova genealogia, Lúcia afirma com mais segurança que as lianas do grupo Bignonieae surgiram cerca de 50 milhões de anos atrás na região do que hoje é a costa brasileira ocupada pela mata atlântica, como informa em artigo a ser publicado no <em>Botanical Journal of the Linnean Society</em>. Naquela época, a América do Sul já estava separada da África. O clima era quente e úmido, os dinossauros já não viviam mais e uma grande variedade de mamíferos começava a ocupar o planeta.</p>
<p>O ancestral dessas 382 espécies de cipós provavelmente era uma árvore – e não uma trepadeira. As flores do ancestral das Bignonieae tinham cinco pétalas que formavam um tubo alongado, com órgãos sexuais internos e uma região produtora de néctar no fundo. Eram semelhantes às flores das espécies do gênero <em>Anemopaegma</em>, que são roxas, brancas ou amarelas, concluíram Lúcia e a botânica Suzana Alcantara depois de analisar a evolução de 12 características anatômicas das flores de Bignonieae. “As flores da primeira Bignonieae provavelmente eram roxas e polinizadas por pequenas abelhas”, comenta Suzana.</p>
<p>A morfologia externa das flores, aliás, parece ser a característica mais sujeita a transformações. Embora a maior parte seja polinizada por abelhas, flores de coloração mais intensa (vermelhas ou amarelas) e formato que facilita a polinização por beija-flores apareceram 11 vezes entre as 104 espécies analisadas por Suzana e Lúcia. Outras cinco vezes surgiram flores – em geral brancas, com tubo mais estreito e alongado – que liberam um perfume intenso atraente para mariposas. Mas o que parece ter influenciado de fato a dispersão dessas plantas são as características do ambiente, como a disponibilidade de água e de luz e a variação de temperatura.</p>
<p><strong>Novas fronteiras</strong><br />
A partir do litoral, as Bignonieae percorreram um longo caminho nas Américas. Há 39 milhões de anos, chegaram à região da atual Amazônia, onde hoje está a maior diversidade de espécies. Dali se dispersaram para os Andes e as Américas Central e do Norte. Mais tarde, há 27 milhões de anos, passaram a ocupar o cerrado, a caatinga e o chaco.</p>
<table class="tabela_interna" border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><strong>Projetos</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>1.</strong> Sistemática da tribo Bignonieae (Bignoniaceae) – <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-regulares/54906/sistematica-tribo-bignonieae-bignoniaceae/" target="_blank">nº 2011/50859-2</a><br />
<strong>2.</strong> Estruturação e evolução da biota amazônica e seu ambiente: uma abordagem integrativa – <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-tematicos/55077/estruturacao-evolucao-biota-amazonica-ambiente/" target="_blank">nº 2012/50260-6</a></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Modalidade</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>1.</strong> Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa<br />
<strong>2.</strong> Programa Biota – Projeto Temático</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Coordenadora</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>1.</strong> e <strong>2.</strong> Lúcia Garcez Lohmann – IB/USP</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Investimento</strong></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>1.</strong> R$ 721.836,88 (FAPESP)<br />
<strong>2.</strong> R$ 2.974.606,54 / US$ 461.132,00 (FAPESP)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Toda vez que migraram para esses ecossistemas mais secos, elas sofreram alterações drásticas na morfologia: as trepadeiras deram lugar a arbustos, com uma série de prováveis adaptações ao novo ambiente onde a luminosidade é maior e não é preciso crescer agarrado a uma árvore para receber luz.</p>
<p>Nessa migração, perderam as gavinhas, filamentos que se enroscam ao caule de árvores e lhes permitem alcançar o dossel das florestas. Em paralelo, pequenas estruturas do caule e das folhas que produzem néctar – os nectários extraflorais – parecem ter deixado de exercer uma função protetora. Na floresta, eles existem em maior quantidade e atraem formigas, que, por sua vez, espantam os insetos herbívoros. “A cada transição das florestas úmidas para áreas mais secas, o número de nectários diminuiu, alterando as interações desses nectários com as formigas e os herbívoros”, explica o ecólogo Anselmo Nogueira, da equipe de Lúcia. “Essas transições morfológicas abriram a porta de outros ambientes para as Bignonieae e provavelmente permitiram se diversificarem tanto”, comenta.</p>
<p>Hoje Lúcia e sua equipe compilam dados sobre o momento em que surgiram ou desapareceram essas e outras características das Bignonieae. É uma tentativa de compreender se as mudanças são inovações que possibilitaram a ocupação de novos ambientes ou se elas ocorreram depois da chegada aos novos biomas, em adaptação a condições ambientais diferentes. “A história evolutiva das Bignonieae”, acredita Lúcia, “pode ajudar a esclarecer as origens e a evolução dos ecossistemas tropicais como um todo”.</p>
<p><em>Artigos científicos</em><br />
LOHMANN, L. G. <em>et al</em>. <a href="http://www.blackwellpublishing.com:443/journal.asp?ref=0024-4074" target="_blank">Pattern and timing of biogeographic history in the Neotropical tribe Bignonieae</a>. <strong>Botanical Journal of the Linnean Society</strong>. 2012.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/10/074-077_lianas_200.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Evolução escrita nos cipós' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/evolucao-escrita-nos-cipos/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Evolução escrita nos cipós' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/evolucao-escrita-nos-cipos/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Evolução escrita nos cipós' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/evolucao-escrita-nos-cipos/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Evolução escrita nos cipós' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/evolucao-escrita-nos-cipos/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Por dentro da Terra e do Sol</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Sep 2012 21:13:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>

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		<description><![CDATA[No rádio: saiba mais sobre o centro da Terra e o formato do Sol]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Veiculado em 14 de setembro de 2012</em></p>
<p><em>Pesquisa Brasil</em> viaja ao centro da Terra para conhecer os minerais que se formam milhares de quilômetros abaixo da superfície. A física brasileira Renata Wentzcovitch conversa sobre descobertas fundamentais a respeito da composição do interior do planeta realizadas no Laboratório Virtual de Materiais Planetários e Terrestres (<a href="http://www.vlab.msi.umn.edu/" target="_blank">VLab</a>), da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Leia também a reportagem de capa de agosto, <em><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/abrindo-a-terra/" target="_blank">Abrindo a Terra</a>.</em></p>
<p>Também nesta edição, o astrônomo Marcelo Emilio, do Observatório Astronômico da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná, mostra que o <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/16/formato-do-sol-%C3%A9-mais-est%C3%A1vel-do-que-se-pensava/" target="_blank">Sol não é tão redondo quanto parece</a>.</p>
<p>O biólogo Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, analisou amostras de água do rio Paraíba do Sul e comprovou que o carbono presente na água é resultado de <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/12/carv%C3%A3o-dissolvido-em-rios-e-oceanos-pode-ter-origem-antiga/" target="_blank">queimadas muito mais antigas</a> do que se pensava.</p>
<p><strong>Programação Musical:</strong><br />
<em>Apaga o fogo, Mané</em> – Adoniran Barbosa<br />
<em>Trenzinho Caipira</em> – Maria Bethânia (indicação Renata Wentzcovitch)<br />
<em>Volver a los 17</em> – Mercedes Sosa e Milton Nascimento (indicação Renata Wentzcovitch)<br />
<em>Vento  no canavial</em> – Mariana Aydar<br />
<em>Luz do sol</em> – Caetano Veloso<br />
<em>Tranquilo</em> – Thalma de Freitas<br />
<em>Baile Pefumado</em> – Stela Camos e Fred 04.</p>
<p>Apresentação: Celso Filho (Rádio USP), Fabrício Marques e Maria Guimarães<br />
Produção e roteiro: Biancamaria Binazzi<br />
Gravação e Montagem: Beto Alves (Rádio USP)</p>
<p><em>Pesquisa Brasil</em> vai ao ar todas as sextas-feiras às 13:30, pela <a href="http://www.radio.usp.br/" target="_blank">Rádio USP</a>.</p>
<p><a href="http://feeds.feedburner.com/podcastrevistapesquisafapesp" target="_blank">Assine <em>Pesquisa Brasil </em>como podcast!</a></p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/09/centro-da-terra.mp3" target="_blank">Baixar o MP3</a></p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/category/multimidia/podcast/" target="_blank"><em>Veja aqui o arquivo do Pesquisa Brasil</em></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Por dentro da Terra e do Sol' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/por-dentro-da-terra-e-do-sol/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Por dentro da Terra e do Sol' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/por-dentro-da-terra-e-do-sol/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Por dentro da Terra e do Sol' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/por-dentro-da-terra-e-do-sol/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Por dentro da Terra e do Sol' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/por-dentro-da-terra-e-do-sol/' displayText='share'></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>As rotas das suçuaranas</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Sep 2012 20:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Felinos conseguem se movimentar em zonas de ocupação humana]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17360" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-17360" title="052-055_sucuarana_199-1" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/09/052-055_sucuarana_199-1.jpg" width="290" height="196" /><p class="wp-caption-text">A onça-parda (Puma concolor), um dos maiores predadores das Américas, ainda é pouco conhecida pela ciência brasileira</p></div>
<p>Análises genéticas estão revelando um pouco da história e da ecologia da suçuarana, ou onça-parda (<em>Puma concolor</em>), um dos maiores felinos do Brasil, atrás apenas da onça-pintada. Esses discretos animais são altamente adaptáveis e vivem mesmo em zonas com pouca floresta. Mas enfrentam problemas com a caça e nas estradas, conforme vem mostrando o trabalho paralelo de duas pesquisadoras que nunca se encontraram pessoalmente: Camila Castilho, atualmente na Universidade de São Paulo (USP), e Renata Miotto, agora na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), também da USP, em Piracicaba.</p>
<p>As duas estudaram aspectos genéticos de populações locais de suçuaranas, chegando em grande parte a resultados semelhantes, conforme mostram o artigo de Renata na <em>Conservation Genetics</em> em 2011, e de Camila publicado este ano na <em>Genetics and Molecular Biology</em>. O primeiro aspecto importante é que há pouca diferenciação genética nas áreas estudadas, sinal de uma população não fragmentada. Isso indica que esses animais conseguem percorrer grandes distâncias e manter o fluxo de material genético, apesar de não haver continuidade de floresta. É bem diferente do que acontece com a onça-pintada, que se aventura pouco fora das áreas de mata e acaba ficando isolada em fragmentos e gerando populações diferenciadas, conforme já mostraram outros estudos.</p>
<p>Na prática, a onça-parda forma populações contínuas ao longo de áreas extensas. No caso de Camila, que desenvolveu o trabalho durante o doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a área englobava boa parte de Santa Catarina, uma parte do sul do Paraná e algumas amostras no extremo norte do Rio Grande do Sul, um total de mais de 140 mil quilômetros quadrados (km<sup>2</sup>). O estudo de Renata, à época doutoranda na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), era mais circunscrito, mas nada diminuto: cerca de 1.700 km<sup>2</sup> do interior paulista que incluem 15 municípios, entre eles Ribeirão Preto, Rio Claro e São Carlos.</p>
<p>O outro achado semelhante entre os dois estudos mostra que recentemente, em algum ponto do último século, houve uma drástica redução nos números das suçuaranas, que os geneticistas de populações chamam de gargalo populacional. Ao passar por um desses gargalos, a população perde parte da sua diversidade genética, o que em certos casos pode gerar problemas. “A perda de genes é aleatória e é possível que nada importante se vá”, explica Camila, “mas é maior a probabilidade de acontecer um azar”. Um azar seria o animal não poder contar com algum gene essencial para enfrentar a alterações no ambiente. Uma coisa é certa quando se detecta um gargalo: aconteceu algum desequilíbrio na população, seja uma redução importante em tamanho ou, mais raramente, uma alteração drástica na proporção entre machos e fêmeas.</p>
<p><strong>Canavial</strong><br />
É aí que começam as diferenças entre os dois estudos. O interior de São Paulo, onde Renata trabalha, está recoberto de cana-de-açúcar. “A maior parte foi plantada nos anos 1960 e 1970, em razão do Proálcool [Programa Nacional do Álcool]”, diz a pesquisadora. “Os dados genéticos indicam que o gargalo pode ter acontecido nessa época.” Nesse caso, muitas suçuaranas teriam morrido nesse período de intenso desmatamento, e depois aos poucos a população teria voltado a aumentar, à medida que suas presas se adaptaram a viver nos canaviais. “A dieta das onças na região consiste principalmente em tatus, cervos, capivaras e outros roedores”, conta. São animais que aparentemente vêm se adaptando bem à agricultura, alguns deles consumidores de cana-de-açúcar. Com alimento abundante, as suçuaranas podem facilmente viver na região, sem representar problemas para os donos das plantações.</p>
<p>O grande problema que esses animais enfrentam hoje são as estradas movimentadas, praticamente intransponíveis para pedestres – sejam eles humanos ou felinos –, que cortam o estado. Isso pode bloquear as rotas das suçuaranas e, com o tempo, reduzir a variabilidade genética.</p>
<p>Além de limitar o trânsito das suçuaranas, atropelamentos são uma causa importante de mortalidade. “Os machos jovens, que se dispersam para longe da área onde nasceram, são as principais vítimas”, diz Renata. Entre os 23 animais atropelados de sua amostragem, 16 são machos. A suçuarana Anhanguera, apelidada em 2009 com o nome da estrada em que foi atropelada, no interior paulista, era justamente um macho jovem. “Essa mortalidade diferencial pode alterar a razão sexual, o que pode ser detectado como um gargalo.” Isso acontece porque são eles os emissários do material genético, já que se mudam para uma zona distante onde afinal se estabelecem e acasalam.</p>
<p>As fêmeas permanecem mais próximas ao local onde nasceram, conforme Renata mostrou em cinco anos de monitoramento na Estação Ecológica de Jataí, no município de Luis Antônio, perto de Ribeirão Preto. Ao longo desse período ela percorreu trilhas e coletou fezes frescas, de onde extraiu material genético. Os dados, publicados este ano na <em>Biotropica</em>, mostram que todas as onças residentes são fêmeas.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/09/052-055_sucuarana_199-21.jpg" rel="lightbox[17358]" title="As rotas das suçuaranas"><img class="wp-image-117099 alignleft" alt="052-055_sucuarana_199-2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/09/052-055_sucuarana_199-21.jpg" width="357" height="279" /></a></p>
<p><strong>Gado</strong><br />
Na Região Sul, Camila deparou com uma relação mais conflituosa entre os seres humanos e o leão-baio, como o felino é conhecido em terras catarinenses. Ali se criam vários tipos de gado – vacas, cabras, ovelhas – de forma extensiva, com os animais sempre soltos no pasto. Além das pacas, cutias e veados, os animais domésticos acabam virando boas refeições para as suçuaranas, que em seguida precisam enfrentar o fazendeiro armado. “Embora a caça seja ilegal, sabemos que acontece muito nessa região”, conta Camila, que aos poucos venceu as resistências e conseguiu que os donos das fazendas lhe cedessem amostras dos leões-baios caçados, para extração de material genético. A zona de estudo da pesquisadora se concentrou no sul de Santa Catarina, onde as fazendas se estendem por campos de altitude com resquícios de floresta – os capões – em meio ao pasto. É nesses capões, e nas matas ao longo de rios, que as suçuaranas se refugiam e onde por vezes encontram uma cabra ou bezerro também em busca de abrigo.</p>
<p>Assim como em São Paulo, os dados de Camila mostram que o gargalo populacional aconteceu no último século, coincidindo com a ampla derrubada da floresta de araucárias que caracterizava a região. Atualmente, a caça parece ser responsável pela maior parte da mortalidade por ali, e não a falta de hábitat. “Conectividade não parece ser um problema”, comenta Camila. Por meio de modelos ecológicos que analisam a paisagem ela sugere, em artigo de 2011 na <em>Mammalian Biology</em>, que não há impedimento para que esses animais se locomovam por toda a sua área de estudo, que abrange boa parte da Região Sul. Um dado genético que corrobora essa ideia é o baixo parentesco entre os indivíduos que conseguiu analisar. “Apenas 6,6% dos indivíduos que analisamos eram aparentados”, conta. Para ela, é preciso conscientizar os fazendeiros da importância ecológica dos grandes predadores e buscar soluções, como a construção de currais onde o gado possa passar a noite.</p>
<p>Mesmo nunca tendo conversado, as duas pesquisadoras continuam a seguir caminhos paralelos. Ambas, atualmente no pós-doutorado, deixaram a genética de lado para se concentrar na análise da paisagem. “São abordagens complementares”, explica Camila. Diante das informações fornecidas pela distribuição da variação genética, surgiram novas perguntas que as levaram a buscar entender o ambiente por onde as onças-pardas circulam em busca de detectar os problemas que elas enfrentam e propor soluções para manter populações viáveis desse grande felino encontrado em quase toda a América, exceto em boa parte da Argentina e na metade leste da América do Norte.</p>
<p>Agora ambas trabalham em São Paulo: Renata está construindo um banco de dados sobre a cobertura vegetal e a ocupação da mesma região que examinou até o momento, incluindo um mapeamento detalhado da malha viária e do fluxo de veículos, que em conjunto com os dados genéticos formarão um modelo de dispersão. Ao mesmo tempo compila dados de atropelamentos e, com ajuda da Polícia Florestal, aumenta sua coleção de amostras genéticas. “A partir desses modelos, quero avaliar as rotas preferenciais no deslocamento das onças para definir o que se pode fazer em termos de manejo da paisagem”, explica. Camila concentra seu projeto no mosaico das serras da Bocaina e da Mantiqueira, no nordeste paulista, que inclui a região de São José dos Campos. Nessa região, avaliará o hábitat disponível e as possibilidades de locomoção das suçuaranas. “Vou criar valores de permeabilidade para detectar as áreas prioritárias em termos de conservação.”</p>
<p>Em conjunto, os dois projetos podem contribuir para reduzir o desequilíbrio que existe entre a América do Norte e a do Sul no que diz respeito ao conhecimento a respeito desse imponente predador. Talvez também cheguem a propostas de práticas pecuárias que melhorem a convivência entre fazendeiros e predadores, e a passarelas ou túneis para travessia de suçuaranas.</p>
<p><em>Artigos científicos</em><br />
CASTILHO, C. S. <em>et al</em>. <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-47572012000100009" target="_blank">Genetic structure and conservation of Mountain Lions in the South-Brazilian Atlantic Rain Forest</a>. <strong>Genetics and Molecular Biology</strong>. v. 35 (1), p. 65-73. 2012.<br />
CASTILHO, C. S. <em>et al</em>. <a href="http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1616504710001114" target="_blank">Landscape genetics of mountain lions (<em>Puma concolor</em>) in southern Brazil</a>. <strong>Mammalian Biology</strong>. v. 76 (4), p. 476-83. 2011.<br />
MIOTTO, R. A.<em> et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1744-7429.2011.00772.x/full" target="_blank">Monitoring a puma (<em>Puma concolor</em>) population in a fragmented landscape in Southeast Brazil</a>. <strong>Biotropica</strong>. v. 44 (1), p. 98-104. 2012.<br />
MIOTTO, R. A. <em>et al</em>. <a href="http://www.springerlink.com/content/813790600630uxx8/" target="_blank">Genetic diversity and population structure of pumas (<em>Puma concolor</em>) in southeastern Brazil: implications for conservation in a human-dominated landscape</a>. <strong>Conservation Genecits</strong>. v. 12 (6), p. 1.447-55. 2011.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/09/052-055_sucuarana_1991.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='As rotas das suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/as-rotas-das-sucuaranas/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='As rotas das suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/as-rotas-das-sucuaranas/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='As rotas das suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/as-rotas-das-sucuaranas/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='As rotas das suçuaranas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/as-rotas-das-sucuaranas/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Ramificações ancestrais dos macacos-prego</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Aug 2012 16:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Macacos-prego, exímios no uso de ferramentas, reclassificados]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/z7xefPtVbl0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>A inteligência dos macacos-prego fica clara nos vídeos feitos pelo pesquisador Tiago Falótico do <a href="http://www.IP.USP.br" target="_blank">Departamento de Psicologia Experimental</a>. Criando e manipulando ferramentas que os ajudam a quebrar cascas, cutucar lagartos e aranhas &#8212; e até a paquerar! &#8212; eles mostram como tradições culturais podem evoluir e ser criadas entre animais. Sua história evolutiva, que há pouco começou a ser desvendada, levou à reclassificação taxonômica desses macacos em um novo gênero, <em>Sapajus</em>.</p>
<p>Saiba mais na reportagem <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/06/14/ramificacoes-ancestrais/" target="_blank">Ramificações ancestrais</a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Ramificações ancestrais dos macacos-prego' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/21/ramifica%c3%a7%c3%b5es-ancestrais-dos-macacos-prego/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Ramificações ancestrais dos macacos-prego' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/21/ramifica%c3%a7%c3%b5es-ancestrais-dos-macacos-prego/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Ramificações ancestrais dos macacos-prego' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/21/ramifica%c3%a7%c3%b5es-ancestrais-dos-macacos-prego/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Ramificações ancestrais dos macacos-prego' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/21/ramifica%c3%a7%c3%b5es-ancestrais-dos-macacos-prego/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Jardineiras fiéis</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Aug 2012 21:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Formigas ajudam sementes a germinar na mata atlântica e no cerrado]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando viu a polpa de um fruto de jatobá aberto ser devorada por formigas numa floresta, em meados dos anos 1990, o biólogo Paulo Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), começou a duvidar da noção difundida de que esses insetos sociais têm um papel desprezível na ecologia das sementes. Cerca de 15 anos depois, o grupo de pesquisa imerso na intimidade das relações entre plantas e formigas mostra que os pequenos animais não só arrastam as sementes para locais mais propícios como as limpam, facilitando a germinação. “A dispersão de sementes nos trópicos é muito mais complexa do que se achava”, comenta Oliveira.</p>
<p>Quase todos os holofotes dos estudos sobre ecologia de dispersão de sementes estão voltados para aves, macacos e outros vertebrados atraídos pelos frutos coloridos e com polpa saborosa de nove entre dez espécies de árvores e arbustos de grande porte. Esses animais carregam os frutos por grandes distâncias e lançam as sementes ao solo. Se o fruto cai por acidente, ele ainda pode estar quase intacto, mas mesmo depois de passar pelo sistema digestivo muitas vezes ainda resta um bom tanto de polpa.</p>
<p>O que acontece no chão, entretanto, passou praticamente despercebido até Oliveira fincar aí um dos fios condutores de seu grupo de pesquisa. Um dos produtos vem do doutorado de Alexander Christianini, agora professor no <em>campus</em> de Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele e Oliveira mostram que no cerrado de Itirapina, no interior de São Paulo, formigas de cinco gêneros recolhem as sementes que chegam ao chão e sugerem, em artigo de 2009 na <em>Oecologia</em>, um papel importante para as formigas depois que as aves transportaram as sementes para bem longe da árvore-mãe: o serviço mais detalhado de jardinagem.</p>
