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Educação

Análise crítica da psiquiatria

A alegria de passar na residência médica de psiquiatria talvez seja comparável, em intensidade, ao desespero sentido pelo residente quando se dá conta da quantidade de informação que o espera. E pior: terá apenas dois anos para absorver tudo. “É difícil entender como uma das especialidades que mais cresce com a medicina pode ser assimilada em tão curto período de tempo”, dizem os autores do artigo “Residência em psiquiatria no Brasil: análise crítica”, Bruno Coêlho, Marcus Zanetti e Francisco Lotufo Neto, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). “A psiquiatria evoluiu muito nas últimas décadas e seu estudo tornou-se, conseqüentemente, mais complexo”, explica o estudo. “Os avanços em neurociências, aliados aos estudos clássicos de psicopatologia, psicofarmacologia, psicoterapia e neurologia, influenciaram grandemente o diagnóstico e o tratamento psiquiátricos. Apesar disso, a residência em psiquiatria no Brasil não se adequou a essa nova realidade”, apontam os pesquisadores. Partindo das recomendações da World Psychiatry Association (WPA), o artigo compara diversos programas de residências brasileiros com de países das Américas e Europa. A idéia foi propor um currículo mínimo para a residência em psiquiatria no Brasil. Segundo o estudo, alguns pontos se destacam na maioria dos programas pesquisados. Entre eles: duração mínima de três anos, estágio integral em neurologia por no mínimo um mês, ensino e prática das diversas linhas psicoterápicas e abrangência das várias etapas da vida (crianças, adultos e idosos). “Porém, o modelo brasileiro de residência em psiquiatria encontra-se defasado em relação à formação proposta pela WPA. A residência necessita, respeitando as diferenças regionais de cada escola, prover o mínimo para uma boa formação do psiquiatra”, citam os autores. Levando em consideração as atuais limitações do modelo pedagógico e curricular, o artigo propõe uma reestruturação dos programas de residência médica em psiquiatria no Brasil, a começar pelo tempo de formação mínimo exigido. “A especialização é fruto do desenvolvimento, mas, como o paciente é um todo, é necessária a integração. Para isso, é preciso tempo.”

Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul vol. 27 – Nº 1 – Porto Alegre – jan./abr. 2005

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