Imprimir PDF

Paleontologia

Um tuatara fóssil no Rio Grande do Sul

Ilustração: Jorge Blanco | Foto: Randall Nydam Ilustração de Clevosaurus hadroprodon, o mais antigo tuatara do hemisfério Sul, e o fóssil achado em CandeláriaIlustração: Jorge Blanco | Foto: Randall Nydam

O mais antigo exemplar de esfenodonte do hemisfério Sul foi encontrado no município de Candelária, na região central do Rio Grande do Sul (Scientific Reports, 14 de agosto). Esse réptil, conhecido como tuatara, forma um grupo irmão dos lagartos, serpentes e anfisbenas (cobras-cegas). A partir do estudo dos dentes fossilizados da pré-maxila e da mandíbula encontradas em rochas da formação geológica Santa Maria, paleontólogos do Brasil, da Argentina, dos Estados Unidos e do Canadá descreveram a nova espécie de esfenodonte, Clevosaurus hadroprodon, que teria vivido no período Triássico, entre 237 milhões e 228 milhões de anos atrás. Seu nome científico faz referência à presença de um dente grande e proeminente, semelhante a um canino, característica não presente em outras espécies desse gênero. Essa é a segunda espécie de esfenodonte achada naquela região gaúcha. A primeira foi Clevosaurus brasiliensis, cujos vestígios foram retirados da formação Caturrita, um pouco mais nova do que a Santa Maria. “C. hadroprodon era um animal pequeno, de tamanho semelhante ao de uma lagartixa doméstica”, comenta a paleontóloga Annie Schmaltz Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, coordenadora do grupo que estudou o fóssil. Muito parecido com os lagartos, os esfenodontes praticamente se extinguiram. Hoje existe apenas uma espécie viva, Sphenodon punctatus, encontrada na Nova Zelândia. Os esfenodontes teriam três olhos, incluindo um pequeno olho parietal no centro da testa,  recoberto por escamas e que não registraria imagens, mas seria sensível à luz.

Republicar