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A convivência com o homem e o medo de trovão em cães

ED. 252 | FEVEREIRO 2017

 

Revista Pesquisa FAPESP
Podcast: Magda Medeiros
Dias de tempestades são um transtorno para os cães. Com audição muito sensível, eles ficam estressados com os trovões e buscam esconderijo. Os que têm medo exagerado (fobia) de ruídos podem até danificar a casa ou morder quem está por perto. Interessada em investigar como atenuar o estresse e o medo em cães, a médica veterinária Magda Medeiros, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), decidiu verificar se havia diferença na reação a trovões em dois grupos de cães sem fobia de ruído: animais usados em pesquisas e habituados ao laboratório e cachorros de estimação, criados em casa. Segundo Magda, há uma percepção disseminada de que os cães de laboratório são mais estressados e medrosos. Sob sua orientação, as veterinárias Carla Franzini de Souza e Carolina Maccariello submeteram oito beagles do canil da universidade e seis cães de estimação de outras raças ao seguinte experimento: um por vez, os cachorros foram expostos ao som de trovões por 2,5 minutos, enquanto os pesquisadores monitoravam as reações fisiológicas (ritmo cardíaco e nível de cortisol, hormônio ligado ao estresse) e o comportamento dos animais. O resultado não foi muito diferente. O coração dos cães de ambos os grupos disparou, embora o nível de cortisol dos animais de estimação, que já era mais elevado, tenha aumentado proporcionalmente mais.  Já os comportamentos que indicam estresse (tremores, salivação, busca de esconderijo, entre outros) foram mais intensos nos beagles (Physiology and Behavior, 1º de fevereiro). “É possível que os animais de estimação, apesar de terem respostas fisiológicas significativas, aprendam a amenizar seus comportamentos de medo”, diz Magda.


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