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Política C&T

Íntegra do discurso do Prof. Carlos Henrique de Brito Cruz, Presidente do Conselho Superior da FAPESP

Esse é um momento especial na história da FAPESP. Pela primeira vez é posto em marcha, pela Fundação, por aprovação de seu Conselho Superior, um programa voltado especificamente a projetos de pesquisa em empresas. Hoje assinaremos os primeiros trinta contratos de financiamento dentro desse programa, que já é um programa permanente da Fundação, no valor total de um milhão e trezentos mil reais.

Esse programa, bem como vários outros que a FAPESP mantém, é possível porque a FAPESP tem sido criteriosa na gestão dos recursos públicos que administra. Mas especialmente porque o Estado de São Paulo, na figura do sr. Governador, tem apoiado a FAPESP sistematicamente, dentro do preceito constitucional. Permita-me elogiá-lo, sr. Governador, citando um clássico que é de seu conhecimento. Há algumas semanas, na inauguração do Laboratório de Luz Síncrotron, em Campinas, o sr. Governador impressionou a todos os acadêmicos presentes citando Francis Bacon, para justificar a importância da busca do conhecimento.

Pois o mesmo Francis Bacon foi quem afirmou que “nenhuma ação dignifica melhor o bom governo do que o apoio decidido à geração do conhecimento”, que é exatamente o que o Governo do Estado de São Paulo tem feito, com especial atenção, mesmo nos momentos mais difíceis.

Em segundo lugar, sr. Governador, esse programa é necessário. Necessário para estimular a cultura de Pesquisa e Desenvolvimento na empresa, em São Paulo. Ao contrário do que muitos pensam, a inovação tecnológica nasce na empresa, não na universidade. Adam Smith já observava isso, em A Riqueza das Nações. E mais recentemente, estudos cuidadosos feitos pela National Science Fundation demostram que nove entre dez inovações tecnológicas de produtos ou processos nascem na empresa. Por isso é essencial para a competitividade da empresa paulista e brasileira o uso de mais cientistas e engenheiros em suas atividades de Pesquisa e Desenvolvimento. Neste espírito, duas coisas esse programa da FAPESP exigiu das pequenas empresas candidatas: um bom projeto e um líder do projeto que fosse membro da empresa ou a ela dedicado em tempo integral.

São trinta projetos de excelente nível, analisados cuidadosamente e aprovados por uma comissão composta por: Roberto Waack, presidente da ANPEI; Jorge Fazenda, consultor, e pelo professor Alcir Monticelli, ex-membro do Conselho Superior da FAPESP, um dos idealizadores desse programa de apoio à pesquisa na pequena empresa.

Com esses trinta projetos, sr. Governador, a FAPESP ultrapassa de longe a meta inicialmente estabelecida de vinte projetos nesta primeira rodada. A qualidade verificada nesses trinta justificou esta ampliação. Para a fase I, que envolve o estudo de viabilidade, estamos contratando hoje R$ 1,3 milhão. Sendo selecionados para a segunda fase, aquela da realização dos projetos, o investimento chegará a mais de R$ 8 milhões, nesses trinta projetos. Para um programa novo dessa natureza, a FAPESP adotou políticas flexíveis e está financiando oito bolsistas em empresas, como parte dos recursos aprovados.

Note, sr. Governador, que não por acaso há uma distribuição de projetos com concentração nas cidades de Campinas, São Carlos e São José dos Campos: 50% dos projetos aprovados estão nessas localidades. Justamente onde há instituições de ensino superior públicas de excelente nível, a USP, a UNICAMP e o ITA. Muitas dessas empresas que aqui estão hoje contratando projetos, nasceram dessas instituições.

Finalmente, sr. Governador, destaco que o programa continua em andamento. Para a segunda rodada recebemos cinqüenta projetos, que estão sendo analisados. Esse número, mais a qualidade observada na primeira rodada, criam um otimismo muito grande com relação ao programa e seus efeitos. A FAPESP já tem outros 25 projetos contratados na linha de Desenvolvimento Tecnológico em Parceria entre Universidade e Empresa.

São, portanto, 55 projetos contratados envolvendo o apoio da FAPESP e, portanto, do Governo do Estado de São Paulo, ao desenvolvimento tecnológico e à competitividade da empresa paulista. Este é um marco na história dessa Fundação em seu objetivo constitucional de apoiar a pesquisa para o desenvolvimento científico e tecnológico e, portanto, seguindo Bacon e Smith, desenvolvimento econômico e social do Estado de São Paulo.

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