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História

As sociedades antigas e as doenças raras

Walters Art Museum Estatueta de anão, feita em marfim de hipopótamo entre os anos 2200 e 2150 antes de CristoWalters Art Museum

Nem sempre as sociedades antigas maltratavam pessoas com deformidades e doenças raras. Em várias delas, esses indivíduos parecem ter desfrutado de apoio social e cuidados especiais. Em alguns casos, eram até sepultados com a elite local. Exemplos de tratamento cuidadoso dispensado no passado a pessoas com doenças raras foram apresentados entre 27 de fevereiro e 1º de março no 1º Workshop sobre Doenças Raras na Antiguidade, realizado em Berlim, Alemanha. Escavando nos Andes peruanos, a antropóloga física J. Marla Toyne, da Universidade da Flórida Central, Estados Unidos, encontrou recentemente o corpo mumificado de 800 anos de um homem do povo Chachapoya que apresentava perda óssea importante e a coluna vertebral colapsada, possivelmente decorrente de uma leucemia de células T, um câncer raro e agressivo. Segundo Toyne, o indivíduo tinha ossos frágeis, provavelmente sofria de dores nas articulações e não devia conseguir caminhar muito. Ele foi sepultado em uma tumba da elite local. “A comunidade devia estar ciente do seu sofrimento e muito provavelmente teve de fazer adaptações para cuidar dele”, disse a pesquisadora à revista Science. Anna Pieri, bioarqueóloga independente de Livorno, Itália, recentemente identificou um homem e uma mulher com nanismo que viveram há 4.900 anos em Hierakonpolis, uma capital religiosa e política do antigo Egito, e foram enterrados em tumbas da realeza. Análises de raios X levaram Pieri a sugerir que ambos sofriam de pseudoacondroplasia, que prejudica o crescimento dos ossos. Documentos e objetos indicam que, no Egito antigo, pessoas com nanismo eram consideradas especiais, pois se pensava que teriam uma conexão com o divino. Os organizadores do evento trabalham para criar uma base de dados para compartilhar os casos.

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