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Divulgação

Aventura do conhecimento

Mais de 1.800 eventos marcam a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

MIGUEL BOYAYANNa noite do dia 27 de outubro os brasileiros olharam para o céu para acompanhar o eclipse lunar. Esse experimento coletivo de observação astronômica encerrou a primeira Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. No Memorial Maria Aragão, no Maranhão, mais de 2 mil pessoas puderam ver a sombra da Terra projetada na Lua em oito pontos de observação implantados pela Associação dos Astrônomos Amadores do Maranhão. No Marco Zero, em Macapá, 4 mil pessoas assistiram ao fenômeno utilizando telescópio, binóculos e, com a ajuda do céu claro, até a olho nu. O experimento, conhecido como “O Brasil olha para o céu”, repetiu-se no Planetário do Ibirapuera, em São Paulo; no Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro; na Universidade Federal do Espírito Santo; e até na aldeia guarani Piraquara, Curitiba.

A semana foi um sucesso, na avaliação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), responsável pela organização. Foram mais de 1.800 eventos em 252 municípios brasileiros, entre os dias 18 e 22 de outubro. Pelo menos 300 universidades, laboratórios, institutos de pesquisa e museus abriram suas portas ao público. Cerca de 130 mil pessoas, nas contas do MCT, acompanharam palestras, participaram de oficinas e visitas monitoradas em que se fundiam ciência, cultura e arte. O evento, criado por decreto presidencial em junho, teve como objetivo divulgar e popularizar a ciência e deverá se repetir todos os anos, sempre no mês de outubro. “Vamos avaliar os erros, corrigir falhas e ampliar o evento tendo como meta mobilizar mil cidades brasileiras no ano que vem”, diz Ildeu de Camargo Moreira, diretor do Departamento de Popularização e Divulgação da Ciência, da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do MCT.

Muitas dessas atividades foram realizadas em escolas e locais públicos. Pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e de Ciências do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação Oswaldo Cruz, do Instituto Vital Brasil e do Museu de Astronomia e Ciências Afins, por exemplo, literalmente acamparam na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Crianças, jovens e adultos fizeram fila para aprender a extrair moléculas de DNA de um morango, ter lições de eletricidade e aprender um pouco sobre movimento e velocidade. No dia 23, centenas de pessoas fizeram uma viagem de trem entre a Central do Brasil e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, acompanhadas pelo astronauta brasileiro Marcos César Pontes.Enquanto isso, um grupo de estudantes percorria a Trilha Histórica no Instituto de Pesquisa Jardim Botânico, para conhecer desde os prédios históricos da época do Império até as coleções botânicas representativas dos ecossistemas brasileiros.

Futebol de robôs
No Recife, em Pernambuco, centenas de pessoas foram atraídas ao Marco Zero para ver a réplica do foguete Sonda II, construído numa proporção três vezes menor que o original, e conhecer robôs inteligentes feitos a partir de carcaças de eletroeletrônicos, entre outras novidades. A mostra contou com o apoio de 41 instituições entre universidades e fundações. No Acre, um seminário mostrou como a Ciência e Tecnologia pode auxiliar o agronegócio, e no Tocantins a semana foi dedicada ao estudo da matemática. No Amazonas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) mobilizou pesquisadores, professores e estudantes em atividades de educação indígena, por meio de seminários itinerantes em vários municípios ribeirinhos.

Bauru, em São Paulo, realizou a segunda competição internacional de futebol de robô, promovida pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers, dos Estados Unidos. Participaram do evento 26 equipes de quatro países. A equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) venceu todas as partidas que disputou, tornando-se campeã invicta da competição.

FAPESP.Indica
A FAPESP participou da coordenação da primeira Semana de Ciência e Tecnologia em São Paulo. “Pudemos medir a importância do evento nos diferentes núcleos e centros de pesquisa”, disse Carlos Vogt, presidente da Fundação.Em paralelo às atividades promovidas pelos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), a FAPESP lançou, no dia 18 de outubro, o FAPESP. Indica, um site sem equivalente no Brasil que deverá ajudar pesquisadores, gestores e outros interessados na consulta de informações para a produção e análise de indicadores de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). O site reúne sistemas de informação especializados nacionais e internacionais. O novo serviço abrange dezenas de países, divididos regionalmente ou em blocos, como a União Européia (UE) ou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Essa abrangência internacional representa um passo importante para a organização de um conjunto de informações relativas a outros países e cenários que permitirão uma visão mais crítica para o desenvolvimento do setor no Brasil”, diz Vogt.

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