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Comunicação

Ferramenta on-line tenta identificar fake news

Programa analisa características gramaticais para averiguar a veracidade da informação

Léo Ramos Chaves

Está em teste uma ferramenta para verificar se são verdadeiros ou falsos os textos difundidos pela internet ou por aplicativos de mensagens. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o detector de fake news está disponível para consulta no site nilc-fakenews.herokuapp.com ou no perfil do projeto no WhatsApp. Para checar a veracidade de uma informação, basta acessar o site e inserir o conteúdo duvidoso no espaço indicado. Em segundos, o sistema indica se a notícia pode ser falsa ou verdadeira. A equipe coordenada pelo cientista da computação Thiago Pardo, da USP em São Carlos, desenvolveu a plataforma Detecção Automática de Notícias Falsas para o Português a partir do aprimoramento de uma estratégia criada em 2015 por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Além de aperfeiçoá-la, os brasileiros também a adaptaram para o português. “Existem outras ferramentas que tentam educar o usuário diante das fake news, mas o nosso sistema é o primeiro a classificar notícias falsas e verdadeiras automaticamente em português”, afirma. O sistema usa técnicas de inteligência artificial, em especial aprendizado de máquinas. A partir de uma base de 3,6 mil notícias verdadeiras, extraídas da grande imprensa, e o mesmo número de textos falsos, o programa identificou um padrão para cada tipo de texto (verdadeiro ou falso) levando em conta as classes gramaticais (verbo, substantivo, adjetivo e advérbio), a riqueza do vocabulário, o tamanho das frases e a quantidade de erros ortográficos. O sistema analisa ainda a pontuação, a emotividade e a incerteza expressa nos textos (Computational Processing of the Portuguese Language, 26 de agosto). Segundo os pesquisadores, quem escreve uma notícia falsa deixa rastros no estilo do texto. Uma característica das fake news é a frequência elevada de erros ortográficos. A ferramenta, por ora, não identifica partes falsas na informação – só é capaz de dizer se uma notícia é totalmente verdadeira ou falsa.

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