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fcw 2011

Honra ao mérito: 10 anos do Prêmio FCW

Fundação Conrado Wessel completa 10 anos de prêmios aos melhores em arte, ciência e cultura

acervo fcw

Conrado Wessel aos 80 anos, em São Paulo: perseverança recompensadaacervo fcw

Entre 1919 e 1920, em São Paulo, a professora Júlia Teani abriu uma escola para crianças da Barra Funda, na rua Lopes de Oliveira, 198. No início, tudo correu bem. Mas em pouco tempo problemas de inadimplência levaram ao seu fechamento. A casa ficou vazia até ser comprada em 13 de julho de 1921 por Guilherme Wessel, pai de Ubaldo Conrado Wessel. O objetivo era instalar ali a Fábrica Privilegiada de Papéis Fotográficos Wessel, a primeira do gênero na América do Sul. Quase 90 anos depois o que era um empreendimento modesto deu lugar a uma entidade responsável pelos maiores prêmios à arte, à ciência e à cultura do Brasil. Em 2012, a Fundação Conrado Wessel (FCW) completa 10 anos premiando o mérito.

A trajetória de Conrado Wessel foi cheia de acidentes e obstáculos, muitas vezes só removidos depois de muito trabalho e talento. Nos primórdios da fábrica, para emulsionar papel com a fórmula de patente do papel de seu filho, Guilherme comprou os equipamentos necessários “do dr. Picarollo, professor de filosofia na Escola Normal, hoje Caetano de Campos”, segundo os escritos deixados por Conrado. Curiosamente, Antonio Picarollo tinha importado tais equipamentos para o filho mais velho, ex-estudante de fotoquímica em Milão, que havia tentado também emulsionar e fabricar papel fotográfico, sem sucesso.

A primeira tentativa que Conrado fez não deu certo e ele pensou em desistir, tal qual o filho de Picarollo, por não conseguir resolver o problema das bolhas que se formavam sobre o papel fotográfico quando este recebia o banho de emulsão. Certo dia foi tratar de clichês numa fábrica de linhas e viu a máquina de gomar rótulos que o atendente tinha sobre a mesa na recepção. A maquininha tinha um cilindro e um reservatório de cola que banhava o cilindro a cada giro para umedecer o rótulo.

Conrado viu ali uma solução. Desenhou um croqui do aparelhinho e mandou fazer outro aparelho maior. Em lugar de banho de cola, o dispositivo desenhado por ele dava banho da emulsão que ele patenteara para transformar o papel em papel fotográfico. Acertou em cheio – e assim resolveu o banho do papel sem bolhas. A pequena fábrica cresceu e foi preciso construir uma nova, no bairro de Santo Amaro, com uma produção que tomou conta do mercado nacional. Valeram os 16 anos de pesquisa removendo obstáculos e os 35 de produção.

Hoje a FCW ocupa lugar proeminente no meio acadêmico ao dar por mérito, depois de analisar as indicações, os Prêmios FCW de Arte, Ciência e Cultura. A fundação foi criada com um patrimônio de potencial relativo, alavancou seu crescimento a mais de 530%, a partir do ano 2000, quando tomaram posse os novos administradores. Esse crescimento, fruto do empenho tanto do Conselho Curador quanto da diretoria da fundação, responde pe-lo rol de numerosas ações filantrópicas e acadêmicas, que se dividem em doações e incentivo à arte, à ciência e à cultura.

As doações são anuais e provêm de resultados financeiros obtidos com aluguéis de imóveis legados por Conrado Wessel. Dividem-se os resultados líquidos desse conjunto de imóveis por cotas distribuídas entre seis entidades. Dessas, o filantropo designou cinco em testamento e uma cota é distribuída na forma de grandes cestas natalinas para outras entidades escolhidas em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo.

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar paulista, uma das escolhidas por Wessel, utiliza a doação anual para reciclar seus profissionais no exterior. Já foram patrocinados pela FCW 359 bombeiros, que assistiram a reuniões e participaram de treinamento especial em países da Europa, nos Estados Unidos, Canadá, México, Austrália, China e Coreia do Sul.

As outras quatro entidades designadas pelo inventor são a Promoção Social do Exército de Salvação, as Aldeias Infantis SOS do Brasil, a Fundação Antonio Prudente e a Associação Benjamin Constant, que mantém colégio do mesmo nome, onde Wessel estudou. Todas recebem uma cota anual de doação. O montante já ultrapassou a casa dos R$ 10 milhões nos últimos 10 anos (ver quadro ao lado). Já as entidades escolhidas juntamente com o Ministério Público somam, a partir de 2005, 18.698 famílias, numa progressão de mais de 2.700 a cada ano.

O principal objetivo da FCW é incentivar a arte, a ciência e a cultura. Essa meta é alcançada com resultados financeiros, obtidos pela atual administração com a realização de empreendimentos em terrenos legados por Wessel. Anualmente o resultado deles se converte nos Prêmios FCW (já foram outorgados 83 deles), Prêmio Almirante Álvaro Alberto (6 outorgados), bolsas Grandes Teses Capes (18), revistas científicas da ABC, da Marinha e do DCTA, edição de livros de estudos estratégicos e outros de apoio às entidades parceiras e eventos diversos. Desde 2004 a revista Pesquisa FAPESP produz anualmente o suplemento especial Prêmio FCW em parceria com a fundação.
A presente edição é a oitava.

Esse conjunto de prêmios, bolsas e publicações representa um total superior a R$ 14 milhões, equivalente a US$ 7,5 milhões. É o maior volume de investimento privado em ciência, cultura e arte no Brasil (ver quadro ao lado).

Todas essas realizações são consideradas importantes pela fundação. Porém, independentemente de conseguir efetivá-las, a gestão patrimonial da FCW consolidou e expandiu seu patrimônio. A atual administração, ao assumir a fundação em 2000, encontrou um patrimônio que representava 18.727 metros quadrados de área construída. Gradativamente, esse patrimônio foi dinamizado com novas aquisições em áreas de melhor retorno, com ampliações e construção de novas unidades. Doze anos depois foram agregados aproximadamente 50% mais de metros quadrados em área construída, sem contar os projetos já em execução, ampliando mais ainda o patrimônio, que hoje está duplicado.

Assim o ideal filantrópico e a perspectiva científica que visavam à criação da fundação, como instrumento de progresso para o país, materializaram-se. Hoje é consenso no meio acadêmico nacional que a FCW é sinônimo de patrocínio à arte, à ciência e à cultura.

A presente edição comemora esse sucesso em 68 páginas. Traz os perfis dos ganhadores de 2011, Jorge Elias Kalil Filho, em Ciência, Miguel Srougi, em Medicina, e Paulo Vanzolini, em Cultura (página 16). Como parte das comemorações pelos 10 anos da premiação, todos os que já foram laureados nos anos anteriores são lembrados (página 10). E as fotos vencedoras são novamente mostradas aqui (página 34). Por fim, o pianista e professor Arnaldo Cohen ganha destaque tanto pela parceria constante com a FCW como pelos 40 anos de carreira comemorados em 2012, sempre em prol da música e do ensino (página 8).

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