<p>Aves e macacos costumam depositar as sementes debaixo de alguma árvore. Os restos de polpa então atraem as formigas, que levam nacos para dentro do formigueiro. “A semente fica limpinha no chão da floresta”, conta Oliveira, “impedindo que fungos se instalem e acabem por matar o embrião da planta”. Além disso, algumas formigas carregam as sementes até o formigueiro, que o pesquisador descreve como “uma ilha de nutrientes”, já que ali estão pedaços descartados de plantas e restos de formigas mortas e outros insetos.</p>
<p>O jatobá (<em>Hymenaea courbaril</em>) despertou a curiosidade do pesquisador. Num experimento, com colegas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e da Universidade Federal de Mato Grosso, ele mostrou que 70% das sementes limpas pelas formigas brotaram, o que só aconteceu com 20% das que não foram tratadas pelas pequenas jardineiras. De 1995 para cá, essa linha de pesquisa deu origem a seis doutorados que revelaram que essa relação é bastante generalizada na mata atlântica e no cerrado.</p>
<p><strong>Presas fáceis</strong><br />
Durante sua estadia no laboratório de Oliveira nos anos 1990, Marco Pizo se concentrou sobre interações entre plantas e formigas na mata atlântica e mostrou que o arilo nutritivo vermelho em torno das sementes da canjerana (<em>Cabralea canjerana</em>) atrai formigas carnívoras. “Para as formigas carnívoras os frutos ricos em proteínas e gorduras são como insetos que não brigam, não mordem e não saem correndo”, compara Oliveira. Pizo, agora na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, espalhou sementes com e sem polpa pelo chão da floresta, protegidas por pequenas gaiolas para evitar que fossem recolhidas por animais maiores. Ficou claro que as formigas preferem as sementes com polpa (71% da parte vermelha é gordura) e que essas sementes germinam muito mais depressa depois de semeadas pelos pequenos insetos, conforme artigo destacado na capa do <em>American Journal of Botany</em> em 1998.</p>
<p>Provado que as formigas transportam sementes, restava verificar se essa dispersão é direcionada ou aleatória. Durante o doutorado com Oliveira, Luciana Passos investigou as relações entre plantas e formigas na mata de restinga da Ilha do Cardoso, no litoral sul paulista. Parte da mata atlântica, essa floresta é menos exuberante por crescer em solo mais pobre e arenoso. Ela espalhou pedaços de sardinha pela ilha para atrair formigas carnívoras, que a conduziram de volta aos ninhos – 21 deles.</p>
<p>Em artigo publicado em 2002 no <em>Journal of Ecology</em>, Luciana conta o que acontece com os frutos ricos em óleo da árvore <em>Clusia criuva</em>, ou clúsia, que produz numa estação por volta de 5.800 frutos com, ao todo, 25 mil sementes. Boa parte delas (83%) acaba nas fezes de 14 espécies diferentes de aves. A pesquisadora viu que as sementes que caem ao chão são transportadas por até 10 metros pelas formigas <em>Odontomachus </em>e<em> Pachycondyla,</em> carnívoras da subfamília das poneríneas, que “têm uma picada dolorida como se fossem marimbondos”, conta Oliveira.</p>
<p>Mas a história não acaba aí. Luciana investigou mais a fundo e viu que essas formigas removem 98% das sementes que chegam às fezes das aves ainda não completamente digeridas. A bióloga então contou os jovens brotos de clúsias e encontrou um número desproporcional junto aos formigueiros – o dobro do que viu no resto da mata. Além disso, ela manteve o censo de plantas jovens ao longo de um ano e viu que ao redor dos formigueiros elas têm chances significativamente maiores de sobreviver. Luciana mandou amostras desse solo para análise no Instituto Agronômico de Campinas e verificou que ele é mais rico em nitrogênio e potássio do que o resto da floresta, graças aos detritos acumulados pelas formigas.</p>
<table class="tabela_interna" border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><strong>Os Projetos<br />
</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. Ecologia e comportamento de formigas neotropicais – <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-regulares/5798/ecologia-comportamento-formigas-neotropicais/" target="_blank">nº 2008/54058-1</a> (2008-2011)<br />
2. Estudos sobre formigas neotropicais: interações com insetos herbívoros, ecologia comportamental e organização social – <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-regulares/46221/estudos-formigas-neotropicais-interacoes-insetos/" target="_blank">nº 2011/18580-8</a> (2012-2013)</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Modalidade</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. e 2. Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Coordenador</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. e 2. Paulo S. Oliveira – Instituto de Biologia, Unicamp</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Investimento</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. R$ 113.080,54<br />
2. R$ 145.747,07</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O mesmo acontece com a maria-faceira (<em>Guapira opposita</em>), cujos frutos pretos de cabo vermelho atraem aves como o araçaripoca e a saíra-sete-cores e têm alto teor de proteínas (28%), de acordo com artigo de 2004 na <em>Oecologia</em>. As formigas <em>Odontomachus</em> carregam as sementes por até 4 metros e em torno de seus ninhos – onde a terra é muito mais fofa, além de mais rica em  potássio, fósforo e cálcio – se aglomeram brotos.</p>
<p>Alexander Christianini deu um passo além e demonstrou que o desmatamento do cerrado invalida o efeito positivo das formigas na ecologia das plantas. Já se sabe que o miolo das ilhas de floresta é mais fresco e úmido do que a fronteira com áreas desmatadas. O pesquisador mostrou que as formigas grandes também são mais comuns no interior do cerrado, onde o solo é mais rico em nutrientes e mais macio. Ao longo de um ano de monitoramento, 92% das colônias de formigas do interior da mata persistem, ante só 30% nas bordas. Como ali também as plantas germinam melhor junto aos formigueiros, jovens plantas nas bordas têm cerca de 0,2% de chances de sobreviver ao primeiro ano de vida. Esses resultados deixam claro que o desmatamento tem efeitos nocivos  tanto sobre as formigas como sobre as plantas, e que esses efeitos se somam. Mas, com seu talento de jardineiras, as formigas podem ajudar a recuperar uma floresta alterada, contribuindo para a germinação das sementes.</p>
<p>Isso quando as condições adversas não impedem seu trabalho. Na mata atlântica, a fragmentação prejudica os benefícios da população de formigas sobre a regeneração da floresta, segundo tese de Gabriela Bieber defendida no início de 2012. “As formigas grandes são mais exigentes e não ficam nas bordas das florestas”, explica Oliveira. Além disso, o trabalho também mostrou que os insetos têm preferência por frutos já manuseados ou mordidos por animais maiores, cuja presença fica muito reduzida em trechos pequenos de mata.</p>
<p>O grupo da Unicamp vem descobrindo muito mais sobre as funções ecológicas desses soldados e operários em miniatura. Algumas plantas produzem substâncias para atrair formigas, que retribuem servindo como tropas de defesa. É o caso do pequi (<em>Caryocar brasiliense</em>), planta típica de cerrado que dá frutos muito apreciados na culinária da região central do país. As formigas se deliciam com o néctar que brota de glândulas nos botões das flores do pequi e atacam outros insetos, como lagartas. Sebastián Sendoya, aluno de Oliveira e André Freitas, mostrou que as borboletas <em>Eunica bechina</em>, especializadas em depositar seus ovos nas folhas do pequi, sobrevoam as plantas e detectam formigas predadoras. O trabalho, publicado em 2009 na <em>American Naturalist,</em> indica que a sofisticação visual das borboletas lhes permite pôr ovos em folhas seguras e até reconhecer formigas inofensivas.</p>
<p>Mas formigas e lagartas nem sempre são adversárias. Num exemplo da rica diversidade dessas relações, as borboletas <em>Parrhasius polibetes</em> escolhem pôr ovos em plantas repletas de formigas, segundo trabalho de Lucas Kaminski – outra coorientação de Oliveira com André Freitas – publicado em 2010 na <em>American Naturalist</em>. O trabalho foi feito numa área de cerrado na região de Campinas e mostrou que as borboletas escolhem pôr ovos em ramos onde há formigas pastoreando cigarrinhas (<em>Guayaquila xiphias</em>) produtoras de uma secreção açucarada. Ao proteger seu precioso gado, as formigas criam ali uma zona protegida de outros inimigos, como aranhas ou vespas, o que para as borboletas em formação pode significar uma taxa de sobrevivência seis vezes maior.</p>
<p>Boa parte dessa história, com mais detalhes, está no que Oliveira considera o trabalho mais importante de sua vida: o livro <em>The ecology and evolution of ant-plant interactions</em>, que ele escreveu em parceria com seu colega mexicano Victor Rico-Gray. Publicado em 2007 pela Chicago University Press, o livro é uma ampla revisão das interações ecológicas que se conhece entre formigas e plantas. “As pessoas dão mais importância aos vertebrados porque são os animais que enxergam com mais facilidade”, protesta o biólogo da Unicamp, “mas na Amazônia o peso seco de invertebrados é quatro vezes maior do que o de vertebrados”. E as formigas, cujas colônias podem chegar a milhões de operárias, são os mais numerosos entre os invertebrados.</p>
<p><em><strong>Artigos científicos </strong></em><br />
1. KAMINSKI, L. A. <em>et al</em>. <a href="http://www.jstor.org/discover/10.1086/655427?uid=3737664&amp;uid=2131&amp;uid=2&amp;uid=70&amp;uid=4&amp;sid=21100989596793" target="_blank">Interaction between mutualisms: Ant-tended butterflies exploit enemy-free space provided by ant-treehopper associations</a>. <strong>The American Naturalist</strong>. v. 176, n. 3, p. 322-34. set. 2010.<br />
2. CHRISTIANINI, A. V. e OLIVEIRA, P. S. <a href="http://www.springerlink.com/content/m67146647q0x21mw/" target="_blank">The relevance of ants as seed rescuers of a primarily bird-dispersed tree in the Neotropical cerrado savanna</a>. <strong>Oecologia</strong>. v. 160, n. 4, p. 735-45. jul. 2009.<br />
3. SENDOYA, S. F. <em>et al</em>. <a href="http://www.jstor.org/discover/10.1086/599302?uid=3737664&amp;uid=2131&amp;uid=2&amp;uid=70&amp;uid=4&amp;sid=21100989596793" target="_blank">Egg-laying butterflies distinguish predaceous ants by sight</a>. <strong>The American Naturalist</strong>. v. 174, n. 1, p. 134-39. jul. 2009.</p>
<p><em><strong>De nosso arquivo</strong><br />
<a href="http://revistapesquisa2.fapesp.br/?art=3897&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=" target="_blank">Jardineiras fiéis</a></em> – Edição nº 161 – julho de 2009
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/100-103_jardineiras.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Jardineiras fiéis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/17/jardineiras-fi%c3%a9is/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Jardineiras fiéis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/17/jardineiras-fi%c3%a9is/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Jardineiras fiéis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/17/jardineiras-fi%c3%a9is/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Jardineiras fiéis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/17/jardineiras-fi%c3%a9is/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Carvão dissolvido em rios e oceanos pode ter origem antiga</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Aug 2012 18:38:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Geologia]]></category>
		<category><![CDATA[Química]]></category>

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		<description><![CDATA[Carbono dissolvido em rios pode vir de queimadas antigas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15692" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/burning-of-Atlantic-Forest-1.jpg" rel="lightbox[15687]" title="burning of Atlantic Forest -1"><img class="wp-image-15692" title="burning of Atlantic Forest -1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/burning-of-Atlantic-Forest-1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Queimada em área de mata atlântica</p></div>
<p>O carvão que chega às águas dos rios e dos oceanos pode não ter origem apenas nas fogueiras que hoje queimam florestas e plantações. Um estudo publicado neste domingo (12 de agosto) no site da <em>Nature Geoscience</em> sugere que o carbono gerado em queimadas fica armazenado por décadas e até séculos no solo, sendo aos poucos liberado para os rios.</p>
<p>“Fizemos a conta de todas as fontes possíveis de carbono e o que encontramos na bacia do rio Paraíba do Sul é muito maior”, comenta o biólogo Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Ao longo de um projeto de longa duração, entre 1997 e 2008, a cada duas semanas ele e sua equipe coletaram amostras de água do rio Paraíba do Sul, cuja bacia banha uma área de 55.400 quilômetros quadrados nos estados do São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em parceria com Thorsten Dittmar, do Instituto Max Planck, na Alemanha, ele analisou as amostras de água e obteve estimativas de quanto carbono está dissolvido nas águas. A surpresa foi encontrar uma carga entre 3 e 16 vezes maior do que pode ser explicado pelas queimadas atuais. Segundo seus cálculos, a cada ano é produzida uma média de entre 190 e 740 toneladas de carbono negro nessa região.</p>
<p>Rezende se interessou por estudar essa área por ser emblemática da perda de mata atlântica: hoje resta apenas 10,7% de uma superfície que já foi inteiramente floresta. É exatamente essa história que explica o desencontro entre os números: entre os anos 1850 e 1973, quase toda a mata atlântica da região foi eliminada por queimadas. Para os pesquisadores, boa parte do que detectaram tem origem nesse fogo histórico. “O carbono dissolvido é um indicador da influência do homem no ciclo natural desse elemento”, explica.</p>
<p>Alterações dessa dimensão, ele se preocupa, podem interferir nas funções metabólicas dos organismos que vivem nas águas, tanto dos rios como do oceano onde eles desembocam. O próximo passo é conseguir obter uma datação do carbono contido nas amostras, para distinguir com segurança a contribuição histórica e a atual para essas alterações químicas nas águas.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Carvão dissolvido em rios e oceanos pode ter origem antiga' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/12/carv%c3%a3o-dissolvido-em-rios-e-oceanos-pode-ter-origem-antiga/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Carvão dissolvido em rios e oceanos pode ter origem antiga' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/12/carv%c3%a3o-dissolvido-em-rios-e-oceanos-pode-ter-origem-antiga/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Carvão dissolvido em rios e oceanos pode ter origem antiga' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/12/carv%c3%a3o-dissolvido-em-rios-e-oceanos-pode-ter-origem-antiga/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Carvão dissolvido em rios e oceanos pode ter origem antiga' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/12/carv%c3%a3o-dissolvido-em-rios-e-oceanos-pode-ter-origem-antiga/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Referências intelectuais</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Aug 2012 20:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabrício Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Pol. Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Prêmios internacionais valorizam a comunidade científica brasileira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15510" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-15510" title="036-039_FHC_198-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/036-039_FHC_198-1.jpg" alt="" width="290" height="217" /><p class="wp-caption-text">Fernando Henrique é cumprimentado pelo historiador James Billington ao receber o Prêmio John Kluge em Washington.</p></div>
<p>O sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, 81 anos, recebeu no dia 10 de julho o Prêmio John W. Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. O prêmio, no valor de US$ 1 milhão, foi criado para reconhecer a obra de estudiosos em áreas de ciências humanas e sociais não incluídas nas categorias do Prêmio Nobel, como história, filosofia, ciência política, psicologia, antropologia e filosofia. “Estou profundamente comovido por este título inesperado. Sou o primeiro brasileiro – e o primeiro latino-americano – a receber o Prêmio Kluge. É um verdadeiro privilégio”, disse Fernando Henrique, em seu discurso de agradecimento. “Tempos atrás, seria difícil para mim imaginar um prêmio como este. Passei boa parte da minha carreira acadêmica estudando as relações entre os países ricos  e os países da periferia – nações como o Brasil, economicamente e geograficamente distantes. Esta divisão entre rico e pobre parecia imutável”, afirmou.</p>
<p>Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Henrique governou o Brasil entre 1995 e 2002. Foi senador da República (1983 a 1992), ministro das Relações Exteriores (1992) e ministro da Fazenda (1993 e 1994). O historiador James H. Billington, que comanda a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos desde 1987, destacou o peso da obra do sociólogo brasileiro. “O presidente Cardoso tem sido aquele tipo de pesquisador moderno que combina conhecimento profundo com respeito às evidências empíricas”, afirmou. “Sua aspiração fundamental é buscar a verdade sobre a sociedade, mantendo-se aberto a revisitar suas conclusões quando novas evidências se acumulam.” O prêmio é administrado pelo Centro Kluge da Biblioteca do Congresso, criado graças a uma doação do empresário John Kluge (1914-2010) com o objetivo de “promover um relacionamento enriquecedor entre o mundo das ideias e o mundo da ação, entre estudiosos e líderes políticos”.</p>
<p>Segundo comunicado da Biblioteca do Congresso, a escolha de Fernando Henrique foi baseada em sua contribuição como sociólogo e intelec-tual, que serviu de alicerce para sua liderança política. “Sua análise acadêmica das estruturas sociais do governo, da economia e das relações raciais no Brasil estabeleceu a base intelectual para sua liderança como presidente na transformação do Brasil de uma ditadura militar com alta inflação em uma democracia vibrante e mais inclusiva com forte crescimento econômico”, afirmou o comunicado. A instituição ressaltou a “enorme energia intelectual” do ex-presidente do Brasil, autor ou coautor de mais de 23 livros acadêmicos e de 116 artigos científicos. “Ele se tornou internacionalmente conhecido pela análise inovadora desenvolvida com o chileno Enzo Faletto no debate das melhores alternativas para o desenvolvimento”, justificou a biblioteca. O trabalho em parceria com Faletto está no livro <em>Dependência e desenvolvimento na América Latina</em>, de 1969.</p>
<div id="attachment_15511" class="wp-caption alignleft" style="width: 271px"><img class="wp-image-15511" title="036-039_FHC_198-4" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/036-039_FHC_198-4.jpg" alt="" width="261" height="380" /><p class="wp-caption-text">O físico José Goldemberg foi laureado com o Prêmio Planeta Azul, considerado o Nobel do campo do meio ambiente</p></div>
<p><strong>&#8220;Uma heresia na época&#8221;</strong><br />
Os dois autores destacaram o papel de fatores internos na compreensão dos processos estruturais de dependência. Procuraram mostrar como diferentes formas de articulação entre economias nacionais e sistema internacional indicavam formas distintas de integração com os polos hegemônicos do capitalismo. “Trabalhando com meu colega Enzo Faletto, escrevemos um livro que descrevia um mundo complexo e dinâmico”, disse Fernando Henrique. “Partindo da análise econômica do economista argentino Raúl Prebisch e de outros pensadores da Cepal [Comissão Econômica para a América Latina e Caribe], percebemos que a periferia estava longe de ser homogênea e estática. Nós sublinhamos a formação histórica das classes sociais, do Estado, bem como as relações diferentes com o mercado mundial.” Tais diferenças, disse o ex-presidente, pavimentaram o caminho para diferentes formas de desenvolvimento econômico e social. “Isso queria dizer que os países pobres não são condenados ao atraso permanente, mas desafiados a encontrar os caminhos adequados para superar as barreiras estruturais. Isso parece evidente hoje, mas foi considerado uma heresia naquela época. Fomos um dos primeiros a falar sobre a internacionalização dos mercados internos”, afirmou em seu discurso.</p>
<p>Concedido desde 2003, o prêmio já distinguiu, entre outros, o historiador norte-americano Jaroslav Pelikan (1923-2006), o filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005) e o filósofo polonês Leskek Kolakowski (1927-2009). No passado recente, outros nomes da academia e da pesquisa do Brasil foram reconhecidos por prêmios internacionais. Um exemplo é o físico José Goldemberg, laureado em 2008 pela Asahi Glass Foundation, do Japão, com o Prêmio Planeta Azul, com direito a 50 milhões de ienes (o equivalente a R$ 800 mil), por “ter dado grandes contribuições na formulação e implementação de diversas políticas associadas a melhoras no uso e na conservação de energia”, com destaque para um conceito formulado por ele segundo o qual, para se desenvolver, países pobres não precisam repetir paradigmas tecnológicos trilhados no passado pelos ricos.</p>
<p>Criado em 1992 e apontado como um equivalente ao Nobel na área ambiental, o Prêmio Planeta Azul já reconheceu a contribuição de pesquisadores como o britânico James Lovelock, criador da hipótese de Gaia, que vê a Terra como um grande organismo vivo. Na sua última edição, anunciada na Conferência Rio+20, teve como um dos ganhadores Thomas Lovejoy, o biólogo que introduziu o termo biodiversidade na comunidade científica.</p>
<p>Em 2006, o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, 82 anos, tornou-se o segundo brasileiro a ganhar o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura mundial. Oscar Niemeyer foi premiado em 1988. “Seus materiais de concreto, que são sua assinatura, e seus métodos de construção inteligentes e notavelmente diretos criam prédios poderosos e expressivos reconhecidos internacionalmente”, informou o júri do Pritzker. A arquitetura de Paulo Mendes da Rocha é um exemplo do pensamento que caracteriza a escola paulista da arquitetura brasileira, vertente encabeçada por João Batista Vilanova Artigas, e difundida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, da qual Mendes da Rocha tornou-se professor. A escola paulista preocupava-se essencialmente com a promoção de uma arquitetura “crua, limpa, clara e socialmente responsável”.</p>
<div id="attachment_15512" class="wp-caption alignright" style="width: 271px"><img class="wp-image-15512" title="036-039_FHC_198-5" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/036-039_FHC_198-5.jpg" alt="" width="261" height="380" /><p class="wp-caption-text">O arquiteto Paulo Mendes da Rocha recebeu em 2006 o Prêmio Pritzker, o mais importante da arquitetura</p></div>
<p>Na opinião do sociólogo Simon Schwartzman, estudioso da comunidade científica brasileira e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o reconhecimento internacional de nomes como Fernando Henrique, Goldemberg e Mendes da Rocha tem grande importância para a ciência brasileira. “Além do prestígio e do orgulho que estes prêmios trazem, ajudam a formar a imagem de que temos no Brasil pessoas competentes que atuaram ou atuam em instituições de alto nível, capazes por isso de participar de igual para igual em redes de intercâmbio de conhecimentos, receber estudantes e especialistas internacionais”, afirma o professor, que ressalta a origem dos três pesquisadores. “Eles foram professores da Universidade de São Paulo, que é considerada a melhor universidade da América Latina, e uma das poucas da região a aparecer nos <em>rankings</em> internacionais de excelência acadêmica”, diz. “Mas nos falta, ainda, um Nobel”, completa.</p>
<p><strong>Orgulho nacional</strong><strong></strong><br />
Há vários exemplos de laureados com prêmios científicos e acadêmicos que inspiraram as gerações seguintes, observa o historiador da ciência Shozo Motoyama, professor da USP. Um deles foi o primeiro Nobel de Física concedido a um japonês, o físico teórico Hideki Yukawa, em 1949. “O prêmio devolveu o orgulho nacional ao Japão arrasado pela guerra e incentivou os jovens nipônicos a se dedicarem à carreira de cientista, com excelentes resultados”, diz Motoyama. Um segundo exemplo é o do dinamarquês Niels Bohr, Nobel de Física em 1922. “O prêmio encheu de orgulho a pequena Dinamarca, que financiou o Instituto de Física de Copenhague, onde não só os dinamarqueses, mas também os jovens físicos talentosos de todo o mundo, puderam desenvolver as suas pesquisas. Um dos resultados da atuação desse instituto foi a premiação de outro dinamarquês pelo Nobel: Aage Bohr, filho do Niels, em 1975”, afirma. “Acho importante essas premiações do ponto de vista da sociedade brasileira, uma nação sem tradição científica. Num mundo globalizado em rede, a procura por identidades, seja individual, nacional, comunitária, religiosa ou outras, passa pela criação de referências, leia-se mitos, que alavanquem a sua cultura”, observa Motoyama.</p>
