Imprimir PDF

Tecnociência

Pesquisa do genoma humano decola em duas cidades da China

A China está lançando importantes iniciativas em genoma humano em Shangai e Pequim, com orçamentos que totalizam mais de U$30 milhões para os próximos três anos – e há sinais de que mais investimentos serão feitos. De acordo com matéria publicada na edição de 9 de julho da revista Nature, os novos centros de pesquisa foram criados nas duas cidades com financiamento do governo e da indústria, empregando cientistas de diferentes instituições para desenvolver pesquisas sobre doenças que atingem um grande número de pessoas no país. Para os padrões chineses, esta é uma fórmula inovadora.

O centro de Pequim tem um orçamento inicial maior – cerca de U$ 12 milhões para três anos, que serão aplicados no estudo de doenças do sistema nervoso e cardiovascular, com 30 pesquisadores em três divisões – seqüenciamento, recursos genéticos e bioinformática – além de laboratórios-satélites em outras instituições. Duas companhias estatais que investem no setor imobiliário e em alta tecnologia contribuirão com a metade dessa quantia, e os outros U$ 6 milhões virão do governo municipal, da Academia Chinesa de Ciências, da Academia Chinesa de Ciências Médicas, da Faculdade de Medicina de Pequim, Instituto de Medicina e Farmacologia e do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Segundo o coordenador Boqin Qiang, esta forma de participação para desenvolvimento de pesquisas científicas – governo central, municipal e indústria – inaugura um novo modelo no país. Hoje, os recursos do governo para a área de Ciência são limitados e a indústria chinesa está em franca expansão. O Centro de Shangai estará direcionado para a identificação e clonagem de genes de doenças como o câncer de fígado. O coordenador Zhu Chen afirma que o centro coordenará vários esforços de pesquisa em genoma humano e oferecerá um serviço de alta qualidade na análise de genoma para instituições de pesquisa, além de companhias farmacêuticas e de biotecnologia nacionais e estrangeiras.

O Centro utilizará o rico material genético humano da China, que tem um quinto da população do mundo e um grande número de pacientes com doenças genéticas. A Universidade de Fudan, que participa do centro de Shangai, manterá seu programa de pesquisa do genoma humano e a companhia New Huangpu investirá U$ 12 milhões em dois laboratórios na Universidade.

Outras três companhias estrangeiras formaram uma joint venture para oferecer em larga escala serviços de seqüenciamento de DNA e análise de seqüências para instituições chinesas. Essas empresas celebraram um contrato com o Ministério da Ciência e Tecnologia para seqüenciar os genes do câncer de fígado. O investimento inicial será da ordem de U$ 10 milhões.

Muitos outros projetos de genoma relacionados à saúde estão na mira dos chineses. O Ministério da Ciência e Tecnologia selecionará alguns para o National Programme for Key Basic Research Projects, também conhecido como “escalando as alturas” (“scaling the heights”), que disponibilizará cerca de U$ 6 milhões por projeto.

Republicar