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Infra-estrutura

Uma atmosfera de otimismo entre os pesquisadores

Com as obras da Fase I do Programa de Infra-Estrutura praticamente concluídas, enquanto outras referentes a projetos aprovados na Fase II se iniciam, uma lufada de otimismo parece circular entre boa pane dos pesquisadores do IAC que se espalham pelas quatro unidades da sede do Instituto e pelo Centro Experimental, em Campinas, áreas onde se concentraram até agora os investimentos. Os bons ventos, por enquanto, só não atingiram o pessoal das 20 estações experimentais localizadas em diferentes pontos do Estado, “todas ainda caindo aos pedaços” na linguagem crua do doutor Eduardo Bulisani, vice-diretor do Instituto.

No Centro Experimental de Campinas, um dos satisfeitos é o pesquisador Luís Carlos da Silva Ramos, geneticista que recentemente obteve centenas de novas linhagens dihaplóides de trigo a partir da inovadora técnica da cultura de anteras (parte da flor) in vitro, que reduz substancialmente o custo e o tempo do melhoramento genético (sete anos, contra 13 do processo tradicional), além de permitir a obtenção de tipos recombinantes, o que técnicas tradicionais não propiciariam. Dentre as novas linhagens, quatro se destacam pelo alto interesse que já no cultivo em campo apresentam para a triticultura, porque apresentam uma produtividade até 35% maior do que a variedade comercial padrão em uso (2 mil quilos por hectare).

Ramos mostra obras físicas de recuperação do Laboratório de Biotecnologia, duas autoclaves que foram colocadas em local adequado para seu funcionamento, as novas bancadas, os novos aparelhos de ar condicionado, todos equipamentos para aumentar a eficiência do trabalho de pesquisas e já fala de uma estufa climatizada para as milhares de peças de cultura de tecidos que está projetando com recursos da Fase II do programa de Infra-Estrutura. Nas reformas da Fase I foram investidos pouco mais de R$ 70 mil.

Já na sede do IAC, a pesquisadora Sigrid Luiza Jung Mendacolli, chefe da secção de Botânica Econômica, vai contando sorridente:“As exsicatas da flora da Ilha do Cardoso e de São Paulo, que temos aqui, agora estão bem protegidas em armários novos, com vedação: Já não correm risco de deterioração. Tudo está adequado às nossas necessidades”. Ela fala das novas condições em que se encontra o herbário, protegido dos fungos que ameaçavam sua conservação, da recuperação do telhado, do forro, antes invadido por cupins e das instalações hidráulicas. Mostra as bancadas novas e uma capela em perfeitas condições no Laboratório de Anatomia de Plantas.

Antes, ela tinha a estrutura metálica, mas não tinha vidros nem o exaustor, itens fundamentais de segurança para o manuseio de químicos voláteis na capela”. Foram R$ 78 mil que permitiram todas as melhorias na Secção de Botânica Econômica. Mais que a duplicação da área dos laboratórios, sua informatização e concentração num só predio, o que entusiasma a pesquisadora Sonia Dechen, chefe da Secção de Conseroação do Solo, instalada no Centro Experimental de Campinas, “é o reestabelecimento do vigor dos trabalhos em Física do Solo que tais obras propiciam”. Ela aponta também a reforma total do campo de sistemas coletores de perdas por erosão, em área externa vizinha aos laboratórios, dotado agora de calhas de cochotkon importadas, que são equipamentos para medidas de perda de terra e de água por erosão, entre outras melhorias. Com os investimentos de quase R$115 mil, “estamos agora capacitados para desenvolver bem todas as análises de Física do Solo”, resume.

As reformas e a duplicação da área da casa de vegetação, com a construção de um telado, mais a ampliação do laboratório de apoio a essa casa de vegetação, inclusive com a instalação de um bíotério, foram as obras que o Programa de Infra-Estrutura, em sua Fase I, garantir para a Secção de Microbiologia do Solo, também instalada no Centro Experimental de Campinas, e nas quais foram investidos perto de R$50 mil.

Beneficios para a pesquisa? A chefe da secção, a pesquisadora Adrlana Parada Dias da Silveíra, conta que o aumento da área da casa de vegetação “propiciou as pesquisas relacionadas com o emprego de microorganismos benéficos na produção de mudas de plantas frutíferas e hortaliças e agilizou a produção em maior escala de mudas para experimentação no campo, facilitando, assim, – o objetivo final da pesquisa que é a transferência ao agricultor da tecnologia de microorganismos para produção de mudas mais vigorosas e precoces (com redução do uso de insumos agrícolas convencionais e melhoria ambiental”. Já a ampliação do laboratório de apoio à Casa de Vegetação está permitindo que se aprofundem os estudos sobre biodiversidade microbiana.

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