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O planeta sob pressão

Conferência em Londres fará um balanço sobre os limites da Terra frente às mudanças climáticas

FABRÍCIO MARQUES | Edição Online 17:45 11 de novembro de 2011

 

Londres vai abrigar um grande evento entre os dias 26 e 29 de março de 2012, convocado para atualizar o conhecimento sobre os limites do planeta frente às mudanças climáticas e à degradação ambiental e discutir soluções para o futuro sustentável. A conferência Planet Under Pressure vai reunir cientistas, empresários, autoridades e representantes de organizações não governamentais. Uma de suas ambições é fornecer subsídios e pavimentar o caminho para a Rio + 20, que acontece em junho. Organizada pelas Nações Unidas, a Rio + 20 comemora os 20 anos da histórica Conferência Rio 92 e busca propor caminhos para a erradicação da pobreza num ambiente econômico sustentável.

Um dos organizadores do Planet Under Pressure é o Programa Internacional Biosfera-Geosfera (IGBP), rede de cientistas de todo o mundo que promove pesquisas interdisciplinares sobre as mudanças globais e o sistema terrestre. O escritório regional do IGBP no Brasil fica no Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “A ciência brasileira tem uma forte contribuição a dar nessas discussões, pois acumulamos conhecimento científico significante nos últimos anos em diversos tópicos, do impacto na biodiversidade à dimensão socioambiental e política das mudanças climáticas”, diz Patricia Pinho, coordenadora científica do escritório do IGBP.

A chefe do comitê científico da Planet Under Pressure é Elinor Ostrom, Nobel de Economia de 2009 e professora da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Dos 6.831 pesquisadores que submeteram trabalhos ao comitê científico do evento, 2.738, ou 40% do total, são do mundo em desenvolvimento. O Brasil contribuiu com 343 trabalhos. No bloco dos chamados Brics, ficou atrás da Índia (531 trabalhos), mas superou a China (123), a África do Sul (63) e a Rússia (50). O Reino Unido lidera a lista, com 907 trabalhos, seguido pelos Estados Unidos, com 766. “O fato de os trabalhos terem de ser apresentados em inglês certamente beneficiou países que tem o idioma como língua oficial”, afirma Patrícia Pinho. Ela observa que a participação de países em desenvolvimento é fundamental. “As mudanças climáticas tendem a afetar de modo desproporcional os países em desenvolvimento, como têm mostrado as secas na Amazônia e na África e as inundações e deslizamentos no Rio de Janeiro e em Bangladesh. Também é certo que a mudança climática tende a exacerbar a pobreza e a desigualdade nesses países”, afirma Patricia.

A comissão organizadora da conferência criou um grupo de trabalho incumbido de engajar pesquisadores de países em desenvolvimento, cuja liderança está no escritório do IGBP no Brasil. Foi criado, por exemplo, um sistema de tutoria, que ajudou pesquisadores a preparar trabalhos e os orientou a levantar recursos para participarem da conferência. “O objetivo é envolver quase mil cientistas do mundo em desenvolvimento. A meta é ambiciosa, mas os progressos tem sido encorajadores”, disse Carlos Nobre.

A Planet Under Pressure quer promover o diálogo entre todos os setores envolvidos, dos formuladores de políticas públicas aos empresários, dos representantes de organizações não governamentais aos cientistas. Do Brasil, são esperadas presenças como a dos prefeitos de São Paulo, Gilberto Kassab, e do Rio, Eduardo Paes, e do presidente da Petrobras, Sergio Gabrieli. Pesquisadores como Carlos Nobre, do Inpe, que é presidente do comitê científico do IGBP e secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). já confirmaram a participação. Daniela Mariuzzo, gerente de responsabilidade socioambiental do Rabobank, banco que oferece soluções financeiras para produtores rurais, vai falar sobre critérios de sustentabilidade na agricultura.

A contribuição científica dos países em desenvolvimento será incorporada a uma série de documentos, as chamadas sínteses de ações prioritárias, escritas em linguagem acessível para orientar os responsáveis pela formulação de políticas públicas. Esses resumos, que serão traduzidos para vários idiomas – em português, a tarefa caberá ao escritório regional do IGBP – e vão abordar temas como segurança hídrica, segurança alimentar, biodiversidade e ecossistemas e governança para sustentabilidade global. Serão levados à Rio + 20 através do Fórum em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável da Rio + 20.


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