<p>José Goldemberg afirma que há pesquisadores brasileiros que tiveram  credenciais para ganhar um Nobel, como Carlos Chagas (1878-1934), descobridor do protozoário causador da doença que seria conhecida como mal de Chagas, e Maurício da Rocha e Silva (1910-1983), que descobriu a bradicinina usada contra hipertensão. “Há uma injustiça do Nobel em relação à contribuição dos países periféricos”, diz Goldemberg. “Jorge Amado foi um escritor mais importante do que muitos vencedores do Nobel de Literatura.” Goldemberg lembra que o Nobel foi criado nos primeiros anos do século XX, baseado numa estrutura disciplinar da época, e reconhece contribuições em física, química e medicina ou fisiologia. “Mesmo os prêmios da Paz e de Economia não estavam previstos no testamento de Alfred Nobel, que morreu em 1896, e foram criados posteriormente”, diz.</p>
<p>O Prêmio Planeta Azul que Goldemberg recebeu é apontado como uma espécie de Nobel da ecologia, área do conhecimento que estava longe de ser uma preocupação da ciência em 1901. “É um prêmio importante e me ressenti um pouco da pouca repercussão que teve no Brasil. A premiação do Fernando Henrique, que é totalmente merecida, lavou minha alma, pois vários de nós demos contribuições significativas. No caso do ex-presidente, é um exemplo de intelectual que contribuiu para resolver problemas da sociedade”, afirma.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/10_fhc_198.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Referências intelectuais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/referencias-intelectuais/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Referências intelectuais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/referencias-intelectuais/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Referências intelectuais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/referencias-intelectuais/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Referências intelectuais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/referencias-intelectuais/' displayText='share'></span></p>
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		<title>O fator humano</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Aug 2012 20:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Salvador Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Castanhais podem ser resultado da ação de populações indígenas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15581" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-15581" title="056-059_Castanheiras_198-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/056-059_Castanheiras_198-1.jpg" alt="" width="290" height="383" /><p class="wp-caption-text">Castanheira na floresta amazônica: influência humana pode explicar disseminação</p></div>
<p>A distribuição das castanheiras na região amazônica é motivo de controvérsia há várias décadas. Como o fruto que contém a semente é duro e de difícil dispersão, os especialistas não entendiam exatamente como existem castanhais – áreas densamente ocupadas por árvores da espécie <em>Bertholletia excelsa</em> – em toda a Amazônia. Uma das explicações mais antigas dizia que roedores como a cutia e aves como a arara eram responsáveis pela disseminação da semente. Agora dois trabalhos recentes vêm reforçar outra tese: grande parte das árvores da castanha-do-pará teria sido cultivada e mantida por indígenas antes da ocupação europeia no continente. O primeiro estudo baseou-se nas atividades humanas na floresta; o segundo em análises genéticas e até linguísticas sobre os idiomas indígenas.</p>
<p>Ricardo Scoles, da Universidade Federal do Oeste do Pará, e Rogério Gribel, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), fizeram um dos trabalhos. Eles partiram do pressuposto de que a intensidade das ações dos antigos habitantes da região nos castanhais deixou uma “assinatura” na população de árvores que pode ser identificada. E compararam castanhais da região do rio Trombetas com os das vizinhanças do rio Madeira. A primeira área era bastante ocupada por indígenas antes do descobrimento do país, mas depois sua população caiu drasticamente no século XVI. Já a segunda região teve a ocupação humana preservada mesmo após a colonização portuguesa.</p>
<p>As diferenças encontradas foram marcantes. Enquanto os velhos castanhais tinham mais árvores antigas e menos sementes disponíveis para novas germinações, os que tiveram a presença constante de seres humanos eram, em geral, mais jovens e produtivos.</p>
<p>“Os dados apoiam a ideia de que os castanhais, mesmo os que são considerados floresta prístina [primária] e ‘nativa’, resultam de influências antropogênicas”, escreveram os pesquisadores em artigo publicado na revista <em>Human Ecology</em>. “Para nós, a concentração de castanhais na Amazônia é explicada pelo manejo tradicional da paisagem amazônica, especialmente no período pré-colonial”, afirma Scoles. “A modo de exemplo, as estimativas de idade média das árvores de castanheira a partir dos anéis de crescimento em muitos castanhais da região do rio Trombetas coincidem com a época de diminuição das populações humanas nativas da Amazônia.”</p>
<p>As árvores que dão origem à castanha-do-pará não raro têm 400 anos e há relatos de exemplares com mais de um milênio de vida. A primeira sugestão de que os castanhais tenham sido criados e mantidos por antigos povos amazônicos veio do botânico e etnólogo ítalo-brasileiro Adolpho Ducke (1876-1959), em 1946. Outros voltaram a defender ou a atacar essa tese nas últimas décadas.</p>
<p>Os frutos da castanheira, que contêm as cobiçadas sementes, por serem difíceis de abrir não parecem ter um mecanismo simples de dispersão. Deixados aos seus próprios meios, os frutos teriam dificuldade até mesmo para se espalhar por uma área pequena, que dirá por toda a floresta. O primeiro a descrever o fenômeno foi o suíço Jacques Huber, em 1910. Outro estudioso desse tema é o paraense Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. Biólogo ambiental renomado, em 1997 ele reforçou essa ideia indicando que a cutia, roedor comum na floresta amazônica, com seus dentes afiados, poderia dar o empurrão que a castanheira precisa para se multiplicar.</p>
<p>Peres observou o comportamento desses animais e viu que eles conseguiam abrir o fruto e colher as sementes. Uma em cada quatro delas era consumida no próprio local, mas a maior parte das restantes as cutias enterravam para comer mais tarde. Há de se presumir que nem todas as sementes enterradas seriam recolhidas depois, ganhando a possibilidade de germinar e dar origem a uma nova castanheira. Para Peres, essa demonstração era suficiente para explicar a origem dos castanhais.</p>
<p>Contudo, um enigma ainda permanecia: como a árvore conseguiu se espalhar por tantas regiões da floresta de forma tão marcante? Para alguns pesquisadores, mecanismos naturais não são suficientes, e só mesmo a ação de populações humanas daria conta do fenômeno. Para dar ainda mais suporte a essa hipótese, Glenn Shepard Jr., do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), e Henri Ramirez, da Universidade Federal de Rondônia (Ufro), fizeram um levantamento multidisciplinar que deixa poucas dúvidas e no qual tiveram a colaboração de Rogério Gribel, do Inpa. Eles colheram evidências que vão desde a biologia, com análises genéticas das populações de castanheiras, até a linguística, correlacionando diversos idiomas indígenas para decifrar a importância histórica da castanha para as populações da região.</p>
<p>Uma das revelações mais importantes vem da análise do DNA, feita por Rogério Gribel e Maristerra Lemes, do Inpa, e colaboradores. Ao comparar as populações de árvores em todas as partes da Amazônia, notou-se que há grande homogeneidade, ou seja, poucas diferenças genéticas de local para local. Isso indica que o espalhamento geográfico da castanha-do-pará se deu rapidamente e em uma época relativamente recente, o que torna mais complicado imaginar um mecanismo natural para sua dispersão.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/056-059_Castanheiras_198-mapa.jpg" rel="lightbox[15580]" title="056-059_Castanheiras_198-mapa"><img class="alignleft  wp-image-15582" title="056-059_Castanheiras_198-mapa" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/056-059_Castanheiras_198-mapa.jpg" alt="" width="290" /></a>“As cutias podem explicar a distribuição espacial concentrada dos indivíduos de castanheira dentro dos castanhais”, diz Scoles. “O que é impossível de entender é como esses roedores, sem ajuda humana, podem explicar a distribuição pan-amazônica de <em>Bertholletia excelsa</em>. A dispersão da cutia é altamente ineficiente e de curta distância. Além disso, como esses roedores poderiam atravessar os grandes rios com sementes na boca?”</p>
<p>Outros animais que também comem castanhas, como as araras, poderiam ajudar nessa dispersão de meia distância, algo em que Scoles não acredita. “Geralmente as araras estragam a produção de frutos porque os comem antes de estarem maduros”, diz. Ainda assim, além de o fenômeno não ter sido suficientemente documentado, ele parece mais complicado do que imaginar que para os indígenas do passado pode ter sido interessante consumir e plantar castanhas-do-pará. “Para nós, é mais fácil explicar a distribuição em grande escala pela dispersão humana voluntária e/ou involuntária em tempos pretéritos”, conclui Scoles.</p>
<p>Uma comparação feita por Shepard e Ramirez entre a distribuição geográfica das castanheiras e a das sapucaias mostrou que a área de distribuição da sapucaia contém várias espécies geograficamente distintas, indicando uma história evolutiva mais profunda e processo de dispersão mais longo. “Já a castanha apresenta uma única espécie na Amazônia inteira, indicando uma história mais recente”, diz Shepard. A sapucaia é parecida com a castanheira, mas tem frutos que facilitam a dispersão das sementes.</p>
<p>Além disso, enquanto populações de sapucaias mostram pequenas variações genéticas em dezenas de quilômetros, as castanheiras não apresentam nenhuma variação em milhares de quilômetros por toda a Amazônia. O que levou os pesquisadores a pensar que há vários mecanismos diferentes agindo para formar as duas populações de árvores.</p>
<p><strong>Linguística</strong><br />
Um dos aspectos mais interessantes do estudo de Shepard e Ramirez é o uso de comparações linguísticas para tentar identificar a importância de certos elementos na cultura dos povos do passado. Os próprios autores são cautelosos na análise dessas informações, mas ainda assim apresentam dados interessantes. Comparando os termos usados pelas três maiores famílias de idiomas amazônicos nos locais em que há castanhais, denominadas Arawak, Carib e Tupi, os pesquisadores puderam notar que, de forma geral, é possível identificar uma origem comum para uma palavra que designe a castanha nas duas primeiras, mas não na terceira. Para os falantes de idiomas da família Tupi, o mais comum é vê-los se referindo à semente por meio de uma palavra “emprestada” de outra língua.</p>
<p>Correlacionando esses dados linguísticos, Shepard e Ramirez acreditam que a castanha-do-pará se tornou um elemento importante da cultura indígena principalmente durante o primeiro milênio d.C., coincidindo com a adoção de agricultura mais intensa e um estilo de vida mais sedentário por parte das populações nativas.</p>
<p>Sobre a origem da <em>Bertholletia</em>, a análise linguística parece corroborar estudos genéticos que sugerem que a árvore surgiu na região norte ou central da Amazônia, para depois se espalhar (ou ser cultivada) a oeste e ao sul. Isso ajudaria a explicar por que não há uma palavra específica nas raízes do Tupi para ela, uma vez que esse tronco linguístico parece ter surgido no sul da floresta, onde hoje fica o estado de Rondônia. Isso também pode dar alguma explicação para o fato de que sítios arqueológicos rondonienses de 4 mil anos de idade, embora estejam em locais onde hoje há importantes castanhais, não têm nenhum sinal de consumo antigo de castanhas.</p>
<p>Apesar das evidências, nenhum dos defensores da hipótese antropogênica dos castanhais afirma que o debate está superado. “A confirmação definitiva seriam evidências arqueológicas e arqueo-botânicas mostrando, por exemplo, a aparição de restos de castanha em sítios arqueológicos a partir de uma determinada data”, ressalva Shepard.</p>
<p>“O arqueólogo rondoniense Eurico Miller me disse que achava estranho não encontrar restos de castanha em sítios arqueológicos antigos em Rondônia, onde hoje tem bastante castanha na superfície”, conta Shepard. “Teria de se confirmar essa observação pessoal do Miller com evidências mais concretas e tentar determinar a data em que a castanha ‘entra’ nos restos arqueobotânicos para Rondônia e outras regiões.”</p>
<p>De acordo com Ricardo Scoles, duas linhas de pesquisa podem também dar fim ao grande enigma. A primeira seria um esforço de correlacionar dados de distribuição geográfica da castanheira com a presença de sítios arqueológicos e a chamada “terra preta de índio” – indício de agricultura por esses povos nativos em tempos passados. A ideia é demonstrar que onde havia ocupação antiga também havia a formação de castanhais.</p>
<p>Outra confirmação pode vir de estudos genéticos das variedades da espécie, que permitam determinar de forma mais precisa como e quando se deu o espalhamento da <em>Bertholletia</em> pelo território amazônico. Segundo Scoles, ambas as linhas de pesquisa já estão sendo perseguidas por pesquisadores do Inpa.  “Creio que elas darão resultados conclusivos em relação ao caráter antropogênico dos castanhais.” Mas, por enquanto, a questão continua aberta.</p>
<p><em>Artigos científicos</em><br />
SCOLES, R. e GRIBEL, R. <a href="http://www.springerlink.com/content/814m44260r226g11/" target="_blank">Population structure of Brazil Nut (<em>Bertholletia excels</em>, Lecythidaceae) stands in two areas with different occupation histories in the Brazilian Amazon</a>. <strong>Human Ecology.</strong> v. 39, p. 455-64. 2011.<br />
SHEPARD JR., G.H. e RAMIREZ, H. <a href="http://www.springerlink.com/content/e436p751g1727004/" target="_blank">“Made in Brazil”: human dispersal of the Brazil Nut (<em>Bertholletia excels</em>, Lecythidaceae) in Ancient Amazonia</a>. <strong>Economic Botany.</strong> v. 65 (1), p. 44-65. 2011.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/15_castanheiras_198.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='O fator humano' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/o-fator-humano/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='O fator humano' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/o-fator-humano/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='O fator humano' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/o-fator-humano/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='O fator humano' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/10/o-fator-humano/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Atmosfera cooperativa</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Aug 2012 02:28:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabrício Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina]]></category>

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		<description><![CDATA[USP, FAPESP e Marine Biological Laboratory promovem cursos inéditos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_15565" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/mbl.jpg" rel="lightbox[15559]" title="mbl"><img class="size-full wp-image-15565" title="mbl" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/08/mbl.jpg" alt="" width="290" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">Pesquisadores participantes de workshop do Marine Biological Laboratory, realizado em 2011</p></div>
<p>A cada verão do hemisfério Norte, o Marine Biological Laboratory (MBL), um tradicional centro de pesquisa e educação dos Estados Unidos fundado em 1888, recebe 1,4 mil cientistas e estudantes de todo o mundo para estudar e investigar temas avançados em biologia, biomedicina e ecologia. Esse contingente se soma aos 275 cientistas e técnicos que trabalham no laboratório, situado em Woods Hole, Massachussetts, fazendo pesquisas interdisciplinares em temas como ecologia, microbiologia, doenças infecciosas e neurobiologia. O programa de educação do MBL, que oferece seis cursos de verão e uma dezena de cursos especiais ao longo do ano, é conhecido como um formador de biólogos experimentais – e 54 ganhadores do Nobel já atuaram na instituição, fazendo pesquisa ou lecionando. A novidade é que o MBL celebrou uma parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) para ministrar cursos conjuntos em São Paulo ainda neste segundo semestre.</p>
<p>Serão dois cursos. O primeiro, sobre Biologia do Parasitismo, está programado para os dias 4 a 9 de novembro. O segundo, sobre Sistemas Neurais e Comportamento, deverá acontecer entre 9 e 14 de dezembro (<a href="http://www.icb.usp.br/mblcourses/" target="_blank">ver programação</a>).  As inscrições devem ser feitas até 31 de agosto e a ideia é atrair pesquisadores do mundo inteiro. A iniciativa faz parte do programa Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA), modalidade de apoio da FAPESP que busca aumentar a exposição internacional de áreas de pesquisa de São Paulo que já são competitivas mundialmente. O programa estimula pesquisadores a organizarem cursos de curta duração com professores convidados de vários lugares do mundo e de São Paulo. Pelo menos a metade da audiência deve ser recrutada entre pesquisadores e estudantes de fora do Brasil. Um dos objetivos é despertar o interesse de estrangeiros em trabalhar como cientistas em São Paulo.</p>
<p>Os dois cursos serão os primeiros da Escola São Paulo feitos em conjunto com uma instituição estrangeira. “Não tenho dúvida de que a marca do MBL vai ajudar a atrair alunos estrangeiros de alto nível”, diz Maristela Martins de Camargo, professora do Departamento de Imunologia do ICB, organizadora dos cursos. Maristela já foi pesquisadora visitante do MBL e participou dos cursos de verão. Em 1997, fez o curso de Biologia do Parasitismo que agora será ministrado no Brasil. “Os nomes mais importantes da área estavam lá e davam palpites sobre os trabalhos dos alunos. Uma marca dos cursos do MBL é que não há barreiras entre professores e alunos”, afirma. Maristela teve a ideia de propor os cursos ao observar que uma instituição-irmã do MBL, o Cold Spring Harbor Laboratory, tinha parcerias desse tipo com a China. “Propus uma parceria ao diretor de educação do MBL, que recebeu muito bem a ideia”, diz. Para garantir que a atmosfera cooperativa do MBL se repita no Brasil, professores e alunos vão compartilhar desde a condução até o restaurante do hotel de praia em São Sebastião (SP), que sediará os eventos.</p>
<p>Segundo William Reznikoff, diretor de educação do MBL,  a parceria com a USP e a FAPESP é estimulante para as três instituições. “Um dos principais objetivos do MBL é a formação da próxima geração de líderes da pesquisa em biologia. Os cursos conjuntos contribuem para essa meta, porque reforçam o alcance internacional do MBL e de seus programas”, afirmou.  “Esperamos que os cursos atraiam jovens pesquisadores de destaque do Brasil, da América do Sul e do mundo inteiro. Os cursos também vão servir de vitrine para a notável pesquisa científica que está sendo realizada no Brasil, e no Estado de São Paulo em particular”.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Atmosfera cooperativa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/09/atmosfera-cooperativa-2/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Atmosfera cooperativa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/09/atmosfera-cooperativa-2/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Atmosfera cooperativa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/09/atmosfera-cooperativa-2/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Atmosfera cooperativa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/09/atmosfera-cooperativa-2/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Ramificações ancestrais</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2012 20:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Capa]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Divergência de macacos-prego se reflete em ecologia e comportamento]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_10295" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-10295" title="018-019_CAPA-Macacos_196-1bb" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-019_CAPA-Macacos_196-1bb.jpg" alt="" width="290" height="354" /><p class="wp-caption-text">Desaparecidos por séculos, os macacos-prego-galegos foram redescobertos há poucos anos</p></div>
<p>Os macacos-prego e caiararas existem na América Central, na Amazônia inteira, no cerrado, na caatinga e em toda a mata atlântica, chegando até a Argentina. Nessa extensão variam muito em forma, cor, tamanho, preferências alimentares e comportamento. São primatas marcantes, com um sistema social complexo e capazes de usar ferramentas, uma habilidade rara. Mesmo diante da grande variação entre espécies, até recentemente os especialistas classificavam macacos-prego e caiararas no mesmo gênero, <em>Cebus</em>, e boa parte deles respondia nos registros científicos pelo nome <em>Cebus apella</em>. Nos últimos 10 anos, a classificação desses primatas vem passando por uma revolução, com base no trabalho de pesquisadores brasileiros e de fora. “A taxonomia deles ainda seguia o trabalho dos naturalistas”, diz o primatólogo brasileiro Jean-Philippe Boubli. “A era da tecnologia molecular está permitindo toda uma reorganização.” Junto com a colega norte-americana Jessica Lynch Alfaro, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, ele – à época pesquisador na Wildlife Conservation Society – organizou um simpósio sobre esses macacos num congresso em 2010 no Japão. Reunindo os pesquisadores que mais estavam trazendo novidades ao conhecimento sobre esses primatas, o encontro deu origem a um volume especial da revista <em>American Journal of Primatology</em>, publicado em abril deste ano.</p>
<p>Quando estudava o comportamento desses macacos em Caratinga, Minas Gerais, Jessica via diferenças entre eles e os de outros lugares, mas não tinha contexto evolutivo para avaliar de onde elas vinham. “Não sabíamos há quanto tempo os grupos estavam separados ou qual o parentesco entre eles”, conta. Agora o animal que ela estudava se chama <em>Sapajus nigritus</em>, diferente de como era conhecido tanto em gênero como espécie. O pontapé inicial da mudança foi sugerido por José de Sousa e Silva Júnior em seu doutorado, concluído em 2001 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele propôs dois subgêneros: <em>Cebus</em> para os caiararas, mais esguios, distribuídos da Amazônia para o norte, e <em>Sapajus</em> para os macacos-prego, mais robustos e muitas vezes caracterizados por um topete na cabeça, espalhados da Amazônia para o sul. “Ele foi corajoso em propor a divisão”, avalia Boubli, “mas agora podemos ir além”.</p>
<p>Só agora, uma década depois, a subdivisão se ampliou em trabalho de Jessica, Boubli e colaboradores publicado em fevereiro na revista <em>Journal of Biogeography</em>. Por meio de amplas análises genéticas, feitas sobretudo no laboratório de Jessica mas também no de Izeni Farias, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ficou demonstrado que <em>Cebus</em> e <em>Sapajus</em> são diferentes a ponto de serem considerados gêneros distintos embora de tamanho parecido, ambos com pouco mais de 2 quilogramas. Mais especificamente, o estudo mostra que as duas linhagens se separaram há mais de 6 milhões de anos – mesmo tempo que separa o surgimento de chimpanzés e de seres humanos a partir de um ancestral comum. A mudança foi aceita pela maior parte dos primatólogos e está na <em>Lista anotada dos mamíferos do Brasil</em> publicada em abril pela Conservation International. Mas não é unanimidade, como é costume no meio científico. Em comentário recém-publicado no <em>site</em> da <em>American Journal of Primatology</em>, Alfred Rosenberger, do Brooklyn College, em Nova York, defende que a divisão dos macacos-prego e caiararas foi apressada e até certo ponto desnecessária. Embora não critique os fundamentos genéticos, ele argumenta que uma repartição exagerada pode criar espécies raras que angariam mais recursos para conservação, mesmo que não se justifique do ponto de vista científico. A discussão envereda mais para o campo filosófico, com base na fluidez do conceito de espécie, que não tem fronteiras definidas.</p>
<table style="width: 307px; height: 198px;" border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><iframe src="http://www.youtube.com/embed/z7xefPtVbl0?rel=0" frameborder="0" width="290" height="169"></iframe></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Jessica está convicta de suas conclusões. Por meio de sequenciamento genético e de técnicas que permitem estimar quando aconteceram as ramificações na árvore genealógica desses primatas, tudo isso relacionado à geografia de sua distribuição atual, o grupo liderado por ela chegou a uma proposta sobre a trajetória desses animais ao longo da evolução. A formação do rio Amazonas foi responsável por criar uma separação norte-sul que isolou os primatas que ali viviam, gerando a ramificação na genealogia que deu origem a <em>Cebus</em> e a <em>Sapajus</em>. Depois disso, por cerca de 4 milhões de anos não se sabe bem o que aconteceu. Só por volta de 2 milhões de anos atrás o grupo que deu origem aos macacos mais robustos se espalhou pela mata atlântica sem deixar descendentes na Amazônia. A ocupação de toda a costa brasileira foi rápida e se deu em conjunto com uma grande diversificação de espécies. Há cerca de 700 mil anos a expansão ao sul chegou até a Argentina, próximo às cataratas do Iguaçu, e rumou para o norte ocupando o cerrado, na região central do Brasil. Em seguida, por volta de 400 mil anos atrás, eles chegaram de volta à Amazônia, onde tornaram a se encontrar com seus parentes mais delicados, que se tinham espalhado pela região norte, em torno dos Andes, e chegado até a Costa Rica, na América Central.</p>
