Imprimir PDF

SciELO

Grávidas pré-maturas

Adolescência

O estudo Adolescência e reprodução no Brasil: a heterogeneidade dos perfis sociais, realizado por pesquisadores das universidades Federal da Bahia, do Estado do Rio de Janeiro, Federal do Rio Grande do Sul e do Institut National d’Études Démographiques, em Paris, na França, mostrou os resultados de uma estimativa sobre a prevalência de gravidez na adolescência (GA). A pesquisa foi feita em três capitais brasileiras: Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, cidades com contextos socioculturais distintos. O estudo, que analisou o perfil de quem engravida e os resultados da gestação, realizou um inquérito domiciliar, com entrevistas de uma amostra de homens e mulheres entre 18 e 24 anos, para a avaliação retrospectiva da GA. “A gravidez na adolescência não é um fenômeno recente. Historicamente, as mulheres vêm tendo filhos nessa etapa e, mesmo em um contexto de intensa redução da fecundidade, não se constatou no Brasil um deslocamento correspondente da reprodução para faixas etárias mais velhas, tal como ocorreu em países industrializados”, diz o artigo, sendo que a maioria das mulheres brasileiras vem tendo dois filhos em média. Ao todo, foram entrevistados 4.634 jovens (47,2% homens e 52,8% mulheres), sendo que a gravidez entre adolescentes foi relatada por 55,1% dos homens e 27,9% das mulheres. A maioria das mulheres engravidou em relacionamento estável com parceiro mais velho (79,8%). O estudo verificou que a experiência de gravidez antes dos 20 anos foi relatada por 21,4% dos homens e 29,5% das mulheres. E, para piorar a situação, a maior parte das gestações se deu fora de uma união conjugal: 86,6% dos homens e 74,2% das mulheres, que moravam ainda com suas famílias de origem.

Cadernos de Saúde Pública – vol.19 – supl. 2 – Rio de Janeiro – 2003
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000800019&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Republicar