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Pró-Ciências poderá reciclar 10 mil professores de 2.0 grau

A primeira avaliação de propostas realizada pela FAPESP para o Programa Pró-Ciências resultou na aprovação de 23 projetos, que vão permitir de imediato a reciclagem de 1.547 professores de Ciências e Matemática do segundo grau, ligados à rede pública de ensino de São Paulo. Estão já em execução 16 desses projetos, e sete serão iniciados em julho próximo, aproveitando o período das férias escolares para uma fase inicial de treinamento intensivo dos professores.

Em paralelo, a FAPESP está recebendo até 30 de março próximo novas propostas para a segunda etapa do Programa, que devem ser julgadas a tempo de poderem ser iniciadas – pelo menos parte delas – ainda no segundo semestre deste ano. Os projetos não precisam se restringir exclusivamente às escolas públicas: professores da rede particular também podem se beneficiar desse programa especial de reciclagem, com duração prevista de três anos.

Pró-Ciências – Programa de Apoio ao Aperfeiçoamento de Professores de 2.º Grau em Matemática e Ciências é uma iniciativa da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão do Ministério da Educação, mas sua execução depende das secretarias estaduais de educação e, nos estados em que existem essas instituições, das fundações estaduais de amparo à pesquisa.

O convênio entre a CAPES, a Secretaria Estadual de Educação e a FAPESP, que viabilizou a implantação do programa em São Paulo, foi firmado em setembro passado e naquele momento a Fundação definiu que o prazo para a primeira apresentação de propostas se esgotaria em 30 de novembro. A essa altura já estava também definido que, respeitando as normas próprias de atuação da FAPESP, as propostas teriam que ser submetidas por pesquisadores vinculados a instituições de ensino e pesquisa de São Paulo e não poderiam visar exclusivamente a reciclagem, mas comtemplariam também a pesquisa experimental de uma metodologia ou concepção inovadora de treinamento de professores.

“Apesar do prazo apertado, 48 projetos foram submetidos à FAPESP”, diz Marilia Pontes Sposito, Coordenadora dos Programas Especiais de Educação na Diretoria Científica da Fundação. “As instituições de ensino e pesquisa do Estado de São Paulo de- monstraram uma impressionante capacidade de resposta ao desafio que lhes foi lançado”, completa. E o mais importante é que essa resposta permite projetar a reciclagem de aproximadamente 10 mil professores durante os três anos de execução prevista do Programa, o que é pratícamente a totalidade dos professores de segundo grau de Ciências e Matemática do Estado de São Paulo. Isso significa que o objetivo da CAPES – reciclar, em três anos, todo o universo de professores das disciplinas visadas: no programa tem grande chance de ser atingido em São Paulo.

Essa projeção se baseia em aritmética simples. “Os dados da Secretaria de Educação indicam que há no Estado 2.482 professores de Física, 2.308 professores de Química e 2.594 professores de Biologia”, diz Marilia. Em relação a Matemática, não existe um dado desagregado para o segundo grau. Sabe-se que existem 11.187 professores de primeiro e segundo graus. “Mas sem muito risco, pode-se estimar que cerca de 3.000 estão ligados ao segundo grau”. Ora, se for mantido nas próximas avaliações de propostas para o Pró-Ciências o mesmo resultado observado na primeira, quanto ao número de profissionais a serem treinados, todo esse: universo de professores pode ser alcançado, considerando-se que: há duas seleções de projetos por ano.

Recursos suficientes
Pelos termos do convênio firmado em São Paulo, a CAPES repassa à FAPESP para a execução do Pró-Ciências, anualmente, R$3,5 milhões. Os 23 projetos aprovados na primeira avaliação estão demandando recursos de pouco mais de R$l, 7 milhão, incluindo o pagamento de bolsa aos 1.547 professores envolvidos no treinamento.

Assim, os recursos disponíveis para os projetos da segunda rodada de avaliação são de pouco menos de R$1,8 milhão. Vale observar que os valores das bolsas, concedidas nas fases intensivas do treinamento, variam de acordo com a carga horária eles vão de R$ 150,00 (40 horas de aula) a R$ 600,00 (160 horas de aula. Nas fases não intensivas os professores recebem diárias como ajuda de custo para participar de reuniões.

Dos 16 projetos que já estão em execução, a maior parte está sob a responsabilidade de grupos de pesquisa da USP: são oito projetos, envolvendo recursos de R$52l,6 mil, incluindo bolsas para 440 professores. Já entre os sete projetos que vão começar em julho, a UNESP tem maior presença, responsabilizando-se por três deles, cujo custo global é de R$196,3 mil, inclusive bolsas para 210 professores.

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