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Estratégias

Criatividade e desenvolvimento

Respeitemos as diferenças. Mais ainda: incentivemos as visões opostas, pois é por meio da cooperação entre indivíduos com modos de pensar complementares que se atingem está-gios elevados de criatividade e de eficiência nas atividades científicas e tecnológicas, de acordo com as pesquisas realizadas pelo sociólogo do trabalho Domenico De Masi, professor da Universidade de Roma La Sapienza, na Itália. Todos os grupos criativos que ele estudou, a exemplo do Instituto Pasteur de Paris, o Círculo Filosófico de Viena, o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, a Escola de Biologia de Cambridge ou o Projeto Manhattan em Los Alamos, conciliam aspectos díspares, mantendo-se produtivos e inovadores.

“A criatividade é a síntese das habilidades entre as pessoas fantasiosas e as criativas”, afirmou De Masi durante a palestraO Trabalho Criativo nos Centros de Ciência e Tecnologia , proferida no dia 27 de maio no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, como parte das comemorações do centenário do IPT, comemorado no final do mês de junho. “Os grupos criativos são antiburocráticos e morrem quan- do chega a burocracia”, disse. Se os criativos são movidos pela curiosidade, que leva ao conhecimento, os burocratas se apóiam em atitudes de defesa, que conduz à fuga de situações que vão além da rotina. Com humor, definiu os burocratas como “seres prudentes, que se apóiam uns aos outros, e sádicos, pois adoram matar as idéias dos outros”.

Segundo ele, a sociedade pós-industrial, na qual as informações, os símbolos e a estética se sobrepõem aos bens materiais da sociedade industrial, exige, sim, controle, mas, acima de tudo, motivação. Obviamente, não desaparecerão os bens industriais, mas a produção científica é que reinará, com modelos próprios de organização. Por exemplo, não há mais separação entre o trabalho e a vida. “Caem as divisões entre estudo, trabalho e tempo livre e as separações de espaço e diferenças entre homens e mulheres”, observou.

Nesta etapa da civilização humana, quem inventa é quem tem o poder. “A invenção é a base da força política e econômica”, disse. De outro modo, é o conhecimento que determina a hierarquia mundial: os países mais fortes monopolizam a invenção, os países emergentes ficam com a produção e aos subdesenvolvidos cabe tão-somente o consumo. De Masi acredita que os países atrelados à produção e ao consumo devem se esforçar para passar imediatamente para a fase de desenvolvimento de tecnologia e de estética, na qual a principal inovação é, justamente, a criatividade em grupo.

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