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Brasil

Amazônia mutante

Mesmo em regiões intocadas pelo homem, a composição da Floresta Amazônica está mudando. Cresceu a densidade dos representantes de alguns gêneros de árvores como o Parkia, ao qual pertencem o visgueiro e a faveira-benguê, e o Sclerolobium, com as árvores conhecidas como tachi ou taxi. Ao mesmo tempo, é hoje menor o espaço ocupado por outros gêneros, como o Croton, que abriga a dima, e o Oenocarpus, com a palmeira bacaba. Essas alterações aparecem em um estudo realizado ao longo de 20 anos sob a coordenação de William Laurance, do Instituto Smithsonian, Estados Unidos, com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade de São Paulo (USP) (Nature , 11 de março).

Os pesquisadores acompanharam a taxa de crescimento e de mortalidade de 13.700 árvores. Dos 115 gêneros estudados, houve mudanças em 31, dos quais 13 encorparam e ocuparam mais espaço, enquanto outros 13 encolheram. Houve avanços e recuos expressivos: a densidade das árvores do gênero Croton caiu 35% e a do Oenocarpus, 32,3%; já a dos representantes do gênero Sclerobium cresceu 76% e a do Parkia, 22%.

Esse fenômeno parece refletir as secas decorrentes do El Niño, as alterações nos regimes de chuva ou, o mais provável, a crescente participação de gás carbônico (CO2) na atmosfera, cuja quantidade aumentou 30% nos últimos 20 anos como resultado das emissões de automóveis e indústrias e queimadas. Uma das conseqüências mais importantes é a diminuição na capacidade de retenção de CO2 . “As árvores cuja população está aumentando têm em geral madeiras menos densas, que retêm menos carbono”, comenta Alexandre Oliveira, da USP, que participou do estudo. Segundo ele, tende a se reduzir a diversidade de polinizadores, dispersores, herbívoros e parasitas associados às árvores menores, que vivem à sombra de outras.

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