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SciELO

Conversão do patrimônio

Turismo

O artigo O mar por tradição: o patrimônio e a construção das imagens do turismo, de Elsa Peralta, da Universidade Técnica de Lisboa, em Portugal, mostra como o patrimônio cultural tem um valor que é debitado pelos seus usos simbólico, político e econômico. O estudo tem como base a argumentação de que os turistas são “estruturalistas arquetípicos” em busca de imagens autênticas de um tempo mítico. “Existe uma reciprocidade entre estes usos, porque não existe patrimônio simbólico que não seja também político. Além disso, o patrimônio só terá um valor econômico, por via da sua comercialização no mercado turístico, se tiver um valor simbólico elevado”, diz Peralta. São analisadas na pesquisa as formas como o patrimônio é utilizado para fornecer o suporte cenográfico necessário à construção dos destinos turísticos. A autora utiliza como exemplo um caso de ativação patrimonial numa localidade de forte tradição do litoral português. Ao definir-se como a terra que tem o “mar por tradição”, a região de Ílhavo se apresenta como um destino onde todos os portugueses podem reinventar o “eu autêntico” que os liga às suas origens e que desejam ser para o futuro, como num jogo de espelhos, que põe em confronto a imagem que temos e a imagem que julgamos e desejamos ter. Nesse sentido, ao ser integrado no mercado turístico, o patrimônio marítimo é resgatado e reinventado, se adequando em outras dinâmicas e significações.

Horizontes Antropológicos – vol. 9 – nº 20 – Porto Alegre – out. 2003
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832003000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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