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Resenhas

Renovação da vida em foco


Biodiversidade em questão | Henrique Lins de Barros | Editoras Claro Enigma e Fiocruz, 96 páginas, R$ 24,00

Nos aquários que mantém junto à janela de sua sala de trabalho, Henrique Lins de Barros observa a sucessão da vida em amostras de água de lagoas costeiras do Rio de Janeiro. “Ali vemos como a vida se adapta a condições extremas e como as populações de microrganismos vão se alterando”, conta o biofísico, que de vez em quando vê surgir minúsculos camarões visíveis a olho nu.

Esses ecossistemas em miniatura são, para ele, um exemplo cotidiano do mote que percorre Biodiversidade em questão: a vida não se dá por vencida. Mesmo diante de erupções vulcânicas, mudanças drásticas no clima e altos níveis de poluição como detecta nos corpos d’água que estuda, ela renasce e se diversifica. E é exatamente essa vida, que surgiu há 4 bilhões de anos e se tornou cada vez mais complexa, que garante uma certa estabilidade climática num planeta com a água líquida e o oxigênio necessários à diversificação e perpetuação da própria vida.

Estabilidade que foi abalada algumas vezes nesses últimos bilhões de anos, sempre causando ondas dramáticas de extinção seguidas por explosões de diversidade. O que caracteriza a grande extinção da era presente, porém, é ser a primeira causada por um organismo: o ser humano.

O autor, pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, contribui com seu mais recente livro, de texto saboroso e envolvente, para que o espanto diante da biodiversidade – que levou europeus a destruírem o que podiam durante as grandes descobertas, na tentativa de domar o desconhecido – agora ajude a salvá-la. Neste momento de Rio+20, repassar a história e entender a biologia pode contribuir para direcionar estratégias econômicas. Que não visem o lucro imediato, mas a permanência dos recursos naturais de que o próprio Homo sapiens depende.

Biodiversidade em questão é uma publicação das editoras Fiocruz, da Fundação Oswaldo Cruz, e Claro Enigma, o selo de livros paradidáticos da Companhia das Letras.

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