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Inovação

Projetos já estão sendo avaliados e devem ter bons resultados

Três dos dez projetos já aprovados e contratados no âmbito do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica de Universidades, Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento e Empresas, iniciado no final de 1994, estão em fase de avaliação e poderão, em breve, revelar alguns resultados concretos das propostas de inovação tecnológica desenvolvidas em parceria por empresas e instituições de pesquisa do Estado de São Paulo, com apoio da FAPESP.

Tais resultados, além do significado econômico ou social que devem ter, certamente vão possibilitar à FAPESP reavaliar o alcance desse programa inovador e de concepção singular. “No mundo inteiro, até onde sabemos, só a Austrália tem um programa parecido, inclusive nos percentuais da contrapartida que deve ser oferecida pela empresa para cada projeto”, diz o professor Francisco Coutinho, coordenador adjunto da área de Ciências Exatas na Diretoria Científica da Fundação. “Mas só descobrimos o programa do governo australiano, que aliás vem dando certo – acrescenta ele -, depois que a FAPESP já havia iniciado o seu”.

A análise do programa à luz de seus primeiros resultados pode determinar alguns “ajustes finos” da parte operacional, mas não se prevê qualquer mudança em sua concepção, considerada muito boa. Assim, segundo o professor Coutinho, podem ser feitas algumas alterações nos formulários e questionários para simplificá-los. Há também um empenho da FAPESP para que se reduza o tempo de avaliação dos projetos, hoje na faixa de três a quatro meses, para um a dois meses. E fora isso, há uma forte expectativa de expansão do programa.

Só a Austrália tem um programa semelhante de inovação tecnológica
“Acredito que dentro de aproximadamente dois anos essa iniciativa de indução da inovação tecnológica estará bem conhecida tanto no meio empresarial quanto entre os pesquisadores e, em consequência, bem consolidada”, diz o professor Coutinho. Diante disso, “numa previsão pessimista”, ele estima que a Fundação estará examinando então uma média de três diferentes projetos por mês. “Na verdade, gostaríamos que esse número fosse de seis ou sete projetos e não julgo isso impossível”.

Pessimista ou mais otimista, em qualquer dos casos o que o coordenador está visualizando é um aumento nada desprezível no número de propostas submetidas à FAPESP no âmbito do programa; comparativamente aos dados dos primeiros dois anos: desde a primeira data de recebimento de propostas (30 de abril de 1995) até o presente, foram encaminhados à FAPESP 23 projetos, o que resulta numa média mensal pouco acima de 1,3 projetos. Do total, 10 foram aprovados, seis foram denegados e sete encontram-se em análise.

O crescimento deverá ocorrer, no entanto, de uma forma natural, sem um fomento artificial ou forçado do programa. “Entendemos que a Fundação não deve ir atrás das empresas ou dos pesquisadores, num sentido mais direto. Um programa dessa natureza ou avança naturalmente, ou não faz muito sentido”, opina o professor Coutinho.

Isso está ligado, de certo modo, à própria concepção do programa. “Para que haja um projeto em parceria é preciso que uma empresa tenha um problema tecnológico relevante e, de outro lado, que numa instituição de pesquisa haja uma pessoa com a solução para tal problema. Os dois lados têm que se encontrar e se afinar muito bem, prática que demanda um certo tempo para se disseminar”.

Segundo o professor Coutinho, o desenvolvimento do programa de inovação tecnológica tem permitido se observar que o encontro entre os dois lados resulta de um movimento em duas direções: tanto há empresas que vão em busca de soluções para algum problema numa instituição, principalmente através de ex-alunos agora vinculados ao ambiente empresarial, quanto há pesquisadores ativos que procuram o mercado oferecendo seus projetos. “Mas olhando o que ocorreu até agora, podemos dizer que esperávamos que as instituições de pesquisa fossem mais agressivas nessa busca da parceria”, comenta.

O professor Coutinho ressalta que, independentemente do mérito avaliado por dois assessores da área científica, o compromisso da empresa com o projeto é a primeira garantia de que ele tem real importância tecnológica e potencial econômico. “Se a empresa, com seus interesses e seu patrocínio comercial, entra num projeto, é porque ele pode resultar num produto. Seu compromisso é que primeiro atesta que não estaremos diante de pesquisa aplicada simplesmente, mas de verdadeira pesquisa tecnológica”. E é isso que o programa busca, até porque outros tipos de pesquisa podem se encaixar em outras modalidades de financiamento da FAPESP.

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