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Brasil

Preconceito na cadeira de dentista

A raça – ou, mais precisamente, o aspecto racial – de uma pessoa pode influenciar na decisão de um dentista em extrair ou tratar um dente cariado, concluiu um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A conclusão é o resultado de um estudo feito em Recife com 297 dentistas. Todos eles avaliaram a mesma situação: extrair ou tratar um dente molar bastante cariado? Examinaram imagens detalhadas do dente, viram as fotos das pessoas que seriam tratadas e souberam que eram de pobres em bom estado de saúde, que relatavam apenas uma dor moderada no molar. A equipe coordenada por Etenildo Dantas Cabral, da UFPE, apresentou-lhes dois cenários, elaborados de tal forma que apenas a raça do paciente era diferente, e pediu-lhes que contassem o que fariam. Segundo o estudo publicado na Community Dentistry and Oral Epidemiology, 9,4% dos dentistas, valor considerado estatisticamente relevante, preferiram extrair o molar dos pacientes negros, mas tratar o dos pacientes brancos. No entanto, nenhum dentista, independentemente do nível socioeconômico, decidiu extrair o dente de um branco e tratar o de um negro. Para os autores desta pesquisa, as conclusões mostram o peso de comportamentos estereotipados e reforçam a importância de os cursos de odontologia oferecerem também um pouco mais de ciências humanas, que poderiam ajudar a reduzir o preconceito racial.

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