POLÍTICA C&T

Print Friendly

Escreva bem ou pereça

Cursos e serviços ajudam pesquisadores a redigir um bom trabalho científico

FABRÍCIO MARQUES | ED. 182 | ABRIL 2011

 

Pressionados a produzir conhecimento e a publicá-lo em revistas especializadas, os pesquisadores brasileiros são continuamente desafiados a demonstrar uma habilidade que vai além do talento científico: a capacidade de escrever de forma lógica e correta – e em inglês, que é a língua da ciência. A novidade é que está crescendo a oferta de serviços e iniciativas talhados para ajudar os pesquisadores nessa tarefa – na forma de workshops promovidos por especialistas, serviços de tradução e revisão e programas de computador capazes de dar forma a artigos científicos.

O exemplo que melhor representa essa tendência talvez seja o da empresa Publicase, que, além de oferecer serviços de tradução e revisão de artigos, também criou oficinas e cursos de treinamento para orientar pesquisadores interessados em colocar seus achados no papel. A empresa tem como sócias as biólogas Marcia Triunfol Elblink e Andrea Kaufmann-Zeh, que trabalharam como pesquisadoras no exterior e depois enveredaram para a comunicação científica. No início da década passada, atuaram como editoras, respectivamente, das revistas Science e Nature. A Publicase foi criada em 2007 e já prestou serviço a muitas instituições. Agora, com apoio da FAPESP, está promovendo uma série de workshops nas universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp).

Em seus cursos, um pequeno grupo de pesquisadores passa uma semana debruçado sobre a tarefa de escrever um artigo. “Trabalhamos com dois ou três alunos dedicados a cada paper. Começamos na segunda-feira e na sexta o artigo está escrito. Em geral são manuscritos que estavam na gaveta”, diz Andrea. O trabalho se dá em dois planos: na organização estratégica do texto e na correção do inglês. “Percebemos que a questão principal não tem a ver com o inglês, mas com a argumentação do artigo. Discutimos, então, como torná-lo interessante para buscar a publicação de mais alto impacto nos limites do seu conteúdo”, afirma. Um gargalo comum, segundo Andrea, remete a uma discussão existencial: qual, afinal, é a pergunta daquele paper? “Muita gente não consegue definir com clareza qual é a sua pergunta”, diz. “Nosso trabalho é resgatar e ressaltar a relevância das perguntas e dos resultados. Chamamos isso de marketing científico”, define. Nos workshops, de duração mais curta, a Publicase oferece uma coleção de dicas sobre, por exemplo, o formato adequado de cada tipo de artigo ou o modo de escolher a publicação com maior prestígio possível. Segundo Andrea, um paper com uma grande novidade permite sonhar com revistas de grande impacto. Mas se o passo dado pelo pesquisador, embora interessante, é pequeno, pode valer a pena escolher um formato enxuto. “A saída pode ser produzir o chamado short communication e colocar todo o foco no achado. Assim, fica mais fácil cativar o editor”, diz.

A máxima atribuída a Ernest Hemingway, segundo a qual um escritor deve “cortar todo o resto e ficar no essencial”, ajuda a prevenir acidentes na redação científica. Um pecado comum apontado pelas sócias da Publicase é o uso do que elas chamam de “frases suicidas” nos artigos. “É quando o autor resolve contar que outros artigos já chegaram à mesma conclusão. Se o editor concluir que não há novidade, vai se desinteressar”, diz Andrea. “É mais produtivo dizer qual é o forte daquele artigo. Por exemplo, que ele fez experiência com doentes e não com voluntários saudáveis como em artigos anteriores.” A farmacêutica-bioquímica Flávia Paina, que acaba de concluir o doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP, contratou a Publicase para verter ao inglês um artigo sobre os efeitos de dois antibióticos no sistema hematológico de ratos. As sugestões de mudança reduziram o tamanho do texto. “Recomendaram que eu retirasse referências sem relação direta com o meu achado. Não fiz a conta, mas tive a sensação de que o artigo ficou 30% mais curto”, afirma Flávia, que já submeteu o artigo a uma revista.