<p>Essa reinvasão relativamente recente da Amazônia pelos macacos-prego explica sua baixa diversidade por ali em número de espécies, e também a competição que se estabelece entre os dois gêneros que ficaram separados por milhões de anos. “Os <em>Sapajus</em> conseguem usar uma variedade maior de recursos, como quebrar frutos mais duros”, explica Jessica. Isso faz com que, quando eles coexistem com seus primos do norte – como é comum no oeste da Amazônia entre <em>C. albifrons</em> e <em>S. macrocephalus</em> –, a densidade dos mais esguios fique reduzida. Boubli analisou mais a fundo a diversidade genética dos <em>Cebus</em>, em artigo publicado na edição especial da <em>American Journal of Primatology</em>, e mostrou que esses animais pouco estudados abrigam uma enorme diversidade. Para Izeni Farias, responsável pelas análises genéticas, não foi surpresa. “A distribuição é muito ampla, era de se esperar uma grande variação”, afirmou a geneticista, coordenadora de um projeto do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota) que busca amostrar a diversidade genética dos vertebrados amazônicos.</p>
<p>Experiente em andanças pela selva amazônica, Boubli vê o estudo genético como um ponto de partida que indica a necessidade de novos estudos. “Os interflúvios de rios como o Jaú, o Purus e outros separam populações que podem ficar isoladas tempo suficiente para se tornarem espécies”, explica o primatólogo. Um exemplo observado por ele são macacos das duas margens do rio Negro que estão separados há 1 milhão de anos, segundo dados genéticos. “Olhando, eles parecem iguais. Será que são espécies diferentes?”</p>
<div id="attachment_10296" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-10296" title="018-019_CAPA-Macacos_196-2a" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-019_CAPA-Macacos_196-2a.jpg" alt="" width="290" height="396" /><p class="wp-caption-text">Sapajus libidinosus escala paredão na serra da Capivara</p></div>
<p><strong>A olho nu</strong><br />
Na amplitude tridimensional da Amazônia, coletar material para estudos genéticos já é bastante difícil. Estudos de ecologia e comportamento são muito mais complicados, daí a quase total ignorância sobre os animais que vivem por lá. A maior parte dos estudos que envolvem observação acontece em áreas de fácil acesso, onde os macacos já estão habituados à presença humana. No Brasil, isso torna os <em>Sapajus</em> muito mais estudados do que os <em>Cebus</em>. E há bastante variação de uma espécie a outra.</p>
<p>Essa variação depende em parte do ambiente, como mostra um grupo liderado por Patrícia Izar, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), em artigo na <em>American Journal of Primatology</em>. A equipe comparou <em>S. nigritus</em> do Parque Estadual Carlos Botelho, no interior de São Paulo, e <em>S. libidinosus</em> da Fazenda Boa Vista, no município de Gilbués, Piauí. As diferenças ecológicas são marcantes: uma espécie de mata atlântica, que passa a maior parte do tempo no alto das árvores, e outra de caatinga, usando mais o chão em meio à vegetação menos generosa.</p>
<p>Talvez por causa do ambiente mais aberto, os macacos nordestinos demonstravam mais incômodo com a presença dos pesquisadores, que por vezes acusavam em gritos de alarme como se fossem predadores. Essa maior percepção do risco do entorno pode estar por trás dos grupos sociais mais coesos ali do que na floresta paulista. A disponibilidade de alimento, surpreendentemente menor na mata mais exuberante, também afeta a estrutura do grupo, que em Carlos Botelho muitas vezes se dispersa em busca de uma boa refeição. As palmeiras da caatinga produzem cocos de vários tipos, ricos em nutrientes e que exigem perícia de quem deseja consumi-los: o uso de ferramentas, comportamento comum em <em>Sapajus</em> mas nunca observado em <em>Cebus</em>.</p>
<p>“São raríssimos os registros de uso de ferramentas em macacos arbóreos”, conta Tiago Falótico, do IP-USP. Ele mostrou, em seu trabalho de doutorado terminado em 2011 sob orientação de Eduardo Ottoni, que além do aspecto ecológico esse comportamento também é influenciado pela cultura dos grupos. “Os macacos do Parque Nacional da Serra da Capivara têm um instrumental muito mais variado que os de Gilbués”, conta, sobre dois locais no Piauí. Em Gilbués, os cocos da piaçava, do catulé e do catuli chegam a ser bastante grandes e difíceis de quebrar. Nada que desanime os <em>Sapajus libidinosus</em>, o macaco-prego-amarelo: eles usam pedras de até 3 quilogramas (praticamente o próprio peso), que erguem e abatem sobre o coco apoiado numa pedra plana. “As fêmeas às vezes precisam saltar com a pedra e usar a força da queda para conseguir quebrar os cocos”, diz o pesquisador.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-019_CAPA-Macacos_196-2INFO.jpg" rel="lightbox[10280]" title="018-019_CAPA-Macacos_196-2INFO"><img class="alignleft size-full wp-image-10304" title="018-019_CAPA-Macacos_196-2INFO" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-019_CAPA-Macacos_196-2INFO1.jpg" alt="" width="290" height="205" /></a>Mas a criatividade para por aí em Gilbués, enquanto os grupos da serra da Capivara, que não têm cocos para quebrar (mas abrem castanhas de caju a pedradas), usam o mesmo tipo de ferramenta para cavar o solo arenoso em busca de raízes e de aranhas que vivem em ninhos subterrâneos. Além disso, são também exímios na confecção e no uso de varetas para tirar mel de colmeias e desentocar mamangavas e outros insetos de ocos em troncos de árvores. Eles também usam varas compridas para expulsar lagartos de frestas nos paredões de pedra avermelhados que se erguem até 50 metros acima do solo. “A diferença de comportamento entre grupos da mesma espécie em ambiente similar indica que eles podem ter tradições transmitidas por aprendizagem social”, explica Falótico. Outro uso curioso de ferramentas está no repertório das fêmeas de apenas um grupo da serra da Capivara: elas atiram pedras nos machos para chamar atenção durante os poucos dias de duração do cio.</p>
<p>Outro adepto do uso de ferramentas é o macaco-prego-galego (<em>S. flavius</em>), estudado no Rio Grande do Norte por Ricardo Emidio e Renata Ferreira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Poucos estudos foram feitos sobre essa espécie, até recentemente conhecida apenas por uma pintura do século XVIII que ninguém sabia se representava um animal existente.</p>
<p><strong>Habilidades alternativas</strong><br />
Mesmo não usando ferramentas no dia a dia, os macacos-prego de florestas também têm habilidades manuais. É o que mostrou a equipe do primatólogo Júlio César Bicca-Marques, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), por meio de experimentos com <em>Sapajus nigritus</em> em que posicionou bananas dentro de caixas de acrílico em plataformas numa propriedade privada em Porto Alegre (<a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?p=10331" target="_blank"><em>veja o vídeo</em></a>). Criado pelo antropólogo Paul Garber, da Universidade de Illinois e coautor do artigo, o experimento teve resultados semelhantes aos obtidos pelo norte-americano com <em>Cebus capucinus </em>na Costa Rica. Numa primeira versão do desafio, os macacos precisavam puxar uma vareta para derrubar a banana e deixá-la ao alcance das mãos. Os dois machos do grupo aprenderam o truque com facilidade. Mas quando o experimento mudou, e a vareta passou a precisar ser empurrada, o sucesso não se repetiu. Não por falta de capacidade na solução de problemas, na opinião do pesquisador gaúcho. “A associação foi muito fácil, mas eles parecem precisar de mais tempo para extinguir o aprendizado”, explica. Numa próxima oportunidade, ele pretende começar o teste pela segunda versão, para comprovar sua hipótese.</p>
<p>Outro tipo de ferramenta, muito diferente, é o hábito de esfregar produtos diversos, como frutos ou insetos, na pelagem. Até recentemente esse costume tinha sido observado muito mais em <em>Cebus</em> do que em <em>Sapajus</em>. “Como é um comportamento observado esporadicamente em <em>Sapajus</em>, quase ninguém tinha dados suficientes para publicar”, conta Jessica Lynch Alfaro, que reuniu as informações recolhidas por diversos pesquisadores em uma revisão.</p>
<div id="attachment_10297" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-10297" title="018-019_CAPA-Macacos_196-3" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-019_CAPA-Macacos_196-3.jpg" alt="" width="290" height="219" /><p class="wp-caption-text">Filhotes aprendem com observação de perto</p></div>
<p>De maneira geral, o trabalho mostrou que os <em>Cebus</em> têm uma tendência maior do que seus primos a esfregar no pelo quase tudo que encontram, com uma preferência por material vegetal, como frutos cítricos e folhas. O comportamento é mais raro em <em>Sapajus</em>, que, sobretudo na mata atlântica, restringem o uso a insetos. A escolha de material para besuntar-se não deixa de ter uma influência ecológica – o que estiver disponível –, mas uma diferença intrínseca entre os dois gêneros é decisiva. “No Parque Nacional Manu, no Peru, os <em>Sapajus</em> não se esfregam e os <em>Cebus</em> sim”, exemplifica Jessica.</p>
<p>Os macacos-prego da mata atlântica têm uma preferência marcada por formigas, como mostraram Tiago Falótico e sua colega Michele Verderane em estudo feito no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, e publicado em 2007. Principalmente na estação seca, quando há mais carrapatos, os primatas pegam punhados de formigas e esfregam meticulosamente pelo corpo. “Elas liberam ácido fórmico, que tem ação repelente para carrapatos”, conta o pesquisador da USP. Ele e Michele comprovaram o efeito passando a substância no dedo e inserindo num frasco de carrapatos, num experimento em que contavam quanto tempo os parasitas caminhavam sobre o dedo e que distância percorriam. Falótico viu o mesmo comportamento no Piauí, onde os macacos também esfregam piolhos-de-cobra, fonte de benzoquinona, um repelente contra pernilongos.</p>
<p>Outras observações recolhidas por Jessica permitiram mapear a esfregação por macacos-prego e mostrar que o procedimento não se limita a uma preferência cosmética e tem uso prático e até medicinal. Um caso curioso é o dos <em>Cebus albifrons</em> que vivem no meio de um vilarejo da Amazônia equatoriana e costumam roubar o sabão de lavar roupa, que usam para tomar banho.</p>
<p>Há muito de novo no reino dos macacos-prego, mas os especialistas estão longe de satisfeitos. Para Jessica e Boubli, eles apenas revelaram a ponta do <em>iceberg</em>, uma indicação do quanto ainda há por descobrir. Na Amazônia, onde o comportamento e a ecologia são praticamente desconhecidos, as informações genéticas são uma pista de que talvez haja espécies às quais ninguém dá importância. “Espero que as novas populações e espécies descobertas ajudem a tomar decisões de conservação”, diz Jessica.</p>
<p><em>Artigos científicos</em><br />
LYNCH ALFARO, J.W. <em>et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2699.2011.02609.x/full" target="_blank">Explosive Pleistocene range expansion leads to widespread Amazonian sympatry between robust and gracile capuchin monkeys</a>. <strong>Journal </strong><strong> </strong><strong>of Biogeography.</strong> v. 39, n. 2, p. 272-88. fev. 2012.<br />
BOUBLI, J.P. <em>et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajp.21998/full" target="_blank">Cebus phylogenetic relationships:  a preliminary reassessment of the diversity of the untufted capuchin monkeys</a>. <strong>American Journal of Primatology.</strong>  v. 74, n. 4, p. 381-93. abr. 2012.<br />
IZAR, P. <em>et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajp.20968/full" target="_blank">Flexible and conservative features of social systems in tufted capuchin monkeys: comparing the socioecology of <em>Sapajus libidinosus</em> and <em>Sapajus nigritus</em></a>. <strong>American Journal of Primatology.</strong> v. 74, n. 4, p. 315-31. abr. 2012.<br />
GARBER, P.A. <em>et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajp.20957/abstract" target="_blank">Experimental field study of problem-solving using tools in free-ranging capuchins (<em>Sapajus nigritus</em>, formerly <em>Cebus nigritus</em>)</a>. <strong>American Journal </strong><strong> </strong><strong>of Primatology.</strong> v. 74, n. 4, p. 344-58. abr. 2012.<br />
LYNCH ALFARO, J.W. <em>et al</em>. <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajp.20971/full" target="_blank">Anointing variation across wild capuchin populations: a review of material preferences, bout frequency and anointing sociality  in <em>Cebus</em> and <em>Sapajus</em></a>. <strong>American Journal of Primatology.</strong>  v. 74, n. 4, p. 299-314. abr. 2012.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/06/018-023_macacos_196.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Ramificações ancestrais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/06/14/ramificacoes-ancestrais/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Ramificações ancestrais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/06/14/ramificacoes-ancestrais/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Ramificações ancestrais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/06/14/ramificacoes-ancestrais/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Ramificações ancestrais' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/06/14/ramificacoes-ancestrais/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Mata atlântica do Espírito Santo tem resquícios de floresta amazônica</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 21:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Mata atlântica tem resquícios de floresta amazônica]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/CWSlrW56A8Y" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>Em meio a uma reserva de mata atlântica em Linhares, norte do Espírito Santo, pesquisadores encontraram resquícios de espécies de árvores amazônicas de 7,8 mil anos. Com base em análises de solo e de pólen retirados dos sedimentos do fundo de uma lagoa, é possível saber quais dessas espécies já viviam na região há milhares de anos.</p>
<p>Saiba mais na reportagem: <em><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/a-milenar-amaz%C3%B4nia-capixaba/" target="_blank">A milenar Amazônia capixaba</a></em>.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Mata atlântica do Espírito Santo tem resquícios de floresta amazônica' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/05/28/mata-atl%c3%a2ntica-do-esp%c3%adrito-santo-tem-resqu%c3%adcios-de-floresta-amaz%c3%b4nica/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Mata atlântica do Espírito Santo tem resquícios de floresta amazônica' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/05/28/mata-atl%c3%a2ntica-do-esp%c3%adrito-santo-tem-resqu%c3%adcios-de-floresta-amaz%c3%b4nica/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Mata atlântica do Espírito Santo tem resquícios de floresta amazônica' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/05/28/mata-atl%c3%a2ntica-do-esp%c3%adrito-santo-tem-resqu%c3%adcios-de-floresta-amaz%c3%b4nica/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Mata atlântica do Espírito Santo tem resquícios de floresta amazônica' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/05/28/mata-atl%c3%a2ntica-do-esp%c3%adrito-santo-tem-resqu%c3%adcios-de-floresta-amaz%c3%b4nica/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Estratégias sertanejas</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 21:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Guimarães</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas dunas do rio São Francisco, rabo-de-facho se agrupa para viver]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_5516" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5516" title="052-053_Rabo_de_facho_194-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/052-053_Rabo_de_facho_194-1.jpg" alt="" width="290" height="235" /><p class="wp-caption-text">Filhote de rabo-de-facho: pés grandes e cauda longa</p></div>
<p>Na caatinga junto às margens baianas do rio São Francisco o observador atento verá buracos com cerca de 15 centímetros de largura abrigados debaixo de folhas espinhudas. Um ícone do sertão, essas bromélias, as macambiras, formam bancos impenetráveis e caracterizavam o ambiente inóspito do cangaço, uma paisagem que podia se tornar proteção aos que conseguissem chamá-la de lar. É exatamente o caso ainda hoje para sertanejos de estatura muito mais diminuta, os rabos-de-facho, roedores que só vivem naquela região. O biólogo José Wellington dos Santos enfrentou os espinhos e a temperatura, que pode variar entre 15 graus Celsius (°C) à noite e 43°C no meio do dia, para entender como vivem esses pequenos mamíferos. Percebeu que famílias reunidas em boas tocas são a chave do sucesso.</p>
<p>“E uma boa toca é protegida por vegetação espinhosa”, define o pesquisador, atualmente pós-doutorando na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele começou a estudar o rabo-de-facho (<em>Trinomys yonenagae</em>) ainda durante a graduação na própria UFBA, logo depois que a espécie foi descrita em 1995, classificada sob o gênero <em>Proechimys</em>, e continuou ao longo do mestrado na Universidade de São Paulo e do doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley, concluído em 2010. O primeiro artigo resultante da tese foi publicado no ano passado no <em>Journal of Mammalogy</em> e descreve o primeiro caso observado de grupos sociais em roedores do gênero <em>Trinomys</em>, muito comum nas florestas brasileiras.</p>
<div id="attachment_5521" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5521" title="052-053_Rabo_de_facho_194-2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/052-053_Rabo_de_facho_194-2.jpg" alt="" width="290" height="191" /><p class="wp-caption-text">Dunas do rio São Francisco, com mais vegetação nos vales</p></div>
<p>O <em>Trinomys</em> da caatinga tem um jeito bem diferente dos parentes, um pouco mais parecidos com ratos comuns. Com suas grandes patas traseiras, quando está com pressa o rabo-de-facho se locomove aos saltos quase como um canguru. E basta um chicoteio da longa cauda, com um tufo de pelos na ponta, para mudar a direção no meio do pulo e escapar de predadores pela agilidade. E são muitos os que os veem como refeição: gatos-do-mato, corujas, cobras, teiús e cachorros-do-mato são alguns dos que visitam as dunas especialmente em busca desse pitéu que, sem a cauda, mede por volta de 16 centímetros. A cauda é mais comprida do que o corpo, as enormes orelhas parecem fora de proporção e as patas dianteiras são bem mais curtas. Em conjunto, uma aparência típica de mamíferos que habitam desertos em outras partes do mundo. Mas, sem as adaptações fisiológicas que permitem a outros roedores viver em zonas áridas, Santos verificou que o rabo-de-facho precisa de estratégia para sobreviver.</p>
<p><strong>Comunidades solidárias</strong><br />
Próximo à vila baiana de Ibiraba, parte do município de Barra, na margem esquerda do São Francisco, o biólogo capturou, marcou e soltou mais de 400 animais durante o doutorado. O estudo revelou que em 75% das tocas estudadas vive mais de um adulto. Alguns deles usaram temporariamente transmissores de rádio presos a coleiras, que permitiram mapear os movimentos dos animais dentro das tocas subterrâneas. Esse método mostrou que machos e fêmeas que compartilham uma toca de fato usam praticamente o mesmo espaço dentro dela, deixando claro que funcionam como um casal unido, em vez de repartir o território. Essa vida em grupos, que podem chegar a oito adultos, além dos filhotes, é rara em roedores silvestres, que não costumam se adaptar bem à situação típica de uma república de estudantes humanos, onde espaço e comida (e talvez parceiros sexuais) são bens coletivos.</p>
<div id="attachment_5522" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5522" title="052-053_Rabo_de_facho_194-3" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/052-053_Rabo_de_facho_194-3.jpg" alt="" width="290" height="241" /><p class="wp-caption-text">Dóceis, animais se acostumam ao manuseio dos pesquisadores</p></div>
<p>Mas nas dunas, onde um mamífero não pode sobreviver sem uma toca úmida para se esconder das temperaturas tórridas do dia e frias da noite, cavar em conjunto é uma boa estratégia. “Quando um deles começa a cavar, eles entram num frenesi de escavação”, conta Santos, que estima em mais de 15 metros a extensão de alguns sistemas de túneis. Ele descobriu também que os rabos-de-facho podem visitar colônias vizinhas e contribuir para a produção de filhotes, e a cada ano alguns se mudam para grupos onde encontrem companheiros menos aparentados.</p>
<p>Essas tocas acabam abrigando também outros animais, como pequenos lagartos, aranhas e grilos, o que torna os rabos-de-facho importantes na manutenção do ecossistema. Os roedores também afetam a distribuição dos araçás-de-boi, arbustos da família das goiabas cujas sementes são seu alimento predileto. Em sua tese, Santos verificou que os rabos-de-facho vivem onde há abundância dessas plantas, mas não sabe quanto disso se deve à própria ação dos animais. “Eles enterram algumas sementes perto da entrada da toca, mas ainda não estudamos quantas recuperam depois”, conta. O fato é que algumas sementes germinam, aumentando por ali a densidade dessas plantas, que somam cerca de 40% da vegetação dessa zona de dunas. “A ação dos rabos-de-facho pode ter contribuído para aumentar a vegetação, fixar a areia das dunas e criar microclimas para outros animais”, sugere, indicando áreas de pesquisa ainda em aberto. Para ele, reconhecer a heterogeneidade da paisagem também é importante para planejar a conservação desse bioma: um vale pode abrigar um patrimônio genético bem diferente de outro, com os topos das dunas funcionando como barreiras parciais.</p>
<div id="attachment_5523" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5523" title="052-053_Rabo_de_facho_194-4" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/052-053_Rabo_de_facho_194-4.jpg" alt="" width="290" height="195" /><p class="wp-caption-text">Macambira protege entrada de toca</p></div>
<p>Um aspecto curioso da caatinga é que os padrões climáticos são imprevisíveis. As chuvas chegam entre novembro e abril, mas não todos os anos. Essa irregularidade impede, do ponto de vista evolutivo, que os organismos que vivem ali concentrem funções essenciais, como a reprodução, apenas em períodos mais propícios. “Assim como acontece em animais de mata atlântica, as fêmeas de rabo-de-facho estão reprodutivamente ativas o ano todo”, explica Santos. Mas os filhotes só sobrevivem na época das chuvas, quando os araçás-de-boi explodem em frutos. O biólogo resume: “Num ambiente caótico, a estratégia é não ter estratégia”.</p>
<p><em>Artigo científico</em><br />
SANTOS, J.W.A. &amp; LACEY, E.A. Burrow sharing in the desert-adapted torch-tail spiny rat, <em>Trinomys yonenagae</em>. <strong>Journal of Mammalogy.</strong>  v. 92, n. 1, p. 3-11. 2011.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/052-053_194.pdf" target="_blank"><img class="alignleft size-full wp-image-5818" title="ico_pdf" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_pdf.png" alt="" width="120" height="43" /></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Estratégias sertanejas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/estrat%c3%a9gias-sertanejas/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Estratégias sertanejas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/estrat%c3%a9gias-sertanejas/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Estratégias sertanejas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/estrat%c3%a9gias-sertanejas/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Estratégias sertanejas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/estrat%c3%a9gias-sertanejas/' displayText='share'></span></p>
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		<title>A milenar Amazônia capixaba</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 21:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fioravanti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Resquícios da floresta amazônica de 7,8 mil anos atrás no ES]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_5485" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5485" title="046-047_EspiritoSanto_194" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/046-047_EspiritoSanto_194.jpg" width="290" height="194" /><p class="wp-caption-text">Lagoa do macuco, na reserva de Sooretama: ex-manguezal</p></div>
