Imprimir PDF

Capa

Endereço de excelência

Facility da Unicamp reúne, num mesmo prédio, equipamentos modernos para pesquisa em genômica, proteômica, bioinformática e biologia celular

No LaCTA D há equipamentos como calorímetro de titulação isotérmica...

Léo RamosNo LaCTAD há equipamentos como
calorímetro de titulação isotérmica…Léo Ramos

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) inaugurou um laboratório que reúne, num mesmo prédio, equipamentos de última geração destinados a pesquisas em genômica, bioinformática, proteômica e biologia celular. Instalado no Parque Científico e Tecnológico da instituição e criado nos moldes das research facilities de universidades no exterior, o Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTAD) busca garantir um patamar elevado de qualidade em pesquisas realizadas na Unicamp e no estado de São Paulo – as instalações são franqueadas a pesquisadores de outras instituições. “A universidade assinou dois convênios importantes por causa da existência do laboratório. Esta unidade será muito útil para as pesquisas nas áreas contempladas e dará um importante impulso à ciência do país”, afirmou o reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa, na cerimônia de inauguração.

A FAPESP investiu cerca de R$ 5,5 milhões na compra dos equipamentos para o laboratório, no âmbito do Programa de Equipamentos Multiusuários (EMU), enquanto a construção do prédio e a contratação dos funcionários couberam à universidade. “De particular interesse são a Unicamp ter investido quase o mesmo valor que a FAPESP e o LaCTAD ter uma estrutura de custos bem demonstrada e com apoio institucional decisivo para contratar funcionários em bioinformática e técnicos de apoio com doutorado”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, que esteve presente na inauguração do laboratório, no dia 1º de março. A proposta de criação do LaCTAD foi submetida ao edital do Programa de Equipamentos Multiusuários da FAPESP em 2009. Em 2011 foi iniciada a oferta de serviços em instalações provisórias nas unidades de ensino e pesquisa.

... cromatógrafo...

Léo Ramos… cromatógrafo…Léo Ramos

Para trabalhos no campo da genômica, foram adquiridos três modernos sequenciadores. Há dois modelos HiSeq 2500, da Illumina, que permitem estudos complexos de sequenciamento, graças a sua capacidade de produzir um grande número de sequências genômicas para análise em bioinformática. O outro modelo é o ABI 3730XL DNA Analyzer, da Applied Biosystems, que produz um número não tão grande de sequências, mas é capaz de mapear um número maior de pares de bases. “É difícil encontrar um trabalho científico no campo das ciências da vida publicado numa boa revista que não tenha algum componente ligado ao sequenciamento de genes ou mudanças no genoma e que não use esse tipo de dado para fazer o desenho da pesquisa ou o planejamento dos experimentos”, diz Ronaldo Pilli, o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp. “Esses equipamentos estão melhorando a qualidade das pesquisas feitas na Unicamp.” A prestação de serviços em bioinformática, outra vocação do LaCTAD, ampara-se num parque de computadores que inclui servidores IBM e máquinas da HP. “Temos investido na formação de recursos humanos, com a oferta de cursos de bioinformática em todos os semestres”, diz Pilli. Já foram treinados cerca de 160 estudantes.

Epilepsia
Um dos projetos em andamento na facility é liderado por Iscia Lopes-Cendes, professora do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ela está utilizando um dos sequenciadores do LaCTAD num projeto de pesquisa sobre os mecanismos moleculares na gênese da epilepsia, que busca identificar a expressão gênica em tecidos cerebrais de ratos. Grupos neuronais selecionados no hipocampo de modelos animais induzidos a apresentar a doença são submetidos a um sequenciamento profundo, em busca de transcritos (RNA mensageiro) que podem ser relevantes para diferenciar o estado patológico e o normal. “Como se trata de um sequenciamento profundo, necessitávamos de um sequenciador rápido e inclusive ajudamos a fazer um upgrade de seu software com recursos do nosso projeto de pesquisa”, diz ela.

... e microscópio confocal

Léo Ramos… e microscópio confocalLéo Ramos

A pesquisadora Gláucia Mendes de Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e uma das coordenadoras do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), também utilizou os serviços da facility da Unicamp no sequenciamento de um genoma de referência da cana-de-açúcar. “O LaCTAD está provendo sequências obtidas com o sequenciador Illumina que complementam o que fizemos com o sequenciador Roche 454. Temos na USP um 454, mas não um Illumina, daí a importância dos serviços prestados por eles”, afirma a pesquisadora. Paulo Arruda, do Instituto de Biologia da Unicamp, também vem utilizando os serviços do LaCTAD. Um projeto de seu aluno de doutorado Vagner Katsumi Okura relaciona-se à construção e ao sequenciamento da biblioteca de cromossomo artificial de bactéria (BAC) da cana-de-açúcar. As bibliotecas BAC são ferramentas fundamentais para a caracterização de regiões cromossômicas que contêm genes de interesse. Uma segunda pesquisa, do doutorando Pedro Barreto, investiga como as plantas regulam a biogênese mitocondrial. A mitocôndria é uma organela responsável pela bioenergética da célula. “Há conhecimento razoável sobre a biogênese mitocondrial em mamíferos, mas em plantas é pouco conhecido”, diz Arruda, cujo trabalho previu o sequenciamento de RNAs de plantas que superexpressam a proteína desacopladora da mitocôndria (UCP1).

No campo da proteômica, o LaCTAD dispõe de um equipamento de cromatografia líquida para análise e purificação de proteínas, além de um calorímetro, utilizado para determinar parâmetros termodinâmicos de interações bioquímicas. Um espectrômetro de massas modelo Xevo Q-TOF MS, que pertence ao Instituto de Química da Unicamp, será franqueado aos usuários do LaCTAD enquanto o laboratório não adquirir seu próprio equipamento. No campo da biologia celular, o laboratório é equipado com um microscópio confocal da marca Leica, capaz de produzir imagens fluorescentes de alta resolução de uma variedade de materiais de amostras biológicas. Outro equipamento é um imunoensaio Multiplex da marca Bio-Rad, capaz de realizar dosagens rápidas e precisas de hormônios ou de citocinas, as moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante as respostas imunes. “Estamos organizando para maio um workshop internacional na área de biologia celular. Vamos receber especialistas de fora, com o mesmo tipo de atuação em ciências da vida em um laboratório central, para trocar experiências e aperfeiçoar nossos serviços. A ideia é dar um impulso maior para o LaCTAD em biologia celular”, diz Pilli.

Republish