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Temáticos

USP detém a liderança

Financiamentos estão distribuídos entre 87 projetos

Dos 87 projetos temáticos que no momento estão sendo financiados pela FAPESP, 54 são coordenados por pesquisadores da Universidade de São Paulo, USP. Quanto às áreas de conhecimento em que os projetos se concentram, caso elas sejam tomadas de uma forma mais discriminada, a liderança pertence às Ciências Biomédicas. Se em vez disso se adotar a classificação por grandes grupos, própria do CNPq, ou mesmo a distribuição usual da FAPESP, as Ciências Exatas e da Terra têm o maior número de projetos financiados.

Um total de 87 projetos temáticos, financiados pela FAPESP, está atualmente em desenvolvimento em instituições de pesquisa do Estado de São Paulo. A liderança desses projetos de mais longo prazo (com duração, em geral, de quatro anos) e sempre coordenados por um pesquisador de grande experiência, pertence hoje à Universidade de São Paulo, USP. São dessa universidade os coordenadores de nada menos que 54 projetos em andamento, embora, dada a própria natureza dos temáticos, que prevê a associação entre grupos diversos, pesquisadores de outras instituições possam estar deles participando.

Numa segunda posição encontram-se pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, que estão coordenando 19 projetos temá ticos. As Instituições Federais vêm em terceiro lugar, com a coordenação de 9 projetos, os Institutos Estaduais de Pesquisa e Desenvolvimento, vinculados a Secretarias do Governo de São Paulo, coordenam 4 e, por fim, há 1 temático coordenado por pesquisador vinculado a Instituição Particular de ensino e pesquisa.

Pesquisa experimental
Com o apoio especial que os temáticos conferem, inclusive a grande agilidade na concessão de bolsas e de auxílios vinculados ao projeto, seja para reuniões, vinda de pesquisadores visitantes ou publicações, desenvolvem-se no momento pesquisas praticamente em todas as áreas do conhecimento, ainda que com distribuição extremamente desigual entre elas. E se existe no meio dessa diversidade algum traço notório de convergência é que “há muito mais pesquisa experimental do que trabalhos puramente teóricos no âmbito dos projetos temáticos”, observa o diretor científico. Já FAPESP, professor José Fernando Perez.

“De certo modo isso pode estar ligado a um comportamento tradicional dos pesquisadores, que só submetiam propostas de temáticos à FAPESP quando a pesquisa exigia grandes grupos, grande volume de recursos e sobretudo equipamentos de grande porte, características tipicamente de trabalhos experimentais”, explica ele.

Com as novas normas que vêm sendo adotadas desde o ano passado para flexibilizar esse tipo de projetos, instituído em 1990, a FAPESP prevê a atração de propostas de temáticos muito boas, a serem “desenvolvidos por equipes menores e altamente competentes. “A dispensa da exigência de dois coordenadores de grande experiência para cada temático, por exemplo, contribui para isso. Atualmente basta uma liderança. A possibilidade de grupos menores submeterem temáticos, também evita algumas associações que terminavam sendo artificiais”, comenta o professor Perez. De qualquer sorte, é improvável que os trabalhos teóricos se sobreponham aos experimentais no campo dos temáticos, porque há aparentemente uma grande afinidade entre pesquisa teórica e trabalho individual.

Na divisão por áreas do conhecimento, tentando-se uma classificação que reflita um pouco melhor o panorama atual de C&T e, portanto, uma classificação bem menos genérica do que a adotada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, por exemplo, (com três grandes áreas) e mesmo mais detalhada do que a formalmente adotada pela FAPESP (nove áreas), a situação dos projetos temáticos é a que se segue:

Ciências Biomédicas concentram hoje o maior número de temáticos, com um total de 15 projetos. A Física, a Química e as Engenharias vêm em segundo lugar, cada uma delas com 12 projetos. Em seguida situam-se as Ciências da Saúde, com 7 projetos em desenvolvimento. As Ciências Agrárias têm 4 temáticos em andamento. Geociências, Matemática e Antropologia têm 3 projetos cada uma. Biologia, Bioquímica, Meio Ambiente, Arquitetura e Urbanismo e Sociologia têm, cada uma, 2 projetos e, finalmente, com 1 projeto em cada área aparecem Biofísica, Astrofísica, Meteorologia, Biotecnologia, Veterinária e Linguística.

