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Fisiologia

O papel omitido de Jean Purdy na fertilização in vitro

Central Press / Getty Images Em laboratório na Universidade de Cambridge, Purdy entrega, em fevereiro de 1968, recipiente com óvulos fecundados in vitro a Robert EdwardsCentral Press / Getty Images

A enfermeira e embriologista britânica Jean Purdy contribuiu de modo decisivo, em meados da década de 1970, para o desenvolvimento da técnica de fertilização humana in vitro, na qual os óvulos são fecundados fora do corpo da mulher e depois implantados em seu útero. Essa afirmação está nas cartas de um dos criadores da técnica, o fisiologista britânico Robert Geoffrey Edwards (1925-2013), abertas para o acesso público em junho deste ano. A correspondência estava nos arquivos da Universidade de Cambridge, Reino Unido, onde Edwards foi professor, informa o site da instituição. Nas cartas, o fisiologista afirma que Purdy havia se unido à equipe em 1968 e que teria contribuído tanto quanto ele e o ginecologista Patrick Christopher Steptoe (1913-1988) para o desenvolvimento da técnica de fertilização in vitro. Edwards trocou correspondência com a Agência de Saúde de Oldham, na região de Manchester, noroeste da Inglaterra. Na época, a agência preparava a inauguração de uma placa para registrar o nascimento na cidade, em julho 1978, de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo. Os nomes de Steptoe e Edwards constaram na placa, instalada no hospital Kershaw’s Cottage. O de Purdy, no entanto, foi omitido, apesar dos apelos de Edwards. Purdy morreu de câncer em 1985, aos 39 anos de idade. Edwards foi laureado com o Nobel de Medicina ou Fisiologia em 2010, aos 85 anos. Steptoe não foi premiado porque já havia falecido, em 1988. Em 2015, a Real Sociedade Britânica de Biologia substituiu a antiga placa por outra com o nome dos três pesquisadores. Calcula-se que 6 milhões de bebês tenham sido gerados no mundo por meio dessa técnica.

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