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Boas práticas

Intimados, cientistas entregam e-mails à BP

O processo pelo qual os cientistas chegam a suas conclusões, testam e refinam seus métodos de trabalho em busca da maior precisão possível pode também se voltar contra eles – sob acusação de má conduta – quando usados em batalhas jurídicas. Christopher Reddy e Richard Camilli, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (EUA), que ajudaram a estimar a dimensão do derramamento de petróleo no golfo do México em 2010, foram forçados a entregar mais de 3 mil e-mails pessoais à Justiça.

O governo federal processou a BP, operadora da plataforma que explodiu, que, para se defender, requisitou e recebeu mais de 50 mil páginas de documentos e mensagens dos pesquisadores detalhando como fizeram a estimativa do vazamento. A empresa alega que os documentos são necessários para se defender judicialmente. Os pesquisadores dizem que essa decisão pode prejudicar futuras deliberações científicas (The Chronicle of Higher Education, 5 de junho).

Ao jornal The Boston Globe, eles afirmaram que a empresa encontraria mensagens em que eles próprios questionavam seus métodos, chegavam a becos sem saída ou modificavam suas perspectivas. Segundo os dois cientistas, esses movimentos não deveriam servir para pôr em dúvida suas conclusões, pois fazem parte do trabalho científico.