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Carreiras

Senhora d’água

Preocupação com qualidade dos recursos hídricos leva jovem catarinense a trabalhar para a ONU

Arquivo pessoalAngela Renata Cordeiro Ortigara ainda lembra do cheiro emanado pelo rio do Peixe, em Videira, interior de Santa Catarina, nos dias de chuva. “Os produtores de suínos valiam-se da forte correnteza das águas para se livrar dos dejetos dos animais”, conta. A preocupação com a qualidade da água de sua cidade natal a fez ingressar no curso de tecnologia em saneamento ambiental na Universidade do Oeste de Santa Catarina, em 2003.

Seu bom desempenho durante o curso chamou a atenção, e ela aceitou o conselho de um professor e decidiu seguir a carreira acadêmica. Recém-aprovada em concurso dos Correios, Angela candidatou-se a uma vaga na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. “Contrariando minha família, larguei o emprego público para fazer o mestrado em engenharia ambiental”, diz.

Foi assim que, aos 22 anos e interessada no desenvolvimento de estratégias para tratamento de efluentes produzidos por vinícolas próximas ao rio do Peixe, ingressou na pós-graduação. Antes de terminar o mestrado, decidiu fazer doutorado no exterior. “Entrei em contato com vários autores de artigos que usei em minha pesquisa para saber da possibilidade de estudar em seus departamentos”, relembra.

Uma das pesquisadoras para as quais escreveu sugeriu que tentasse o Programa Erasmus Mundus, financiado pela União Europeia, para ingressar na Universidade de Trento, onde lecionava. Angela foi aprovada e mudou-se para a Itália. “Trabalhei em estratégias de tratamento de esgoto em comunidades da região.”

O desejo de ir além a fez procurar oportunidades ligadas à temática na Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2012, aos 27 anos, foi selecionada para um estágio de dois meses no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da instituição, em Nova York, Estados Unidos. “Analisava os relatórios dos estados-membros sobre questões hídricas associadas aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, conta.

De volta à Itália, concluiu o doutorado e passou a se dedicar ao trabalho de consultoria em recursos hídricos para a ONU. Trabalhou para o Programa Mundial das Nações Unidas para Avaliação dos Recurso Hídricos, na implementação de programas de capacitação em água e desenvolvimento sustentável para países africanos e na elaboração de relatórios mundiais.

Hoje ela coordena a produção do relatório da ONU-Água “Síntese do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 6”, fornecendo recomendações para países sobre o caminho a seguir. “A situação dos recursos hídricos e do saneamento no mundo pode melhorar e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável oferece uma plataforma para acelerar esse processo.”