Outra dica está relacionada à carta ao editor, uma espécie de bilhete de apresentação anexado ao artigo. É comum, segundo Marcia Triunfol Elblink, que os autores tratem o bilhete de modo lacônico e burocrático. “É um erro, pois a carta pode ajudar a salvar um artigo da gaveta”, diz. “O autor pode ressaltar o resultado de sua pesquisa de forma mais coloquial e ousada do que fez no artigo”, afirma. A carta também pode evitar que o artigo caia nas mãos de um revisor preconceituoso. “O pesquisador pode pedir que o paper não seja enviado para avaliação de competidores ou desafetos, citando-os”, diz Marcia. Fabio Klamt, professor de bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ficou impressionado com a carta de apresentação que Marcia o ajudou a reescrever, num artigo que seu grupo publicou na revista Cancer. “O texto fez uma defesa poderosa do meu achado e o artigo foi aceito para publicação”, afirma. “Eu havia escrito: esse é o trabalho com seguinte título, muito obrigado. Ela sugeriu uma forma mais arrojada: seus leitores vão gostar do artigo porque ele diz o seguinte…” O artigo tratava do desenvolvimento de um marcador molecular para câncer de pulmão. O paper mais importante da carreira de Klamt, segundo sua avaliação, não é o da Cancer, mas um anterior publicado na Nature Cell Biology, resultado de um pós-doutorado que ele fez nos Estados Unidos. Daquela vez teve ajuda de sua supervisora norte-americana. Agora solicitou assessoria da Publicase.

O mercado de serviços para autores de artigos científicos cresce no mundo inteiro. Desde 2008, a Nature Publishing Group (NPG), editora que publica a revista Nature, disponibiliza um serviço de edição de papers. O NPG Language Editing é dividido em duas categorias. No serviço ouro, o texto é retrabalhado por dois editores especialistas no assunto e revisto por outros dois profissionais. No serviço prata, há um editor a menos no processo. A NPG não faz traduções – e deixa claro que o serviço não implica compromisso de aceitação do artigo pelas revistas da editora. Outro exemplo é a empresa norte-americana American Journal Experts (AJE), que reúne uma rede de doutores em vários campos do conhecimento. A AJE começou a operar em 2004 com ênfase na edição, tradução e revisão de artigos escritos por pesquisadores que não têm o inglês como língua nativa. Hoje presta serviços mais amplos, como a recomendação de periódicos talhados para cada tipo de artigo, e até uma simulação de peer review, na qual o paper é submetido a um especialista que tenta antecipar as críticas que o revisor poderá fazer. “Nossas recomendações permitem que o autor faça mudanças no manuscrito e aumente as chances de aceitação”, afirma Lisa Pautler, diretora da AJE. A empresa traduz manuscritos em seis idiomas, mas as traduções do português para o inglês são as mais requisitadas, segundo Lisa. “Os textos são traduzidos por um editor especialista na área e depois revistos por outro pesquisador que tem o inglês como língua nativa.” A Elsevier, uma das maiores editoras de livros e revistas científicas, com sede na Holanda, criou um programa internacional de workshops para editores de revistas científicas e também para autores de artigos, levado a vários países. “Os eventos fazem parte da parceria da Elsevier com as instituições de pesquisa clientes”, diz Ana Heredia, editora de publicações científicas da Elsevier no Brasil. Só no ano passado, promoveu esses workshops na Costa Rica, Panamá, Colômbia, Peru, Chile, Uruguai e Brasil.

