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Vanguarda da pesquisa

Unicamp conquista espaço

Infra-estrutura 4 | FEVEREIRO 2002

 

Os recursos do Programa de Infra-Estrutura da FAPESP financiaram as reformas e a modernização dos laboratórios do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os investimentos, num total R$ 5,340 milhões, garantiram condições adequadas para o desenvolvimento do ensino e de pesquisas importantes com aplicações nas áreas de meio ambiente, telecomunicações e medicina, entre outras.

O Laboratório de Química do Estado Sólido, por exemplo, conta com uma área de pesquisa totalmente modernizada. Suas instalações estão equipadas com pias de inox, armários embaixo das bancadas com rodízios para facilitar o acesso à rede hidráulica e elétrica, bancadas ergonômicas, linhas de gases e encanamentos padronizados e sala com temperatura e umidade controladas. A parte elétrica recebeu uma atenção especial, já que as pesquisas utilizam fornos de até 1700ºC para fusão de vidros e cerâmicas especiais. “Precisávamos de linha elétrica específica (de 50KVA), independente da usada para os computadores, e equipamentos eletrônicos mais sensíveis”, relata o coordenador do laboratório, Oswaldo Luiz Alves.

Havia, ainda, a necessidade de realocar esses fornos instalados num laboratório de ensino, e que por isso só podiam ser usados à noite, nos finais de semana ou em horários não ocupados pelos alunos, e garantir que eles operassem de acordo com padrões de seguranças. “Trabalhamos com óxidos de enxofre e gás sulfídrico que podem causar reações alérgicas e até sério comprometimento do aparelho respiratório”, justifica Alves. A instalação de capelas com fluxo laminar veio proporcionar a exaustão necessária.

Após as reformas, várias pesquisas importantes puderam ser realizadas nesse laboratório que, hoje, integra o Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, um dos dez Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) mantidos pela FAPESP. O laboratório estuda, por exemplo, o desenvolvimento de materiais porosos para retirada de corantes que são descartados nos efluentes por empresas de tingimento de tecido, e que podem comprometer o ambiente, e tecnologias de depósito de películas sobre substratos vítreos (filmes finos), que podem ser usados como sensores para gases de poluição em situações industriais.

Pesquisa também a utilização de partículas nanométricas que dão ao vidro propriedades ópticas não lineares ou efeitos quânticos, de utilização em telecomunicações rápidas. “Além do aumento de motivação, o Infra proporcionou à equipe um laboratório de padrão internacional aumentaram a nossa competitividade em relação a outras universidades e despertar o interesse de pesquisadores estrangeiros”, afirma Alves.

Área maior
O Programa também beneficiou alunos e pesquisadores do Laboratório Thomson de espectometria de massas do IQ-Unicamp. O seu coordenador, Marcos Nogueira Eberlin, lembra que, antes das reformas, as condições de trabalho criavam, muitas vezes, situações embaraçosas. Numa área de apenas 50m2, pesquisadores e alunos se revezavam num único espectômetro. Hoje, com uma área quase cinco vezes maior, de 240m2, utilizada só para pesquisas e um novo laboratório totalmente estruturado, a equipe pode se dedicar ao desenvolvimento e aplicação de novas técnicas para resolução de problemas analíticos de poluentes em água, solo e ar e de existência de metabólitos em fluidos biológicos, apenas para citar alguns exemplos.

A infra-estrutura adequada possibilitou a instalação do primeiro espectômetro concebido para ser um pentaquadrupolar (acopla espectômetros de massas de triplo estágio – três análises de massas). Trata-se de um aparelho mais sensível, que permite multiplicar a potencialidade de uso do equipamento e realizar uma maior quantidade de experimentos, explica Eberlin. “Pudemos sair na frente na pesquisa básica de mecanismos de reações. Hoje, desenvolvemos novas técnicas para determinação da homocisteína – aminoácido no sangue -, que pode substituir com vantagens as tradicionais dosagens de colesterol”, conta Eberlin.

A equipe também está pesquisando novas técnicas de monitoração de reações químicas em meio aquoso (análise de compostos orgânicos em água). O laboratório mantém parcerias com várias universidades de São Paulo e de outros Estados e cooperação com grupos de pesquisas da Dinamarca, Finlândia e Estados Unidos. Junto com a Universidade de Purdue, em Indiana (EUA), por exemplo, estão sendo realizados trabalhos com biomoléculas, baseados na descoberta de processo de seleção natural de aminoácidos quirais.

O Laboratório de Produtos Naturais, Síntese e Isolamento, onde trabalham cinco professores, não passava por reformas desde sua construção, em 1972. Segundo Anita Jocelyne Marsaioli, só a alvenaria estava intacta. Os recursos do Programa de Infra-Estrutura permitiram a reforma de suas instalações, numa área de 300 m2, e o desenvolvimento de pesquisas importantes. “Uma de nossas alunas de pós-doutoramento recebeu recentemente menção honrosa do prêmio Mário Covas por suas pesquisas de filtro solar com ação anticâncer in vitro“, revela Anita.


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