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Mudanças climáticas

Efeitos sobre a mata atlântica

Eduardo CesarNos últimos 500 anos de ocupação da costa brasileira, de um total de 1.300.000 quilômetros quadrados, apenas cerca de 8% da cobertura original da mata atlântica (na foto, árvore desse bioma) foi preservada. Os poucos fragmentos restantes dessa devastação apresentam diversos tamanhos, formas, estádios de sucessão e situação de conservação. Cerca de metade dos remanescentes florestais de grande extensão está protegida na forma de Unidades de Conservação. A maioria desses fragmentos se encontra hoje nas regiões serranas. No estudo “Mata atlântica lato sensu: a mais antiga das florestas brasileiras, e um hotspot de biodiversidade, está altamente ameaçada pelas mudanças climáticas”, de A.F. Colombo e C.A. Joly, da Universidade Estadual de Campinas, são usadas técnicas de modelagem para determinar a distribuição geográfica presente e futura de 38 espécies arbóreas típicas da mata atlântica, considerando dois cenários de aquecimento global. O cenário otimista prevê uma taxa anual de 0,5% de aumento na concentração de CO2 na atmosfera e um crescimento médio da temperatura inferior a 2oC. O pessimista prevê uma taxa anual de 1% de aumento na concentração de CO2 e um aumento médio da temperatura superior a 3oC. Usando estes parâmetros, os pontos de ocorrência atual das espécies e o algoritmo genético para previsões baseadas em regras preestabelecidas, os autores desenvolveram modelos da distribuição futura das espécies estudadas, considerando as temperaturas projetadas para 2050. Os resultados obtidos mostraram uma alarmante redução na área que essas espécies poderão ocupar, bem como um deslocamento da ocorrência atual em direção ao sul do Brasil. Na média, com o cenário otimista, a redução da área potencial de ocorrência é de 25%, enquanto no cenário pessimista este patamar é da ordem de 50%. As espécies que sofrerão a maior redução na área de ocorrência são: Euterpe edulis, Mollinedia schottiana, Virola bicuhyba, Inga sessilis e Vochysia magnifica.

Brazilian Journal of Biology – vol. 70 – nº 3 – supl. 0 – São Carlos – out. 2010

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