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boas práticas

Astrofísica é demitida por assédio moral

O Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique (ETHZ) demitiu a astrofísica nascida na Itália Marcella Carollo, que desde 2017 enfrentava acusações de assédio moral contra estudantes de doutorado. É a primeira vez em 164 anos de história que a instituição despede um professor titular. Testemunhos de uma dezena de alunos e ex-alunos da astrofísica relataram episódios de humilhação e pressão emocional praticados por Carollo, entre os quais a exigência de que trabalhassem nos finais de semana, estivessem disponíveis para reuniões noturnas e publicassem um número elevado de artigos científicos – como resultado, um terço de seus alunos não conseguiu se formar. Uma investigação independente convocada pelo ETHZ concluiu que se tratava mesmo de um caso de assédio e recomendou sua demissão.

A astrofísica nega a prática de bullying, argumenta que a pressão é natural em uma instituição de pesquisa de classe mundial e acusou o ETHZ de discriminação de gênero, uma vez que a maioria de seus colegas é do sexo masculino. Especialista em formação e evolução de galáxias, a pesquisadora foi uma das fundadoras, em 2002, do Instituto de Astrofísica do ETHZ, que acabou dissolvido em 2017 quando as primeiras denúncias surgiram. A universidade suíça reconheceu que seus procedimentos para prevenir o assédio moral falharam e se comprometeu em promover mudanças para evitar que casos desse tipo se repitam, como a expansão de sua ouvidoria e a garantia de que os novos doutorandos tenham pelo menos dois orientadores.

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