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BOAS PRÁTICAS

China enfrenta dificuldades com novo sistema de avaliação de produção científica

Governo quer se distanciar de métricas internacionais, mas ainda não esclareceu como e quando essa mudança será feita

A China ainda não conseguiu dissociar seu sistema de avaliação científica das principais métricas internacionais, apesar de o governo já ter feito várias sinalizações nesse sentido. Desde os anos 1990 os pesquisadores chineses são encorajados a publicar em periódicos indexados no Science Citation Index (SCI), índice de citação da Thomson Reuters. Essa política ajudou a transformar o país asiático em uma potência em termos de produção de conhecimento.

Em 2020, no entanto, a orientação passou a ser para que as universidades dessem menos importância às métricas do SCI e priorizassem estudos localmente relevantes. Há sinais de que a estratégia não decolou. Com a pandemia, os cientistas chineses continuaram dando preferência às revistas ocidentais para divulgar suas descobertas sobre as dinâmicas e os mecanismos de transmissão do novo coronavírus. Os ministérios chineses de Ciência e Tecnologia e da Educação divulgaram então um documento sinalizando a criação de um novo sistema de avaliação, capaz de estimular a produção científica local e sua publicação em revistas nacionais – e, indiretamente, diminuir a incidência de casos de má conduta e retrações impulsionadas pela pressão para publicar.

O documento foi encaminhado aos departamentos de Ciência e Tecnologia das províncias, que ficaram responsáveis por implementar o novo sistema. No entanto, conforme verificou um grupo de pesquisadores liderado por Fei Shu, da Universidade de Hangzhou Dianzi, o comunicado não esclarece quando a mudança ocorrerá, tampouco como funcionará o novo sistema.

“As universidades e institutos de pesquisa chineses precisam receber um sinal claro e consistente de que a reforma levará em conta a complexidade dessa mudança e os impactos que ela pode ter”, escreveram os pesquisadores em artigo publicado em abril na revista Minerva. Em entrevista à revista Times Higher Education, Shu destacou que dificilmente o atual sistema sofrerá modificações profundas nos próximos anos, uma vez que ele está bastante enraizado na dinâmica de avaliação científica da China.

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