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Fármacos

A chave para novos medicamentos

Centro de Biologia Molecular Estrutural vai criar demandas por PeD na indústria farmacêutica

As informações geradas em projetos como, por exemplo, o Genoma Humano, serão utilizadas pelo Centro de Biologia Molecular Estrutural, para aprofundar o conhecimento sobre os sistemas biológicos e buscar aplicações práticas em saúde humana, agropecuária e agronegócios. “O nosso objetivo é estudar como a proteína funciona, elucidar a sua estrutura, utilizando para isso ferramentas da física, química e biologia”, explica Glaucius Oliva, diretor.

Uma das marcas fortes do projeto é a multidisciplinariedade. O Centro reúne pesquisadores dos laboratórios de Cristalografia de Proteínas e Biofísica Molecular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo em São Carlos; do Departamento de Química e do Laboratórios de Síntese e Produtos Naturais da Universidade Federal da São Carlos (UFSCar); e do Centro de Biologia Estrutural do Laboratório Nacional Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, que é coordenado por Rogério Meneghini. “A longo prazo, poderemos agregar novos laboratórios e pesquisadores, já que hoje é sabido que é possível fazer ciência não pela especialidade, mas pelo foco, por um projeto comum”, afirma Oliva.

Já existem nove projetos de pesquisa em andamento envolvendo aplicações diferentes, sempre associando genes a doenças. “Temos vários enzimas de Tripanossomas, da Leishmania, vários Xistossomas mansonis, esquistossomose, malária, temos proteínas do vírus da febre amarela e do papiloma humano, que causa o câncer de útero”, detalha. “O apoio da FAPESP vai fortalecer essa iniciativa.” O Centro tem como meta aproximar-se do setor produtivo e criar demanda por PeD na indústria farmacêutica nacional. O mercado farmacêutico brasileiro movimenta, anualmente, US$ 10 bilhões, e as empresas de capital nacional representam entre 35% e 40% desse mercado, marca conquistada antes mesmo da Lei de Patentes.

Mas, Oliva ressalva, enquanto as multinacionais investem 20% do faturamento em PeD, às empresas nacionais resta trabalhar com genéricos, um produto com pouco valor agregado, ou licenciar segundas marcas, pagando royalties. “A alternativa é investir em pesquisa. Temos que continuar com os projetos criado sin house, mas também criar demandas e identificar novos projetos de interesse da indústria”, afirma Oliva.

Avaliadores da proposta consideraram o projeto fundamental para o futuro das pesquisas em novos medicamentos no país. “Não há dúvidas de que a ciência e a indústria no Brasil dependerão da capacidade de trabalhar com a cristalografia de proteínas, especificamente na pesquisa e no desenvolvimento de drogas e em genômica estrutural. Sem essa capacidade, a pesquisa brasileira básica perderá contato com os parceiros internacionais e a indústria farmacêutica brasileira não será capaz de explorar o desenho de drogas avançadas, sobretudo aquelas relevantes para o mercado sul-americano”, afirmou um dos especialistas que avaliaram o projeto.

O Centro manterá, em todas as instituições envolvidas, programas de treinamento para estudantes e pesquisadores na área de biologia estrutural. Também estabelecerá estreito relacionamento com o Centro de Difusão Científica e Cultural, da USP de São Carlos, para divulgar noções e a importância da biologia molecular, engenharia genética e biotecnologia nas escolas de segundo grau e por meio de ensino a distância, via Internet, vídeos, conferências, entre outros.

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