Caso se use a classificação do CNPq, chega-se a 51 projetos na área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, 28 na área de Ciências da Vida e 8 na área de Ciências Humanas e Sociais. Usando-se a distribuição usual da FAPESP tem-se 35 projetos na área de Ciências Exatas e da Terra, 21 projetos em Ciências Biológicas, 12 nas Engenharias, 7 nas Ciências da Saúde, 4 nas Ciências Agrárias, 5 nas Ciências Humanas, 2 nas Ciências Sociais Aplicadas e 1 em Linguística e Letras. Permanecem, contudo, algumas dúvidas nessa distribuição, como, por exemplo, se Biofísica e Bioquímica estão corretamente situadas entre Exatas, ou melhor seria enquadrá-las entre as Ciências Biológicas.

“As divisões normalmente adotadas para áreas do conhecimento estão efetivamente defasadas frente a realidade atual da Ciência e da Tecnologia”, comenta o diretor científico da FAPESP. Os maiores problemas nesse sentido são os campos de fronteira, que envolvem interdisciplinaridades e transdisciplinaridades. Uma reavaliação rigorosa desse problema, no entanto, teria que ser, segundo ele, um empreendimento de abrangência nacional e não uma iniciativa localizada da FAPESP, por exemplo.

Assim, tanto se pode concluir que as Ciências Biomédicas são as que indiscutivelmente mais desenvolvem projetos temáticos, caso se escolha uma detalhada divisão de áreas de conhecimento, quanto que as Ciências Exatas e da Terra detêm a liderança, optando-se pela nomenclatura usual da FAPESP ou mesmo do CNPq.

Ensino – Projetos aprovados
Foram aprovados os primeiros 25 pré-projetos do Programa sobre Pesquisas Aplicadas para a Melhoria do Ensino Público do Estado de São Paulo. As propostas cobrem várias áreas do conhecimento, como Física, Química, Matemática, Ciências Agrárias e Didática, entre outras. Quanto à instituição de origem dos pesquisadores que tiveram os pré-projetos aprovados – apresentados sempre em parceria com professores de escolas públicas de primeiro e segundo graus do Estado de São Paulo-, 12 deles são da USP, 5 da UNICAMP, 3 da UNESP, 1 de Instituição Federal de Ensino e Pesquisa (UFSCar), 3 de Instituições Particulares e 1 de Instituição Municipal (Secretaria Municipal de Educação/ Prefeitura Municipal de São Paulo).

Em acordo com a decisão do Conselho Superior (CS), Conselho Técnico Administratioo (CTA) aprovou também a criação, exclusivamente no âmbito do Programa de Melhoria do Ensino Público, da Bolsa de Aperfeiçoamento Pedagógico. Ela será concedida para atividades a serem desenoolvidas nas escolas públicas parceiras dos vários projetos por participantes que não tenham vínculo com Instituições de Ensino Superior. A FAPESP que disponibilizou inicialmente para esse programa, quando o criou em setembro do ano passado, o total de R$5 milhões, está em fase de definição do total que deve ser investido nos primeiros 25 pré-projetos aprovados, incluindo os recursos para as bolsas de Aperfeiçoamento Pedagógico.

Novas propostas
Ainda em relação ao Programa sobre Pesquisas Aplicadas para a Melhoria do Ensino Público, a FAPESP decidiu realizar ainda neste ano uma segunda rodada de avaliação de pré-projetos e estendeu para o dia 30 de setembro o prazo de apresentação de novas propostas. Podem ser inclusive reapresentadas, com aperfeiçoamentos, propostas não aprovadas na primeira rodada.

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