A razão do estudo Carência de preparações medicamentosas para uso em crianças no Brasil, de Patrícia Quirino da Costa, Luis C. Rey e Helena Lutéscia L. Coelho, da Universidade Federal do Ceará, foi identificar medicamentos que apresentam dificuldades para seu uso pediátrico no Brasil. Foram estudados de modo descritivo a composição de uma listagem nacional de medicamentos não licenciados ou não padronizados para uso em crianças (medicamentos problema em pediatria, MPP), através de revisão bibliográfica, comparação com fontes do mercado farmacêutico brasileiro e inquérito com pediatras. Os medicamentos foram codificados pela classificação anatômica, terapêutica e química e analisados quanto ao licenciamento no país e indicação em pediatria. Foram identificados na literatura 126 MPP e excluídos 24 não referidos nas fontes nacionais investigadas. A listagem foi complementada com 24 outros medicamentos referidos pelos pediatras. Do total de 126 MPP, 23 não tinham registro no país para o uso em crianças e 24 dos 103 licenciados apresentavam restrições de faixa etária. A lista envolveu 42 grupos terapêuticos e 68 subgrupos. Os grupos com maior número de MPP foram os antibacterianos de uso sistêmico (15), antiepilépticos (8), antiasmáticos (7) e analgésicos (7). Os problemas mais frequentes foram: dosagem inapropriada (43), forma farmacêutica inadequada (35), não licenciamento para uso pediátrico (28), restrições de faixa etária (23). A carência de medicamentos desenvolvidos para uso em crianças envolve ampla gama de produtos clinicamente importantes. Algumas dessas formulações e dosagens já comercializadas em outros países não são disponibilizadas no mercado brasileiro sem nenhuma justificativa plausível.
Jornal de Pediatria – vol. 85 – nº 3 – Porto Alegre – maio/jun. 2009
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