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Genômica

Medicina de precisão

Centros apoiados pela FAPESP criam plataforma comum de dados genéticos em busca de terapias talhadas para cada paciente

Iscia Lopes Cendes
     
Pesquisadores de cinco Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiados pela FAPESP reuniram-se num esforço para dar impulso à medicina de precisão, abordagem que busca integrar informações clínicas e moleculares sobre doenças a fim de gerar tratamentos talhados para cada paciente. A Brazilian Initiative on Precision Medicine (BIPMed) prevê a criação de uma plataforma computacional que abrigará dados genéticos gerados pelos cinco Cepids e outros grupos brasileiros.

O banco de dados vai seguir a metodologia da Global Alliance for Genomics and Health e integrar-se a esse consórcio, composto por 300 instituições de vários países, que busca criar terapias a partir da medicina genômica. O interesse pela medicina de precisão é internacional. Em janeiro, o presidente norte-americano Barack Obama anunciou investimentos de US$ 200 milhões nesse campo de pesquisa.

Em São Paulo, já existem múltiplas ações com resultados de impacto em medicina personalizada. O Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP descobriu a mutação de um gene que protegeu cães de desenvolver um quadro grave de distrofia muscular. O achado tem potencial para mitigar sintomas da doença em seres humanos (ver reportagem). Já uma equipe do Instituto Ludwig para a Pesquisa do Câncer e do Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês está finalizando uma nova geração de testes para detectar o câncer precocemente. A oncologia, diz Anamaria Camargo, líder da equipe, é das áreas da medicina em que a personalização do tratamento está mais desenvolvida (ver reportagem).

Dados genômicos
“A plataforma poderá ser consultada por qualquer pesquisador do Brasil ou do mundo interessado em saber informações sobre dados genômicos e características fenotípicas encontradas em pacientes e/ou populações de controle, se são muito ou pouco prevalentes na população ou se estão associados a alguma doença ou condição, por exemplo”, explica Munir Skaf, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (IQ-Unicamp) e coordenador do Centro de Pesquisa em Engenharia e Ciências Computacionais (CCES), um dos Cepids parceiros. Além do CCES, incumbido de organizar a plataforma computacional da BIPMed, participam da iniciativa quatro Cepids da área da saúde: o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias e o Centro de Terapia Celular, sediados na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, o Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia, sediados na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “Estamos agregando ao nosso grupo a competência de um bioinformata, o Helder Nakaya. Isso irá aumentar a produção de resultados a serem incorporados ao novo projeto”, diz Fernando de Queiroz Cunha, professor da FMRP-USP e coordenador do Cepid sobre doenças inflamatórias.

A mobilização dos Cepids, que atuam em temas na fronteira do conhecimento e recebem financiamento de longo prazo, aconteceu naturalmente. Vários desses centros trabalham com dados genéticos e lidam com o desafio de analisá-los e interpretá-los. “Para que possamos fazer análises complexas, precisamos de volumes de dados muito grandes e leva tempo para gerar um número significativo de informações capaz de indicar se uma determinada característica tem a ver com um polimorfismo genético, por exemplo”, diz Fernando Cendes, professor da FCM-Unicamp e coordenador do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia. O centro estuda os mecanismos da epilepsia e do acidente vascular cerebral na população brasileira e trabalha com dados genéticos e diagnóstico por imagem. “Os repositórios de bancos de dados são importantes para fazer esse tipo de análise e existem várias iniciativas mundo afora, como as que estudam o câncer e o Alzheimer”, diz.

Segundo Cendes, os Cepids vão se beneficiar da iniciativa desenvolvendo ferramentas e técnicas que representam, elas próprias, avanços no conhecimento. A montagem completa da plataforma deve demorar algum tempo. “Não é um projeto que se faça em menos de quatro ou cinco anos e essa é outra razão pela qual os Cepids, que podem ser financiados por mais de 10 anos, têm vocação para organizá-lo.”

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