<p>Com um tronco avermelhado de quase 2 metros de diâmetro e 25 metros de altura, com uma casca que lembra escamas de peixe, a jueirana-vermelha ou <em>Parkia pendula</em> é uma das espécies de árvores típicas da floresta amazônica que começaram a ser encontradas em uma reserva de mata atlântica em Linhares, norte do Espírito Santo, a 2.400 quilômetros das bordas da atual floresta amazônica, há 30 anos. No entanto, até hoje ninguém sabe muito bem por que elas estão aqui. Agora, para deixar ainda mais emocionante a dúvida, especialistas de São Paulo, com base em análises de solo e de pólen retirados dos sedimentos do fundo de uma lagoa, estão literalmente desenterrando as paisagens do passado e mostrando que as espécies amazônicas já viviam nesta região há pelo menos 7,8 mil anos.</p>
<p>Esse levantamento está indicando que espécies se mantiveram ou desapareceram como resultado das variações de clima e de solo ao longo de milhares de anos. Além disso, sugere possíveis interações entre ambientes hoje distantes e isolados, como a floresta litorânea e a Amazônia, e, de modo mais amplo, indica a tendência das transformações, a resistência ou a fragilidade das diversas formas de vegetação nativa do país, em resposta às variações de clima. “As matas fechadas, se não houver interferência humana nem mudanças climáticas intensas, tendem a avançar sobre as áreas abertas, ocupadas pelos campos”, diz Luiz Carlos Pessenda, pesquisador do Centro de Energia Nuclear da Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, que coordena os levantamentos que estão refazendo a floresta submersa do norte do Espírito Santo.</p>
<p>Nos últimos 20 anos, Pessenda, físico de formação, fez cerca de 200 furos pelas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste em busca de pólen em sedimentos terrestres e lacustres e em amostras de solo, antes de concluir que as áreas abertas tendem a escassear, seguindo a tendência dos últimos 4 mil anos. Talvez não aqui em Linhares, ele suspeitou, ao percorrer essas matas pela primeira vez, há quatro anos, e ver os campos nativos – cerca de 20 áreas circulares com uma vegetação rasteira e raras árvores, que crescem em solo bastante arenoso e resistem em meio à mata fechada. “Há 8 mil anos havia ilhas de floresta amazônica aqui, onde o clima não mudou muito, ou então a floresta amazônica chegava até aqui.”</p>
<div id="attachment_5494" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="wp-image-5494" title="048-049_EspiritoSanto_194-1" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/048-049_EspiritoSanto_194-1.jpg" width="290" height="158" /><p class="wp-caption-text">Buso, Alves e Siqueira, diante de uma monumental Parkia pendula</p></div>
<p>Com base nos dados obtidos até agora, Pessenda, com sua equipe do Cena, concluiu que o clima no norte do Espírito Santo deve ter se mantido relativamente estável nos últimos 15 mil anos. Desse modo, a área, a composição e a estrutura das matas devem ter se mantido com poucas alterações, enquanto em outras regiões do país as florestas encolhiam ou desapareciam, em resposta a variações climáticas intensas. Esse contraste sugere que as matas capixabas podem ter sido refúgios biológicos, preservando espécies de plantas e de animais que podem ter se extinguido em outros lugares ou mesmo servindo como espaço para a formação de novas espécies, à medida que se separavam de outras. O arquipélago de Fernando de Noronha, onde ele também fez levantamentos de campo, pode ter sido outro lugar sem grandes mudanças na vegetação, mas com claros registros do avanço da linha de costa. “Onde é manguezal, a 200 metros da praia”, diz ele, “já foi praia, há aproximadamente 5 mil anos.”</p>
<p>A possibilidade de ter sido um refúgio com florestas há milhares de anos, se confirmada por outros estudos, poderá ampliar o valor biológico dessas matas que há meio século seguiam contínuas até o sul da Bahia e ganharam o nome de hileia baiana, em razão da semelhança com a Amazônia. As florestas encolheram bastante, em razão da expansão das cidades e do desenvolvimento econômico – Linhares já foi um pujante centro de produção de móveis, com madeiras retiradas das matas nativas. Mas restou uma respeitável área de 45 mil hectares – metade preservada como área pública federal, a reserva biológica de Sooretama, e outra metade pela mineradora Vale – cercada de fazendas de café e mamão.</p>
<p>“A biodiversidade salvou a floresta dessa região”, diz o engenheiro florestal Gilberto Terra Ribeiro Alves, coordenador de pesquisa da Reserva Natural Vale (RNV). A mineradora começou a formar a reserva em 1955 comprando fazendas com matas nativas. De acordo com o plano inicial, as árvores seriam cortadas em regime de exploração seletiva e a madeira aproveitada para construir dormentes para a ferrovia Vitória–Minas, que transporta minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero até o porto de Vitória. Seria necessário, porém, adaptar os métodos de produção e as máquinas de corte para cada árvore que chegasse da mata. E, por fim, foi mais simples e mais barato fazer dormentes com eucaliptos plantados na região.</p>
<div id="attachment_5496" class="wp-caption alignright" style="width: 271px"><img class="wp-image-5496" title="048-049_EspiritoSanto_194-2" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/048-049_EspiritoSanto_194-2.jpg" width="261" height="367" /><p class="wp-caption-text">Parkia pendula</p></div>
<p>A reserva da Vale ganhou outro destino e se tornou uma área de preservação da mata atlântica peculiar dessa região, a chamada floresta de tabuleiro, mantendo atualmente cerca de 100 projetos próprios, principalmente nas áreas de silvicultura de espécies não tradicionais e restauração florestal. É também um espaço para pesquisas em botânica e ecologia. Segundo Alves, a reserva abriga hoje cerca de 60 projetos de pesquisa em andamento, executados por equipes de 17 instituições nacionais e oito estrangeiras, além de um herbário com quase 4 mil espécies e coleções de sementes, madeira e frutos que tem se mostrado valioso para completar a identificação de espécies coletadas na mata.</p>
<p>Siqueira, o curador do herbário, nasceu em Linhares, mas nunca tinha entrado em uma floresta até começar a trabalhar na reserva, em 1995. No início, morria de medo de andar por ali. “Quando entrava na mata, o pelo do braço arrepiava, o coração disparava”, ele conta. “Aos poucos vi que a floresta não era tão amedrontadora quanto parecia.” De lá para cá, ele coletou 800 plantas da mata para reforçar o herbário e tem sido bastante requisitado para trabalhar na identificação das espécies ao lado de botânicos veteranos como José Rubens Pirani, da USP. Pirani visitou a reserva em fevereiro de 2011 para ver <em>in loco</em> a <em>Spiranthera atlantica</em>, uma espécie nova e a primeira ocorrência na mata atlântica de um gênero de árvore antes encontrada apenas na Amazônia e no cerrado, da qual Siqueira já tinha lhe enviado material para identificação.</p>
<p>Um levantamento preliminar indicou que cerca de 800 espécies de árvores e palmeiras – as mais abundantes são típicas de mata atlântica – se espalham pela reserva da Vale, incluindo algumas só encontradas nestas matas, como duas espécies de ipês. Em uma contagem de campo recém-concluída, uma equipe da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, encontrou 142 espécies de árvores que ocorrem também na Amazônia – e algumas delas também na caatinga e no cerrado. “As espécies de outros ecossistemas não são as mais importantes, em número de indivíduos, mas apresentam uma alta diversidade”, diz o engenheiro florestal Sebastião Venâncio Martins, professor da UFV e coordenador dos estudos de campo nas florestas de Linhares. Além disso, espécies como a <em>Parkia</em> ajudam a formar o dossel, a parte mais alta da floresta. Para Martins, a maior concentração de espécies amazônicas nos trechos mais preservados e distantes das bordas da floresta da reserva, verificada na pesquisa de doutorado de Luiz Fernando Magnago, que ele orienta, reforça a necessidade de preservação de grandes áreas de florestas nativas nesta região do Espírito Santo.</p>
<p>A pergunta que persiste na mente de quem vê estas matas: por que essas espécies de árvores amazônicas estão aqui? “Pode ter havido uma conexão entre a Amazônia e a mata atlântica, talvez por meio das matas próximas aos rios”, diz o biólogo Antonio Álvaro Buso Junior, que trabalha com Pessenda no Cena. “Quando? Talvez há 10 ou 20 milhões de anos. Ou mais recente, há 50 ou 100 anos. A conexão pode ter sido feita por meio das matas ciliares e foi desfeita com  o desmatamento.”</p>
<div id="attachment_5498" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5498" title="050-051_EspiritoSanto_194-4" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/050-051_EspiritoSanto_194-4.jpg" width="290" height="205" /><p class="wp-caption-text">Campos cercados pela floresta</p></div>
<p>Pirani concorda: “Vários estudos paleobotânicos têm demonstrado que, em uma época de clima mais úmido e quente, havia cordões de mata e manchas de mata úmida onde hoje é caatinga e cerrado”. Para Martins, além de prováveis ligações remotas entre tipos de vegetação hoje bastante diferenciadas, mas que antes deviam formar um tapete verde contínuo, essa floresta apresenta solo arenoso, relevo plano e um clima marcado por chuvas constantes semelhantes à Amazônia. Essas semelhanças ajudam a explicar a sobrevivência de espécies comuns nas matas nativas da Região Norte do país.</p>
<p><strong>Do fundo de um lago</strong><br />
Equilibrando-se em barcos infláveis, Álvaro e Paulo Eduardo de Oliveira, pesquisador da Universidade São Francisco com experiência nessa área, recolheram amostras de sedimentos de até dois metros de profundidade do fundo da lagoa do Macuco, que se espalha com cerca de um quilômetro de largura e três metros de profundidade, na reserva de Sooretama. De volta ao Cena, Álvaro identificou pólen de 234 gêneros ou famílias de árvores, arbustos, ervas, samambaias e plantas aquáticas (cada grão de pólen mede de 20 a 60 micrômetros). “A identificação por pólen permite a identificação taxonômica com segurança apenas até o nível de gênero”, argumenta.</p>
<p>A maioria dos gêneros reconhecidos representava espécies de árvores típicas de mata atlântica, alguns, como o gênero <em>Hydrogaster</em>, exclusivos das matas de tabuleiro do sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Outros gêneros são encontrados na Amazônica e na mata atlântica, como <em>Glycydendron</em>, <em>Rinorea</em> e <em>Senefeldera</em>. “Por que acham que vieram de lá para cá?”, indaga Domingos Folli, botânico que antecedeu Siqueira no herbário, com a autoridade de quem fez 6.800 coletas. “Podem ter ido daqui para lá.” Pode ter ocorrido, claro, um fluxo de mão dupla.</p>
<p>As sementes das árvores podem ter sido transportadas pelo vento, pela chuva, pelos rios ou pelos animais que circulavam nas áreas de comunicação entre florestas antes possivelmente conectadas e, elas próprias, muito mais amplas. Ainda hoje vivem por aqui onças e outras raridades, como o gavião-real e mutuns. Uma das 380 espécies de aves já identificadas que vivem nessas matas, o tropeiro ou cricrió (<em>Lipaugus vociferans</em>), é típica da Amazônia. Lá e aqui, dificilmente é visto por ter uma plumagem que se confunde com a vegetação, mas é um dos primeiros pássaros que se põe a cantar, como se estivesse dando um alarme, ao ver pessoas pela mata. Um dia, andando pela mata, Álvaro ouviu algo ainda mais raro: papagaios cantando <em>Ilariê-ê-ê-ê</em>; a música da Xuxa! Ele não acreditou, mas depois soube que um bando de papagaios criados em casas tinham sido soltos ali havia poucos dias e ainda exibiam o repertório dos tempos de cativeiro.</p>
<div id="attachment_5500" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"><img class="size-full wp-image-5500" title="050-051_EspiritoSanto_194-5" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/050-051_EspiritoSanto_194-5.jpg" width="290" height="201" /><p class="wp-caption-text">Um bloco da camada compacta sob a areia: resistência</p></div>
<p><strong>Resquícios do mar</strong><br />
No material colhido no fundo da lagoa, Álvaro encontrou pólen dos três gêneros de árvores típicas de manguezais, indicando que há cerca de 8 mil anos um denso manguezal deve ter ocupado as margens da lagoa e dos rios que a abastecem. As análises de carbono 14, sob o cuidado de Pessenda, reiteraram essa conclusão.</p>
<p>“Esta área já foi estuário e a água do mar deve ter chegado até aqui há no mínimo 8 mil anos”, diz Álvaro do alto do barranco da lagoa, a quase 30 metros de altura. Esqueletos calcificados de algas e esponjas marinhas retirados do fundo da lagoa – bem maiores que os grãos de pólen, com até meio milímetro de diâmetro – reforçam a conclusão de que há 10 mil anos a água dos rios próximos deve ter ser misturada com a do mar, hoje a 23 quilômetros de distância. “Os manguezais, que hoje vemos apenas ao norte, na divisa com a Bahia, devem ter desaparecido antes da ocupação humana, quando o nível do mar recuou”, diz Pessenda. Em colaboração com Marcelo Cohen, especialista em evolução de paleomanguezais da Universidade Federal do Pará, o grupo do Cena pretende conhecer os limites geográficos e as possíveis causas do desaparecimento dessa vegetação. Em um estudo anterior, Pessenda concluiu que há cerca de 40 mil anos uma floresta ocupava as áreas atualmente cobertas pelos manguezais na ilha do Cardoso, litoral sul paulista, porque a linha de costa estava a cerca de 100 quilômetros de onde está hoje.</p>
<p>Por volta de 6 mil anos atrás, o mar no litoral capixaba devia estar cerca de quatro metros acima do que está hoje, concluiu o geólogo Paulo Giannini, com sua equipe do Instituto de Geociências da USP. Sua conclusão se apoia em análises de fósseis de moluscos gastrópodes chamados vermetídeos (<em>Petaloconchus varians</em>), que formam colônias sobre rochas acompanhando a linha da água.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/050-051_EspiritoSanto_194info.jpg" rel="lightbox[5481]" title="050-051_EspiritoSanto_194info"><img class="alignleft  wp-image-5506" title="050-051_EspiritoSanto_194info" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/050-051_EspiritoSanto_194info-300x204.jpg" width="270" height="184" /></a>Giannini tem um pé em Linhares. “Há uns dois anos, Pessenda me pediu, ‘Paulo, descobre por que os campos nativos estão lá’”, diz ele. “A vegetação não é só resultado do clima; temos de ver também a influência do substrato, por exemplo, se há milhares de anos existiram lagos na região, que depois foram assoreados, conformando as áreas em que cresceram grupos específicos de plantas.” Os campos das matas do norte capixaba são áreas circulares, de 100 a 500 metros de diâmetro, que lembram uma área de pouso de naves espaciais. Podem ser diferentes entre si. Em um deles a camada de areia ocupa quase um metro antes de chegar a uma camada preta e compacta rica em metais e matéria orgânica, em outra a areia chega a quase dois metros de profundidade.</p>
<p>Sobre esse solo pobre em nutrientes crescem espécies distintas de gramíneas, mais rasteiras em um campo, mais altas em outro, às vezes com árvores isoladas, semelhante às formas mais abertas de cerrado. Em um dos campos, alojada em uma árvore isolada, exibe-se uma orquídea de flores brancas, a <em>Sobralia liliastrum</em>, comum nas matas da Chapada Diamantina, sul da Bahia, e já vista nas matas da serra dos Carajás, no Pará.</p>
<p>Os especialistas acreditam que as árvores da floresta que cerca os campos, adaptadas a um solo mais fértil, dificilmente poderiam sobreviver neste espaço pobre em nutrientes, que, além disso, permanece coberto por uma camada de água de 10 a 15 centímetros durante a época de chuvas. Uma vegetação de altura intermediária ocupa as áreas mais próximas da floresta, mas ainda ninguém arrisca dizer se os campos estão avançando sobre as matas, se estão recuando ou se simplesmente há uma oscilação anual, de acordo com a estação seca ou chuvosa. “Se o clima sazonal se mantiver”, diz Pessenda, “provavelmente as árvores de terra firme que se encontram no entorno dos campos não vão se atrever a colonizar o terreno alheio, que frequentemente se encontra encharcado. Não é o seu ambiente!”</p>
<p>Siqueira suspeita que os campos estejam encolhendo – e já viu muitos desaparecerem, por causa da areia fácil de ser retirada e por muitos anos bastante usada na construção de casas e prédios. “Se não houver grandes intervenções”, diz Martins, de Viçosa, “a tendência é se manterem, por causa do tipo de solo, que bloqueia o avanço das espécies florestais”. Pessenda acredita que os campos devem estar na mesma área “há pelo menos 15 mil anos”.</p>
<p>Em 20 anos de trabalho de campo, o que mais ele tem visto são florestas comendo os campos. Foi assim em Humaitá, no sul do estado do Amazonas, que Pessenda acompanhou durante cinco anos. Nos primeiros anos ele deixava um barbante estendido marcando os limites da mata com os campos. Ao voltar, no ano seguinte, custava a encontrar o barbante, engolido pela floresta, que tinha avançado um ou dois metros sobre os campos (<em>ver mapa</em>).</p>
<table class="tabela_interna" border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><strong>O Projeto</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Estudos paleoambientais interdisciplinares na costa do Espírito Santo – <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-tematicos/45114/estudos-paleoambientais-interdisciplinares-costa-espirito/" target="_blank">nº 11/00995-7</a></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Modalidade</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Projeto Temático</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Coordenador</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Luiz Carlos Ruiz Pessenda – Cena/USP</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Investimento</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>R$ 1.027.868,62 (FAPESP)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Pessenda conta que teve de fazer uma cirurgia no ombro por causa do esforço exigido para fazer os furos (os estudantes hoje o ajudam, claro), mas nem pensa em parar. “Estamos indo para o sul da Bahia, em busca de sinais de manguezais e campos e matas antigas”, anuncia, enquanto planeja as próximas viagens e a ampliação do laboratório de 240 para 400 metros quadrados (eram 90 em 1990). Esse campo de estudo também está se mostrando bastante fértil, e equipes do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, entre outras, estão refazendo paisagens de milhares de anos atrás – e imaginando como vão se transformar daqui para a frente – com base em análises de solo e pólen.</p>
<p>Outra indicação dos bons ventos desse campo de pesquisa: o navio oceanográfico alemão Maria Merian partiu do porto de Recife em 11 de fevereiro para coletar sedimentos da foz dos rios Parnaíba e Amazonas e da costa da Guiana Francesa. Outro objetivo é reconstituir a evolução do clima da região amazônica nos últimos 2 mil anos. “Neste momento [início de março] estamos na desembocadura do rio Amazonas e já coletamos testemunhos sedimentares de excelente qualidade, além de amostras da coluna de água, e pudemos mapear o delta subaquático do rio Amazonas com uma resolução espacial simplesmente impressionante”, relata o geólogo Cristiano Chiessi, da USP, um dos pesquisadores brasileiros, diretamente do navio. “Nosso destino final é Bridgetown, Barbados, aonde devemos chegar em 11 de março.”</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/046-051_194.pdf" target="_blank"><img class="alignleft size-full wp-image-5818" title="ico_pdf" alt="" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_pdf.png" width="120" height="43" /></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='A milenar Amazônia capixaba' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/a-milenar-amaz%c3%b4nia-capixaba/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='A milenar Amazônia capixaba' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/a-milenar-amaz%c3%b4nia-capixaba/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='A milenar Amazônia capixaba' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/a-milenar-amaz%c3%b4nia-capixaba/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='A milenar Amazônia capixaba' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/a-milenar-amaz%c3%b4nia-capixaba/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Delicadas predadoras</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 20:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotolab]]></category>
		<category><![CDATA[Botânica]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Delicadas predadoras]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/003_Fotolab_194-1.jpg" rel="lightbox[5267]" title="003_Fotolab_194-1"><img class="alignnone  wp-image-5268" title="003_Fotolab_194-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/003_Fotolab_194-1.jpg" alt="" width="580" /></a></em></p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/003_Fotolab_194-2.jpg" rel="lightbox[5267]" title="003_Fotolab_194-2"><img class="alignright size-medium wp-image-5269" title="003_Fotolab_194-2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/003_Fotolab_194-2-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a>No calor tórrido e seco da serra do Cabral, em Minas Gerais, o delgado talo com translúcidas flores lilases desponta da areia branca. A visão é poética, mas <em>Philcoxia minensis</em> recorre a truques para sobreviver. Um deles é manter as folhas enterradas, protegidas do sol, que mesmo assim chega suficiente para a fotossíntese. O segundo, comprovado pelo ecólogo Rafael Oliveira e seu aluno Caio Pereira, é atrair vermes subterrâneos que viram suplemento alimentar num solo pobre. A digestão fica por conta das fosfatases secretadas pelas glândulas, vistas ao microscópio eletrônico de varredura na foto acima.</p>
<p><strong>Foto enviada por Rafael Oliveira</strong><br />
<strong>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)</strong></p>
<p><em>Se você tiver uma imagem relacionada a pesquisa, envie para <a href="mailto:imagempesquisa@fapesp.br" target="_blank">imagempesquisa@fapesp.br</a>, com resolução de 300 dpi (15 cm de largura) ou com no mínimo 5 MB. Seu trabalho poderá ser selecionado pela revista.</em>
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/003_194.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Delicadas predadoras' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/delicadas-predadoras/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Delicadas predadoras' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/delicadas-predadoras/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Delicadas predadoras' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/delicadas-predadoras/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Delicadas predadoras' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/delicadas-predadoras/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Pergunte aos pesquisadores</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 20:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Fisiologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que as formigas não morrem quando postas em forno de micro-ondas?]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="wp-image-5304 alignright" title="009_Wiki_194-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/009_Wiki_194-1.jpg" alt="" width="290" height="127" />As micro-ondas são ondas eletromagnéticas com frequência muito alta. Elas causam vibração nas moléculas de água, e é isso que aquece a comida. Se o prato estiver seco, sua temperatura não  se altera. Da mesma maneira, se as formigas tiverem pouca água em seu corpo, podem sair incólumes. Já um ser humano não se sairia tão bem quanto esses insetos dentro de um forno de micro-ondas superdimensionado: a água que compõe 70% do seu corpo aqueceria. Micro-ondas de baixa intensidade, porém, estão por toda a parte, oriundas da telefonia celular, mas não há comprovação de que causem problemas para a população humana.<br />
<strong>Emico Okuno</strong><em></em><em><br />
Instituto de Física </em><em> </em><em>da Universidade de </em><em> </em><em>São Paulo (IFUSP)</em></p>
<p>De um ponto de vista ecológico e fisiológico, a sobrevivência das formigas durante o aquecimento da comida também é plausível, embora não necessariamente porque tenham pouca água no corpo. Nativas de ambientes quentes, as formigas tropicais toleram temperaturas do corpo de até 45 graus Celsius. Outra arma é o comportamento, que lhes permite evitar os locais de maior risco. Elas têm eficientes sensores de temperatura e se afastam de locais muito quentes. Como a temperatura dentro do forno de micro-ondas nunca é uniforme (daí o prato giratório), andar depressa pode ser a salvação.<br />
<strong>Carlos Navas</strong><em><br />
Instituto de Biociências da Universidade de </em><em> </em><em>São Paulo (IBUSP)</em></p>
<p><em>Recebemos, após a publicação desta matéria, dois complementos às respostas acima. <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/?p=10820" target="_blank">Clique aqui para ver.</a></em></p>
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		<title>Ostras podem acumular agentes causadores de doenças, comprova pesquisa</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 21:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isis Nóbile Diniz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Online]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanografia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ostras podem acumular agentes causadores de doenças]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3897" class="wp-caption alignright" style="width: 277px"><img class="size-medium wp-image-3897" title="ostra" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/ostra-FotoosVanRobin_flickr-267x300.jpg" alt="" width="267" height="300" /><p class="wp-caption-text">Ostra-do-pacífico se alimenta dos plânctons sugando e filtrando a água do mar</p></div>