Nas universidades norte-americanas é comum que os grupos de pesquisa sejam assessorados por especialistas em redação científica, que os ajudam a formatar artigos, refinar traduções, preparar figuras e organizar referências. Emilio Moran, diretor do Centro Antropológico para Treinamento e Pesquisa em Mudanças Ambientais Globais da Universidade de Indiana, conta que tem sido importante para a produtividade de seu grupo a ajuda de uma profissional incumbida inclusive de redigir a versão final de artigos científicos. “Ela ajuda em várias frentes, como a parte gramatical e a revisão do inglês, mas é comum que pegue o rascunho feito pelo pesquisador com suas ideias gerais e transforme num artigo científico”, diz Moran, que já chegou a compartilhar os serviços dessa redatora até com a Nobel de Economia de 2009 Elinor Ostrom, docente da Universidade de Indiana. “Quem produz muito acaba não tendo tempo para cuidar dos detalhes da preparação de um artigo.” Os serviços de apoio não eximem os pesquisadores de aprender a escrever. O próprio Moran leciona uma disciplina que exige dos alunos de pós-graduação, como trabalho final, a redação de um projeto de verdade a ser apresentado a agências de fomento.

Universidades norte-americanas vêm investindo em writing centers e escritórios de editoração, iniciativas que ajudam desde alunos de graduação interessados em desenvolver o talento da escrita até pesquisadores que buscam aumentar suas chances de publicação. “Entre as motivações, existe a preocupação de formar profissionais com maior autonomia para argumentar ideias num texto científico em inglês, que é inclusive o idioma nativo de muitos dos que recorrem aos serviços desses centros”, afirma Sonia Vasconcelos, pesquisadora do Programa de Educação, Gestão e Difusão em Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de uma tese de doutorado sobre a barreira do idioma na comunicação científica.

No Brasil esse tipo de iniciativa começa a vicejar, mas por ora se restringe ao problema mais premente, que são a tradução e a revisão do inglês. É o caso do Espaço da Escrita da Unicamp, escritório criado em 2006 para ajudar pesquisadores das áreas de humanidades e de engenharias a publicar trabalhos em outros idiomas. Um total de 1.007 trabalhos já foram traduzidos e revisados com a intermediação do escritório. “Havia o diagnóstico de que pesquisadores das áreas de física, química e medicina publicavam bastante no exterior e não precisavam de ajuda. Nosso foco eram as áreas com menor inserção internacional”, diz Alcir Pecora, professor de teoria literária da Unicamp e coordenador do Espaço da Escrita. O saldo do trabalho foi bastante positivo nas engenharias. A Faculdade de Engenharia de Alimentos responde por 23% dos artigos traduzidos, seguida pela Faculdade de Engenharia Agrícola, com 14%. Já no campo das humanidades e ciências sociais o resultado foi mais tímido. Usuária do Espaço da Escrita, a professora Antonia Bankoff, da Faculdade de Educação Física da Unicamp, elogia a agilidade nas traduções. “Consegui publicar mais e colocar uma quantidade maior de estudos em congressos internacionais”, afirma.
Os dois funcionários do escritório treinados para ajudar os pesquisadores a selecionar boas revistas só fazem essa tarefa por demanda. “Queríamos fazer mais, mas a avaliação da qualidade das traduções monopoliza o nosso tempo”, afirma Pecora. A Unicamp prepara reforços na estratégia de aperfeiçoar as habilidades de redação científica de pesquisadores. Nesse ano, vai oferecer novos workshops com a Publicase e um seminário com Carl Schwarz, diretor da editora Elsevier, para atingir estudantes de pós-graduação. “A intenção é ampliar as iniciativas para um público cada vez maior dentro da universidade”, diz Edgar de Decca, vice-reitor da Unicamp.

