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Arqueologia

Vestígios antigos de uso de psicoativos na Bolívia

Cueva del Chileno na Bolívia, onde foi achada bolsa com alucinógenos

Juan V. Albarracin e Jordan M. Capriles

Juan V. Albarracin e Jordan M. Capriles Bolsa com alucinógenos achada na BolíviaJuan V. Albarracin e Jordan M. Capriles

Uma equipe internacional de antropólogos e bioarqueólogos identificou traços de substâncias alucinógenas em uma bolsa de couro de cerca de mil anos encontrada nos Andes bolivianos. A descoberta ocorreu quando os pesquisadores procuravam registros de ocupações antigas em abrigos próximos ao vale seco do rio Sora, na região de Sur Lípez, na Bolívia. Durante os trabalhos, coordenados pela arqueóloga Melanie Miller, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, encontraram uma sacola de couro com tábuas de madeira entalhada, tubo de aspiração, espátulas, tecido colorido e fragmentos de hastes de plantas secas unidas por cordões de lã. Os pesquisadores também acharam uma bolsa de pele animal com idade entre 905 e 1.170 anos. As análises revelaram a presença de compostos psicoativos, como cocaína, bufotenina, psilocina, harmina e dimetiltriptamina – os dois últimos contidos na ayahuasca, feita da folha de um arbusto e a casca de um cipó (PNAS, 6 de maio). A suspeita é de que a bolsa fosse usada por xamãs na condução de rituais locais. Eles agiriam como intermediários entre o mundo natural e o sobrenatural, atingindo estados alterados de consciência para conectar pessoas vivas com deidades e ancestrais que se pensava existir. Segundo os pesquisadores, é possível que o xamã que possuía a bolsa tenha consumido várias plantas diferentes simultaneamente, de modo a produzir efeitos diferentes ou estender suas alucinações.

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