<p>Um grupo de pesquisadores brasileiros avaliou os impactos de diferentes graus de poluição na criação da ostra-do-pacífico em Florianópolis, capital de Santa Catarina, responsável por 95% da produção do molusco no Brasil. Em busca de um diagnóstico sobre as condições dos animais comercializados, o estudo publicado em fevereiro na <em>Ecotoxicology and Environmental Safety</em> confirmou que as ostras podem acumular em seu organismo compostos químicos e agentes como vírus, bactérias e protozoários,<strong> </strong>causadores de doença em pessoas. Esses organismos podem provocar infecções, principalmente em quem ingere o alimento cru. A pesquisa também mostrou que moluscos provenientes de locais de criação de ostras continham vírus mesmo quando os locais de cultivo apresentavam níveis aceitáveis de coliformes fecais, segundo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Situações críticas foram encontradas em animais experimentalmente colocados em ambientes mais poluídos, não usados como criadouros.</p>
<p>A ostra (<em>Crassostrea gigas</em>) se alimenta dos plânctons que vivem à deriva no mar, e faz isso sugando e filtrando a água. “Além do próprio alimento, ela absorve outros compostos químicos e orgânicos que estão na água que ser morta ou se infectar com esses vírus, bactérias e protozoários. Eles ficam retidos no tecido do animal, protegidos de agressões como a radiação ultravioleta do Sol”, conta a coordenadora do estudo Célia Regina Monte Barardi, do Laboratório de Virologia Aplicada do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As ostras podem acumular metais, pesticidas e outros compostos orgânicos em seus tecidos e nas brânquias, chegando a concentrações maiores do que as presentes na água do mar. Portanto, a qualidade dos moluscos comercializados está relacionada às condições sanitárias das águas onde são cultivadas.</p>
<div id="attachment_3898" class="wp-caption alignleft" style="width: 295px"><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/info_ostras.jpg" rel="lightbox[3896]" title="info_ostras"><img class="size-medium wp-image-3898" title="info_ostras" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/info_ostras-285x300.jpg" alt="" width="285" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Áreas analisadas pelos pesquisadores</p></div>
<p>O estudo foi realizado em parceria com o Núcleo de Estudos em Patologia Aquícola e Centro de Ciências Agrárias e Laboratório de Biomarcadores de Contaminação Aquática (ambos da UFSC), Laboratório de Química Orgânica Marinha da Universidade de São Paulo (USP) e Laboratório de Protozoologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os pesquisadores inseriram ostras provenientes do Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos (UFSC), situado em Sambaqui (<em>veja mapa</em>) em quatro locais: Ribeirão da Ilha (<em>número</em> <em>1 no mapa</em>) e Santo Antônio de Lisboa (<em>2</em>), onde atualmente há cultivo de moluscos; Tapera (<em>3</em>), com cultivo desativado devido à proximidade da costa e tráfico intenso de barcos, o que causam a contaminação do mar; e foz do rio Bücheler (<em>4</em>), impróprio para cultivo por receber despejo de esgoto.</p>
<p>A água do mar e os sedimentos foram analisados no momento em que os pesquisadores deixaram as ostras e 14 dias depois, quando as recolheram. A equipe verificou por meio de análise microbiológica a contaminação dos moluscos por vírus que atacam humanos, compostos orgânicos, protozoários e bactérias como coliformes fecais, eliminados pelas fezes e urina das pessoas, além de metais pesados, derivados de petróleo e pesticidas despejados no mar.</p>
<p>Como esperado, as ostras coletadas da foz do rio Bücheler, o mais poluído dos quatro locais estudados, continham um maior número de patógenos humanos: adenovírus (que pode causar infecção nas vias respiratórias, conjuntivite ou gastroenterite), norovírus (principal causa não bacteriana de gastroenterite aguda), vírus da hepatite A, poliomavírus (perigoso para pessoas com baixa imunidade) e coliformes fecais. Pesticidas, hidrocarbonetos e esteroides também foram encontrados dentro das ostras retiradas próximas ao rio Bücheler. Já as coletadas na antiga área de cultivo Tapera continham norovírus, coliformes fecais e o protozoário <em>Cryptosporidium spp.</em>, que pode desencadear problemas intestinais.</p>
<p>As ostras coletadas nas duas áreas usadas atualmente para cultivo, Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa, apresentaram menor quantidade de desencadeadores de doenças comparados às outras regiões analisadas. Porém, como eles filtram a água do mar, os moluscos provenientes dessas regiões ainda correm risco eventual de contaminação. Isso porque ambos os locais estão sujeitos a receber a entrada de esgoto doméstico, rural, urbano tratado e não tratado e poluentes, como derivados do petróleo.</p>
<p>“Uma solução para quem gosta dos moluscos seria ingerir o alimento cozido, pode ser ‘no bafo’ (vapor), a uma temperatura superior a 90 ºC. Essa ação inativa vírus, protozoários e coliformes fecais”, explica a pesquisadora. Porém, não elimina pesticidas ou metais pesados.</p>
<p>“Outra maneira de proteger a população da contaminação por microrganismos, pesticidas ou metais pesados seria cultivar a ostra em água limpa”, conta Célia. Com o objetivo de reduzir o risco de contaminação por microrganismos causadores de doença, os pesquisadores da UFSC, entre eles uma das autoras do estudo Doris Sobral Marques Souza, estão testando pequenos depuradores em forma de tanques. “A água desses depuradores é esterilizada com luz ultravioleta. Como a ostra se alimenta ao filtrar a água, esperamos que a permanência dos moluscos dentro dos tanques com água do mar purificada pela radiação ultravioleta, diminua a quantidade dos contaminantes retidos pelas ostras”, diz a pesquisadora. A ideia é instalar equipamentos dentro de restaurantes e estabelecimentos que comercializam o molusco.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Ostras podem acumular agentes causadores de doenças, comprova pesquisa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/28/ostras-podem-acumular-agentes-causadores-de-doen%c3%a7as-comprova-pesquisa/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Ostras podem acumular agentes causadores de doenças, comprova pesquisa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/28/ostras-podem-acumular-agentes-causadores-de-doen%c3%a7as-comprova-pesquisa/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Ostras podem acumular agentes causadores de doenças, comprova pesquisa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/28/ostras-podem-acumular-agentes-causadores-de-doen%c3%a7as-comprova-pesquisa/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Ostras podem acumular agentes causadores de doenças, comprova pesquisa' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/03/28/ostras-podem-acumular-agentes-causadores-de-doen%c3%a7as-comprova-pesquisa/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Indesejáveis, mas nem sempre</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Feb 2012 16:33:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fioravanti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política C&T]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Debate sobre definição e controle de plantas e animas exóticos esquenta]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3570" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-3570" title="032-035_invasores_192_1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/032-035_invasores_192_1.jpg" alt="" width="300" height="201" /><p class="wp-caption-text">Lírio-do-brejo: mais rápida para se reproduzir do que as espécies nativas</p></div>
<p>Um problema antigo – o das espécies de animais e plantas exóticas invasoras – começa a ser combatido. Após quase dois anos de debates entre especialistas de órgãos do governo, instituições de pesquisa, organizações não governamentais e empresas, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) do estado de São Paulo publicou em 9 de novembro a lista com as 14 espécies de animais com potencial invasor como o javali, a lebre-europeia e o caramujo-africano. No mesmo dia o conselho autorizou a formação de um grupo de trabalho com representantes do governo e da sociedade civil para definir as formas de controle da população desses bichos e propor uma lista de espécies de plantas exóticas invasoras (por definição, uma espécie exótica invasora encontra-se fora de sua área de distribuição natural, não tem predadores e prolifera com relativa facilidade a ponto de prejudicar a sobrevivência de espécies nativas). Provavelmente não será fácil eliminar os animais indesejados nem aprovar uma relação viável de plantas indesejadas.</p>
<p>Uma das barreiras para a eliminação dos animais da lista é que a Constituição paulista proíbe a caça. Esse fato coloca aos advogados e promotores públicos o desafio de cumprir a lei sem ferir outras leis. Dois javaporcos – resultantes do cruzamento de javalis com porcos domésticos – apreendidos por ordem judicial estão sendo criados em um centro de recuperação de animais silvestres da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos. O plano de José Evaristo Merigo, administrador do criadouro, era abater os animais em um matadouro municipal autorizado e distribuir a carne para comunidades carentes, conforme orientação do Ibama, mas a promotoria não autorizou, já que os animais estão <em>sub judice</em>. “Não posso deixar os bichos fugirem”, aflige-se Merigo.</p>
<p>Em um estudo de 2007 na revista <em>Natureza &amp; Conservação</em>, André Deberdt e Scherezino Scherer, ambos do Ibama, registraram animais soltos em nove estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Bahia), destruindo plantações e fontes de água e cruzando com o porco doméstico. Os pesquisadores observaram que os animais se alimentavam de pinhões (<em>Araucaria angustifolia</em>), até mesmo de sementes enterradas, no Rio Grande do Sul, prejudicando a regeneração de araucárias. A caça, autorizada em alguns estados, não foi o bastante para acabar com os porcões.</p>
<p>O grupo de trabalho deverá também buscar e propor formas adequadas de controle de espécies invasoras às vezes poucos visíveis, como os invertebrados, que continuam a ganhar espaço. É o caso de duas espécies de coral agora vistas como invasoras, que há 30 anos se limitavam a trechos do litoral do Rio de Janeiro. De acordo com um estudo de janeiro de 2011 na <em>Coral Reefs</em>, elas formaram colônias ao longo de 130 quilômetros da costa em direção a São Paulo.</p>
<div id="attachment_3571" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-3571" title="032-035_invasores_192_2a" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/032-035_invasores_192_2a.jpg" alt="" width="300" height="208" /><p class="wp-caption-text">Mico-de-tufo-preto, invasor apenas se fora do cerrado</p></div>
<p>As plantas são outro problema, porque algumas chamadas de invasoras são importantes economicamente, a exemplo do capim braquiária (<em>Urochloa decumbens</em>), bastante usado como pastagem para gado no Brasil. “Ninguém seria inconsequente a ponto de propor a eliminação da braquiária”, diz Cristina Azevedo, diretora do departamento de proteção da biodiversidade da Secretaria do Meio Ambiente (SMA) do estado de São Paulo.</p>
<p>Outra missão do grupo de trabalho será apresentar espécies nativas que possam substituir as plantas exóticas invasoras como o lírio-do-brejo, planta nativa da Ásia, que forma touceiras em córregos e áreas úmidas e tem um time de defensores porque, em razão do perfume intenso, é bastante usada em velórios. Cristina soube disso depois de uma conversa com representantes de funerárias que a procuraram para pedir que tirassem essa planta da lista que a SMA estava preparando.</p>
<p>“Cabe a nós, pesquisadores, apresentar alternativas, temos muitas espécies nativas”, afirma Dalva Matos, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ela acompanha a construção e desconstrução das listas desde o primeiro debate realizado na capital paulista em 22 de maio de 2009, logo após a Organização das Nações Unidas ter reconhecido as espécies invasoras como um problema mundial. Calcula-se que 480 mil espécies exóticas que se espalharam mundialmente possam causar prejuízos anuais de US$ 1,4 trilhão, o equivalente a 5% da economia global.</p>
<p><strong>Câncer da terra<br />
</strong>Trazidas nos intestinos de aves e de mamíferos e na bagagem de colonizadores, as espécies invasoras agora inquietam. Ávidas por luz, água e nutrientes, ocupam sem controle espaços livres ou tomados por comunidades de espécies nativas. Como um câncer da terra, escaparam do controle, se é que um dia puderam ser controladas. Poderão, agora? Os especialistas acreditam que sim, mas países mais ricos e organizados, como os Estados Unidos e a Inglaterra, ainda lutam arduamente para se livrar dessas pragas. Por vezes, a única saída para erradicar espécies danosas ao ambiente, cogitada nos Estados Unidos, é matar todos os organismos de um lago ou rio tomado por espécies invasoras de peixes e depois repovoar o lugar apenas com espécies nativas.</p>
<p>O governo do Reino Unido, um arquipélago do tamanho do estado de São Paulo, iniciou em 1981 uma campanha nacional para eliminar o ratão-do-banhado, roedor nativo da América do Sul e agora na lista de São Paulo. A eliminação dos animais – o último deles, acredita-se, foi morto em 1989 – e a recuperação ambiental custaram £ 3 bilhões (R$ 8 bilhões), mas recentemente os ingleses viram que os caramujos, outra espécie exótica, estão fora de controle e destruindo seus preciosos jardins.</p>
<div id="attachment_3572" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-3572" title="032-035_invasores_192_2b" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/032-035_invasores_192_2b.jpg" alt="" width="300" height="204" /><p class="wp-caption-text">Procurado: um javaporco</p></div>
<p>No Brasil, esse problema começou a ser delineado há poucos anos. Em 2006, um grupo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) reconheceu a existência de 543 organismos exóticos invasores com potencial para alterar o ambiente terrestre, marinho, a agropecuária ou a saúde humana no país. Há várias contagens. Em um estudo de julho de 2011 na <em>Revista Brasileira de Botânica</em>, Rafael Zenni e Sílvia Ziller, do Instituto Hórus, apresentam 117 espécies apenas de plantas reconhecidas como invasoras, já estabelecidas ou com potencial de invasão no país.</p>
<p><strong>Sementes escondidas<br />
</strong>Vários estados, como Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco, já aprovaram suas listas de espécies malditas e põem em campo projetos piloto de erradicação. O problema é que as sementes de gramíneas como o capim anoni (<em>Eragrostis plana</em>), que cobre 2 milhões de hectares de pastos degradados no Rio Grande do Sul, podem permanecer no solo por 24 anos.</p>
<p>“Temos de monitorar o banco de sementes do solo, não só a vegetação”, alerta Dalva. Ela e sua equipe de São Carlos verificaram que, no cerrado, uma samambaia nativa, a <em>Pteridium arachnoideum</em>, solta longas raízes, os rizomas, que liberam compostos capazes de inibir o crescimento de outras plantas. Uma solução seria revirar a terra e tirar o máximo possível de rizomas, já que a aplicação de calcário no solo pode não ser plenamente eficiente.</p>
<p>A relação paulista de seres indesejados era imensa, mas foi reduzida à medida que avançavam os debates entre os representantes do governo, de empresas e de ONGs que formam o Consema. Das 42 espécies de animais, incluindo a iguana, o pardal, a cabra doméstica e a lagartixa, só passaram as 14 sobre as quais não havia dúvida de que eram exóticas, invasoras e consensualmente prejudiciais para a sobrevivência de outras espécies ou para a agricultura.</p>
<p>A lista inicial, que deve ser reavaliada pelo grupo de trabalho, continha 22 espécies de plantas consideradas invasoras. Lá estavam açaí, abacateiro, mangueira, goiabeira, mamona, eucalipto, pínus, jaqueira e chuchu. Nenhuma, porém, passou pela votação dos representantes de órgãos de governo e da sociedade civil que formam o Consema.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/invasores.jpg" rel="lightbox[3569]" title="invasores"><img class="alignleft  wp-image-3573" title="invasores" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/03/invasores.jpg" alt="" width="240" height="266" /></a>Como os donos de floriculturas tinham feito com o lírio-do-brejo, os agrônomos saíram em defesa do açaizeiro, trazido para a Região Sudeste para produzir palmito como alternativa a uma palmeira nativa ameaçada de extinção, a juçara. O açaí é nativo da Amazônia e classificado como uma espécie exótica invasora na mata atlântica porque cresce mais rapidamente, produz mais frutos e atrai mais polinizadores que a juçara.</p>
<p>Não há espaço para conceitos inflexíveis. Como resultados dos próximos debates, talvez as espécies sejam consideradas com potencial de invasão de acordo com o ambiente em que estiverem: a jaqueira, por exemplo, pode ser prejudicial para outras espécies quando se espraia na mata atlântica, mas raramente é danosa em outros ambientes naturais. Ou talvez sejam mal-vistas apenas quando se espalharem onde não são bem-vindas. É o caso dos pinheiros (<em>Pinus elliottii</em>) que ocuparam áreas de cerrado do interior paulista, transformando-as em densas áreas de pinheiros, com visível perda de biodiversidade.</p>
<p>Outro problema que começou a ser debatido é o das espécies nativas que não são invasoras, mas que, na avaliação do grupo de São Carlos, deveriam ser controladas. É o caso do taquaruçu ou bambu-gigante (<em>Guadua tagoara</em>), nativo da mata atlântica, mas com potencial invasor. Esse bambu cresce sobre árvores e, depois de florescer, morre, quebrando galhos. Segundo Dalva, as sementes que brotam nas áreas próximas podem atrair muitos ratos, que comem as mudas de bambus e depois se espalham por plantações ou casas próximas.</p>
<p><strong>Artigos científicos<br />
</strong>1. DEBERDT, A.J. e SCHERER, S.B. <a href="http://www.uc.pr.gov.br/arquivos/File/EEI/Javali_Debert.pdf" target="_blank">O javali asselvajado: ocorrência e manejo da espécie no Brasil</a>. <strong>Natureza &amp; Conservação</strong>. v. 5, n. 2, p. 31-44. out. 2007.<br />
2. ZENNI, R.D. e ZILLER, S.R. <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-84042011000300016&amp;script=sci_arttext" target="_blank">An overview of invasive plants in Brazil</a>. <strong>Revista Brasileira de Botânica</strong>. v. 34, n. 3, p. 431-46. jul-set. 2011.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/032-035_192.pdf" target="_blank"><em>Baixe aqui o PDF</em></a>
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Indesejáveis, mas nem sempre' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/02/26/indesej%c3%a1veis-mas-nem-sempre/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Indesejáveis, mas nem sempre' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/02/26/indesej%c3%a1veis-mas-nem-sempre/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Indesejáveis, mas nem sempre' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/02/26/indesej%c3%a1veis-mas-nem-sempre/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Indesejáveis, mas nem sempre' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/02/26/indesej%c3%a1veis-mas-nem-sempre/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Para simular as mudanças do uso da terra</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 20:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estratégias]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[T. Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Inpe lança ferramenta para simular mudanças de uso e cobertura da terra]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou o Land Use and CoverChange (LuccME) – ferramenta de código aberto para a construção de modelos de mudança de uso e cobertura da terra. Desenvolvido pelo Centro de Ciência do Sistema da Terra (CCST) do Inpe, trata-se de uma extensão do ambiente de modelagemTerraME, resultado da parceria entre o instituto e a Universidade Federal de Ouro Preto. De acordo com o Inpe, o aplicativo permite simular diferentes processos de mudança de uso e cobertura da terra, como desmatamentos, expansão da fronteira agrícola, desertificação, degradação florestal, expansão urbana e outros processos em diferentes escalas e áreas de estudo. Uma das aplicações desse tipo de modelo é a construção de cenários de futuros alternativos. Segundo Ana Paula Aguiar, pesquisadora do Inpe e líder do projeto, a proposta do LuccME é oferecer uma ferramenta na qual componentes já existentes podem ser combinados e estendidos para a criação de modelos.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Para simular as mudanças do uso da terra' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/19/para-simular-as-mudancas-do-uso-da-terra/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Para simular as mudanças do uso da terra' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/19/para-simular-as-mudancas-do-uso-da-terra/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Para simular as mudanças do uso da terra' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/19/para-simular-as-mudancas-do-uso-da-terra/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Para simular as mudanças do uso da terra' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/19/para-simular-as-mudancas-do-uso-da-terra/' displayText='share'></span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Uma estrada, muitas florestas</title>
		<link>http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/uma-estrada-muitas-florestas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=uma-estrada-muitas-florestas</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 22:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fioravanti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Construção de rodoanel aciona operação de replantio de matas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_426" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-426" title="054-059_RestauracaoFlorestal_191-1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/054-059_RestauracaoFlorestal_191-1.jpg" alt="" width="300" height="164" /><p class="wp-caption-text">A estrada atravessa uma das represas da capital</p></div>
<p>Pelo menos uma vez por semana o biólogo sul-mato-grossense Paulo Ortiz chega por volta das sete da manhã, uma hora e meia antes do habitual, ao Instituto de Botânica, ao lado do Zoológico da cidade de São Paulo. Põe as botas pretas e logo sai, com outros biólogos, para percorrer a periferia da capital e municípios vizinhos e ver como estão crescendo as matas que devem repor a vegetação nativa perdida com a construção do trecho sul do rodoanel Mário Covas, uma estrada de 57 quilômetros que contorna a capital paulista e outros seis municípios da Grande São Paulo, interligando as estradas do interior paulista ao litoral.</p>
<p>O trabalho de recomposição de mata atlântica, ainda que pouco visível para quem circula pelas ruas da metrópole, mas importante para amenizar o calor e as inundações, representa a maior experiência de restauração de florestas realizada em conjunto por órgãos públicos, institutos de pesquisa e empresas privadas na história paulista. Os 1.016 hectares (cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados) que devem ser reocupados com espécies nativas de mata atlântica estão espalhados por 147 áreas públicas de tamanhos variáveis – de 70 metros quadrados, o equivalente a um apartamento, a 100 hectares, ou 100 campos de futebol juntos – em São Paulo e outros 13 municípios próximos (Biritiba Mirim, Cotia, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Nazaré Paulista, Ribeirão Pires, Salesópolis, Santo André, São Bernardo do Campo e Piracaia; <a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/rodoanelmapaplantio.jpg" target="_blank">veja o mapa com a localização das áreas de replantio</a>).</p>
<p>Essa experiência atesta a habilidade de trabalho conjunto entre pesquisadores de diferentes instituições, que se mobilizam para enfrentar problemas urgentes e resistências naturais ou humanas ao crescimento das florestas urbanas. Em um terço da área plantada, cerca de 300 hectares, as árvores morreram ou não cresceram como se esperava, por causa de imprevistos como alagamentos, incêndios provocados, geadas, invasão de gado e oposição de alguns moradores vizinhos, que preferiam continuar ocupando as terras públicas com pastagens clandestinas para o gado que criavam. Uma equipe da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) ajudou a restaurar 8.500 hectares, uma área bem maior que a do trecho sul do rodoanel, mas sem tantos conflitos porque as novas matas cresceram em terras particulares, cujos donos desejavam a certificação ambiental da produção de açúcar e álcool (<a href="http://revistapesquisa2.fapesp.br/?art=3449&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=" target="_blank"><em>ver </em>Pesquisa Fapesp <em>nº 144, de fevereiro de 2008</em></a>).</p>
