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Projetos Temáticos

Bolsas de pós-doutoramento podem ter duração de até quatro anos

As bolsas de pós-doutoramento para desenvolvimento de atividades de pesquisa vinculadas a um projeto temático poderão ter duração de até quatro anos, limitada à vigência do projeto. Serão enquadradas nessa situação bolsas de pós-doutoramento com projetos com objetivos coerentes com os do projeto temático associado e que venham a ser desenvolvidos colaborativamente com sua equipe. Nesses casos, as solicitações de bolsas deverão explicitar sua condição de pedido complementar a projeto temático, incluindo um resumo do temático indicando número do processo.

As solicitações deverão também incluir carta do coordenador do projeto temático explicando como as atividades de pesquisa a serem desenvolvidas pelo candidato se inserem dentro dos objetivos do “temático”. Essas solicitações deverão ser processadas com grande agilidade pela Fundação. As bolsas normais de pós-doutoramento para o desenvolvimento de projetos pesquisa individuais continuam tendo duração de um ano, renovável por mais um em condições excepcionais.

Bolsista Estrangeiro
Essa nova norma se aplica também a pesquisadores estrangeiros, em particular aos jovens doutores e pós-doutores alemães interessados em se incorporar às equipes de alguns dos projetos temáticos que venham a ser apoiados no âmbito do convênio que a Fundação mantém com a instituição alemã DAAD, Deutsche Akademische Austausch Dienst, ou Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico.

“Com essa decisão, que compõe o quadro de benefícios que vêm sendo concedidos aos temáticos, a FAPESP busca estimular o aumento do número desses projetos e o crescimento dos focos de excelência que eles representam”, diz o diretor-científico da FAPESP, professor José Fernando Perez. Isso, segundo ele, deverá ocorrer com a integração de jovens pesquisadores a equipes experientes e competentes e seu conseqüente amadurecimento científico.

Novo patamar
Por trás dessa e de outras medidas relativas aos projetos temáticos está uma estratégia da FAPESP, que introduz um novo desafio no ambiente de Ciência e Tecnologia em São Paulo: “Precisamos estimular uma mudança de escala no crescimento das pesquisas científicas e tecnológicas no Estado”, resume o diretor da FAPESP.

Essa mudança depende em larga medida de os pesquisadores criarem equipes maiores, estáveis, capacitadas para um trabalho em linhas de pesquisa mais ambiciosas e mais competitivas, que possam produzir resultados altamente significativos, tanto do ponto de vista estritamente científico e tecnológico, quanto em termos econômicos e sociais. E os projetos temáticos vêm sendo vistos pela Fundação como um bom caminho para se chegar a esse patamar de maior desenvolvimento em C&T.

O professor Perez prevê que bons pesquisadores, brasileiros ou não, que tenham concluído seu doutorado há até cinco anos e estejam sem vínculo com algum grupo de excelência, irão se interessar pela bolsa de pós-doutorado de quatro anos. “Não é difícil também prever que, depois desses anos trabalhando com um grupo experiente num temático, tais pesquisadores estarão prontos até para formar novas equipes. É dessa forma que se vai criando massa crítica em várias áreas do conhecimento”, comenta ele.

Flexibilização
Desde 1990, quando foram criados os projetos temáticos, a FAPESP por várias vezes flexibilizou as suas normas, visando tornar mais simples e mais acessível aos pesquisadores experientes os auxílios para esse tipo de projeto, sem prejuízo da qualidade exigida para sua aprovação.

No ano passado, a Fundação decidiu que bastaria um pesquisador altamente competente na coordenação do grupo responsável pelo temático, em vez de dois pesquisadores. Com isso, viabilizou-se a apresentação de projetos por pequenas, mas competentes equipes. Na mesma ocasião ficou decidido que haveria quatro, em vez de duas datas por ano para apresentação dos projetos à FAPESP. Mais tarde, a Fundação resolveu passar a receber as solicitações de auxílios para temáticos em fluxo contínuo.

Outras medidas foram a aceitação da Fundação de receber propostas de temáticos com a única finalidade de qualificar a equipe para os benefícios adicionais próprios desse tipo de projeto (agilidade no processamento de solicitações de auxílios complementares, como vinda de professores visitantes, bolsas, participação em reunião científica etc), e alteração das normas para auxílios a viagens ao exterior. Os “pesquisadores principais” dos temáticos podem se beneficiar de auxílios anuais (e não com intervalo de 18 meses), para participar de reunião científica ou tecnológica ou de estágios de curta duração (até 60 dias).

Todas essas medidas resultaram no esperado aumento da demanda por auxílios para esses projetos. Comparadas as concessões de 1995 com as de 1996, vê-se que elas deram um grande salto, sem que se tivesse flexibilizado o julgamento dos projetos quanto ao mérito. Com isso, estão hoje em andamento 159 projetos temáticos financiados pela FAPESP e outros oito foram aprovados no mês passado, para início imediato.

Participação alemã
Para estimular a participação de jovens doutores e pós-doutores alemães, dentro do convênio DAAD/FAPESP, aquela instituição divulgará na Alemanha os projetos temáticos em curso, cabendo ao candidato à bolsa a iniciativa de contactar o coordenador do projeto.

Havendo interesse mútuo, o coordenador do projeto temático deverá encaminhar à Fundação, com cópia ao DAAD, pedido de bolsa pós-doutoramento com a documentação de praxe, e detalhes das atividades de pesquisa a serem desenvolvidas junto ao projeto temático. Convênios semelhantes estão sendo buscados pela FAPESP com outras instituições internacionais de diversos países.

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