CARREIRAS

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Sob os holofotes

Saber falar em público pode ajudar no desenvolvimento da carreira do pesquisador

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 246 | AGOSTO 2016

 

Carreiras_290A apresentação de resultados de pesquisa em reuniões de departamento na universidade, seminários ou conferências faz parte do calendário de atividades da maioria dos pós-graduandos. Ainda assim, falar em público pode ser um desafio para muitos pesquisadores. Não raro, as apresentações se apoiam em gráficos à primeira vista confusos e slides com textos longos e herméticos que podem comprometer a qualidade da apresentação e a compreensão do seu conteúdo pela audiência. Aprender a fazer uma apresentação boa e equilibrada, seja para pesquisadores da mesma área ou para o público em geral, valoriza o trabalho e pode ser importante no desenvolvimento da carreira do pesquisador.

Falar bem em público requer prática, segundo o biólogo e comunicador científico Atila Iamarino, pós-doutor pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e apresentador do canal Nerdologia, no YouTube, em que discute ciência e assuntos da cultura pop. Uma forma de se preparar é investir na divulgação de seus trabalhos fora do ambiente acadêmico, por meio de textos em blogs, vídeos ou podcasts. “Isso pode ajudar os pesquisadores a ter mais desenvoltura na hora de falar sobre o que eles estão fazendo para um público mais especializado”, sugere. Outro caminho possível, segundo ele, é acompanhar palestras como as TED Talks e podcasts como o This Week Virology, que apresentam fatos científicos de forma atraente.

“Fazer uma boa apresentação nada mais é que contar uma história, com começo, meio e fim”, afirma Mauro de Freitas Rebelo, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além de se apresentar em eventos científicos como pesquisador, Rebelo também atua como divulgador científico. Segundo ele, para diminuir o nervosismo e a ansiedade, pode-se, em alguns casos, começar a apresentação com uma breve anedota. “Sempre conto uma história minha e, então, coloco a ciência no meio.”

É também fundamental situar o conteúdo da apresentação em um contexto mais amplo de pesquisa e ressaltar sua importância para a área antes de discutir o conteúdo que será apresentado.

Para que isso funcione, explica a psicóloga Ana Arantes, do Laboratório de Aprendizagem Humana, Multimídia Interativa e Ensino Informatizado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é importante que o pesquisador se prepare com antecedência e conheça o público para o qual irá falar. “É preciso estabelecer previamente o objetivo da apresentação: definir um conceito, explicar um método ou apresentar alguns dados”, recomenda. “A partir daí é possível definir a melhor maneira de transmitir a mensagem.”

De modo geral, é recomendável que as apresentações sejam curtas, com duração de até 20 minutos. Hoje, segundo Atila, existem na internet várias plataformas que podem ajudar os pesquisadores a fazer uma apresentação visualmente dinâmica e com uma aparência amigável. É o caso do Keynote e do Prezi, softwares que permitem a criação de apresentações mais atraentes. Também é importante pensar no formato da apresentação. “Evitar animações e textos longos, tomar cuidado com as cores e o tamanho da fonte são alguns cuidados básicos que se deve ter ao elaborar uma apresentação”, conclui.


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