<p>À medida que avança, a ocupação com vegetação nativa de uma área equivalente a 25% da floresta da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, evidencia a capacidade de botânicos e engenheiros agrônomos e florestais contribuírem efetivamente para a formulação e implantação de políticas públicas. Prova disso é que, como resultado de pesquisas que se transformaram em argumentos para aprimorar a legislação ambiental do estado de São Paulo, cada hectare deve conter cerca de 2 mil árvores de pelo menos 80 espécies diferentes. Desse modo, procura-se fazer com que as novas florestas sejam duradouras e pelo menos similares às removidas para a construção da estrada.</p>
<p>Não houve reflorestamento compensatório para o trecho anterior do rodoanel, o oeste, mas as leis e os métodos aplicados na restauração da mata atlântica do trecho sul devem ser aproveitados na construção dos próximos trechos, o norte e o leste, para compensar a perda de vegetação nativa próxima ao Parque da Serra da Cantareira, a maior floresta urbana do mundo, com 7.900 hectares, o dobro da área da floresta da Tijuca. Outra exigência ambiental do trecho sul que deve ser adotada nos próximos trechos é o sistema de monitoramento da dinâmica demográfica e das transformações do uso do solo e da cobertura vegetal nativa, desenvolvido e gerenciado em conjunto pelas equipes da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e Instituto Florestal.</p>
<p><strong>O chamado</strong><br />
Em 2007, como condição para a aprovação do projeto de construção do trecho sul do rodoanel, órgãos ambientais estaduais e federais determinaram que a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), a empresa pública responsável pela construção da estrada, replantasse 1.016 hectares de florestas, em áreas próximas à futura rodovia, para compensar a perda de 200 hectares de mata atlântica que cerca a Grande São Paulo.</p>
<p>O primeiro problema emergiu assim que Luiz Mauro Barbosa, então diretor do Instituto de Botânica, soube que sua instituição tinha sido designada para orientar o resgate de plantas vivas e o reflorestamento compensatório com espécies nativas: “Mal conhecíamos aquela área, do ponto de vista botânico”, lembra-se Barbosa, atualmente diretor de um dos centros de pesquisa do instituto. Ele foi um dos líderes de uma equipe de 80 pesquisadores que logo entraram na mata para identificar as plantas e retirar o que fosse possível, antes que chegassem os tratores rasgando a floresta para abrir a estrada.</p>
<div id="attachment_427" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><img class="wp-image-427" title="054-059_RestauracaoFlorestal_191-2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/054-059_RestauracaoFlorestal_191-2.jpg" alt="" width="270" height="395" /><p class="wp-caption-text">Uma das novas áreas de mata atlântica em Parelheiros, extremo sul de São Paulo: diversidade de árvores já é visível</p></div>
<p>Os pesquisadores estavam preocupados com o tempo, que era escasso, e com o tamanho da mata que teriam de percorrer. A mata a ser cortada pela estrada ocupava uma área quatro vezes maior que a de outra experiência pioneira de que haviam participado em 1985: a recuperação da vegetação nativa da encosta da serra do Mar, corroída pela poluição então sem controle das empresas químicas de Cubatão. Hoje Barbosa acredita que, a despeito das pressões, conseguiram salvar 80% de plantas herbáceas e epífitas da área de mata cortada pelo trecho sul do rodoanel.</p>
<p>No total, resgataram 22 mil plantas – principalmente samambaias, palmeiras, bromélias e orquídeas –, que foram transferidas para o Jardim Botânico de São Paulo e praças públicas da Grande São Paulo ou reinstaladas nas imediações de onde saíram e nas áreas de reflorestamento. Na mata atlântica que cerca a represa de Guarapiranga, uma das principais fontes de água dos moradores da Região Metropolitana, os botânicos encontraram raridades como uma bromélia de flores lilases, a <em>Tillandsia linearis</em>, já considerada extinta, e a <em>Zygopetalum maxillare</em>, uma orquídea ameaçada de extinção.</p>
<p><strong>Pisoteios e despachos</strong><br />
Dois anos depois, o trecho sul do rodoanel está funcionando, conectado ao trecho anterior, o oeste, e muitas áreas já parecem uma floresta jovem, com boas perspectivas de crescimento, principalmente quando cercadas por remanescentes de matas nativas.</p>
<p>Em um dos novos fragmentos de floresta em Parelheiros, um bairro distante na zona sul da cidade de São Paulo, as coisas estão correndo bem. “Veja, a floresta está começando a funcionar”, observa o engenheiro agrônomo Maycon de Oliveira, da Verdycon, uma das três empresas contratadas pela Dersa para cuidar do replantio das árvores nas 147 áreas selecionadas.</p>
<p>Oliveira mostra uma das árvores, um fumo-bravo, que ele e sua equipe plantaram em novembro de 2009. Nesse tempo, a árvore cresceu – está com quase 2,5 metros –, floresceu, frutificou e lançou sementes que germinaram e formaram descendentes já com 30 centímetros de altura que estão perto da árvore principal. O fumo-bravo, o ingá e o timburi que vicejam neste lote são espécies de árvores pioneiras, que crescem rapidamente, fazendo sombra para as espécies de árvores de crescimento mais lento, mas de vida mais longa. Ao lado, um dedaleiro, uma árvore que deve viver ali muitos anos, já está com 1,5 metro de altura – e floresce.</p>
<p>Ali, como fazem há dois anos nas 147 áreas selecionadas para o reflorestamento, Paulo Ortiz e outro biólogo, Carlos Yoshiyuki Agena, examinam a mata emergente – sempre que podem, a bióloga Regina Tomoko Shirasuna e a engenheira Renata Ruiz Silva também participam das inspeções. Ali, a diversidade de espécies é visível, não há plantas rasteiras competindo por nutrientes e a mortalidade das árvores é de apenas 12%. É um resultado bom, eles ponderam, já que no início esta área foi invadida por cavalos que pisotearam as mudas recém-plantadas.</p>
<p>Hoje cercadas para barrar a entrada de animais, as árvores crescem em terras antes ocupadas por uma horta desapropriada pela prefeitura. Ao redor deste lote as árvores são mais antigas e mais altas. Karina Cavalheiro Barbosa, bióloga da Dersa que acompanha as equipes que orientam ou executam o plantio, conta que o conjunto de lotes plantados em Parelheiros faz parte de quatro unidades de conservação que devem ser entregues à prefeitura nos próximos meses.</p>
<table class="tabela_interna" style="width: 167px; height: 300px;" border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><strong>Os projetos</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. Modelos de repovoamento vegetal para proteção de sistemas hídricos<br />
em áreas degradadas dos diversos biomas do estado de São Paulo<br />
<a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-politicas-publicas/5312/economia-recursos-humanos-modelos-repovoamento/" target="_blank">nº 2000/02020-9</a><br />
2. Estabelecimento de parâmetros de avaliação e monitoramento para reflorestamento induzidos visando ao licenciamento ambiental <a href="http://www.bv.fapesp.br/pt/projetos-politicas-publicas/5708/estabelecimento-parametros-avaliacao-monitoramento-reflorest/" target="_blank">nº 2003/06423-9</a></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Modalidade</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>Programa Políticas Públicas</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Co­or­de­na­dor</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1 e 2. Luiz Mauro Barbosa – IBt</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Investimento</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>1. R$ 144.214,61 (FAPESP)<br />
2. R$ 173.793,33 (FAPESP)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Em Piracaia e Mairiporã, dois municípios que abrigam áreas destinadas ao replantio, os problemas são piores. Acredita-se que alguns moradores vizinhos cortem a cerca das áreas selecionadas para recolocar bois e vacas que haviam sido expulsos dali. Houve também incêndios de origem possivelmente criminosa nas florestas em crescimento; latões de combustível encontrados nas terras queimadas alimentam essa possibilidade. Karina e sua equipe persistem, replantando o que foi perdido e colocando placas alertando que se trata de uma área pública que não deveria ser invadida. “Não faça despacho”, implora uma placa anônima cravada na terra de uma área de reflorestamento em Mairiporã. É uma forma de evitar os incêndios provocados pelas velas usadas em rituais religiosos.</p>
<p>Às vezes os moradores vizinhos das áreas selecionadas para reflorestamento são mais diretos e avisam aos primeiros que chegam que não querem nenhuma mudança desse tipo por ali, porque uma mata tiraria a visibilidade de suas casas e deixaria a comunidade mais isolada. E ameaçam: se avançarem, haverá represálias. O que fazer? Algumas vezes se opta por refazer o planejamento para não se perder o trabalho: a reposição de florestas é um trabalho caro, que custa de R$ 20 mil a R$ 25 mil por hectare.</p>
<p>Ninguém previa essas reações opostas, do mesmo modo que ninguém previa a geada que em uma só noite de julho de 2011 destruiu quase metade das árvores plantadas no município de Cotia pelas equipes da Verdycon e do consórcio Jardiplan/Biotech. Em áreas de solo ruim – uma delas, ao lado do rodoanel, era pátio de caminhões e depósito de entulho – a mortalidade das árvores é de 40%, mas estão surgindo soluções. Oliveira, da Verdycon, está avaliando a eficiência de um resíduo das usinas de açúcar e etanol para melhorar a qualidade do solo. A equipe da Corpus, outra empresa que cuida do plantio, cobriu a terra ruim com resíduos da produção de cogumelos e verificou que as árvores estão crescendo melhor.</p>
<p><strong>Florestas de vida curta</strong></p>
<p>Barbosa, do Instituto de Botânica, acredita que contribuiu bastante para a definição legal dos critérios de reflorestamento adotados, reforçando a necessidade de utilização da alta diversidade de espécies nativas para aumentar as chances de sucesso dos planos de restauração. Por meio de dois projetos de políticas públicas apoiados pela FAPESP em 2001 e 2003, ele avaliou 98 áreas reflorestadas nos 10 anos anteriores em todo o estado de São Paulo.</p>
<div id="attachment_429" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="wp-image-429" title="054-059_RestauracaoFlorestal_191-2b" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/054-059_RestauracaoFlorestal_191-2b.jpg" alt="" width="300" height="101" /><p class="wp-caption-text">Indicadores de sucesso: um dedaleiro floresce e Ortiz registra apenas 12% de mortalidade de árvores</p></div>
<p>“Quando vi o resultado, levei um susto”, ele conta. Na maioria das áreas havia no máximo 30 espécies de árvores por hectare, bem abaixo do que é encontrado em trechos originais de mata atlântica. Dessas 30, predominavam as pioneiras, que têm ciclo de vida curto e morrem em poucos anos. “Em dois anos havia uma pequena mata”, ele diz, “mas depois de 10 anos não havia quase nada”. Apenas duas das 98 áreas examinadas apresentavam uma densidade de árvores e uma diversidade de espécies aceitáveis.</p>
<p>Barbosa fez barulho. Procurou os dirigentes da Secretaria do Meio Ambiente do estado e das conversas, ele conta, resultou a Resolução SMA-21, publicada em 2001, definindo o plantio mínimo obrigatório de 30 a 80 espécies por hectare, dependendo do tamanho da área (quanto maior, mais espécies diferentes deveriam ser plantadas) e da proximidade com remanescentes de florestas, que poderiam ampliar a diversidade de espécies. Outra resolução, a SMA-47, de 2003, determinou que cada hectare deveria conter pelo menos 80 espécies nativas diferentes, sendo pelo menos 40% de pioneiras, de vida curta, e 40% de não pioneiras, de vida longa.</p>
<p>A legislação fez os viveiros de mudas ampliarem o número de espécies e a produção de mudas de árvores nativas. Barbosa, outra vez, foi atrás dos números e verificou que 55 viveiros cadastrados produziam 13 milhões de mudas de 277 espécies nativas em 2001. Seu levantamento indica que hoje 208 viveiros produzem 41 milhões de mudas de mais de 600 espécies nativas do estado de São Paulo (o <a href="http://www.ibot.sp.gov.br/" target="_blank"><em>site</em></a> do instituto remete aos viveiros cadastrados e à lista das 700 espécies de árvores já reconhecidas como nativas do estado). Com esse avanço, ele acredita que a tarefa de reflorestar os 1,3 milhão de hectares do estado devem agora levar 63 anos, não mais 200, como há 10 anos.</p>
<p>Desse modo tomou forma uma legislação e uma estrutura de suporte de produção de mudas que põem o estado de São Paulo à frente dos outros. “Meus amigos biólogos de Mato Grosso do Sul não acreditam que em São Paulo fazemos restauração com uma diversidade de espécies tão alta, que por enquanto é inviável por lá”, comenta Ortiz.</p>
<p>Os conceitos amadureceram bastante. Em 1985, uma das estratégias adotadas para reocupar a encosta da serra do Mar com vegetação nativa foi jogar de helicóptero sementes dentro de cápsulas de gelatina; depois se verificou que apenas 30% das sementes germinaram. Usou-se braquiária, uma espécie exótica de capim de crescimento rápido, para segurar o solo da encosta. “Hoje não faríamos desse modo”, conta Barbosa. Se necessário, ele diz, usariam a orelha-de-onça (<em>Tibouchina clavata</em>), um arbusto nativo, com a mesma função. Antes se pensava que as sementes poderiam ser guardadas apenas por semanas, hoje se sabe que podem durar anos. E agora há várias técnicas de restauração florestal, que podem ser combinadas se necessário.</p>
<p><strong>Além das árvores</strong><br />
Ainda há problemas, claro. Uma pesquisa da Esalq indicou que trepadeiras e epífitas como as bromélias e as orquídeas constituem 42% da biomassa de uma floresta e são muito importantes para a reconstrução do ambiente, enquanto as árvores participam com 35% da biomassa.</p>
<div id="attachment_430" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="wp-image-430" title="054-059_RestauracaoFlorestal_191-5" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/054-059_RestauracaoFlorestal_191-5.jpg" alt="" width="300" height="151" /><p class="wp-caption-text">Três anos depois: a floresta ganha corpo em um dos parques criados pela Dersa; acima, a estrada atravessa uma das represas da capital</p></div>
<p>“Só árvores não é a solução”, reiterou Paulo Kageyama, professor da Esalq, em um simpósio sobre restauração ecológica realizado em novembro de 2011 no Instituto de Botânica. O problema é que os viveiros por enquanto só oferecem mudas de árvores. Uma regulamentação recente da Secretaria do Meio Ambiente recomenda, mas ainda não obriga, que não se plantem apenas árvores.</p>
<p>As técnicas de restauração estão relativamente maduras para a mata atlântica, mas ainda pouco claras para outros ambientes naturais do estado de São Paulo como cerrado, manguezais e restingas. “Novas pesquisas vão indicar novos caminhos”, acredita Kageyama.</p>
<p>As novas matas que crescem em torno do rodoanel já estão servindo como base para pesquisas que compararam o crescimento das plantas em áreas diferentes ou sob diferentes tipos de pressões naturais ou urbanas. Uma das perguntas que só serão respondidas daqui a muitos anos é se os fragmentos de florestas encravados no ambiente urbano vão se comportar do mesmo modo que os fragmentos de florestas em meio a pastagens na Amazônia, por exemplo.</p>
<p>Além disso, a reposição de florestas ainda não supera as perdas. De 1995 a 2003 o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promoveu a restauração da floresta amazônica, mas não a ponto de repor o que era continuamente perdido – os relatórios desse trabalho, que contou com financiamento do Japão, indicam que a recuperação de paisagens naturais só avança efetivamente quando está associada a políticas públicas mais amplas. Em um estudo publicado na revista PNAS em 2008, pesquisadores dos Estados Unidos estimaram que o Brasil perdeu 2,6 milhões de hectares por ano por causa do desmatamento de florestas úmidas de 2000 a 2005, enquanto na Indonésia, o segundo país com a maior perda de vegetação nativa, o desmatamento deve atingir 700 mil hectares por ano.</p>
<p>Por fim, para desconforto dos paulistas mais apresssados, os resultados são lentos. “A restauração demora”, reconhece Ortiz. “Só saberemos daqui a 10 ou 20 anos se essas florestas em torno do rodoanel realmente vingarão.&#8221;
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/054-059_191.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Uma estrada, muitas florestas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/uma-estrada-muitas-florestas/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Uma estrada, muitas florestas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/uma-estrada-muitas-florestas/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Uma estrada, muitas florestas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/uma-estrada-muitas-florestas/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Uma estrada, muitas florestas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/01/16/uma-estrada-muitas-florestas/' displayText='share'></span></p>
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		<item>
		<title>As matriarcas da floresta</title>
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		<comments>http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/26/as-matriarcas-da-floresta/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 18:58:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Zorzetto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Genética]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://revistapesquisa.fapesp.br/?p=1120</guid>
		<description><![CDATA[Convivência com a mãe aumenta o sucesso reprodutivo dos muriquis machos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1121" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-1121" title="art4572img1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/art4572img1.jpg" alt="" width="300" height="400" /><p class="wp-caption-text">Aquele abraço: Yago, Leo, Evita e Elvis em momento de descontração</p></div>
<p>Os muriquis, os maiores macacos das Américas, candidatos a mascote das Olimpíadas do Rio, têm um comportamento sexual peculiar. No período de acasalamento, a maioria dos machos copula com todas as fêmeas férteis do bando, exceto as próprias mães. A antropóloga norte-americana Karen Strier identificou esse padrão sexual, incomum entre os primatas, nos anos 1980, quando começou a estudar os muriquis de uma área de mata atlântica em Minas Gerais. E uma pergunta sempre a inquietou: em meio a tanta liberdade sexual, quem seria o pai dos filhotes?</p>
<p>Só agora, três décadas mais tarde, Karen e colaboradores parecem ter encontrado a resposta. Nos bandos de muriquis não há um, mas vários pais – cada filhote, é claro, tem um único pai. Essa informação é importante porque pode orientar a preservação desse macaco brasileiro em risco de extinção.</p>
<p>Apresentado na edição de 22 de novembro na revista <em>Proceedings of the National Academy of Sciences</em> (<em>PNAS</em>), esse resultado não é tão óbvio quanto pode parecer. É que em muitas espécies de animais, macacos inclusive, é comum um único macho ser o pai de quase toda a prole.</p>
<p>Foi preciso aguardar o avanço dos testes genéticos, hoje capazes de analisar quantidades ínfimas de DNA extraído de sangue ou fezes, para verificar que os muriquis têm um padrão de paternidade distinto do de outros macacos.</p>
<p>Para executar o estudo, Karen selecionou 22 filhotes nascidos entre 2005 e 2007 e encarregou o biólogo Paulo Bomfim Chaves, doutorando na Universidade de Nova York, de coletar o material genético deles, de suas mães (21 fêmeas) e de seus possíveis pais (24 machos). Em seguida, com a ajuda de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), eles cruzaram os dados genéticos com as informações de história de vida e hábitos sexuais desses macacos, que vivem na reserva Feliciano Miguel Abdala, no município de Caratinga, na região leste de Minas.</p>
<p>A análise mostrou que 12 dos 24 machos do bando haviam tido pelo menos um filho. O mais bem- -sucedido deles foi pai de apenas quatro filhotes ou 18% dos bebês. De acordo com a antropóloga norte-americana, esse padrão de paternidade é consequência da organização social dos muriquis, conhecidos por sua índole pacífica e por formarem uma sociedade sem disputa aparente de poder.</p>
<p>Em sociedades com hierarquia rígida, como a dos gorilas, o grandalhão do grupo – o macho alfa – costuma se impor pela força e pode ser pai de até 85% dos filhotes. Mesmo entre os bonobos, primos pacíficos dos chimpanzés, o número de filhos que um macho costuma ter é mais alto. O mais prolífico desses macacos, que não têm parceira fixa e copulam mes-mo quando as fêmeas não estão férteis, costuma ser pai de 30% da prole – quase o dobro da taxa dos muriquis.</p>
<p>Há tempos Karen e seus colaboradores até suspeitavam que não houvesse hegemonia da paternidade entre os muriquis. Mas faltavam dados que permitissem afirmar que os filhotes que nasciam sete meses depois do acasalamento – cada fêmea dá à luz apenas um bebê por vez – eram mesmo de pais diferentes. “Os dados genéticos confirmaram o que indicavam as observações comportamentais”, conta a antropóloga, pesquisadora da Universidade de Wisconsin.</p>
<p>Ainda que não se observasse competição explícita entre os muriquis, não era possível descartar a hipótese de que a disputa ocorresse de algum outro modo ou mesmo no nível celular – por exemplo, os espermatozoides de um determinado macho poderiam ser mais rápidos do que o dos outros. Também poderia haver outras formas de interação social que os pesquisadores não conseguiam registrar depois que os macacos se embrenhavam na floresta. O trabalho da <em>PNAS</em> não elimina por completo essas possibilidades, mas as torna muito remotas. Desse estudo, feito em parceria com o primatólogo Sérgio Mendes e a geneticista Valéria Fagundes, ambos da Ufes, e o antropólogo Anthony di Fiore, da Universidade do Texas, saíram ainda duas outras observações que podem auxiliar na preservação dos muriquis.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/042-047_Muriquis_190-2.jpg" rel="lightbox[1120]" title="042-047_Muriquis_190-2"><img class="alignleft size-medium wp-image-1123" title="042-047_Muriquis_190-2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/042-047_Muriquis_190-2-300x260.jpg" alt="" width="300" height="260" /></a>A primeira é que, embora pratiquem o amor livre, os muriquis não copulam com as próprias mães – ao menos, não geram descendentes com elas. É uma constatação importante porque o cruzamento entre indivíduos aparentados diminui a diversidade genética da espécie e a torna mais vulnerável a doenças.</p>
<p>“Quando reanalisamos os dados comportamentais, vimos que esse resultado faz sentido”, conta Karen. Ela havia observado anos antes que em geral são as fêmeas que saem à procura de um novo bando quando atingem a puberdade. Os machos continuam na companhia das mães, no mesmo grupo em que vivem o pai, o avô e os tios paternos. “Não sabemos se as mães não permitem que os filhos tentem copular com elas ou se eles não as consideram atraentes”, conta Karen.</p>
<p>A segunda e mais intrigante constatação é que, embora não haja uma dominância clara de paternidade, certos machos são mais bem-sucedidos do que outros do ponto de vista reprodutivo. Alguns tiveram três ou quatro filhotes e outros, nenhum. Ao se questionarem sobre o motivo dessa diferença, os pesquisadores notaram que os machos pais de mais filhos eram aqueles que, depois de adultos, passavam mais tempo ao lado da mãe quando o bando estava reunido. “A proximidade da mãe parece beneficiar alguns machos, mas ainda não sabemos como nem por quê”, diz Karen.</p>
<p>É uma forma de influência bem distinta da que se vê, por exemplo, entre os bonobos. Esses macacos formam sociedades regidas por fêmeas nas quais as mães escolhem as parceiras dos filhos e os ajudam a enfrentar os outros machos do bando. Se comprovada, a influência materna pode indicar que as fêmeas de muriquis são matriarcas discretas e que os filhos aprendem a lidar com as outras fêmeas observando a mãe. Ou ainda que os filhos mais prolíficos se favoreçam da rede de contatos maternos para conquistar mais fêmeas. “Estamos começando a olhar para as interações entre mães e filhos adultos”, afirma Karen.</p>
<p>Quase tudo o que se sabe sobre o comportamento dos muriquis é conhecimento recente, acumulado nos últimos 30 anos, em boa parte impulsionado pelo trabalho de Karen, que foi parar em Caratinga em 1982 por indicação do orientador de seu doutorado na Universidade Harvard, o primatólogo Irven DeVore. Especialista em babuínos, ele soubera na época que em Caratinga havia sido achado um grupo de macacos que estavam quase extintos. Com o apoio dos primatólogos Célio Vale, então professor da Universidade Federal de Minas Gerais, e de Russell Mittermeier, da Conservation International, Karen iniciou o mais longo estudo de acompanhamento de muriquis.</p>
<p>Desde a primeira vez em que se embrenhou pelos 957 hectares de floresta da fazenda Montes Claros, em Caratinga, Karen vem ajudando a construir a biografia dos muriquis e a reorientar as ações de conservação do primata. “Antes desses estudos, não se conhecia quase nada sobre os muriquis”, diz Mendes.</p>
<p>Depois de implantar o estudo de longo prazo dos muriquis-do-norte (<em>Brachyteles hypoxanthus</em>), de pelagem amarelo-acinzentada e manchas rosadas na face, ela esteve no fim dos anos 1980 no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Paulo, uma área contínua de mata atlântica 40 vezes maior que Caratinga. Ali conheceu os muriquis-do-sul (<em>Brachytheles arachnoides</em>), com pelos castanho-amarelados e face completamente negra.</p>
