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Geologia

IGc-USP lança livro em português sobre microssonda eletrônica

Obra aborda histórico e divulgação de técnica de identificação de elementos químicos no Brasil

Léo RamosEstudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas das ciências da terra têm agora à disposição uma nova fonte de pesquisa relacionada à microssonda eletrônica, equipamento capaz de identificar elementos químicos, e suas possíveis aplicações na mineralogia, petrologia, geoquímica e geocronologia. Escrito pelo geólogo Celso de Barros Gomes, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), lançado e editado pela Edusp, o livro A microssonda eletrônica na geologia pretende ser uma opção em português sobre a técnica, e, assim, auxiliar no desenvolvimento de pesquisas no campo da geologia no Brasil. Até agora, todas as obras de referência disponíveis eram em outro idioma.

A microssonda eletrônica é um instrumento de pesquisa versátil, capaz de identificar de forma rápida elementos químicos em minerais. Saber se um mineral de rocha tem cálcio, ferro ou algum tipo de terra-rara, por exemplo, é importante para conhecer melhor a natureza geológica de determinado lugar ou até mesmo para identificar materiais de valor para a mineração. O equipamento ficou conhecido entre geólogos quando foi usado na análise de rochas lunares trazidas por astronautas das missões Apollo entre os anos de 1969 e 1972.

“Apesar de sua importância na determinação da composição química de amostras de minerais, não havia até agora textos em português que pudessem auxiliar estudantes de graduação e pós-graduação interessados na realização de pesquisas de caracterização química de minerais de rocha”, explica Gomes, professor emérito do IGc-USP, que implantou e dirigiu o Laboratório de Microssonda Eletrônica do instituto, além de ser responsável pela compra de três outras versões desse equipamento em 1971, 1992 e 2012. Em 2013, uma nova versão da microssonda começou a funcionar em um prédio construído no próprio IGc-USP.

A nova versão, ele explica, conta com cinco espectrômetros de raios X, que fazem análises dos elementos químicos no mineral por meio da leitura do comprimento de onda gerado pelo canhão de feixes de elétrons no momento em que ele atinge a amostra. O resultado é uma radiação em raios X, com o comprimento de onda específico irradiado pela matéria analisada que é captada por um cristal dentro da microssonda (ver Pesquisa FAPESP nº 203). “O uso da microssonda está crescendo em universidades públicas de todo o país”, diz. “Observamos uma demanda por uma obra de referência que ajudasse estudantes a terem um primeiro contato com a técnica.”

O livro trata do histórico e da divulgação da microssonda eletrônica no mercado brasileiro, discute os princípios básicos da técnica, a preparação do material analisado, a obtenção de imagens, além de exemplos de possíveis aplicações da técnica em problemas mineralógicos, cristaloquímicos e geocronológicos.

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