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Meio Ambiente

Efeito das mudanças climáticas sobre a Amazônia

Árvore morta durante a seca de 2005 na Amazônia

Nasa / JPL / Caltech

As mudanças climáticas podem se tornar a principal ameaça à floresta amazônica nas próximas décadas, contribuindo para um declínio significativo da diversidade de árvores na região até 2050. A conclusão resulta de simulações computacionais feitas por pesquisadores brasileiros e holandeses. Eles analisaram o impacto do desmatamento e o das mudanças climáticas – primeiro, cada um em separado, depois, ambos somados – sobre 10.071 espécies de árvores da Amazônia. Em seguida, projetaram os resultados com base em diferentes possíveis cenários. Em artigo, cujo primeiro autor é Vitor Hugo Gomes, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o grupo estima que o desmatamento possa reduzir entre 19% e 36% a diversidade de árvores nas próximas décadas, e as mudanças climáticas, entre 31% e 37%. Dois fatores explicariam o declínio no segundo cenário: a desaceleração do ritmo de crescimento de algumas espécies e o aumento na mortalidade de outras – ambos decorrentes da intensificação das secas, do aumento das temperaturas e da elevação de níveis de gás carbônico na atmosfera. No pior cenário, os dois fenômenos poderiam causar um declínio de até 58% na riqueza de árvores amazônicas (Nature Climate Change, 24 de junho). Muitas espécies perderiam até 65% de sua área original e 53% entrariam para a lista de ameaçadas de extinção. Na borda oriental da Amazônia, onde a fronteira agrícola avança sobre a floresta, 95% das espécies poderiam desaparecer até 2050.

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