<p>Karen planejou então fazer no parque paulista um estudo semelhante ao que desenvolvia em Minas. O objetivo era comparar o modo de vida dos animais de uma área pequena, como Caratinga, com o dos que habitavam uma área florestal maior e mais bem conservada. “Ela foi visionária ao começar os estudos de acompanhamento de longo prazo dos muriquis”, comenta Mauricio Talebi, bioantropólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Diadema.</p>
<p>Talebi trabalhou com Karen no início dos anos 1990 e desde 1993 coordena os estudos em Carlos Botelho, no município de São Miguel Arcanjo, a 180 quilômetros da capital paulista. Ali vem investigando não apenas de que os muriquis se alimentam, mas, principalmente, por que comem o que comem e que estratégia usam para selecionar os alimentos.</p>
<div id="attachment_1122" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-1122" title="art4572img2" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/art4572img2.jpeg" alt="" width="300" height="225" /><p class="wp-caption-text">Fêmea de muriqui-do-norte amamentando filhote</p></div>
<p>Nos 20 anos em que vem seguindo os bichos, Talebi identificou hábitos distintos entre os muriquis mineiros e paulistas que não podem ser explicados apenas por pertencerem a espécies diferentes. Uma das diferenças é que os macacos de Carlos Botelho comem muito mais frutos e flores do que os da reserva de Caratinga, que se alimentam quase exclusivamente de folhas.</p>
<p>Durante seu doutorado na Universidade Cambrigde, na Inglaterra, Talebi concluiu que o fator que mais influencia a dieta dos muriquis é a disponibilidade de alimentos. Em Caratinga, os animais vivem em um fragmento pequeno de mata atlântica, em que as árvores perdem as folhas na estação seca e onde há menos frutos. Carlos Botelho, que integra a maior extensão contínua de mata atlântica do país, fica na serra de Paranapiacaba, onde a umidade é alta o ano todo e as árvores estão sempre verdes.</p>
<p>A dieta também varia de acordo com o gênero, verificou recentemente Talebi, em parceria com Phyllis Lee, da Universidade de Stirling, na Escócia. Mesmo em Carlos Botelho os machos comem mais folhas que as fêmeas, que preferem frutos e flores. Talebi atribui a diferença às necessidades nutricionais. As fêmeas, explica, precisam de muita energia e nutrientes para gerar os filhotes e produzir leite. Das flores, elas extraem fósforo, potássio e magnésio, e dos frutos, altos teores de açúcar. “As folhas têm muita proteína, mas em geral são de difícil digestão”, diz Talebi.</p>
<p>Ele e Rebbeca Coles suspeitam que o ambiente também influencia a forma como os muriquis buscam comida e o tempo que gastam em diferentes atividades. As condições ambientais também podem ter favorecido o surgimento de uma característica genética que Talebi, Peter Lucas e Nathaniel Dominy descobriram ser exclusiva de algumas fêmeas: a capacidade de enxergar cores – os machos e a maioria das fêmeas só veem tons de cinza. “A visão colorida poderia ajudar essas fêmeas a encontrar os alimentos melhores e a se reproduzirem mais”, diz Talebi.</p>
<p>“Esses trabalhos são fundamentais para a conservação dos muriquis”, afirma Leandro Jerusalinsky, chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros. “A simples presença de pesquisadores nas áreas em que os macacos vivem já inibe a degradação das florestas e a caça, hábito cultural comum em muitas regiões brasileiras”, diz.</p>
<p>Apesar da relevância do trabalho iniciado por Karen, ela não foi a primeira a estudar os muriquis. Foi o engenheiro agrônomo capixaba Álvaro Aguirre, especialista em manejo de fauna que trabalhou no Ministério da Agricultura, quem trouxe nos anos 1960 os muriquis de volta para o mapa das 116 espécies de primatas do Brasil. Em suas andanças pelo país, Aguirre encontrou 32 populações, formadas por um total estimado entre 2.100 e 2.200 muriquis e distribuídas por sete estados brasileiros, do norte do Paraná ao sul da Bahia.</p>
<p>Quando os muriquis foram descritos, quase 150 anos antes, naturalistas franceses e alemães os incluíram no gênero <em>Ateles</em>, o mesmo do macaco-aranha. Étienne Geoffroy Saint-Hilaire chamou de <em>Ateles arachnoides</em> os macacos de pelagem clara, face negra e mão em forma de gancho que descreveu em 1806. Catorze anos depois o naturalista alemão Heinrich Kuhl classificou como sendo de outra espécie, <em>Ateles hypoxanthus</em>, os animais que se distinguiam dos anteriores por terem a face e os órgãos genitais pigmentados de rosa, além de um micropolegar, ausente no primeiro. Em 1823 outro alemão, Johann Baptiste von Spix, propôs que pertenciam a um novo gênero, <em>Brachyteles</em>, aceito até hoje.</p>
<p><a href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/042-047_Muriquis_190-3.jpg" rel="lightbox[1120]" title="042-047_Muriquis_190-3"><img class="alignleft size-medium wp-image-1124" title="042-047_Muriquis_190-3" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/01/042-047_Muriquis_190-3-300x159.jpg" alt="" width="300" height="159" /></a>Apesar do conhecimento acumulado desde os anos 1980 sobre o modo de vida dos muriquis, a situação das duas espécies não melhorou muito nos últimos 50 anos. Fabiano Rodrigues de Melo, ecó&#8211;logo da Universidade Federal de Goiás, chefia um dos grupos que trabalham no recenseamento dos muriquis em Minas e na Bahia e estima que existam no máximo 2.400 macacos vivendo na natureza. Não é muito mais do que Aguirre havia contabilizado. “O número total de animais permaneceu praticamente constante”, diz Melo. “O preocupante é que o número de populações está diminuindo.”</p>
<p>Nas matas mineiras e baianas, Melo até identificou duas populações que não haviam sido descritas por Aguirre. Mas também não encontrou mais muriquis onde antes se sabia que existiam, como na região de Ilhéus, na Bahia. Hoje se conhecem apenas 12 populações de muriquis-do-norte, que, calcula-se, somam menos de mil indivíduos. Talebi, que faz o levantamento dos muriquis-do-sul, estima haver 15 populações dessa espécie, com 1.500 macacos. Ainda que se suspeite da existência de mais populações, um dos problemas, segundo Melo, é que várias delas são pequenas, formadas por menos de meia dúzia de animais, o que pode tornar inviável que se mantenham por muito tempo sem ações de conservação.</p>
<p>A proteção dos muriquis ganhou em 2010 o respaldo de legislação federal. Uma portaria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade aprovou o Plano Nacional para a Conservação dos Muriquis (PAN Muriquis). O plano, o primeiro em nível nacional para a proteção de um primata, determina 10 metas para a proteção das duas espécies desses macacos. O objetivo é reduzir até 2020 o risco de extinção do muriqui-do-norte de <em>criticamente em perigo</em> para <em>em perigo</em>, e o do muriqui-do-sul de <em>em perigo </em>para <em>vulnerável</em>. “A preservação dos muriquis deixou de ser apenas sonho de pesquisador e se tornou uma política de estado”, diz Talebi, um dos idealizadores do PAN-Muriquis.</p>
<p>Para que o plano não fique no papel, diz Jerusalinsky, um dos coautores do projeto de conservação e coordenador do PAN Muriquis, será preciso que as ações consigam envolver, além de pesquisadores e ambientalistas, os proprietários de terra e os moradores das regiões onde vivem os muriquis. “Muitas populações dessas espécies estão em unidades de conservação e, em tese, estão mais protegidas”, diz. “Mas várias outras se encontram em propriedades particulares, que podem perder área de vegetação nativa caso algumas das alterações propostas para o código florestal sejam aprovadas.”</p>
<p>Uma estratégia que se mostrou interessante e pode complementar a demarcação de áreas de preservação é a transferência de fêmeas que estão para entrar na idade reprodutiva para outros bandos. Em 2005, a equipe de Sérgio Mendes capturou Renata, fêmea que vivia em um trecho pequeno de floresta em Santa Maria de Jeribá, Espírito Santo, e estava entrando na puberdade, prestes a abandonar seu grupo. Os pesquisadores a levaram para outra mata, onde havia outro bando. Após três anos, Renata teve seu primeiro filhote, a fêmea Rubi, e em 2010 o segundo, Régia. “O nascimento desses filhotes comprova que a estratégia funciona”, diz Mendes. “Se tivéssemos tentado 30 anos atrás provavelmente não teria dado certo, porque a tendência seria de transferir um macho jovem, que, em outros primatas, é o indivíduo que costuma migrar”, conta.</p>
<p>Em Minas Gerais, Fabiano Melo repetiu o teste em 2006 com a fêmea Eduarda, que também já teve dois filhos. No dia 30 de novembro, Melo partiu com uma equipe para o município de Simonésia, próximo à divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro, onde pretendiam capturar uma fêmea de muriqui que se encontra isolada em uma área de floresta muito pequena. A intenção é levá-la para o zoológico de Belo Horizonte, onde deve fazer companhia a Zidane, um macho que, assim como o famigerado atacante da seleção francesa, deu um baile nos pesquisadores. Se tudo correr bem, essa será a primeira colônia de muriqui-do-norte em cativeiro, essencial para um dia, quem sabe, fornecer novos exemplares para a natureza.</p>
<p><strong>Artigos científicos<br />
</strong>1. STRIER, K. <em>et al</em>. <a href="http://www.pnas.org/content/early/2011/10/31/1116737108.abstract" target="_blank">Low paternity skew and the influence of maternal kin in an egalitarian, patrilocal primate</a>. <strong>PNAS</strong>. v. 108, p. 18. 915-19. 22 nov. 2011.<br />
2. COLE, R.C. <em>et al</em>. <a href="http://www.springerlink.com/content/6u1245741x8h2701/" target="_blank">Fission–Fusion Dynamics in Southern Muriquis (<em>Brachyteles arachnoides</em>) in Continuous Brazilian Atlantic Forest</a>. <strong>International Journal of Primatology</strong>. No prelo.<br />
3. TALEBI, M.G.; LEE, P.C. <a href="http://www.springerlink.com/content/m14684u872106888/" target="_blank">Activity Patterns of Southern Muriquis (Brachyteles arachnoides) in the last continuous remnant of Brazilian Atlantic Forest</a>. <strong>International Journal of Primatology</strong>. v. 31, p. 571-83. 2010.
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/12/042-047_190.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='As matriarcas da floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/26/as-matriarcas-da-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='As matriarcas da floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/26/as-matriarcas-da-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='As matriarcas da floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/26/as-matriarcas-da-floresta/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='As matriarcas da floresta' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/12/26/as-matriarcas-da-floresta/' displayText='share'></span></p>
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		<title>O futuro da Amazônia</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 18:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estratégias]]></category>
		<category><![CDATA[Ciênc. Atmosféricas]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Programa busca antever o que acontecerá nas próximas décadas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1617" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="wp-image-1617" title="notcont71742" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/02/notcont71742.jpg" alt="" width="300" height="220" /><p class="wp-caption-text">Sistema vai monitorar degradação da floresta</p></div>
<p>Pesquisadores de 14 instituições europeias e sul-americanas estão engajados num programa que busca antever o que acontecerá com a Amazônia nas próximas décadas. Trata-se do Amazalert, liderado pelos climatologistas Bart Kruijt, da Universidade de Wageningen (WUR), Países Baixos, e Carlos Nobre,<br />
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que também é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais. A equipe vai reunir informações disponíveis em trabalhos anteriores sobre clima regional, desflorestamento, sensibilidade das florestas e ciclo da água, e desenvolver um sistema que detecte sinais de degradação de grandes dimensões na floresta. Dentro de três anos, o programa deverá fornecer um conjunto de ferramentas para assessorar as tomadas de decisão na gestão futura da região, incluindo formas de monitorar o funcionamento da Amazônia para se evitar mudanças irreversíveis em seus serviços ambientais. O programa tem orçamento de € 4,7 milhões e conta com financiamento do 7º Programa Quadro da União Europeia. Além do Brasil e dos Países Baixos, terá participantes da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bolívia, Colômbia, França, Peru e Reino Unido.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='O futuro da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/10/01/o-futuro-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='O futuro da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/10/01/o-futuro-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='O futuro da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/10/01/o-futuro-da-amazonia/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='O futuro da Amazônia' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/10/01/o-futuro-da-amazonia/' displayText='share'></span></p>
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		<title>Berçários móveis</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2011 19:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Fioravanti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Oceanografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Peixes se reproduzem e criam filhotes em espaços específicos dos manguezais]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright  wp-image-4678" title="art4509img1" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/09/art4509img1.jpg" alt="" width="240" height="496" />Há bons motivos para não gostar dos manguezais: são feios, lamacentos, repletos de mosquitos e geralmente cheiram mal. Mas há também boas – e novas – razões para dar mais valor a esses espaços que misturam água do mar e de rios em meio a árvores de raízes expostas. Aprofundando a antiga explicação de que os manguezais são berçários de animais marinhos, uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) verificou que várias espécies de peixes precisam de redutos distintos no mangue, com salinidade maior ou menor, para desovar e criar seus filhotes até que sejam capazes de seguir para o oceano.</p>
<p>“O local de acasalamento dos peixes é um, o de desova é outro e o berçário é um terceiro, às vezes distantes entre si dezenas de metros, tudo dentro do estuário”, diz Mario Barletta, que, com seu grupo, percorre os estuários da América do Sul. Outra conclusão é que esses locais de reprodução, desova, crescimento, proteção e alimentação de peixes variam ao longo do ano, de acordo com as fases da lua e o regime de chuvas, com diferentes níveis de turbidez, salinidade e concentração do oxigênio dissolvido na água. “Esses refúgios, muitas vezes localizados em canais bem estreitos dos manguezais, podem estar mais longe da costa, quando chove muito, ou mais perto, quando chove pouco”, diz Barletta.</p>
<p>Comuns em todo o litoral brasileiro, exceto no Rio Grande do Sul, os manguezais são protegidos por lei federal, mas estão perdendo espaço para estradas, condomínios residenciais e indústrias, e ganhando poluição. Sem seus refúgios, peixes e tartarugas marinhas em crescimento mudam a dieta e comem até plástico. No estuário do rio Goiana, uma área de 475 mil metros quadrados coberta por manguezal entre os estados de Pernambuco e Paraíba, Barletta e sua equipe analisaram 60 bagres-amarelos (<em>Cathorops spixii</em>), 60 bagres-brancos &#8211; (<em>C. agassizii</em>) e 62 bagres-guiris (<em>Sciades herzbergii</em>), espécies bastante consumidas pelos ribeirinhos. Abriram a barriga de cada um deles e, em pelo menos 20% dos exemplares de cada espécie, encontraram pedaços de fios de náilon de cordas de barcos ou de redes de pesca. Fernanda Possatto, Barletta e outros pesquisadores da UFPE alertam que não é possível quantificar o alcance desse fenômeno nem as consequências desse tipo de poluição, mas recomendam mais cuidados para evitar que ela prejudique ainda mais a vida dos peixes e das pessoas.</p>
<p>Não é só lá. No estuário de Paranaguá, uma área de 600 quilômetros quadrados coberta por matas e manguezais na Região Sul do país, pesquisadores da UFPE, da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Pesquisas Cananeia, de Campinas, coletaram 80 carcaças de tartarugas-verdes (<em>Chelonia mydas</em>) jovens capturadas em redes de pesca de junho de 2004 a julho de 2007. No estômago e nos intestinos de 76 delas, além de algas, plantas do mangue e conchas com que costumam se alimentar, eles encontraram restos de sacolas plásticas, fios de náilon e pedaços de placas de poliestireno, como detalhado na edição de fevereiro da revista <em>Endangered Species Research</em>. Segundo Barletta, esse fato indica que as separações espaciais do estuário – dividido em áreas de preservação ou de pesca artesanal, porto e desenvolvimento urbano ou turístico – não estão funcionando. Outros estudos de seu grupo haviam detectado resquícios de metais pesados, principalmente mercúrio, e de outros tipos de resíduos em peixes que passam ao menos parte da vida em manguezais.</p>
<p><strong>Barragens<br />
</strong>Os manguezais estão encolhendo e se tornando mais poluídos em toda a costa da América do Sul. Especialistas do Brasil, da Argentina, da Venezuela e da Colômbia concluíram que, além da sobrepesca, a perda desses ambientes naturais causada pelo despejo de esgotos e resíduos da mineração e de outras atividades industriais marca as nove principais bacias hidrográficas e estuários sul-americanos: a bacia do rio Madalena, na Colômbia; a do rio Orinoco, na Venezuela; a bacia amazônica, incluindo terras do Brasil, Peru e Bolívia; os estuários do rio Goiana, entre Pernambuco e Paraíba, do rio Paranaguá, no Paraná; da lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul; a bacia e o estuário dos rios da Prata e Paraná, na fronteira de Argentina, Paraguai e Brasil.</p>
<p>De acordo com esse levantamento, que resultou em um estudo de 59 páginas publicado em 2010 na <em>Journal of Fish Biology</em>, a construção de barragens fragmentou o curso de rios como o Paraná e o Uruguai e promoveu mudanças severas em manguezais e em outros ambientes costeiros em que os peixes vivem.  A dragagem de estuários, como foi feito em Paranaguá para a construção do porto na porção mais interna do estuário, causou uma redução no número de espécies. Na bacia do rio Urucu, um afluente do Amazonas, o principal problema detectado foi a poluição causada pelo vazamento de óleo no momento da prospecção.</p>
<div id="attachment_1979" class="wp-caption alignleft" style="width: 590px"><img class="wp-image-1979" src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/02/art4509img2.jpg" alt="" width="580" height="281" /><p class="wp-caption-text">Rio Maracaípe, em Pernambuco: estuários em transformação</p></div>
<p>Barletta recomenda a valorização, a preservação e a recuperação desses ambientes. Para ele, os manguezais, mesmo sob tantas pressões, não precisam permanecer intocados. “Podemos explorar, claro, mas com critérios”, sugere. Metade da área de manguezais desapareceu nos últimos 50 anos no mundo todo, como resultado do crescimento de cidades nas zonas costeiras, de acordo com um estudo de Daniel Donato, do Serviço Florestal dos Estados Unidos, publicado em abril na <em>Nature Geoscience</em>. Esse trabalho traz uma conclusão que pode contribuir para preservar esses espaços inegavelmente fétidos: os manguezais são uma das florestas mais ricas em carbono do mundo. A perda dessas matas pode gerar o equivalente a 10% do total de gás carbônico emitido pelo desmatamento, mesmo que os manguezais respondam por apenas 0,7% do total das florestas tropicais do mundo.</p>
<p>“Os manguezais são ambientes muito frágeis e sensíveis à contaminação”, observa Itamar Soares de Melo, pesquisador da Embrapa, que coordenou um levantamento de microrganismos em manguezais de São Paulo. No município de Bertioga, ele encontrou bactérias do gênero <em>Pseudomonas </em>que produzem compostos capazes de degradar hidrocarbonetos como os do petróleo.</p>
<p>Henrique Santos, Raquel Peixoto e outros pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro verificaram que as populações de microrganismos antes e depois da chegada dos contaminantes mudam bastante. As populações de bactérias dos gêneros <em>Mirinobacterium</em>, <em>Marinobacter</em>, <em>Clostridium </em>e <em>Fusibacter </em>se ampliam, enquanto as dos gêneros <em>Haliea </em>e <em>Chromatiales </em>caem bastante. Os pesquisadores acreditam que essas alterações podem ajudar a prever os possíveis impactos ambientais em regiões como a baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, que abriga o porto de Itaguaí, em obras de dragagem para receber navios maiores.</p>
<p>Melo e sua equipe identificaram novas espécies de microrganismos adaptados à alta salinidade nos manguezais, um ambiente seletivo também para as plantas, pois apenas poucas espécies de árvores vivem nesses espaços, algumas com raízes expostas, que facilitam sua fixação no lodo. Em manguezais sem poluição, Melo encontrou também espécies não patogênicas de bactérias do gênero <em>Vibrio</em> vivendo no interior de árvores. “As bactérias podem estar suprindo as plantas com nitrogênio e fósforo, nutrientes importantes para o crescimento, mas escassos naquele ambiente”, comenta.</p>
<div><em>Artigos científicos</em><br />
1. GUEBERT-BARTHOLO, F.M. <em>et al. </em><a href="http://www.int-res.com/articles/esr_oa/n013p131.pdf" target="_blank">Using gut contents to assess foraging patterns of juvenile green turtles Chelonia mydas in the Paranaguá Estuary, Brazil</a>. <strong>Endangered Species Research</strong>. v. 13, p. 131-43. 2011.<br />
2. BARLETTA, M. <em>et. al. </em><a href="http://www.ignis.org.br/downloads/fish_and_aquatic_conserv.pdf" target="_blank">Fish and aquatic habitat conservation in South America:<br />
a continental overview with emphasis on neotropical systems</a>. <strong>Journal of Fish Biology</strong>. v. 76, p. 2.118-76. 2010.</div>
<p><a style="float:left" href="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2011/09/055-057-187.pdf"><img  src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/themes/revistafapesp/images/icon_pdf.png" /></a><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='Berçários móveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/bercarios-moveis/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='Berçários móveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/bercarios-moveis/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='Berçários móveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/bercarios-moveis/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='Berçários móveis' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/bercarios-moveis/' displayText='share'></span></p>
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		<title>O sexo dos peixes de Furnas</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2011 18:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>antonio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tecnociência]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Exposição a tóxicos afeta sistema reprodutivo do lambari-do-rabo-vermelho]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A exposição a resíduos da agricultura e a esgoto sem tratamento parece estar afetando o sistema reprodutivo do lambari-do-rabo-vermelho (<em>Astyanax fasciatus</em>) que vive na hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais. Estudo de pesquisadores mineiros encontrou, em pontos do reservatório da usina, grupos de peixes com tamanho reduzido e maturação atrasada das glândulas sexuais. Em outros trechos de Furnas, os animais exibiam traços efeminados e havia evidências de contaminação por xenoestrógenos, hormônios presentes em compostos industriais que têm efeitos semelhantes ao estrógeno (<em>Ecotoxicology and Environmental Safety</em>, 9 de agosto de 2011). Além do risco à saúde dos peixes, os poluentes sugerem que as condições ambientais em Furnas inspiram cuidados.
<p><a style="float:left" href="http://www.printfriendly.com/print/v2?url=http://revistapesquisa.fapesp.br/tag/ecologia/feed/" rel="nofollow"><img src="http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/04/ico_print_pt.png" alt="Print Friendly"></a><span class='st_facebook_large' st_title='O sexo dos peixes de Furnas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/o-sexo-dos-peixes-de-furnas/' displayText='share'></span><span class='st_twitter_large' st_title='O sexo dos peixes de Furnas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/o-sexo-dos-peixes-de-furnas/' displayText='share'></span><span class='st_email_large' st_title='O sexo dos peixes de Furnas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/o-sexo-dos-peixes-de-furnas/' displayText='share'></span><span class='st_sharethis_large' st_title='O sexo dos peixes de Furnas' st_url='http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/09/06/o-sexo-dos-peixes-de-furnas/' displayText='share'></span></p>
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