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Memória

Sucesso calculado

Instituto de Física Teórica completa 50 anos

O Instituto de Física Teórica (IFT) surgiu há 50 anos em São Paulo em um momento histórico ideal. Com o fim da Segunda Grande Guerra(1939-1945), a política científica e tecnológica recebeu um impulso sem precedentes nos anos que se seguiram. Do final da década de 1940 até a de 60, o mundo viu nascer dezenas de novos institutos de pesquisa, centros de estudos, associações e fundações interessadas em abrir novas fronteiras do conhecimento.

O Brasil não fugiu à regra. Além do IFT – criado em 1951 por um grupo liderado pelo engenheiro civil José Hugo Leal Ferreira com o apoio de militares como Henrique Teixeira Lott -, antes já havia surgido a Sociedade Brasileira parao Progresso da Ciência (1948), o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (1949),o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1951)e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (1951).

Sem contar que em 1947 foi inserido na Constituição do Estado de São Paulo um artigo assegurando dotação anual de 0,5% das receitas tributárias estaduais para uma futura fundação destinada a financiar pesquisa científica, que viria a ser a FAPESP. Eram tempos propícios para a montagem de estruturas adequadas ao salto que a ciência brasileira daria nas décadas subseqüentes.

Embora fundado em março de 1951, o IFT começou a funcionar efetivamente em 14 junho de 1952, como fundação de direito privado. José Hugo Leal Ferreira pensava em dar todas as condições aos cientistas para estudar física teóricae treinar pesquisadores, sem as dificuldades burocráticas tão comuns nas universidades brasileiras. O modelo adotado foi o do Instituto de Física Max Planck, de Göttingen, Alemanha, que cedeu o físico Carl Friedrich von Weizsächer e os pesquisadores Wilhelm Macke e Reinhard Oehme. Quando partiram, em 1954, foram substituídos por Gert Molière, Werner Güttinger e Hans Joos, que ficaram até 1957.  A partir de 1958, o instituto entrou na fase japonesa.

Vieram para São Paulo Mituo Taketani, da Universidade de Rikko, e Yasuhisa Katayama, da Universidade de Tóquio. Dois anos depois, outros professores japoneses entraram em seus lugares. De acordo com os físicos Pedro Carlos de Oliveira e Lauro Tomio, estudiosos da história do IFT, a interação entre os especialistas estrangeiros e brasileiros propiciou a base para erigir um eficiente sistema de pesquisa.

Com os japoneses, especialmente, a colaboração possibilitou trabalhos como o modelo de partículas conhecido como Modelo São Paulo. Em 1962, um dos dois filhos de José  Hugo – ambos físicos -, Paulo Leal Ferreira, foi nomeado diretor científico. Era a primeira vez que um brasileiro assumia tal cargo. Com a crise financeira dos anos 80, a Fundação IFT fez um convênio com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que incorporou o quadro de professores e administrativo. A pós-graduação começou a funcionar em 1971 – 140 mestres e 79 doutores se formaram em todos os ramos da física teórica até 2000. Da fundação do IFT até 2000 foram publicados 986 artigos em revistas estrangeiras.

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