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Medicina

Por que a peste é tão letal

ANTOINE-JEAN GROS (1804)/MUSEU DO LOUVRE Napoleão visita soldados com a peste na SíriaANTOINE-JEAN GROS (1804)/MUSEU DO LOUVRE

Nada apavorou mais a humanidade na Idade Média do que a peste negra ou bubônica, infecção causada por uma bactéria que surgiu na Ásia e no século XIII se disseminou pelo norte da África e pela Europa, matando, entre reis e plebeus, milhões de pessoas. Transmitida pela picada de uma pulga de roedores, a bactéria Yersinia pestis se aloja nos vasos do sistema linfático, onde se multiplica e debilita o sistema de defesa. A infecção causa inchaço dos gânglios, febre alta, dor e vômitos. Também pode atingir os pulmões ou se espalhar pelo sangue. Agora a equipe de Robert Brubaker, da Universidade de Chicago, Estados Unidos, acredita ter descoberto por que a Yersinia pestis é tão mais agressiva do que a espécie que a originou há 20 mil anos, a Yersinia pseudotuberculosis. Comparando o material genético delas, o grupo constatou que a Y. pestis tem uma alteração genética que a impede de produzir a enzima aspartase, ausente em outras bactérias patológicas (Microbiology). Sem aspartase, a bactéria não digere o aminoácido ácido aspártico, que é liberado no organismo humano provocando um desequilíbrio químico. “Se isso de fato acontece, talvez sejamos capazes de diminuir a mortalidade dessas infecções com uma terapia que remova o excesso de ácido aspártico”, disse Brubaker.

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