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Ensino

Ajudando a correr o risco de ensinar

Um projeto em desenvolvimento desde o dia 27 de janeiro visando à capacitação de professores de Matemática e Física, foi proposto pela Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Ourinhos, ligada ao centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (GEETESPS). “Estão sendo treinados 32 professores, sendo 27 de Matemática e 5 de Física, tanto da própria Ourinhos quanto de outras pequenas cidades vizinhas”, diz o coordenador do projeto, professor Milton Damato, docente aposentado da USP, agora ligado à Fatec.

Realizada a primeira fase intensiva da reciclagem durante 11 dias no mês de fevereiro, com uma carga diária de oito horas de trabalho (aulas expositivas teóricas pela manhã e trabalhos dirigidos à tarde), o professor Damato pôde constatar, melancolicamente, que muitos professores, boa parte deles formada em licenciaturas curtas, desconheciam até mesmo princípios elementares de áreas fundamentais dos programas de Física e de Matemática do segundo grau.

“Sentimos em muitos professores uma enorme boa vontade e um medo pânico de se arriscar em áreas que não dominam, ou praticamente desconhecem” diz ele. E a coisa chega a tal ponto que “tivemos o caso de um professor, que estava decidido a não começar o ano pela matéria que normalmente abre o programa de Matemática de uma das séries do segundo grau, postergando-a para o final do curso, na expectativa de que não houvesse tempo suficiente e ele se visse livre de dar aquela parte”.

A situação não chega a ser estranha, segundo o diretor da Fatec de Ourinhos, professor Paulo Henrique Ghixaro, quando se sabe que muitos desses professores, depois de formados em cursos indigentes, “passam a dar 40 horas de aulas por semana na rede pública, recebendo R$3 por hora e, para completar o salário, costumam dar mais 20 horas de aula por semana em escolas particulares. Eles não têm tempo para estudar, nem para nada mais”. Essa condição, diz o professor Damato, explica o espanto e a alegria com que os professores receberam a informação de que teriam uma bolsa total de R$960 pela participação no projeto de fevereiro a dezembro.

Depois do intensivo de fevereiro, os professores levaram trabalhos para casa e nos meses de março, abril e maio terão acompanhamento de um fim de semana por mês (oito horas na sexta feira e oito horas no sábado). Nesses encontros eles apresentarão as “lições de casa” e farão o relato do que está acontecendo em suas salas de aula. Em julho, terão um segundo período intensivo e depois acompanhamento até dezembro.

Além da reciclagem em suas disciplinas, os professores estão sendo treinados em habilidades simples na área de informática: navegar na Internet, preparar provas para os alunos usando símbolos matemáticos com um editor de textos e elaborar uma planilha para calcular a média do aluno.

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