A USP prepara um programa abrangente para ajudar os pesquisadores a publicarem mais e melhor. Segundo Sueli Mara Soares Pinto Ferreira, diretora técnica do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi), a iniciativa terá, a princípio, duas frentes. Uma é a promoção, em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa, de sete workhops neste ano organizados pela Publicase. A segunda é a oferta de ferramentas computacionais capazes, por exemplo, de ajudar os pesquisadores a organizar a bibliografia de seu artigo e formatá-lo. No futuro, a USP vai adquirir softwares que auxiliem os editores de revistas científicas da universidade a detectar plágios, além de automatizar o fluxo editorial e gerar estatísticas de acesso e download. Também deverá oferecer serviços de tradução e revisão gramatical, além de criar um writing center. “E, quando tudo estiver implementado, vamos investir também em ferramentas que nos ajudem a medir o impacto da produção científica gerada por essas iniciativas”, diz Sueli.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou, dentro do seu programa de internacionalização, um edital que oferece continuamente auxílio financeiro para a revisão e a tradução de artigos e o eventual pagamento de taxas de publicação em revistas científicas internacionais e em congressos. A iniciativa teve início em 2001 e, desde então, cerca de 200 docentes utilizam o auxílio a cada ano. Dos 2 mil artigos traduzidos ou revisados, 75% foram aceitos para publicação. De acordo com o professor Erivaldo da Silva, que coordena o programa na Pró-Reitoria de Pesquisa da Unesp, 90% das traduções ou revisões são para o inglês. No universo de pedidos, 65% são para traduções completas e 35% para revisões. “Os pedidos de tradução completa vêm principalmente das engenharias e das humanidades, enquanto em áreas como física e química são mais comuns os pedidos para revisões”, afirma. Carlos Alberto Sampaio Barbosa, professor do Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, utilizou o edital para verter para o espanhol um capítulo de livro sobre a repercussão da Revolução Mexicana no Brasil. “O impacto de uma publicação em inglês ou espanhol é muito maior. E, na minha área, poucos colegas do exterior leem em português”, afirma.

A utilização de serviços de tradução e de revisão do idioma é comum entre os pesquisadores brasileiros, uma vez que incorreções no texto costumam servir de argumento para a rejeição de artigos, independentemente de seu mérito. Carlos Eduardo Ambrosio, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, já usou os serviços da Publicase e da American Journal Experts para fazer revisões do inglês de seus artigos científicos. O expediente tem um duplo objetivo: evitar questionamentos sobre a correção da língua e ajudá-lo em seu trabalho de editor da revista científica nacional Pesquisa Veterinária Brasileira. “É bom que um nativo no idioma inglês aponte os erros. Muitas vezes os editores não fazem isso e você fica sem saber se há mesmo um erro ou se é preconceito”, afirma. Ambrosio fez parte de seu mestrado nos Estados Unidos e continua a estudar inglês. “Mas ainda cometo erros”, afirma. “Tem gente que não gosta de falar isso, mas eu não tive uma educação bilíngue. Essa é uma realidade brasileira. Quem se expressa bem em inglês, em geral, teve a chance de passar uma boa temporada fora. Por isso pretendo fazer pós-doutorado no exterior”, afirma o pesquisador, que aos 34 anos é livre-docente da USP e teve bolsa do programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, da FAPESP.

Traduções esmeradas e argumentações afiadas não são suficientes, como se pode imaginar, para transformar um manuscrito redundante ou equivocado em algo publicável. Gilson Volpato, professor do Instituto de Biociências da Unesp em Botucatu, autor de vários livros sobre redação científica e ministrante de cursos e oficinas nessa área desde 1986, chama a atenção para vícios da comunidade científica brasileira que comprometem a qualidade da produção em vários campos. “O problema começa nos projetos de pesquisa. Se um projeto não for inovador e não tiver base teórica sólida, é impossível gerar artigos de alto impacto mais tarde”, afirma o professor, que ministrou um curso on-line de redação científica no portal da Unesp. Qualidade científica necessita ideia inovadora, robustez metodológica, resultados evidentes e apresentação impecável, prega Volpato.

