Duas pesquisadoras analisaram dados sobre 177 workshops e conferências científicas de ciência política e áreas correlatas realizadas nos Estados Unidos e constataram que só 19% dos eventos apresentavam em seus sites códigos de conduta com mecanismos para prevenir casos de má conduta sexual ou discriminação racial entre os participantes. As autoras do levantamento, Lucie Lu, que fez pós-doutorado da Universidade Columbia, em Nova York, e Nora Webb Williams, pesquisadora da Universidade de Illinois, Urbana-Champaign, identificaram um perfil comum das conferências com códigos de conduta. Eram eventos de grande porte realizados há várias décadas, amparados por comitês de diversidade e ética e promovidos por organizações que dispunham de equipes permanentes.
De acordo com o estudo, publicado na revista Political Science&Politics, nem todas as conferências lastreadas por diretrizes definiam claramente quais eram os comportamentos proibidos, ofereciam canais para relatar violações ou informavam quais seriam as punições para casos de má conduta. Esses três requisitos, segundo as autoras, são essenciais para que um código seja efetivo e consiga evitar ou lidar com incidentes. Cerca de 85% das normas analisadas descreviam o que constitui uma violação e 74% ofereciam algum mecanismo para denunciar transgressões – embora apenas 6% dispusessem de um canal externo à organização do evento para receber relatos. O levantamento também mostrou que 62% dos códigos antecipavam como eventuais violações seriam investigadas e 74% listavam as consequências para o descumprimento de regras.
O estudo cita uma pesquisa feita pela Associação Americana de Ciência Política (Apsa) para justificar a importância dos códigos de conduta. Segundo esse levantamento, 37% dos 2,4 mil entrevistados afirmaram ter sido afetados por algum comportamento negativo nas reuniões anuais da entidade realizadas entre 2013 e 2016. Humilhações e comentários desdenhosos ou depreciativos foram relatados por 42% dos homens e 22% das mulheres entrevistadas. O uso de linguagem inapropriada, a exemplo de comentários sexistas ofensivos, foi criticado por 30% das mulheres e 10% dos homens, enquanto avanços sexuais não desejados foram reportados por 11% das mulheres e 3% dos homens. “Mesmo nos casos em que a proporção de membros que sofreram tais incidentes parece baixa, os números são desconcertantes”, informa o sumário-executivo do levantamento, mencionando, por exemplo, que 29 pessoas declararam ter sofrido ameaças de retaliação profissional por rejeitarem investidas sexuais.
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