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Leprose dos citrus

Nova descoberta, novo prêmio para Victória Rosseti

Depois de receber em novembro, na China, seu 101 prêmio internacional, um projeto de pesquisa ainda em curso sobre leprose dos citros, apoiado pela FAPESP, deu, há poucos dias, à respeitada pesquisadora Victória Rosseti, seu 51o prêmio nacional: o trabalho Mechanical Transmission and Structural Aspects of Citrus Leprosis Desease, baseado nos resultados já obtidos com esse estudo e publicado na Revista Brasileira de Fitopatologia, volume 20, número 2, ganhou o Prêmio Silvio Moreira, concedido pelo Instituto Agronômico de Campinas, IAC, para o melhor artigo científico sobre citricultura de 1995.

“No artigo relatamos que conseguimos, pela primeira vez, transmitir mecanicamente de citros para citros e de citros para herbáceas, principalmente da família Chenopodiaceae, o vírus que queremos provar que é causador da leprose, doença que está se agravando e se tomando muito séria para a citricultura paulista “, resume doutora Victoria Rossetti, Pesquisadora Emérita do Estado junto ao Instituto Biológico de São Paulo. Até então, a transmissão só fora observada através do ácaro que funciona como vetor da doença.

Para obter tais resultados, “pegamos as manchas das folhas, amassamos, preparamos, protegemos com buffers e, por fricção, contaminamos folhas saudáveis”, explica. “De citros para citros, a lesão inoculada leva de 20 a 30 dias para se manifestar, enquanto que de citros para Chenopodiaceae leva apenas de quatro a cinco dias. Fizemos tudo no Instituto Biológico, com apoio de microscopia eletrônica”, completa ela.

Quando Victória Rossetti usa a primeira pessoa do plural para falar dessas experiências é porque ela faz questão de partilhar o mérito dos êxitos obtidos com os demais pesquisadores envolvidos no projeto, cuja coordenação lhe cabe. “A equipe é formada por Addolorata Colariccio, do Instituto Biológico, Osvaldo Lovisolo, do Istituto di Fitovirologia Applicata di Torino, Itália, que todos os anos passa dois ou três meses conosco, aqui em São Paulo, Cesar M. Chagas, Silvia R. GaIletti, Elliot Kitajima, os três também do Biológico, e eu” diz. “O IAC concedeu o prêmio em meu nome porque sou a pesquisadora mais velha”, acrescenta, modesta.

Na verdade, o nome dessa encantadora senhora de 78 anos, 55 dos quais dedicados à pesquisa, de tipo mignon e energia espantosa, está profundamente ligado às bases cientificas que apoiaram – e apoiam ainda – a transformação do país no maior produtor mundial de laranjas (tendo São Paulo quase 500/o dos mais de 700 mil hectares plantados com frutas átricas). Isso não foi feito sem vencer ou controlar uma série de doenças dos citros e Vitória Rossetti se envolveu com boa parte delas.

Com leprose, especificamente, ela começou a trabalhar em 1959. A doença foi descrita em 1935, e teve sua transmissão associada a um ácaro pelo pesquisador Agesilau A. Bitancourt, do Biológico, nos anos 40. Em 1959, foi identificado; pelo pesquisador norte-americano E. W. Baker, em colaboração com pesquisadores do Biológico, o ácaro que a reproduz, o Brevipalpus phoenicis.

“A leprose provoca manchas amarelas nas folhas e lesões escuras e deprimidas nos frutos. Os frutos terminam caindo em grande quantidade, o que resulta em perda de produtividade e de qualidade, principalmente da laranja doce”, diz a pesquisadora. Em 1972, o virologista Elliot Kitajima, então do IAC, constatou pela primeira vez, por microscopia eletrônica, um bastonete semelhante a vírus em lesões de leprose.

“Depois disso, ninguém mais viu o vírus, até que trabalhando nesse novo projeto conseguimos e estamos conseguindo vê-lo no microscópio eletrônico. Mas mesmo agora, ele ainda não está muito claro”, diz a pesquisadora. O auxílio à pesquisa concedido pela FAPESP à doutora Victoria Rossetti para esse projeto, com desenvolvimento previsto para o período de 111 de janeiro de 1995 a 30 de abril de 1997, foi de R$42,4 mil. Ela conta também com apoio do Fundecitrus.

Prêmio Wallace Award
Coincidentemente, o mais novo prêmio nacional da doutora Victoria Rossetti chegou às suas mãos poucas semanas depois de ela ter recebido a placa de bronze de seu mais recente prêmio internacional. A placa materializa o prêmio “Wallace Award 95”, que lhe foi concedido em novembro passado, durante o XXI Congresso da International Organization of Citrus Virologists-IOCV, por suas “excepcionais contribuições para a virologia dos citros”. Especificamente o prêmio refere-se a seu último trabalho sobre clorose variegada dos citros -“Citrus Variegated Chlorosis: Cultivation of the Causal Bacterium and Experimental Reproduction of the Disease”, publicado no XX Congresso da IOCV, na Índia -, outra doença em que ela é também especialista.

“Esse trabalho foi feito no âmbito de um convênio Brasil-França, em conjunto com outros quatro pesquisadores: C. J. Chang, da Georgia, que temporariamente está trabalhando no Instituto National de Récherches Agronomiques, o INRA, na França, Monique Garnier, Leila Zrick e J. M. Bové, todos também do INRA”, detalha ela, preocupada em não pecar por omissão.

Reunião Científica – Exgência reduzida
Os pesquisadores que solicitam recursos para a Organização de Reunião Científica, à FAPESP, não estão mais obrigados a apresentar cópia integral dos trabalhos dos palestrantes convidados, com a participação na reunião financiada pela Fundação. Basta agora encaminhar o resumo da palestra, quando do encaminhamento do pedido de auxílio. O Conselho Técnico-Administrativo (CTA) decidiu alterar a regra que ainda consta do manual específico em circulação sobre esse tipo de auxílio, onde está dito que é obrigatória a apresentação de cópias dos trabalhos, admitindo-se a apresentação de resumos apenas em reuniões de grande porte e a critério da FAPESP. A instrução será alterada na proxima edição do manual.

Funcionamento – Férias coletivas
A FAPESP entrará em periodo de férias coletivas de 6 a 25 de janeiro de 1997. Por isso mesmo, todas as solicitações de bolsas e auxílios encaminhadas após o dia 10 de dezembro de 1996 só serão analisadas a pal1ir de fevereiro de 1997.

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