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Convênio

Ruptura de padrões

Fapesp e Braskem vão investir R$ 50 milhões em polímeros verdes

EDUARDO CESARDa esquerda para a direita: Brito, Vogt, Goldman, Serra, Lafer e GrubisichEDUARDO CESAR

A FAPESP e a Braskem – a 11ª petroquímica mundial pelo critério do valor da empresa, depois da conclusão da aquisição da Ipiranga – firmaram convênio de cooperação para o desenvolvimento de pesquisas em biopolímeros. Os investimentos, de R$ 50 milhões ao longo de 5 anos, serão divididos entre os dois parceiros. O acordo é parte da estratégia da Fundação de apoiar pesquisas aplicadas desenvolvidas conjuntamente por empresas e institutos de pesquisa, no âmbito do Programa Pesquisa em Parceria para  Inovação Tecnológica (Pite).  “O objetivo é apoiar projetos de pesquisa exploratória com potencial de criar tecnologia de ruptura, na fronteira do conhecimento”, explicou o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, deixando claro não se tratar de inovações incrementais.

Para a Braskem, a parceria se alinha à estratégia da empresa de ampliar a sua competitividade por meio da adoção de novas tecnologias e da inovação. “Não podemos ter entraves por restrição tecnológica”, afirmou o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich. “Por isso, vamos investir em projetos de ruptura nas áreas de nanotecnologia e de biopolímeros”, completou.

A empresa tem 18 indústrias espalhadas pelo país e é pioneira na área de polímeros verdes. Em 2007 lançou o primeiro polietileno certificado que tem como matéria-prima o etanol de cana-de-açúcar. Além do etanol, a companhia desenvolve pesquisas na rota da biomassa que já resultaram no depósito de cinco patentes. “Investimos R$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e na instalação de modernos laboratórios de pesquisa”, enfatiza Grubisich. Essa tradição da empresa de investir em pesquisa “agilizou” a tramitação do convênio. “Quando a empresa tem pesquisa, é mais fácil porque ela sabe falar a linguagem da ciência e tecnologia”, comentou Brito.

O convênio foi assinado no dia 27 de fevereiro, na sede da Fundação, em cerimônia em que também estiveram presentes o governador José Serra; o secretário de Desenvolvimento e vice-governador, Alberto Goldman; o secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt; o presidente da FAPESP, Celso Lafer; o diretor-presidente da Fundação, Ricardo Brentani, entre outros. “Precisamos aumentar a vantagem do estado de São Paulo em nível internacional”, disse o governador. “Por isso o programa tem o aplauso do governo do estado.”

A primeira chamada pública, cujo prazo se encerra no dia 22 de abril, selecionará projetos relacionados a pesquisas em processos de síntese de intermediários, monômeros e polímeros a partir de matérias-primas renováveis (açúcares, etanol, biomassa, entre outras) e investigação das propriedades físico-químicas desses polímeros verdes que permitam sua utilização em diferentes aplicações. A seleção dos projetos será feita em duas fases. Na primeira, o Comitê Gestor da Cooperação, formado por representantes da FAPESP e da Braskem, vai analisar as propostas entregues e selecionar aquelas que, numa segunda fase, terão o seu mérito analisado de acordo com as normas usualmente adotadas pela Fundação.

Outros convênios
A Fundação já man­­tém convênios semelhantes com a Microsoft Research, Dedini, Padtec, Telefônica, Oxiteno, Digital Assets, Instituto Fleury, Imprimatur e Ouro Fino Saúde Animal. No dia 18 de fevereiro firmou parceria também com as empresas Ci&T Software e DigitalAssets, num total de R$ 3,6 milhões – também divididos entre a FAPESP e as duas empresas – destinados a apoiar pesquisas aplicadas nas áreas de tecnologia da informação, engenharia de softwares, psicologia e administração de empresas. O prazo para o en­­­­caminhamento das propostas se encerra no dia 14 de abril. A chamada pública abrange algumas linhas de pesquisa, como tecnologia, padrões e frameworks emergentes em web 2.0, usabilidade de aplicações web, reúso de softwares, entre outras. Mais informações: www.fapesp.br

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