Ele observa que algumas revistas nacionais, mesmo publicadas em inglês, divulgam artigos de baixa qualidade – e isso atrapalha o aprendizado dos jovens autores. “As revistas brasileiras precisam dar um salto de qualidade. Em certas áreas, as revistas são razoáveis. Mas em outras publicam-se artigos com amostras pequenas, conclusões equivocadas e recortes regionais que não seriam aceitos em outros lugares.” O mais preocupante, diz Volpato, é a chamada cultura de repetição. “Já vi orientador sugerir para o aluno não estudar um determinado assunto porque não existia nada publicado a respeito. Falta uma cultura empreendedora na ciência brasileira, no sentido de buscar o novo e o desconhecido”, afirma o professor. Para ele, os pesquisadores só têm a ganhar se tentarem publicar em revistas internacionais. “E têm de escrever em inglês, pois, em português, pouca gente vai ler e o pesquisador não recebe-rá críticas de cientistas renomados, que é o que faz o seu trabalho ser aperfeiçoado”, conclui.

034-039_Publicar_182-01

Faço minhas as suas palavras
Quando o plágio tem vínculo com a dificuldade em escrever

Os recentes casos de plágio científico em geral se associam à má conduta e à pressão para publicar a qualquer custo, mas há pelo menos uma face do problema que se vincula à falta de habilidade dos pesquisadores de escrever. Em 2007 um caso de plágio envolvendo um artigo publicado na revista Nature pôs a questão em evidência. Os acusados, um grupo de cientistas turcos, defenderam-se na própria Nature argumentando que copiaram, sim, trechos do texto de outros trabalhos em inglês, mas não consideravam haver cometido plágio. Argumentaram que os trechos copiados foram usados na introdução do artigo, não nas conclusões. “Para aqueles como nós, que não têm o inglês como língua materna, usar frases bonitas publicadas em outros estudos na introdução dos nossos textos não é incomum”, disse Ihsan Yilmaz, um dos autores do estudo.

Se há pouco espaço para discussão quando o plágio se vincula à cópia de dados, entra-se num terreno difuso quando se trata de um empréstimo textual num artigo científico. De modo geral, considera-se que uma referência ao texto de outra pessoa deve estar marcada entre aspas. Ou então usa-se a paráfrase, que consiste em explicar a ideia do outro com as próprias palavras. “Ocorre que pode ser muito difícil desenvolver ideias com as próprias palavras num idioma que não é o seu. Isso atinge bastante os chineses, cuja estrutura linguística é muito diferente da anglo-saxônica”, afirma Sonia Vasconcelos, estudiosa dos plágios científicos, que abordou o problema, em dezembro passado, no 1º Encontro Brasileiro sobre Integridade na Pesquisa Científica e Ética em Publicações, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Na dificuldade de escrever, e com medo de deturpar a ideia original, muitos pesquisadores se tornam escravos das palavras do outro. Além da exposição indesejável que uma possível acusação de plágio pode trazer a esses autores, muitos deles acabam se tornando escritores acadêmicos dependentes da expressão e copiadores do padrão de argumentação de outros.” Sonia ressalta que estabelecer regras e utilizar softwares para detectar cópias de trechos, como faz a maioria das revistas científicas, não é suficiente para prevenir o problema. “Precisamos formar pesquisadores que tenham autonomia para argumentar em seu idioma e em inglês, seja no contexto de publicações ou não. No Brasil, fortalecer o desenvolvimento dessa habilidade em nossos alunos é também uma questão de soberania”, afirma. Num artigo publicado em janeiro, os especialistas em ética Elizabeth Heitman, da Universidade Vanderbilt, e Sergio Litewka, da Universidade de Miami, sugerem que cientistas norte-americanos mudem a estratégia de prevenção de plágios em trabalhos de alunos estrangeiros que não dominam bem o inglês. A sugestão é que invistam no treinamento das habilidades de redação dos estudantes, em vez de apenas divulgar normas.


Matérias relacionadas

CLAUDIA BAUZER MEDEIROS
Professora da Unicamp fala sobre a origem das humanidades digitais
PESQUISA BRASIL
Humanidades digitais, Paulicéia 2.0, blecautes e Kepler-186
CARREIRAS
Difusão de artigos vai além da publicação em revistas de alto impacto